_17/05

Facing Pages entrevista Anna Anjos




annaanjos

Ae galera, sou o Thiago Loti, um dos criadores do blog Facing Pages, como apresentado neste post, e aqui vai nosso primeiro post de conteúdo para o BA.Blog. Espero que gostem!

Anna Anjos nasceu em março de 1985, em São Paulo, capital.

Em 2006, formou-se designer pela Belas Artes de São Paulo. Seu interesse por cinema desenvolveu-se ainda no período acadêmico. Tornou-se pesquisadora do Programa de Iniciação Científica em Linguagem Cinematográfica e Vídeo Design em 2005, o que possibilitou o desenvolvimento de um olhar mais crítico a respeito da mídia audiovisual.

Trabalhou como colorista e designer na Fábrica de Quadrinhos e Hiperquimica, atuando em diversas agências de publicidade do país.

Em 2008, participou da criação do projeto gráfico para o Festival Latino-Americano de Publicidade, o El Ojo de Iberoamerica.

Atualmente, trabalhando como artista plástica e ilustradora freelancer, atuando para os mercados editorial e publicitário, a paulistana Anna Anjos já revela os traços de uma artista madura, com um estilo original, fazendo prevalecer sua ousadia artística, inventiva e irreverente. Misturando formas estilizadas, ela extrai elementos do ludismo para incorporá-los em sua realidade de criação, fazendo-nos entrar num espaço original, em que as cores brincam com as formas.

Essa alquimia de criação nos mostra uma produção bastante especial: personagens puros, que refletem uma ingenuidade em seus corpos, mas que revelam a firmeza de suas personalidades e de suas emoções através dos seus traços bem definidos, brindando-nos com a gênese de um estilo que faz de Anna Anjos uma artista marcante, já com sua patente dentro do nosso universo artístico contemporâneo.

Na atual fase de sua carreira, seu olhar se volta para a criação de sua própria mitologia, com o nascimento das denominadas “Entidades Afrotropicais”, desenvolvida pela artista, cuja referência permeia a cultura brasileira (nordestina) e africana, dando origem a personagens que escapam da dimensão digital e se materializam sob a forma de máscaras e outras formas de arte. Isso demonstra a atual preocupação da artista com a expressão de natureza mais plástica, tridimensional, inserindo-a num universo artístico de espaço mais abrangente

Confira abaixo uma entrevista que ela nos concedeu falando um pouco sobre o seu processo criativo, referências e inspirações!

1. Por que optou por Design Gráfico?
Na verdade, eu já tinha a ideia de fazer alguma faculdade relacionada à criação, porque eu sempre gostei de desenhar, mas, na época, não tinha uma faculdade de ilustração. O curso que mais se aproximava era Design Gráfico, e eu obtive conhecimentos como o de composição de cena, harmonia dos elementos etc. Isso foi importante, pois quando eu investi no carreira de ilustradora eu levei esses conhecimentos comigo.

2. Tendo seu pai como artista, isso te influenciou?
MUITO! Ele era ilustrador, mas nunca seguiu a profissão, e conforme eu fui amadurecendo, fui crescendo, eu fui pensando mas ele desenha tão bem e nunca seguiu sua carreira, então eu resolvi tentar, é uma coisa que eu gosto tanto, é a minha paixão de verdade, por que não investir nisso?

3. Seus trabalhos são originais. Onde buscou originalidade?
A base de tudo é referência. Busquei tentar absorver todo tipo de referência possível, tudo é válido, tudo você vai carregar. Viagem, palestra, evento, tudo, mas ainda acho que viagem é a principal forma de captação de riqueza. Todo mundo quer um estilo próprio. Eu ficava treinando e rafiando, e não saía. Quando eu desencanei disso, fui fazendo mais descompromissadamente e fui conseguindo! Ironicamente, foi aí que eu consegui desenvolver esse estilo.

4. Quais são suas principais referências no mundo da arte?
Eu gosto muito de surrealismo. Salvador Dalí pra mim é demais! Na área do cinema, eu gosto muito do David Lynch, ele é bem surreal, experimentalista, mexe com o inconsciente. Que na verdade, é do mesmo jeito que é o meu trabalho. A música me influencia muito, é o que mais me influencia. E também o Tropicalismo e toda essa corrente artística dessa época no Brasil.

