Patrícia Blanco, do Instituto Palavra Aberta, fala sobre a era da Pós-Verdade

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Era da Pós-Verdade:
os perigos e consequências de se viver em tempos de fake news

Abrindo as palestras do segundo dia da Semana de Comunicação e Mídias Sociais Digitais do Centro Universitário Belas Artes, a convidada Patrícia Blanco traz uma análise da fragilidade de uma reputação e o papel de cada um em tempos de fake news.

Formada em Relações Públicas, ela é presidente do Instituto Palavra Aberta, um instituto sem fins lucrativos que trabalha em defesa da liberdade de expressão, da livre-imprensa e da liberdade de escolha. Contra todo tipo de autoritarismo, o instituto enfrenta diariamente novos desafios na luta pelo direito de acesso à verdade e à informação de qualidade.

Segundo Blanco, no mundo moderno “não há mais barreiras: em todo lugar há informações”. A produção de conteúdo nunca esteve tão alta em toda a história da humanidade. Por um lado, isso é um ótimo, mas as consequências que isso acarreta podem ser cruciais para o futuro da mídia.

Uma das questões é que todos acreditam que podem ser jornalistas. Ao deixar a informação tão acessível, iniciou-se um processo de criação do “cidadão-repórter”, com todos querendo dar o furo de notícia. “Passamos para uma comunicação multidirecional, todos falam para todos” afirma a palestrante.

Entretanto com tanta gente falando isso fica difícil averiguar se todo conteúdo produzido é autêntico, verídico e checado. Blanco explica que as fake news sempre existiram, porém é nessa era atual da “pós-verdade” que ela ganha força e se estabelece como um dos maiores inimigos da comunicação. Segundo ela, o problema se intensifica na medida que as ideologias e crenças superam os fatos.

Em pesquisa realizada pelo Instituto de Tecnologia de Masachussetts (MIT), é mostrado que as notícias falsas têm 70% mais chances de serem compartilhadas em redes sociais e em grupos de aplicativos de mensagens do que notícias verdadeiras. Isso porque geralmente elas retratam casos absurdos, supostamente inéditos ou apenas que reforçam exageradamente um determinado ponto de vista.

Para concluir sua fala, a palestrante dá dicas de como prevenir-se para não cair em uma fake news e como se portar diante de uma. Deve-se priorizar sempre a checagem e a verificação da informação e de sua fonte e dar preferência a portais renomados e que propagam informações de qualidade. Blanco ainda defende a educação midiática nas escolas, um projeto do Instituto Palavra Aberta que pretende ensinar crianças e jovens já na escola como se portar em um mundo tão cercado de informação e dados. Para saber mais sobre o projeto, clique aqui.

Colaboração: Mariana Mesquita (monitora Criar+)

Cintia Dal Bello

Cintia Dal Bello

Cíntia Dal Bello é doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, com especializações em Marketing e Comunicação (pela Cásper Líbero) e Cultura e Meios de Comunicação (pela PUC-SP). Como publicitária, acumula experiências em criação publicitária, planejamento de comunicação e marketing escolar. Sua pesquisa versa sobre cibercultura, subjetividade, identidade, tele-existência e imaginário tecnológico. Atualmente, estuda os temas arquetípicos da psicologia profunda para compreender as dimensões da imagem e do imaginário nos processos criativos.

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