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Acervo norueguês nos 60 anos da Bienal de SP




A exposição programada para comemorar os 60 anos da Bienal de São Paulo terá as dimensões de uma bienal ela mesma.

Com 111 artistas e 432 obras, “Em Nome do Artista” ou “Estar com Arte É Tudo que Pedimos” –ainda não está decidido qual será o título definitivo– será uma constelação de exposições, todas a partir do acervo do museu Astrup Fearnley, de Oslo (Noruega).

A exposição deve começar em setembro e ficar em cartaz por três meses, ocupando 80% do pavilhão da Bienal, no Ibirapuera.
A mostra será dividida em quatro módulos. Dois deles serão exposições inteiras que o museu organizou, e seu criador, o empresário norueguês Hans Rasmus Astrup, comprou na íntegra.

A primeira, “Uncertain States of America”, organizada em 2005, por Hans Ulrich Obrist, Daniel Birnbaum e Gunnar B. Kvaran, mapeou a jovem produção norte-americana.

A segunda, “China Power Station”, de 2007, teve a curadoria de Obrist, Kvaran e Julia Peyton-Jones. As duas exposições circularam por outros museus.

“Ambas as exposições virão a São Paulo ampliadas, pois seguimos comprando alguns dos artistas que dela participaram”, conta o islandês Kvaran, de Oslo.

O curador esteve em São Paulo, na semana passada, para acertar os detalhes, entre eles a arquitetura da mostra, que será feita por Daniela Thomas e Felipe Tassara.

No próximo ano, o museu Astrup Fearnley e seu curador estão envolvidos com a organização de outra mostra sobre jovens artistas, desta vez tendo o Brasil como tema. Além de Obrist e Peyton-Jones, o curador brasileiro Paulo Herkenhoff também está participando de sua organização.

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A obra “Cremaster 3: The Five Points of Fellowship” (2002), do artista Matthew Barney, que será exposta na mostra comemorativa

NOVOS CLÁSSICOS

Se “Uncertain States of America” e “China Power Station” representam toda uma nova geração na produção contemporânea (Allora & Calzadilla, que tomaram parte da primeira, irão representar os Estados Unidos na Bienal de Veneza, em junho), os outros dois segmentos da mostra irão se ocupar de nomes já consagrados.

Um desses segmentos será dedicado a grandes instalações. “Temos artistas, como Janet Cardiff, Matthew Barney ou Ernesto Neto, com obras de grandes dimensões na coleção, e por isso é importante que isso esteja representado”, conta Kvaran.

Já o último segmento da mostra será dedicado ao que o curador chama de “novos clássicos”.

“Quando Heitor Martins me mostrou o catálogo da 2ª Bienal de SP, de 1953, vi que, além de Guernica, de Picasso, havia uma seleção de 20 Pollocks, que naquela época era famoso, mas que pode ser comparado ao que são hoje artistas como Jeff Koons ou Damien Hirst”, explica o curador.

Assim, nesta seção estarão obras de artistas como Cindy Sherman, Matthew Barney e Richard Prince, que nos últimos 20 anos alcançaram grande projeção no circuito da arte contemporânea.

“Temos tantas obras de cada um deles que será possível ter retrospectivas desses artistas dentro da própria exposição”, conta Kvaran.

“Creio que, na reunião de todos esses artistas e obras, teremos um sabor de Bienal nos 60 anos da Bienal”, diz.

Artigo de Fabio Cypriano para a Folha.