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DATA
VENIA é uma revista eletrônica do Curso
de Relações Internacionais do
Centro Universitário Belas Artes de São
Paulo. De periodicidade trimestral, seu conteúdo
é de inteira responsabilidade dos autores que
subscrevem suas respectivas matérias.
As colunas serão alimentadas pelos professores
do Curso, contando-se também com a colaboração
do alunado, da Comunidade Febaspiana como um todo, e
apenas marginalmente, ocorrerá a participação
de colaboradores externos à Instituição.
Além de divulgar as notícias relacionadas
ao Curso, as matérias publicadas reportar-se-ão
às sociedades nacional e internacional, através
de textos inéditos e não muito extensos,
acolhendo-se também material redigido nos idiomas
inglês e espanhol.
O conteúdo divulgado em DATA VENIA
pautar-se-á pelo balizamento ético e pluralismo
das idéias, as quais autoriza-se sua reprodução
por quaisquer meios desde que se mencione suas respectivas
fontes.
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| ONU
- novos atores, novos temas e antigas estruturas
Sessenta
anos depois da Conferência em São
Francisco(1) e passados 50 anos da Conferência
de Bandung(2), o mundo assistiu, entre os dias
14 e 16 de setembro, à Cúpula Mundial
(World Summit) 2005, conhecida também como
Cúpula do Milênio + 5. Havia grande
expectativa em torno do evento, em primeiro lugar
do próprio Secretário-Geral da ONU,
que anunciara um clima de otimismo e renovação
parecido com o de São Francisco. Porém,
passado o momento tão esperado, ficou uma
sensação de que tudo permanece igual.
Foram marcantes as declarações de
Kofi Annan, que, ainda na véspera, fez
um apelo moral ao afirmar que a Cúpula
Mundial seria uma oportunidade que só aparece
uma vez em cada geração (´once-in-a-generation
opportunity´) e recomendar que o mundo se
juntasse para tomar decisões em relação
às graves ameaças globais que exigem
soluções globais contundentes. “Uma
oportunidade para a humanidade.”
Divulgada
como a maior reunião de dirigentes mundiais
da história – com cerca de 150 chefes
de Estado – ela daria continuidade a uma
história iniciada há mais tempo.
As grandes conferências da ONU da década
de noventa ajudaram a criar uma visão global
de desenvolvimento e resultaram na Declaração
do Milênio, no Consenso de Monterrey e no
Plano de Ação de Johannesburgo.
Foi em setembro de 2003 que o Secretário-Geral
da ONU, Kofi Annan, anunciou a convocação
de um painel de alto nível para elaborar
propostas para tornar a ONU mais efetiva com o
propósito de levar essa agenda adiante.
Ele mesmo lançou, em março de 2005,
o documento que serviu para orientar as discussões:
“Em liberdade mais ampla – Desenvolvimento,
Segurança e Direitos Humanos para Todos”.
O
ponto de partida foi a idéia da existência
de um consenso: a ONU precisa adaptar-se para
satisfazer as necessidades da geopolítica
e dos desafios mundiais dos nossos dias. A estrutura
do processo decisório do Conselho de Segurança,
por exemplo, está ultrapassada, pois reflete
a realidade do pós-Segunda Guerra Mundial.
Ainda mais considerando a expansão das
suas funções, assumindo tarefas
legislativas em matérias como terrorismo
e proliferação de armas de destruição
em massa, o que questiona ainda mais a sua legitimidade
e o desequilíbrio da sua atual composição.
A
proposta era juntar as várias peças
da mudança possível e necessária:
a mobilização na luta contra a fome
e a pobreza extrema – com ênfase na
avaliação da implementação
dos Objetivos do Milênio formulados em 2000
-, a reforma institucional da ONU - com destaque
para o Conselho de Segurança, mas também
para a Comissão de Direitos Humanos e o
Conselho Econômico e Social (ECOSOC) - e
a agenda de segurança mundial, considerando
particularmente as ameaças de atentados
terroristas e a proliferação de
armas nucleares. A idéia chave: não
pode haver desenvolvimento sem segurança,
segurança sem desenvolvimento e nenhum
deles sem aplicação e proteção
dos direitos humanos.
O
que predominou nos comentários públicos
após o término da Cúpula
foi a idéia de fracasso. Não poderia
ser diferente se olharmos a Cúpula como
evento isolado. Mas se considerarmos a crescente
preocupação com a falta de governança
global diante dos desafios, entendendo, portanto,
a Cúpula como parte de um processo, o quadro
muda.
Dois
aspectos desse processo são objetos deste
editorial: em primeiro lugar a pauta do desenvolvimento
e a agenda de combate à fome e à
extrema pobreza e, em segundo, o surgimento da
sociedade civil mundial de forma atuante.
Houve
uma intensa mobilização para a agenda
de combate à fome e à extrema pobreza
e, no âmbito mais geral, a agenda do desenvolvimento.
Um avanço significativo foi feito com a
Declaração do Milênio de 2000,
que estabeleceu as bases para definir uma agenda
mundial comum: os Objetivos de Desenvolvimento
do Milênio. Oito objetivos básicos
a serem atingidos até 2015, cada um especificado
em metas quantitativas e, portanto, de fácil
verificação(3). Na verdade, os objetivos
são uma síntese minimalista dos
compromissos assumidos pelos governos nas grandes
conferências temáticas da ONU dos
anos 90.
