Histórico das atividades do TICCIH

Os estudos sobre patrimônio industrial alcançaram, no mundo contemporâneo, uma relevância e uma importância histórica e social inquestionável, tendo sido até mesmo considerados como fundadores de uma "nova ciência".

A análise dos vestígios materiais da Revolução Industrial – fábricas, manufaturas, habitações operárias, canais fluviais, pontes, diques, aquedutos, estradas e estações ferroviárias, viadutos, bem como toda a espécie de máquinas e ferramentas - passou a fazer parte da constituição da memória e da identidade das populações urbanas.

Na Inglaterra, desde a década de 1950 (ou seja, paradoxalmente um dos picos do período de desindustrialização vivido por aquele país) os bens industriais foram listados e reconhecidos pelo Conselho Nacional de Arqueologia. Em 1963 surgia o primeiro periódico especializado na área, o Journal of Industrial Archaeology, mais tarde apenas Industrial Archaeology. Neste mesmo país vários estudiosos, acadêmicos ou não (como Charles Hadfield, Kenneth Hudson, Arthur Raistrick e George Watkins), deram início a uma série de levantamentos e análises que, de certo modo, sensibilizaram a opinião pública para a importância dos vestígios industriais.

Em 1978, por ocasião do III Congresso Internacional para a Conservação dos Monumentos Industriais – o primeiro havia sido em 1973 em Ironbridge – em Estocolmo, Suécia, foi criado o The International Committee for the Conservation of Industrial Heritage (TICCIH), organismo cuja finalidade é promover a cooperação internacional no campo da preservação, conservação, localização, pesquisa, documentação e valorização do patrimônio industrial.

No caso do Brasil, bens relacionados às atividades da indústria humana (engenhos, mineração, máquinas e fábricas) bem como aos ofícios e "modos de fazer" em si relacionados a estes bens físicos têm suscitado muitas pesquisas e esforços para tombamento e preservação.

Estudos de caso, em sua maioria, estabeleceram princípios para o estudo do tema (como o inaugural texto de Warren Dean, publicado em 1976, sobre a Fábrica São Luiz de Itu). Por sua vez, a sociedade organizada manifestou-se várias vezes pela preservação de edifícios fabris ou ferroviários, demandando o tombamento municipal ou mesmo estadual de edifícios específicos; ou ainda, associações determinaram o estabelecimento de normas e princípios técnicos para a preservação destes bens, como no Manifesto do GEHT (Grupo de Estudos da História da Técnica), que firmou em 1998 um compromisso com recomendações para a preservação deste patrimônio em específico.

Não obstante, no Brasil, apesar de exemplos importantes, mas isolados, não há ainda um campo teórico, metodológico e prático formado para o conhecimento e a conservação do patrimônio industrial. Muitos exemplares de nosso rico passado são abandonados, a cada dia, à sua própria destruição, situação essa vivida por galpões industriais, antigas fábricas e seus maquinários, diversos tipos de documentos das atividades fabris, linhas de trem e antigas estações.

Afinal, os vestígios da industrialização, pela sua própria inserção na trama urbana, são rapidamente destruídos na ampliação das atividades econômicas ou fabris. Em contraposição, o tombamento dos remanescentes da Real Fábrica de Ferro São João de Ipanema (Iperó, SP) pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1964, é, por exemplo, um caso quase excepcional no que diz respeito à ação do poder público federal para a preservação do patrimônio industrial em nosso país.

Entretanto, a galopante substituição das atividades produtivas pelas do setor de serviços ou pelo trabalho informal provocam a descaracterização permanente de importantes edifícios ou a simples demolição. Logo, neste momento, tornou-se fundamental a valorização do patrimônio industrial nacional, o que implica não somente a proteção a áreas urbanas centrais e a recuperação de construções degradadas, inclusive a maquinaria, e, simultaneamente, entender seu funcionamento para, por meio deste esforço, revelar a vida e o trabalho das gerações passadas.

No ano de 2004, ocorreu na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) o I Encontro em Patrimônio Industrial, entre 17 e 20 de novembro, durante o qual foi fundado o Comitê Brasileiro para a Preservação do Patrimônio Industrial (TICCIH- Brasil) que, desde então, tem participado de encontros latino-americanos e internacionais e fomentado a pesquisa e o conhecimento do patrimônio industrial no Brasil.

Em 2007, na cerimônia de encerramento do "V Coloquio Latinoamericano sobre Rescate y Preservación del Patrimonio Industrial" em Buenos Aires, Argentina, o Brasil foi escolhido como a sede do VI Colóquio Latino-Americano.

De 17 a 20 de junho de 2009 foi realizado o II Encontro sobre o Patrimônio Industrial pelo Centro Universitário Belas de São Paulo. O evento foi marcado pela eleição de uma direção para o Comitê Brasileiro para a Preservação do Patrimônio Industrial (TICCIH- Brasil) e a realização do VI Colóquio Latino-Americano foi assumida como uma das principais metas da nova diretoria.