AlmapBBDO | Entrevista exclusiva com o diretor de criação, Marcelo Nogueira

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Orientados pela Profa. Cintia Dal Bello, os alunos do 1º semestre em Publicidade e Propaganda do Centro Universitário Belas Artes realizaram uma visita técnica a uma agência de Publicidade para conhecerem sua estrutura e também entrevistarem um profissional da área que pudesse explicar o fluxo de trabalho, além de dar algumas dicas para os futuros profissionais.

A seguir, confiram a entrevista exclusiva que as alunas Gabryelle Kemilly da Silva Andrade, Milena Costa da Silva e Natalia Fernandes Pereira realizaram com Marcelo Nogueira, diretor executivo de Criação da AlmapBBDO.

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A AlmapBBDO é uma das maiores agências de Publicidade do Brasil, tem em seu histórico mais de 200 Leões de Cannes e foi nomeada em 2016 como a agência do ano (Cannes); sua ideologia profissional busca agregar da melhor maneira possível todos os departamentos da agência e criar peças publicitárias de impacto e que refletem a personalidade da empresa. 

A AlmapBBDO é uma agência de grande porte, tem cerca de 400 funcionários que trabalham juntos compartilhando ideias e estão distribuídos nos principais departamentos de atendimento, planejamento, mídia, criação. Seus principais clientes são: Bradesco Seguros, Visa, Pepsi, Havaianas, O Boticário, iFood e várias outras marcas conceituadas no mercado. 

Apesar dos outros ramos da Publicidade terem crescido muito ultimamente, a criação ainda é a mais procurada e, por essa razão, nós, estudantes do 1º semestre de PP do Centro Universitário Belas Artes entrevistamos um dos principais profissionais da área de criação da AlmapBBDO, Marcelo Nogueira. Ele é formado em Publicidade e Propaganda, atua na área há cerca de 20 anos e atualmente é Diretor Executivo de Criação da AlmapBBDO. 

Entrevista: 

Natália: Primeiramente, o que o levou a escolher a publicidade como carreira?

Marcelo: Então, quando eu era bem novo, eu queria ser roteirista de quadrinhos, porque eu descobri lendo um quadrinho da Mônica em que o personagem falava com o roteirista. E eu fui perguntar para a minha mãe o que é um roteirista e ela me contou: “É a pessoa que tem a ideia da história”. Ai, eu falei “Então tem uma pessoa que ganha para ter ideias? É isso que eu quero ser”. Até que eu conheci um roteirista de história em quadrinhos e ele falou “Pelo amor de Deus, não faça isso! Eu não ganho nada, não aprovam minhas ideias, minha vida é difícil, vai fazer propaganda que você pode trabalhar com ideias e pode ter uma carreira em cima disso” – e eu acreditei nele. Ele também estava errado, eu também poderia ser um roteirista de quadrinhos, mas foi o que aconteceu, e ai eu comecei a estudar propaganda, comecei a gostar e segui por esse caminho.

Natália: E como é o dia a dia de um “criador”? 

Marcelo: Então, o dia-a-dia de um criador de agência, que a gente chama de criativo, ele é assim: Você recebe o briefing, que é um pedido de uma campanha ou uma peça publicitária do cliente. Você vai pegar esse briefing, vai conversar com as pessoas que você tem que conversar, com o seu diretor de criação, com o pessoal do atendimento, para você entender bem o que o cliente quer naquele trabalho. Quando você entendeu tudo, você estudou, você foi na internet ver o que esse cliente está fazendo, o que as outras marcas estão fazendo… Você estudou, você fez sua lição de casa, aí começa o trabalho criativo. Você vai com sua dupla… Vamos pensar no formato mais normal, mais comum que você cria em dupla, um redator e um diretor de arte, você vai com a sua dupla para um lugar calmo, tranquilo. Nas agências muitas vezes a gente tem salinhas para você sentar com sua dupla e criar. E ai vocês começam o processo criativo, que é soltar a mão nas ideias, pensar em um monte de ideias diferentes que podem ser boas, ruins, péssimas, dentro do briefing, fora do briefing, nada a ver, ideia de um salgadinho novo, o que quer que seja para você gerar uma quantidade enorme de ideias e fazer o seu cérebro percorrer um monte de universos diferentes e buscar as ideias que não são óbvias, que em geral são as primeiras, depois que você passa esse mar de ideias ruins, começam a vir as coisas mais originais. Depois que tem esse processo todo, ai você escolhe algumas que você acha que vai passar menos vergonha apresentando para o seu diretor de criação, você leva para ele e torce para ele gostar de alguma. Em geral ele não gosta de nada e você repete o processo inteiro de novo. 

Natália: Quem são as suas maiores influências na publicidade? 