Em
seguida, a Cúpula de Monterrey, de 2003,
havia identificado com clareza os obstáculos
para que os países cumpram os Objetivos
do Milênio. Entre eles, os efeitos concentradores
do sistema de comércio internacional, o
peso das dívidas externas – que provoca
um fluxo de recursos dos países pobres
para os países ricos – e a falta
de financiamento dirigido para o desenvolvimento,
em particular devido ao não cumprimento
dos compromissos assumidos pelos países
ricos de destinar 0,7% do seu PIB à cooperação
internacional(4).
Em
outras palavras: a agenda para o desenvolvimento
pede progressos na diminuição da
dívida, liberalização do
comércio, aumento da ajuda para revitalizar
a infra-estrutura e melhorar serviços de
saúde e educativos. Sem isso, será
difícil atingir os Objetivos, em particular
a redução da pobreza extrema. Portanto
o compromisso assumido pelos países membros
da ONU com os Objetivos do Milênio leva
automaticamente a questionar as causas estruturais
da permanência da extrema pobreza e fome.
Por serem metas precisas, com calendário,
os Objetivos servem, assim, para manter a força
e a importância da agenda do desenvolvimento
presente.
Seria
um erro isolar os avanços realizados no
G-8, organizado apenas 10 semanas antes da Cúpula,
desse processo. Os acordos sobre o cancelamento
da dívida(5) e a ajuda – de mais
de US$ 25 milhões por ano para a África
– são bem mais significativos do
que seria possível imaginar um ano atrás.
Outro
exemplo refere-se ao oitavo Objetivo, que envolve
compromissos firmes com a cooperação
para o desenvolvimento, em primeiro lugar por
parte dos países ricos. Um componente básico
da luta contra a fome e a pobreza em nível
internacional é a necessidade de aumentar
os recursos disponíveis para financiamento
ao desenvolvimento. A meta poderosa de 0,7% foi
incluída no oitavo Objetivo do Milênio.
A
idéia é que os países ricos
destinem 0,7% do seu PIB para financiar a cooperação
para o desenvolvimento - tecnicamente chamada
de Assistência Oficial ao Desenvolvimento
(AOD). A meta de 0,7% é antiga, surgiu
pela primeira vez no âmbito de igrejas,
preocupadas com a solidariedade internacional,
e entrou no sistema ONU por intermédio
da Unctad. Depois foi citada e recitada inúmeras
vezes.
Durante
muito tempo, somente cinco países menores
da Europa do Norte cumpriram a meta. A sua inclusão
nos Objetivos do Milênio e, por sua vez,
a discussão sobre a urgência de cumpri-la
mudou o quadro. Seis países de porte, como
Alemanha, França e Espanha, estabeleceram
um calendário rígido que deve levar
a AOD para 0,5% até 2010 e 0,7% até
2015. Com os novos compromissos assumidos, estima-se
que esses fluxos aumentarão cerca de 50
bilhões de dólares em 2010. A novidade
não é o índice de 0,7%, mas
que pela primeira vez um conjunto das economias
mais ricas do mundo está de fato introduzindo
essa meta nos seus planos plurianuais de orçamento.
Nenhuma revolução talvez, mas algo
difícil de imaginar alguns anos atrás.
Outra
novidade é o avanço nas discussões
internacionais sobre fontes inovadoras de recursos,
complementares à Assistência Oficial
ao Desenvolvimento. Trata-se da formulação
de propostas que, de forma coordenada entre os
países, mobilizem recursos para canalizá-los
internacionalmente. Muito famosa ficou a taxa
Tobin, que seria aplicada sobre as operações
de câmbio. A discussão sobre a taxa
Tobin já estava quase morta, somente reanimada
na ocasião dos Fóruns Sociais Mundiais.
A
visão hoje é um pouco diferente.
Se na época o economista Prof. Tobin pensara
prioritariamente em uma medida para domesticar
o capital especulativo internacional, hoje a idéia
da taxação volta à agenda
oficial como instrumento para arrecadar, de forma
estável e previsível, grandes quantidades
de recursos para financiar o desenvolvimento nos
países mais pobres do mundo. A taxa seria
tão pequena que não deve(ria) causar
impacto sobre o funcionamento do mercado. Considerando,
porém, o volume que circula diariamente
pelo mundo, uma taxação mínima
faz uma diferença enorme. Somente as transações
de câmbio são de quase US$ 1,2 trilhão
por dia. Uma CPMF internacional poderia ser de
menos de 0,01%.
Um
conjunto de propostas – praticamente todas
já conhecidas, porém marginalizadas
– foi reapresentado no âmbito da chamada
Ação contra a Fome e a Pobreza,
lançada pelos presidentes do Brasil, França,
Chile e Espanha em setembro do ano passado, em
uma reunião especial da ONU, com a presença
de mais de 50 chefes de Estado e Governo. Na época,
o governo Bush, por intermédio de sua Ministra
de Agricultura, declarou publicamente que qualquer
tipo de taxação internacional seria
“tecnicamente impossível e politicamente
antidemocrático”. É claro
que essas propostas logo se juntam à grande
discussão sobre governança global.
