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Estadão entrevista Ben Janssens




Notícia que pode ser do interesse dos amantes de arte, publicada hoje no Estadão.com.br.

Tratado das artes em Maastricht

Ben Janssens, organizador da feira de antiguidades TEFAF, falou à coluna

14 de março de 2011

Sonia Racy - O Estado de S.Paulo

A cidade histórica de Maastricht na Holanda hospeda, entre os dias 17 a 27, uma das maiores feiras de arte e antiguidades do mundo: a The European Fine Art Fair. Ainda pouco conhecida no Brasil, a TEFAF atrai gente do mundo inteiro. É destino certo dos maiores galeristas, colecionadores, curadores e interessados no mercado de arte, por onde passam média de 70 mil visitantes interessados em conhecer os 30 mil m² de planta estabelecidos no Centro de Congressos e Exposições. Para se ter uma ideia, em 2010, 163 jatos particulares visitaram a feira, sendo 55 nos primeiros dois dias depois da abertura.

‘Muitos negociadores e galeristas são colecionadores. Eu sou’, diz Janssens

Entre os compradores confirmados este ano, destacam-se museus como o Louvre, Quai Branly, d”Orsai, Fondation Cartier pour l”Art Contemporain e Petit Palais de Paris. De Londres, marcam presença a Tate, British Museum, National Gallery, Victoria e Albert Museum. Direto de Nova York, vai gente do Metropolitan, Guggenheim, entre outros.

Presidida pelo holandês Ben Janssens desde 2007, a feira fatura alto. Os 260 galeristas arrecadam ali quase 40% de tudo que vendem durante o ano todo. Mas ninguém fala em números. Com a exceção do valor das obras asseguradas em US$ 2 bilhões.

Destaque deste ano? Um Rembrandt avaliado em US$ 47 milhões. Algum galerista brasileiro faz parte da feira? “Ainda não, mas pretendemos ter mais para frente, quando o setor de arte contemporânea crescer”, contou à coluna o presidente da feira em conversa por telefone, semana passada. A TEFAF, por enquanto, busca é atrair colecionadores da America Latina.

O que acha da globalização no mundo das artes plásticas? Tem suas vantagens e desvantagens. De um lado, as pessoas estão mais informadas sobre o que há no mundo, incluindo os negociadores. De outro, existe um sentimento de que tudo está muito igual. Nesse contexto, nosso evento procura se diferenciar da padronização.

Qual foi o impacto da crise em 2008 para o mercado das artes? Todo mundo sentiu. E o impacto maior se deu no mercado de arte moderna e contemporânea. Existe uma explicação para tanto. Havia mais especulação e investimento do que nos outros tipos de arte. Contudo, falando dos “after effects”, senti menos no segmento top - o mesmo que a feira Maastricht trabalha. Como nossas peças são raras e muito procuradas, os negociadores desse segmento foram pouco atingidos.

Qual sua expectativa para os próximos anos? Negocio muito arte chinesa, um mercado forte e crescente. Mas é claro que depois da crise, está tudo mais difícil. O mercado está mais seletivo. O que acaba sendo bom porque força galeristas a serem mais seletivos. Temos que trabalhar duro e isso não é ruim.

Você fez faculdade de Direito. Como se interessou por artes? Não cheguei a me formar. Ainda estudando, entrei em contato com galeristas e negociadores e acabei entrando neste mundo fascinante. Eu não era particularmente interessado em arte. E primeiro me apaixonei pela negociação. Só depois pela arte.

Que conselho daria a quem vai começar a colecionar? Não se deve comprar de início. Não é bom comprar por impulso. E colecionar, como quase tudo na vida, é um oficio que se aprende. É melhor esperar, visitar feiras, museus, perguntar. Depois de um ano ou dois talvez o novo colecionador esteja pronto para comprar. Aí é preciso avaliar o orçamento e buscar comprar peças boas. No lugar de comprar cinco peças bacanas, optar por uma que seja excelente e mais rara.

É preciso ser visionário? Acredito que sim. A maioria dos colecionadores torna-se acadêmica. Compra não por paixão, mas por valor de coleção. Não gosto disto. Prefiro gente como a maioria dos meus melhores clientes que, ao se deparar com uma obra boa com preço baixo, não a levam porque não gostam dela. E ponto. Tenho respeito por isso.

A maioria compra por investimento? Não, por prazer. Mas gosta também de saber que é um investimento, tendo em mente que o maior ganho que você pode ter é olhar para aquela peça todos os dias. Não necessariamente tem retorno financeiro.

O que difere um marchand de um colecionador? Muitos negociadores e galeristas são colecionadores. Eu sou. Por isso entendem a necessidade dos clientes. Mas defendo que um negociador não deve colecionar no campo de trabalho. Aí você compete com seu cliente.

Acredita que há espaço para o Brasil no mercado emergente de arte? Há sim. Na nossa feira, no entanto, o setor de arte contemporânea ainda é pequeno. Não há como acomodar todos. Mas estamos dando passos na direção correta e de olho na arte brasileira. No futuro, adoraríamos ver mais galeristas do Brasil.

Nos últimos anos houve roubos graves em grandes museus. Fala-se muito sobre um mercado negro de arte. O que você acha? Sempre se falou sobre isto. Mas não há evidências até agora de que realmente exista. Por outro lado, sim, pinturas importantes são roubadas por dinheiro. É uma dificuldade que começa pelos museus, que precisam estar acessíveis a todos e, ao mesmo tempo, restringir o movimento para preservar as peças. É um equilíbrio delicado. Temos o mesmo problema na feira. Não queremos dificultar a entrada do visitante, mas prestamos muita atenção na segurança.

E qual é a diferença de uma peça rara e clássica e de um contemporânea? De um Renoir e um Damien Hirst, por exemplo? Na arte contemporânea há um elemento da juventude, de moda, de época. O que, às vezes, pode virar coisa de aparências. A compra é feita para impressionar. Isso acontece menos nos campos da arte clássica.

É possível para uma pessoa comum, que não é colecionadora, comprar arte? Há arte para todo mundo. Até na feira é possível comprar coisas acessíveis. O critério deve ser a qualidade.

Há museus que nascem de grandes colecionadores individuais, como o Masp no Brasil. Ainda há gente assim no mundo? Existe. Eu lido com clientes que colecionam há 20 anos e, de quando em quando, têm uma crise se perguntando “que eu vou fazer com tudo isso?”. Aconselhamos, nessas horas, a abrirem suas coleções, fazerem doações. Como negociador é difícil me colocar. Porque isso é bom para os museus e para o público e não para a gente. (risos) O mais equilibrado é vender algumas peças revertendo a renda para museus investirem em educação.

Quem tem comprado mais? Os chineses, seguindo a tendência global. Temos colecionadores do mundo inteiro, mas os chineses compram muito.

Fonte


asdaustgduhagsd

  1. JOSENILZA disse:

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