5. O que você acha que chama mais atenção em seus trabalhos? A brincadeira com as cores ou com as formas?
Na verdade eu acho que é um casamento das duas coisas, é isso que torna o trabalho de qualquer ilustrador único. A união da forma com as cores. Eu gosto muito de cor, é o que eu sempre gostei. Eu procuro manter o meu trabalho o mais colorido possível porque é o que eu sou. Eu sou muito alegre. Mas, na verdade, eu acho que tem que ter esse casamento pra remeter à identidade de um trabalho.

6. Como é seu processo criativo?
Eu sou movida a música, é um combustível muito forte pra mim. Eu procuro adequar alguma música ao projeto que estou fazendo, se não eu não consigo criar como eu gostaria. O trabalho que eu fiz do “Mundinho”, que foi o primeiro trabalho infântil que eu fiz, falando da história nordestina, eu ouvi muita música nordestina para me inspirar, e aí eu consegui desenvolver. Então, na verdade, a música tem uma relação muito forte no meu trabalho.

7. Quais são as principais dificuldades de se trabalhar só como freelancer?
É uma coisa tentadora trabalhar só como freelancer, você vai ser seu próprio patrão, vai ter seus próprios horários, mas a principal dificuldade, principalmente no começo da carreira é prospectar cliente, é conseguir clientes fixos. É uma grande luta! Entrar em contato com cliente, mandar e-mail, falar do seu trabalho, telefonar, contato com agência, com produtora, com estúdio. A divulgação do seu trabalho é muito importante. O mercado está sempre te desafiando.

8. Você acha que hoje em dia o freelance ainda compensa?
O que compensa é ser apaixonado pelo que você faz. Pode até parecer clichê o que eu estou falando, mas, assim, se você acredita no seu trabalho, se você luta pelo seu trabalho, independe se você está num estúdio ou trabalhando por conta própria. Se você acreditar, você vai conseguir. O importante é estar sempre batalhando, se aprimorando, fazendo curso e se desenvolvendo cada vez mais, que você vai conseguir, com certeza!

9. Nas entrevistas que eu leio, você dá grande importância à sua formação na Belas Artes. Ao seu ver, qual a atual importância de uma graduação em tempos em que alguns se classificam como designers apenas por terem feito cursos como pacote Adobe, ou similares? Apenas sabem mexer nas ferramentas, mas não possuem nenhum conhecimento de teoria como Gestalt, equilíbrio e outros?
Na verdade, se você não tiver uma base teórica, não adianta nada ter conhecimento do programa, como Photoshop, por exemplo, e não saber como explorar esse programa da melhor forma possível. E isso a faculdade ajuda muito, porque ela vai dar embasamento teórico, a história do design, mas também ensina a mexer no programa. Isso é importante! A prática, o mercado te dá. A faculdade sem dúvida é indispensável.

10. Você tem alguma dica pra galera que ta começando, que vai começar, que está ingressando no mercado de trabalho?
O principal é não desistir, é focar em qual nicho de trabalho você quer atuar e investir nisso. Pesquisar a área mais a fundo, entrar em contato com profissionais da área, divulgar o seu trabalho, ter um portfólio atualizado, acho isso fundamental.

Gostaríamos de agradecer a atenção da Anna Anjos, que foi super simpática, paciente e prestativa nessa entrevista.

Pra quem não conheçe os trabalhos ou tem interesse em se aprofundar mais, é só acessar o site dela, mas aqui vai uma palhinha desses belíssimos trabalhos para você se apaixonar!

boi-tucuna elfic 3908705189_c57a48e925_b

caaa2 caboclo1-e caboclo2-e

ets joaocapule tucucu-e

 


asdaustgduhagsd

  1. Elcio Sartori disse:

    Como professor da Anna Anjos, sempre acreditei no potencial dessa moça. E sempre incentivei ela. Lembro-me de sua postura em sala de aula, sempre atenta, interessada, humilde e trabalhadora. Procurava dar o seu melhor em cada trabalho. O resultado está ai: um estilo inconfundível de ilustração, resultado de muito trabalho. Parabéns Anna, por saber que reconhecimento rima com merecimento. Prof. Elcio Sartori/Belas Artes de São Paulo.