Se há taxação global, deveria
haver autoridade global e, logo, representação
popular. O escândalo em torno do programa
petróleo por comida mostrou que a ONU,
hoje, não estaria preparada para lidar
com programas que envolvem esse volume de recursos.
Para isso, suas estruturas deveriam não
só ser fortalecidas, mas também
dotadas de maior transparência, accountability
e formas de controle social(6). Por enquanto,
essas propostas usam a fórmula “aplicados
nacionalmente e coordenados internacionalmente”.
A
declaração final da Cúpula
de 2005 menciona explicitamente a contribuição
da Ação contra a Fome e a Pobreza.
Em curto prazo, a contraposição
dos EUA e, com cada vez menor intensidade, da
Grã-Bretanha complica os avanços
na taxação sobre fluxos financeiros.
Para isso os países promotores da iniciativa
– além dos quatro mencionados, hoje
também a Alemanha e a Argélia –
lançaram um projeto piloto, que propõe
uma contribuição solidária
sobre passagens aéreas internacionais cuja
destinação seriam fundos internacionais
de combate à fome e à pobreza. A
França e o Chile devem começar a
aplicar essa taxa no ano que vem. A Alemanha e,
note-se bem, a Grã-Bretanha declararam
apoio. No Brasil, o governo está estudando
formas de viabilizá-la. O caráter
piloto está em mostrar que a globalização
não só exige, mas permite esses
mecanismos inovadores de financiamento.
Paralelamente
o governo britânico, em particular seu ministro
de Finanças e provável futuro primeiro-ministro
Gordon Brown, lançou a idéia de
securitização dos fluxos de AOD.
Esse mecanismo é conhecido como IFF, International
Finance Facilities. Trata-se de securitização
dos compromissos futuros com a cooperação
para o desenvolvimento. O mecanismo possibilitaria
colocar agora recursos disponíveis nos
países receptores da cooperação
internacional, por meio de títulos, lastreados
aos compromissos futuros dos países participantes
com AOD. Da mesma forma que no caso da taxação
de passagens aéreas internacionais, não
existe obrigatoriedade de participação
universal dos países para que a proposta
seja colocada em prática.
A
novidade no caso é que o debate sobre fontes
inovadoras de financiamento do desenvolvimento
deixou de ser tabu, sobretudo a partir de vários
estudos que mostram que, mesmo alcançando
a meta de AOD de 0,7%, ainda faltariam recursos
para que o mundo pudesse implementar os Objetivos
do Milênio, por mais modestos que possam
parecer. Há estudos do economista Jeffrey
Sachs e do Banco Mundial que mostram uma lacuna
de cerca de 50 bilhões de dólares
por ano.
A
força da agenda para o desenvolvimento
foi testada publicamente na véspera da
Cúpula Mundial, quando o novo embaixador
dos EUA, perante John Bolton, tentou retirar,
sem êxito, todas as referências aos
Objetivos do Milênio do texto final. Não
só não conseguiu como também
Bush, pela primeira vez, incluiu em seu discurso
de abertura, surpreendentemente e sem restrições,
que os EUA apóiam esses Objetivos. Não
havia, até então, registro de apoio
tão explícito e incondicional dos
EUA a esse tema.
Uma
das propostas que realmente não avançou
muito foi o fortalecimento efetivo do Conselho
Econômico e Social (ECOSOC). É ele
que deveria assumir o papel de integrar, coordenar
e revisar a implementação da agenda
de desenvolvimento da ONU de forma permanente.
Um
dos fatores que contribui para o fortalecimento
dessa agenda para o desenvolvimento é o
surgimento do que pode ser chamado de sociedade
civil mundial. Essa pode ser entendida como uma
rede de entidades da sociedade civil com uma enorme
variedade, que se articula em nível internacional
não para defender uma pauta nacional, ou
uma pauta que em última análise
estaria ligada a um interesse estritamente nacional,
mas em torno de uma pauta que reflete um interesse
comum. No fundo, o conceito da existência
de um interesse comum dos povos é a base
da Carta da ONU, mas, na visão do pensamento
realpolitik, tratar-se-ia de um idealismo. Hoje,
porém, não se baseia, ou pelo menos
não somente, em valores abstratos e visões,
mas em um conjunto de pautas muito concretas.
O
sistema ONU enxergou na sociedade civil um aliado
estratégico. De outro lado, por mais críticas
que se possa ter, não há dúvida
de que as conferências e cúpulas
da ONU oferecem um palco fértil para as
entidades da sociedade civil mostrarem suas bandeiras
e considerações. Em torno do conceito
de desenvolvimento humano, surgiu uma opinião
pública mundial que reivindica a sua aplicação
em escala mundial, com políticas públicas
mundiais em torno dos temas paz, segurança,
desenvolvimento e meio ambiente.
