Cine BA: Mostra Audrey Hepburn exibe “O passado não perdoa” – Cinema Belas Artes

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O PASSADO NÃO PERDOA É ATRAÇÃO DO SEGUNDO DIA DO CINE BA

Colaboração: Adryelle Valgas Damasco e Vítor Galvão

Na última quinta-feira (16), o Cine BA exibiu o filme “O Passado Não Perdoa”, dirigido por John Huston, seguido de debate entre o pró-reitor acadêmico da Belas Artes, Sidney Leite, e a professora Denise Tangerino. A sessão fez parte da mostra dedicada à atriz Audrey Hepburn e que continua nesta semana.

No filme, Audrey Hepburn vive Rachel Zachary, uma filha adotiva de uma rica família texana, que se encontra apaixonada por aquele que acredita ser seu irmão, Ben Zachary (Burt Lancaster). Até que, no meio de um áspero entrevero, um dos índios da tribo Kiowa diz que a menina é, na verdade, uma índia e exige que ela se junte a eles. É quando os Zachary e os nativos entram em guerra, até que Rachel finalmente escolhe em que lado quer ficar. Ou seja, temos aqui um enredo atrativo e cheio de reviravoltas, essencial para quem se considera cinéfilo.

Sidney Leite acredita que “ele é um filme de transição, com elementos de um cinema dos anos 50 e de um cinema que está começando nos anos 60”. Para o pró-reitor o longa, apesar de pertencer ao gênero faroeste, algo recorrente nas produções da época, traz à tona novas discussões. A obra se faz engajada ao mexer em temas delicados, como o racismo e o incesto, por exemplo. E esse talvez seja o maior diferencial do filme, ainda que esse não seja o tema principal. Não podemos dizer o mesmo de outros longas da mesma época, que visavam apenas o entretenimento, como “Psicose”, de Alfred Hitchcock, e “Spartacus”, de Stanley Kubrick, ambos de 1960.

“Esse filme para o John Huston foi uma ‘vergonha’, pois não chegou nem a ter grande bilheteria e nem teve a densidade de um filme europeu”, afirmou Denise Tangerino a respeito da impressão que o próprio diretor teve de seu longa. A professora afirma que Huston alegou na época ter tido muita pressão de Hollywood para tornar seu filme algo mais “comercial”. Os palestrantes também destacaram aspectos técnicos do longa, que enriquecem o produto final. “O primeiro plano do filme é um ambiente extremamente árido e seco, que lembra muitos filmes do cinema novo, com ossos de animais que morreram pela aridez e você tem aquele céu azul”, comentou Sidney Leite.

 

A Mostra Audrey Hepburn, sediada na Belas Artes, tem a curadoria dos professores Carlos Pereira Gonçalves e Guilherme Bryan, e tem as seguintes próximas sessões:
Sabrina – dia 22/05 das 17h às 19h20
My Fair Lady – dia 23/05 das 13h às 15h30
Bonequinha De Luxo – dia 24/05 das 13h às 15h30

Cintia Dal Bello

Cintia Dal Bello

Cíntia Dal Bello é doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, com especializações em Marketing e Comunicação (pela Cásper Líbero) e Cultura e Meios de Comunicação (pela PUC-SP). Como publicitária, acumula experiências em criação publicitária, planejamento de comunicação e marketing escolar. Sua pesquisa versa sobre cibercultura, subjetividade, identidade, tele-existência e imaginário tecnológico. Libriana, mãe de três filhos, amante da música, das artes e da vida.

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