Transgeneridade dentro e fora das quadras

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O esporte universitário passa a ser mais inclusivo depois da repercursão da primeira atleta trans jogar a Super Liga de Vôlei Feminina

Por Daniela S. Santos

Nos últimos meses, a transgeneridade no esporte esteve cada vez mais em alta por conta da jogadora de vôlei Tiffany Abreu, a primeira atleta transexual a jogar a Super Liga Feminina, representando o time de Bauru. 

Recentemente, os Jogos Universitários de Comunicação e Arte publicou em seu Instagram uma arte que deixava bem claro o fato de que pessoas trans eram totalmente aceitas nas quadras do Juca (tanto dentro como fora), colocando a seguinte frase “No JUCA, pessoas transgênero são bem-vindas dentro e fora das quadras”. 

No JUCA 2018, a organização deixou claro que atletas transgênero poderão competir nas equipes de suas faculdades. O pioneiro é Guilherme Abreu, estudante de publicidade e propaganda do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. 

Guilherme conta “Cheguei a jogar pelo time feminino da Belas Artes, mas parei, porque eu quero meu espaço, e para isso compro qualquer briga para jogar de acordo com o meu gênero. Então estou ansioso para as seletivas e conseguir jogar o tão sonhado JUCA, defendendo minha amada azul e vermelho sendo quem realmente sou”. 

Em 17 de março, os organizadores do JUCA fizeram uma palestra sobre esse assunto, o convidado Tomas Fernandes falou sobre como é importante o JUCA ter tomado esta atitude, pois pessoas transgênero já enfrentam muita dificuldade em se inserir na própria faculdade, então dando a chance deles jogarem e participarem de esportes é muito bom para a inclusão deles no meio universitário. 

Já a advogada Rachel Machado Rocha e especialista em Gênero e Sexualidade pela UERJ, diz que “O risco dessas pessoas de sofrerem preconceito e algumas injúrias são grandes, mas elas precisam saber que elas podem e devem recorrer. Qualquer pessoa que se sentir descriminada de alguma violência verbal ou física, ela tem sim que fazer a denúncia em razão da lei 10948”. 

O fato é que nem todo mundo entende muito bem como funciona a questão da transgeneridade no esporte por ser algo recente, mas é algo que vai estar cada vez mais presente no âmbito social, portanto deve-se discutir mais sobre o assunto para que todos vejam como uma coisa boa.

Cintia Dal Bello

Cintia Dal Bello

Cíntia Dal Bello é doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, com especializações em Marketing e Comunicação (pela Cásper Líbero) e Cultura e Meios de Comunicação (pela PUC-SP). Como publicitária, acumula experiências em criação publicitária, planejamento de comunicação e marketing escolar. Sua pesquisa versa sobre cibercultura, subjetividade, identidade, tele-existência e imaginário tecnológico. Atualmente, estuda os temas arquetípicos da psicologia profunda para compreender as dimensões da imagem e do imaginário nos processos criativos.

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