Em
sua primeira declaração logo depois
que assumiu a presidência da 60ª Seção
da Assembléia Geral, Jan Eliasson, dirigindo-se
a um evento de entidades não-governamentais
reunidas em Nova York para acompanhar os trabalhos
da Cúpula oficial, insistiu para que a
sociedade civil “não subestime sua
habilidade para mudar a forma como os líderes
mundiais pensam e agem”... “Exemplo
é que até pouco tempo atrás
o alívio de 100% da dívida era visto
por aqueles que têm poder de fazê-lo
como uma boa idéia, mas impossível
de implementar. Agora, os países altamente
endividados, 18 no total, já se beneficiaram”.
Houve
um rápido aumento da influência da
sociedade civil dentro do sistema ONU –
milhares de organizações da sociedade
civil participam das principais conferências
da ONU. Não apenas para influenciar, mas
para definir agendas e moldar a opinião
pública mundial. O envolvimento da sociedade
civil tem assegurado a atenção da
mídia e conquistou um espaço no
monitoramento sério dos comprometimentos
nacionais e globais. O espaço concedido
pela ONU às organizações
da sociedade civil é a expressão
da complexidade cultural e social da comunidade
global e do fato de ela tender a ser uma forte
incentivadora do multilateralismo. É ela
que pode ajudar a estabelecer vínculos
entre os âmbitos locais e mundiais. Paralelamente,
há as tentativas para fortalecer os vínculos
da ONU com os parlamentos, as autoridades locais
e o setor privado.
O
próprio Kofi Annan instalou um Painel com
pessoas eminentes para elaborar propostas que
melhorassem a participação da sociedade
civil no sistema ONU como insumo para a Cúpula
Mundial de 2005. Uma das propostas deste Painel
foi pesquisar a opinião pública
e levantar preocupações sobre questões
emergentes. Outra proposta: estabelecer grupos
consultivos da sociedade civil como um projeto
piloto para guiar a estratégia da ONU.
Além
disso, junto com a sociedade civil mundial surgiu
o conceito mais amplo de opinião pública
mundial. O encontro com a sociedade civil não
se dá apenas em torno de mecanismos institucionais
e procedimentos de representação
política, mas também em debates
na esfera pública global.
Cabe
enfatizar o acúmulo de contatos e a criação
de redes, aproveitando as facilidades da Internet.
Os Fóruns Sociais Mundiais ajudaram a elaborar
pautas comuns. Particularmente em torno da agenda
do desenvolvimento, foi lançada em janeiro
2005, no V Fórum Social Mundial, em Porto
Alegre, a Chamada Global para a Ação
contra a Pobreza (Global Call to Action against
Poverty – GCAP). Organizada em dezenas de
países, houve grande mobilização
em torno do G-8.
Apesar
de ter ficado abaixo das expectativas e das necessidades,
o resultado não deixa de ser uma vitória
para a sociedade civil, de acordo com o sul-africano
Kumi Naidoo, coordenador-geral da GCAP, em particular
com os avanços em relação
ao aumento da ajuda oficial para o desenvolvimento
e cancelamento da dívida. Sem a mobilização
de anos, no mundo inteiro, esses assuntos provavelmente
não teriam entrado com tanta força
na agenda mundial. Na véspera da reunião
do G-8, nada menos que 250 mil pessoas mobilizadas
por sindicatos, grupos religiosos, movimentos
sociais e as mais diversas autoridades locais
marcaram presença em Edinburgh, Escócia,
a cidade mais próxima do remoto local da
reunião do G-8. Milhões, usando
o símbolo da GCAP (a faixa branca), assistiram
aos concertos LIVE 8, organizado por Bob Geldof.
Nem a explosão das bombas no metrô
de Londres conseguiu mudar a pauta da reunião
e a determinação de avançar
no tema de combate à fome e à pobreza
extrema, particularmente na África.
De
outro lado, há muito a ser pensado e repensado.
Existe um desequilíbrio entre a representação
do Norte e do Sul, que reflete tanto as condições
financeiras díspares quanto a relação
direta entre o fortalecimento da sociedade civil
em nível nacional e a promoção
do envolvimento do cidadão com questões
globais. No que diz respeito ao primeiro aspecto,
foram levantadas propostas para estabelecer um
fundo para desenvolver a capacidades da sociedade
civil sulina de participar e assegurar que o engajamento
nacional alimente os processos deliberativos globais.
Mais no geral, ampliar a capacidade da sociedade
civil em países em desenvolvimento para
engajar-se em processos e parcerias da ONU.
A
participação de representantes de
países em desenvolvimento nas conferências
mundiais já tem contado com o apoio generoso
de uma série de fundos fiduciários
criados especialmente para a participação
nessas conferências, mas não conseguiu
superar ainda o problema.
Existe
também uma tensão política
entre a participação da sociedade
civil na governança global, de um lado,
e a busca da preservação da soberania
nacional, de outro. Vários governos associam
a maior influência da sociedade civil com
o solapamento da sua soberania e a ampliação
dos desequilíbrios de poder entre Norte
e Sul. Há ainda o risco de inchaço
do sistema, freando os processos decisórios.
Nesse plano, insere-se também toda a discussão
sobre credenciamento das entidades perante a ONU.
Contudo,
o secretariado da ONU está mais que convencido
da importância da participação
da sociedade civil nas campanhas de promoção
dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio
e na supervisão dos progressos alcançados.
