Palestra de Storytelling diverte os estudantes no quinto dia da IV Jornada de Comunicação Belas Artes

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Por Gabriel Magalhães Vidal de Lacerda

Contar histórias de forma interessante pode ser a melhor maneira de unir o público com o conteúdo. Partindo desse princípio, o palestrante Bruno D`Angelo expôs na oficina de Storyteching, uma das apresentações do terceiro dia da IV Jornada de Comunicação do Centro Universitário Belas Artes – que ocorreu em 25 de abril.

            Para começar a exposição do tema, Bruno – ex quadrinista, designer gráfico, desenvolvedor de aplicativos, diretor de conteúdo, entre outras profissões – deixou claro o que não é o storytelling. Na sua perspectiva, a técnica não é fazer branding content – termo usado no marketing de conteúdo para se referir à produção de conteúdo de uma determinada marca. O conceito é mais complexo. Envolve, sobretudo, a criação de narrativas imersivas.

Em outras palavras, usar o storytelling é contar narrativas unindo o leitor e a história, a ponto dos dois tornarem-se um só. Parece meio confuso. Na verdade, o próprio palestrante assumiu ser difícil de entender de primeira. Por isso, buscando introduzir o conceito de maneira interativa, Bruno usou de exemplos na cultura pop.

Neste ponto, os filmes Blade Runner (adaptação da obra do escritor Phillip Dick) e Valente (dos estúdios Disney) são alguns dos exemplos usados na elucidação do tema, e casos nos quais o narração de histórias é feita de tal forma que o público se sente parte da história.

E por que isso acontece? Simples, porque em todos esses exemplos os personagem tem um objetivo em mente. Os seres humanos como um todo seguem esse princípio, afinal, são indivíduos com o intuito de fazer alguma coisa. O interessante é perceber – nesse ponto o palestrante provoca a reflexão na cabeça dos ouvintes – que o divertido está no processo de conseguir algo, e não a obtenção da meta proposta.

Presença da Red Bull na palestra

            No meio da apresentação, Bruno foi brevemente interrompido – ou melhor, auxiliado na diversão do momento – por jovens representando a marca Red Bull. Os representantes, utilizando bolsas com o formato da lata do energético Red Bull, entraram na sala onde a exposição acontecia  e distribuíram, de graça,  energéticos para todos os presentes no local. Após a breve pausa, com os alunos e professores devidamente recuperados, o palestrante continuou a sua fala.

Aristóteles e Cinderela são citados no decorrer da exposição

            Seguindo o conteúdo programado, o designer ensina que o primeiro a definir o conceito de narrativa foi o pensador grego Aristóteles. Na visão do filósofo, são as falhas do personagem o que levam para a complicação da história. Conforme o desenrolar dos eventos, o teórico grego conceitua 2 atos, a introdução e a conclusão. Nesse ponto, Bruno explica não serem 3 atos, mas apenas dois no conceito aristotélico, sendo esta a real interpretação do estudos deixados por Aristóteles, neste tema em específico.

O interessante da palestra foi observar como o convidado apresentou os temas de forma lúdica, usando de exemplos conhecidos pelos adolescentes para melhorar o entendimento. Um bom exemplo foi a relação entre a Cinderela e a Bíblia nos altos e baixos de tensão na história. De acordo com Bruno, toda narrativa possui momentos de clímax – ou seja, de ápice – e de relaxamento. Na cinderela e no velho e novo testamento – ambos com personagens e acontecimentos completamente distintos – a ideia é a mesma. O intuito dessa comparação é mostrar que, se o objetivo é narrar algo, esse modelo pode ser um guia.

Final e perguntas

Por fim,  ele respondeu brevemente a pergunta dos alunos de Comunicação Social presentes e deu algumas dicas para àqueles que pretendem se tornar roteiristas, além de sugestões ao buscar referências no estudo do Storytelling.

Foi um dia com surpresas, diversão e, sobretudo, conhecimento. Os alunos, mesmo os que não conheciam nada sobre o tema, saíram com pelo menos uma ideia geral do storytelling e empolgados a conhecer mais sobre o tema.

Cintia Dal Bello

Cintia Dal Bello

Cíntia Dal Bello é doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, com especializações em Marketing e Comunicação (pela Cásper Líbero) e Cultura e Meios de Comunicação (pela PUC-SP). Como publicitária, acumula experiências em criação publicitária, planejamento de comunicação e marketing escolar. Sua pesquisa versa sobre cibercultura, subjetividade, identidade, tele-existência e imaginário tecnológico. Libriana, mãe de três filhos, amante da música, das artes e da vida.

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