Marcelo: Quando eu comecei, eu comecei numa produtora, numa finalizadora que é conta do processo de produção, eu era editor, mas no início eu era o menino das cópias, eu ficava copiando a fita, colocando os comerciais em fitas para mandar para as emissoras. Então, eu via tudo que estava sendo feito, e eu fui começando a pesquisar quem que criava aquelas campanhas que eu gostava mais. Então na época apareciam muitas coisas do Marcello Serpa da Almap, do Fábio Fernandes da F/Nazca, comecei a entender quem era Eugênio Mohallem, é um redator brilhante também do mercado… E ai depois eu dei a sorte de já começar na Almap, então eu conheci um monte de pessoas que foram me influenciando nesse caminho, o Luís Sanchez que é o sócio criativo da agência hoje em dia, o Edu Lima na F/Nazca, o Renato Simões, é gente pra caramba que eu tive sorte de conhecer e trabalhar no dia a dia que foram me influenciando pelo exemplo, pelo trabalho, e também pelo exemplo do dia a dia. 

Natália: Como profissional que já está no mercado de trabalho, você acha que hoje tem muitas oportunidades para quem está ingressando agora? 

Marcelo: Acho que essa resposta tem dois lados. A resposta é sim, eu acho que tem muitas oportunidades para quem está começando agora, mas se você me perguntasse se eu acho que é fácil, minha resposta é o contrário. Não, não é nada fácil, é muito difícil porque as boas agências são muito exigentes, ao mesmo tempo que elas estão muito desesperadas atrás de bons criativos, elas têm filtro muito rígido, então como tem muita gente querendo essas vagas, é difícil. Então, oportunidade tem. Eu estava até falando com o pessoal agora a pouco, acho que tem um espaço muito aberto por uma geração mais nova que não se formou de criativos porque nas faculdades, nas escolas, se criam um monte de pensamentos, não vou dizer preconceituosos, mas um monte de mitos sobre criação, que as pessoas entram querendo ser criativos e depois elas vão ser convencidas a não ser: “A propaganda não é só criação.”, “Criativo é o deslumbradinho.”, “O legal agora que tá fazendo sucesso é outra coisa”, e as pessoas vão desistindo, então acho que a gente tem uma geração que tem poucos criativos e um mar de planejamentos, e a criação das agências está precisando urgentemente de gente nova. O que, voltando ao que falei, não quer dizer que é fácil, continua sendo muito difícil porque as boas agências continuam sendo muito criteriosas e como as boas agências são poucas, as vagas boas são poucas também, mais gente e mais candidatos por vaga. 

Natália: Você poderia dar algumas dicas e conselhos para os estudantes de publicidade? 

Marcelo: Em geral, eu acho que as grandes decisões da vida são simples, então para você decidir o que você quer, você tem que entender o que o atrai naquela profissão. Se você é capaz de passar anos da sua vida lidando com a coisa principal da profissão, então se você trabalhar na criação de uma agência, a coisa mais importante é a criatividade. Se é capaz de trabalhar 10 anos da sua vida lidando com criatividade, você ia achar isso legal? Então, essa é uma área que você deve se dedicar. Se você é uma pessoa mais analítica, que gosta de criatividade, gosta de propaganda, mas o que o atrai naquela área é você planejar, você estudar, você trabalhar com pesquisa, talvez o planejamento seja a sua área. Então, eu acho que primeiro, antes de tudo você tem que escolher o que combina com o que você quer e com o que você gosta de fazer e depois você ir atrás do que você precisa fazer para ser bom naquilo, e depois o que você precisa fazer para arranjar uma vaga. Que isso é uma coisa que eu vi numa palestra do Steve Martin, em que ele fala: “Muitas vezes depois de shows de comédia, um monte de gente vem me perguntar ‘o que eu faço para ganhar uma chance?’, ‘o que faço para estourar?’, ‘o que eu faço para ficar famoso?’… Mas ninguém me pergunta: ‘o que eu faço para ser bom?’, ‘O que eu faço para ficar bom, para melhorar?’”. Então, você deve focar primeiro no que você precisa fazer para ser bom, para aprender, para melhorar e depois você procura sua primeira vaga para entrar no mercado. 

Natália: E para finalizar, qual é o segredo do sucesso em publicidade e propaganda?

Marcelo: Como é que eu vou saber isso? (Risos). Eu vou responder pensando em muitas pessoas bem-sucedidas que eu já vi dando palestras, falando e contando suas histórias e a resposta é muito simples para mim. É muita paixão e muito trabalho, todo mundo que eu conheço e que eu admiro e que é bem-sucedido tem essas duas coisas em excesso. Trabalharam muito e são muito apaixonadas.

Confira aqui a entrevista em vídeo

Autoria: Gabryelle Kemilly da Silva Andrade, Milena Costa da Silva e Natalia Fernandes Pereira (alunas do 1º semestre PP).

Cintia Dal Bello

Cintia Dal Bello

Cíntia Dal Bello é doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, com especializações em Marketing e Comunicação (pela Cásper Líbero) e Cultura e Meios de Comunicação (pela PUC-SP). Como publicitária, acumula experiências em criação publicitária, planejamento de comunicação e marketing escolar. Sua pesquisa versa sobre cibercultura, subjetividade, identidade, tele-existência e imaginário tecnológico. Atualmente, estuda os temas arquetípicos da psicologia profunda para compreender as dimensões da imagem e do imaginário nos processos criativos.

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