Passada
a Cúpula Mundial em NY, as atenções
já estão voltadas à Cúpula
Ministerial da Organização Mundial
de Comércio, prevista para dezembro deste
ano. Seria a reunião decisiva da Rodada
de Doha, aquela que teria o desenvolvimento no
centro da sua atenção. Então
os mesmos governos que subscreveram a Declaração
do Milênio e se comprometeram com os Objetivos
do Milênio serão chamados a tomar
decisões que ampliem as possibilidades
dos países pobres de fortalecer sua própria
capacidade de desenvolvimento e superação
da pobreza extrema e da fome. Como se diria antigamente:
a luta continua.
Notas:
1. A conferência
de São Francisco criou, em 1945, a ONU.
2. Quando a ONU foi criada, dezenas de países
ainda estavam sob domínio colonial. Com
a Conferência de Bandung, os líderes
do que depois viria a ser chamado de terceiro
mundo reuniram-se pela primeira vez, na Indonésia,
para discutir a sua agenda. Mais tarde, em 1964,
na ocasião da primeira Conferência
para o Comércio e o Desenvolvimento da
ONU (Unctad), criou-se o G-77, o grupo dos países
em desenvolvimento.
3. Os Oito Objetivos são: erradicar a extrema
pobreza e a fome; atingir o ensino básico
universal; promover a igualdade de gênero
e a autonomia das mulheres; reduzir a mortalidade
infantil; melhorar a saúde materna; combater
o HIV/Aids, a malária e outras doenças;
garantir a sustentabilidade ambiental; e estabelecer
uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento. Os
oito Objetivos são especificados em 18
metas, com 48 indicadores no total.
4. Assim, a Cúpula Mundial 2005 representou
em parte a continuidade de Monterrey, tanto que
foi dada ao Presidente do México, Fox,
a honra de abrir a primeira sessão, cujo
tema foi financiamento para o desenvolvimento.
5. A importância da decisão do G-8
é que não se limita ao cancelamento
de 100% da dívida multilateral dos 18 países
mais pobres, mas também inclui compensar
as instituições financiadoras para
que, com isso, mantenham sua capacidade financeira.
6. O programa Petróleo por comida, iniciado
em 1996 pelo Conselho de Segurança, teve
duração sete anos e envolveu no
total 100 bilhões de dólares. Seu
objetivo era aliviar o sofrimento do povo iraquiano
com as sanções econômicas
aprovadas pelo Conselho de Segurança contra
o Iraque depois da primeira Guerra do Golfo. De
um lado, o programa foi um sucesso, porque providenciou
padrão mínimo de nutrição
e saúde para a população
civil. De outro lado, a conclusão da comissão
de inquérito, coordenada pelo ex-presidente
do Banco Central dos EUA Paul Volcker, não
deixou dúvida sobre a existência
em larga escala de desperdício, ineficiência
e corrupção. Na realidade, o comitê
gestor do programa era formado por diplomatas
nacionais. Não havia um comando por parte
do Conselho de Segurança e muito menos
pelo Secretariado.
Giorgio
Romano Schutte
Doutor em Sociologia e mestre em Relações
Internacionais. É docente (licenciado)
do curso de relações internacionais
do Unicentro Belas Artes.
|
|
O
Profissional de Relações Internacionais
no meio acadêmico
1.
Introdução
No
presente estudo, pretende-se analisar a inserção
do profissional de relações internacionais
no meio acadêmico. Uma análise desse
campo de atuação não é
facilmente encontrável nos estudos da área.
Além disso, a novidade da profissão
faz que o internacionalista sinta falta de um
exemplo a seguir e muitas vezes desconheça
seu mercado de trabalho. Por isso, neste trabalho
busca-se suprir uma lacuna existente nos escritos
de relações internacionais e incentivar
os novos analistas internacionais a seguirem uma
carreira acadêmica.
Para o cumprimento dessas expectativas iniciais,
em primeiro lugar, cumpre destacar quem seria(é)
o profissional de relações internacionais.
A análise dessa profissão não
é novidade, apesar de ainda persistirem
algumas dúvidas, principalmente entre os
estudantes da área. Em seguida, passaremos
a analisar os setores em que tal profissional
desenvolve suas atividades, para por fim discorrer
sobre o setor acadêmico e passar a algumas
conclusões. No ponto sobre a academia é
que centraremos a maior parte de nossa atenção,
tendo em vista o relativo desconhecimento das
oportunidades oferecidas, qualificações
exigidas e necessidades do meio acadêmico
em geral.
Desse
modo, reuniremos algumas informações
de forma não exaustiva, mas provocadora
e iniciadora de um processo de reflexão
a respeito dos modos que o profissional de relações
internacionais pode interagir com o meio acadêmico,
um setor muitas vezes esquecido e pouco valorizado
por muitos que buscam o exercício de uma
profissão.
2.
