Cine BA homenageia Audrey Hepburn em sua 6ª edição – JO Belas Artes

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A mostra começou na terça-feira (15) com o filme “A princesa e o Plebeu”

*** Por Leticia Quintela (aluna de Jornalismo Belas Artes) ***

Nessa semana, a Belas Artes, com apoio do Criar + e do Curso de Pós-Graduação em Cinema, deram início a mais uma mostra Cine BA. Os filmes apresentados na Sala Stadium têm a curadoria dos professores Carlos Gonçalves e Guilherme Bryan, e neste semestre o circuito tem como eixo central as produções estreladas pela brilhante Audrey Hepburn. 

O clássico “A princesa e o Plebeu” (1953), o primeiro que a artista protagonizou, foi o eleito para abrir a sequência. O longa-metragem conta a história da princesa Ann (Audrey Hepburn), que resolve viver um dia de liberdade anonimamente, mas acaba se envolvendo com Joe Bradley (Gregory Peck), um jornalista que a reconhece e faz de tudo para obter um furo, no entretanto esse acaba desistindo da sua reportagem e opta por preservar a imagem da princesa. 

O filme, que rendeu a Audrey um Oscar de melhor atriz, seria apenas mais uma história de conto de fadas, com uma fotografia marcada pelo uso de sombras, e um roteiro bem escrito e de fácil compreensão. No entanto, a produção aborda um tema polêmico, inclusive nos dias de hoje: o Feminismo. O longa foi lançado durante a primeira onda do movimento que luta pela igualdade dos direitos entre homens e mulheres. 

A personagem Ann aborda o assunto de maneira sutil e objetiva, provocando o telespectador a rever a posição da mulher na sociedade. Outro aspecto importante a ser observado são as formas como se deram as relações internacionais após oito anos do término da Segunda Guerra Mundial. Assunto esse que foi muito bem exposto pelos professores Miguel Arab e Mirlene Simões durante debate após a exibição do filme. 

A história se passa na Itália. No entanto, a princesa, que está apenas de passagem pelo país, não possui nacionalidade, o que reforça a teoria levantada pelos professores de que a produção foi feita para evidenciar a posição americana tanto economicamente, quanto culturalmente. 

“Estamos falando de um pós-guerra onde a Europa continua tentando se fortalecer economicamente, enquanto os Estados Unidos se tornam potência econômica do mundo”, diz a professora Mirlene, que também ressalta a importância da atriz homenageada para época. 

Para a professora, o investimento do filme vai além de propagar a nova cultura do modelo americano. A personagem de Audrey destoa do momento por causa da sua representação feminista, demonstrada na produção, principalmente na cena em que Ann resolve cortar o cabelo. “Cortar cabelo é um símbolo [feminista] muito forte para a década de 50”, completa Mirlene. 

Já o professor Miguel enfatizou a trajetória da atriz, que ganhou força graças a sua atuação nesse filme, que também proporcionou a sua entrada para causa humanitária. A atriz também foi embaixadora da Boa Vontade da Unicef. “Ela sai desse filme, vira um super estrela e se torna uma embaixadora da paz e da questão humanitária no mundo. E ela fala que a Unicef a ajudou a ter o papel que sempre sonhou”, comentou o professor. 

Programação: 

O Cine BA conta com mais quatro filmes exibidos na sala Stadium, seguidos de um debate com professores convidados: 

-       “O passado não perdoa” – Dia 17/5 (quinta-feira), com a participação do professor Sidney Leite e da professora Denise Tangerino para o debate. A sessão está marcada para iniciar às 13h.

-       “Sabrina” – Dia 22/5, com os comentários dos professores Jaime Vega e Márcia Siqueira. A sessão começa às 17h. 

-       “My fair Lady” – Dia 23/5 – O filme começará às 13h e para o debate os professores convidados são: Jô Souza e Emerson Brito. 

-       “Bonequinha de Luxo” – Dia 24/5 – Terá início às 13h e as professoras Rosa Pimpão e Wildney Feres realizarão os comentários.  

O Cine BA está em sua 6ª edição e, desta vez, homenageia Audrey Hepburn, que faria 89 anos neste mês.

Cintia Dal Bello

Cintia Dal Bello

Cíntia Dal Bello é doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, com especializações em Marketing e Comunicação (pela Cásper Líbero) e Cultura e Meios de Comunicação (pela PUC-SP). Como publicitária, acumula experiências em criação publicitária, planejamento de comunicação e marketing escolar. Sua pesquisa versa sobre cibercultura, subjetividade, identidade, tele-existência e imaginário tecnológico. Libriana, mãe de três filhos, amante da música, das artes e da vida.

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