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Mercado em alta em mais uma SP-Arte




A SP-Arte 2011 - Feira Internacional de Arte de São Paulo, que foi inaugurada ontem para convidados e hoje para o público, vai ocupando cada vez mais o prédio da Bienal. Em sua 7.ª edição, o evento, que tem 89 galerias participantes (delas, 14 estrangeiras), se estende pelo térreo, primeiro piso e até pelo segundo andar do Pavilhão Ciccillo Matarazzo no Ibirapuera, apresentando mais de 2.500 obras de arte moderna e contemporânea. “Mas não tenho interesse em transformar a feira em feirão”, diz a advogada e colecionadora Fernanda Feitosa, diretora e criadora do evento, que ocorre desde 2005 no mesmo local. “Chegar, num futuro, a até 120 galerias é um número humano”, completa.

Não é novidade que o mercado de arte brasileiro continua indo bem. No ano passado, a SP-Arte teve aumento de 15% de vendas em relação à edição anterior - foram cerca de R$ 32 milhões de comércio direto de obras artísticas. “E pode ser que tenha acréscimo este ano”, diz a diretora da SP-Arte.

Para se ter uma ideia ainda dos bons ventos do mercado, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) apresentou alguns dados interessantes, como o de que se movimentou, em 2009, US$ 14,93 milhões (recorde) de vendas de obras brasileiras no exterior e, em 2010, US$ 10 milhões. Os principais destinos das criações nacionais foram EUA, Suíça, Reino Unido, Espanha, México, Emirados Árabes e Suécia.

A feira paulistana integra, assim, esse circuito. Mas Fernanda não vê, ainda, impacto no evento do anúncio de que em setembro será realizada a Art Rio, feira de arte carioca no Pier Mauá - que, na verdade, vem adiando sua concretização há um tempo. “É uma iniciativa interessante porque surgiu da SP-Arte.”

Escala residencial. “A maior saída da feira e de obras da chamada escala residencial”, diz Fernanda Feitosa. São raros os casos de vendas, em todas as edições da feira, de peças milionárias, apesar de sempre se ver no evento estandes de galerias que trabalham com artistas modernos. O grande escopo comercializado se refere a fotografias, pinturas e objetos e é uma boa iniciativa da SP-Arte dedicar o espaço do mezanino do prédio para galerias menores ou jovens como Emma Thomas e Amarelonegro.

Mas, de alguma maneira, a diretora da SP-Arte criou, este ano, um espaço para instalações e obras de maiores dimensões no segundo piso da Bienal para o que ela considera ser um chamativo “para compras institucionais”. São 22 obras na área, de artistas como Regina Silveira - que recriou sua famosa intervenção feita na 24.ª Bienal de São Paulo, em 1998 -, Luiz Zerbini, Iole de Freitas e Marepe. Entretanto, o espaço das instalações parece não ter sintonia com a feira. No segundo piso, ainda, há sala para exibição de vídeos selecionados pela crítica Paula Alzugaray.

O crescimento do tamanho da SP-Arte 2011 inclui uma maior participação de galerias estrangeiras, algumas, pela primeira vez, como La Fabrica, de Madri, dedicada à fotografia, Filomena Soares, de Lisboa, e Hasted Kraeutler, de Nova York. “O crescimento internacional pode ser em qualquer direção”, diz Fernanda, mas ressaltando que a feira deveria “ter uma participação mais latina”. Interessante também a entrada de galerias de Ribeirão Preto (a Marcelo Guarnieri, com peças de Yamamoto Masao e Richard Serra) e de Brasília (Referência). Orçada em mais de R$ 2 milhões - Lei Rouanet e recursos próprios -, a SP-Arte ainda oferece, entre amanhã e sábado, programação gratuita de mesas-redondas no auditório do MAM e abrigará lançamentos de livros e publicações.

SP-ARTE
Pavilhão da Bienal. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 3, Parque do Ibirapuera. 5ª e 6ª, das 14 h às 22 h; sáb. e dom., das 12 h às 20 h. R$ 30. Até 15/5. Hoje, abertura, das 18 h às 22 h.

Fonte Estadão