Quem é o profissional de relações
internacionais
Cumpre
destacar, primeiramente, conforme nos lembra Paulo
Roberto de Almeida, que o profissional de relações
internacionais não é apenas o “graduado
em relações internacionais, uma
vez que são ainda relativamente poucos
os egressos dos parcos cursos existentes nesse
nível no Brasil, muito embora a oferta
tenha crescido exponencialmente nos últimos
anos, em especial no setor universitário
privado e em faculdades isoladas”(1). Desse
modo, devemos levar em conta que os pós-graduados
na área também podem ser incluídos
nessa categoria. Assim, especialistas, mestres
e doutores em relações internacionais
também podem ser denominados internacionalistas,
de acordo com a linguagem corrente.
Outro
ponto relevante é que a categoria profissional
carece de regulamentação, pois não
há uma identificação formal
do profissional, diferentemente do que acontece
com os advogados, que têm a Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB) ou os médicos, que devem
se inscrever nos Conselhos Regionais de Medicina
(CRM). Questiona-se, inclusive, se tal regulamentação
seria desejável. Por um lado, ela asseguraria
um campo de atuação para o profissional.
De outro, limitaria o escopo de suas atividades.
Encontramos em Almeida uma postura a respeito
do tema: “Considero particularmente desnecessária
e mesmo indesejada tal regulação
profissional, uma vez que seria uma maneira de
manter a adequada flexibilidade do mercado laboral
e propiciar uma demanda adaptada a um maior espectro
de capacidades intelectuais e acadêmicas”(2).
Portanto, podem ser profissionais de relações
internacionais, entre outros, advogados, cientistas
políticos, diplomatas, economistas. Apesar
disso, as denominações mais comumente
usadas para designar esse profissional são
“analista internacional”, ou “internacionalista”
ou ainda “analista de relações
internacionais”. Assim, quando utilizarmos
quaisquer dessas expressões, estaremos
sempre nos referindo ao profissional de relações
internacionais, seja ele bacharel na área
ou não.
3.
Setores de atividades
Segundo
alguns estudiosos, como o próprio Paulo
Roberto de Almeida, o profissional de relações
internacionais pode atuar em três diferentes
áreas. Em primeiro lugar, temos a sua atuação
no governo, ou setor público, em órgãos
como os responsáveis pela diplomacia, caso
do Ministério das Relações
Exteriores, outros ministérios, agências
públicas, governos estaduais e municipais.
Uma segunda área de atuação
do internacionalista é a academia, a qual
será objeto do presente estudo. Por último,
o analista internacional pode atuar no setor privado,
onde as chances de emprego crescem a cada dia.
Nesse último caso, o desafio para as instituições
de ensino que formam esses profissionais é
saber conciliar o conhecimento teórico
com as informações técnicas
de que os futuros profissionais irão precisar.
As possibilidades, neste setor, parecem ser quase
infinitas.
4.
A academia
Na
academia, contudo, as possibilidades parecem ser
cada vez mais limitadas. Em primeiro lugar, isso
se deve ao fato de que as vagas não se
renovam com muita freqüência. O docente
em relações internacionais tem uma
carreira profissional relativamente longa, pois
pode nela permanecer por um período longo,
e sua valorização acaba aumentando
com o decorrer do tempo, ao contrário do
que ocorre com muitas profissões hoje em
dia. A idade, no caso da academia, é tida
como sinônimo de experiência e conhecimento,
sendo um fator de valorização do
professor ou pesquisador. Apesar de a aposentadoria
ser compulsória aos setenta anos nas instituições
públicas de ensino, esse profissional pode
encontrar fácil acolhida no setor privado.
Além
disso, há uma certa limitação
das possibilidades, pois há uma dependência
das qualificações ou vocação
dos egressos dos cursos de RI para a pesquisa
e ensino. Quando não temos a vocação
e/ou qualificações como empecilho,
a desvalorização da carreira acadêmica,
especialmente no Brasil, aparece como principal
obstáculo. Para muitos, ainda hoje, infelizmente,
dar aulas não é sinônimo de
trabalho, mas apenas um passatempo. Quantos professores
nunca ouviram a frase: “Professor, o senhor
também trabalha ou só dá
aulas?”. Desse modo, a dedicação
exclusiva ao meio acadêmico é tida
como indesejável para muitos, especialmente
para corpo estudantil e para certas instituições
privadas de ensino, em que a prática tende
a ser mais valorizada que a teoria.
Por
outro lado, temos a expansão do número
de cursos de relações internacionais
no Brasil e conseqüentemente da docência,
mas esse processo talvez sofra uma estagnação
no médio prazo. Os centros de pesquisa
são outra oportunidade na academia, porém
sem perspectivas de multiplicação
sustentada.
5.
O bacharel em relações internacionais
na academia
Dentro
do quadro de profissionais de relações
internacionais, cumpre destacar o bacharel em
relações internacionais como portador
de diversas características que podem lhe
proporcionar um acesso mais facilitado ao setor
acadêmico, pois ele possui grande aceitação
nos cursos de graduação em relações
internacionais. Nesses cursos, há, em primeiro
lugar, uma grande identificação
do aluno com o professor. Isso se dá tanto
em relação ao mercado de trabalho,
no tocante ao contato com um profissional da área
e no caso de aliar-se a teoria à prática,
visto que eles estão diante de um bacharel
em relações internacionais –
objetivo que tais estudantes almejam alcançar
no curso.
Além
disso, a necessidade de dar-se um perfil próprio
ao curso faz que tais profissionais sejam amplamente
requisitados. Como se tem ressaltado em inúmeros
estudos, o curso de relações internacionais
não é apenas um aglomerado de várias
disciplinas como direito, história, política
e economia. Não há apenas uma interdisciplinaridade
ou multidisciplinaridade, há que haver
uma transdisciplinaridade, que é (deve
ser) proporcionada com facilidade ao bacharel
em relações internacionais, uma
vez que ele já teve contato com todas (ou
a maior parte d)as disciplinas do curso e pode
ter uma visão mais panorâmica do
curso, estabelecendo as relações
entre as diversas disciplinas e fornecendo uma
visão voltada justamente para as relações
internacionais, que é mais do que o emaranhado
de disciplinas.
Por
último, cumpre ressaltar as exigências
do Ministério da Educação,
que premiam a presença de bacharéis
em relações internacionais nos cursos
de graduação da área. Como
destaca o Professor Shiguenoli Miyamoto(3), as
instituições de ensino superior
interessadas em criar curso de relações
internacionais devem preencher padrões
mínimos de qualidade, entre eles a contratação
de coordenador e professores com formação
específica na área de relações
internacionais. O Professor Shiguenoli até
nos lembra de uma portaria que questiona se um
curso de economia poderia ter seu quadro de professores
formado sobretudo de advogados, sociólogos
e historiadores. Do mesmo modo devemos pensar
no curso de relações internacionais,
que necessita de alguém que dê um
perfil próprio ao curso, como ressaltado
no parágrafo anterior e em atendimento
às exigências do Ministério
da Educação. Além disso,
a existência de disciplinas específicas
dos cursos de relações internacionais
(como Introdução às Relações
Internacionais, Teoria das Relações
Internacionais, etc.), faz que analistas internacionais
sejam requeridos para ministrá-las.
A
qualificação docente também
é relevante para o Ministério da
Educação, e por isso exige-se um
certo número de professores com doutorado,
especialmente na área de relações
internacionais. Em geral, os professores-doutores
são de outras áreas, pois há
apenas dois doutorados em relações
internacionais no Brasil, como veremos adiante,
o que pode prejudicar a qualidade dos cursos de
graduação que formarão os
futuros internacionalistas. Desse modo, a ausência
de doutores é suprida pela existência
de bacharéis em relações
internacionais, especialistas ou mestres.
Os
cursos de graduação de outras áreas,
mas com disciplinas de relações
internacionais são outras oportunidades
para os internacionalistas. Entre eles podemos
sublinhar os cursos de Secretariado Executivo,
Comércio Exterior e Direito.
6.
Oportunidades: cursos de graduação
em relações internacionais
Onde
estariam, então, as oportunidades para
os internacionalistas em cursos de graduação
em relações internacionais? No Brasil,
de acordo com pesquisa do Professor Clóvis
Brigagão(4), tais cursos estariam concentrados
nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.
A região Sudeste concentra mais da metade
dos cursos de graduação (30), ficando
com 56% do total de cursos disponíveis
no país. As regiões Sul e Centro-Oeste
seguem empatadas em segundo lugar, com 10 cursos
cada uma, representando 19%. A região Nordeste,
com apenas 3 cursos, é responsável
por 6% do total. A região Norte infelizmente
não possui nenhum curso de graduação
em relações internacionais. Os cursos
de pós-graduação, por outro
lado, estariam distribuídos diferentemente
pelas diferentes regiões do país.
A região Sudeste concentra 52% da pós-graduação
na área. O Centro-Oeste 28%, a região
Sul apenas 16% e o Nordeste 4%. Levando em conta
esses dados, as maiores oportunidades para o profissional
de relações internacionais estariam
fora da região Centro-Oeste, com as regiões
Sudeste e Sul necessitando de mais profissionais
qualificados, uma vez que essas áreas possuem
um número relativo de cursos de graduação
menor que de pós. No Nordeste tal fenômeno
também é observado, mas como existem
apenas três cursos de graduação
naquele espaço geográfico, as necessidades
tendem a ser menores. A região Centro-Oeste,
por sua vez, especialmente o Distrito Federal,
tem uma necessidade relativamente menor de profissionais
qualificados, pois possui o maior número
de cursos de pós-graduação,
e aparece como a área de maior competitividade
no setor acadêmico.
7.
Histórico dos cursos de graduação
em relações internacionais
A
liderança da região Centro-Oeste
pode ser explicada por razões históricas,
entre outras. Em 1974 foi criado o primeiro curso
de graduação em relações
internacionais no Brasil, na Universidade de Brasília,
que manteve a hegemonia na área até
1986, quando a Universidade Estácio de
Sá, no Rio de Janeiro, cria também
seu curso. Esses dois fatos talvez expliquem a
liderança das regiões Centro-Oeste
e Sudeste na área de relações
internacionais. Contudo, a explosão do
número de cursos de graduação
só ocorreu a partir de 1995, quando a PUC-SP
investe nessa direção, sendo a pioneira
na capital paulista, a qual concentra o maior
número de oportunidades empregatícias
no meio acadêmico.
8.
A pós-graduação em relações
internacionais
A
pós-graduação na área
de relações internacionais é
bastante difícil de ser avaliada. Se por
um lado existem vários cursos que se autodenominam
“em relações internacionais”,
inúmeros outros podem ser relacionados
com a área, como no caso de “negociações
internacionais, política internacional,
diplomacia, etc.” Os cursos de pós-graduação
lato sensu, como é o caso das especializações,
trazem exemplos como “Diplomacia Econômica”
na Unicamp, “Negociações Econômicas
Internacionais” na Unesp, “MBA em
estratégia de negociações
internacionais” na Universidade Cândido
Mendes e “MBA em negócios internacionais”
na FAE em Curitiba.
Já
a pós-graduação stricto sensu
alcançou um grande desenvolvimento com
o apoio do governo federal, por meio do programa
San Tiago Dantas de incentivo à pesquisa
e pós-graduação em relações
internacionais, lançado pela CAPES. Esse
programa previa a distribuição de
cinco bolsas de auxílio a cursos de pós-graduação
em relações internacionais no Brasil.
Dos cinco candidatos inscritos, apenas quatro
foram selecionados para receber os recursos do
referido programa: Universidade de Brasília,
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Universidade
Federal Fluminense e o consórcio de três
grandes universidades paulistas - PUC-SP, Unesp
e Unicamp. Dos quatro selecionados, apenas a UnB
já possuía uma pós-graduação
em andamento. As demais universidades lançaram
seus cursos com o auxílio dos recursos
recebidos. O quinto candidato, que infelizmente
não foi selecionado, apesar da disponibilidade
de uma quinta bolsa, foi um consórcio da
UFPE com a PUC-Rio, a qual possui dois dos cursos
de pós-graduação stricto
sensu mais conceituados do Brasil.
Apesar
de ter premiado apenas quatro candidatos dos cinco
que se esperava, o Programa San Tiago Dantas representou
uma verdadeira revolução da área
de relações internacionais no Brasil.
Essa iniciativa do governo federal possibilitou
a criação de três novos programas
de pós-graduação em relações
internacionais, todos com cursos de Mestrado,
em cinco reconhecidas universidades brasileiras,
em regiões que careciam de profissionais
mais especializados na área acadêmica.
Além
disso, auxiliou no aprimoramento do programa de
pós-graduação da UnB, a Universidade
com maior prestígio e pioneira na área.
Assim, os cursos de Mestrado em Relações
Internacionais reconhecidos pelo Ministério
da Educação que podemos citar são
os das seguintes Universidades: UnB, PUC-Rio,
Unesp/Unicamp/PUC-SP, UFRGS e UFF. Além
desses cinco cursos, cumpre destacar o Mestrado
em Integração Latino-Americana da
Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) no
Rio Grande do Sul, que tem contribuído
para o desenvolvimento da área. Doutorados
seriam apenas dois, o da Universidade de Brasília
e o da PUC-Rio, ambos muito bem conceituados entre
os profissionais da área.
9.
Centros de pesquisa
Uma
outra área que traz oportunidades de emprego
para o profissional de relações
internacionais no campo acadêmico são
os centros de pesquisa. Entre eles, podemos ressaltar
aqui o IBRI (DF), IUPERJ (RJ), CEBRAP (SP), CEDEC
(SP), CPDOC (RJ), IPRI (MRE/DF), NUPRI (SP), GACINT
(SP), IRI (SC), CAENI (SP), CEBRI (RJ), entre
outros. Tais centros de pesquisa acolhem pesquisadores
da área de relações internacionais,
e um detalhamento de sua atuação
não será aqui explorado, apesar
de bem-vindo. A abstenção de maiores
comentários deve-se ao parco conhecimento
do trabalho desses importantes atores do meio
acadêmico.
10.
Conclusões e tendências
O
que se tem visto, no tocante às oportunidades
de emprego para o profissional de relações
internacionais no meio acadêmico, consiste
num mercado de trabalho mais concorrido na região
Sudeste do que na região Sul, mas que recompensa
melhor financeiramente os profissionais e oferece
melhores oportunidades para aperfeiçoamento.
Na
região Sul, o que ocorre é uma necessidade
cada vez maior de docentes qualificados, especialmente
no Estado do Paraná, que tem o maior número
de cursos de graduação no âmbito
regional. O mercado no Centro-Oeste, por sua vez,
principalmente em Brasília, parece estar
ficando menos dinâmico, por ser mais antigo
e com o maior número relativo de cursos
de pós-graduação, o que também
pode ser o caso do Rio de Janeiro.
A
tendência, portanto, é que se exija
cada vez mais do profissional de relações
internacionais no meio acadêmico. Em primeiro
lugar, requer-se um aperfeiçoamento maior
dos docentes nessa área do saber. Além
disso, há uma necessidade crescente de
instalação de um maior número
de cursos de pós-graduação
stricto sensu (Mestrado e Doutorado) para que
o profissional possa atender às demandas
de sua própria formação intelectual
e da academia.
Notas:
1. ALMEIDA, Paulo Roberto. Os primeiros anos do
século XXI: o Brasil e as Relações
Internacionais Contemporâneas. São
Paulo: Paz e Terra, 2002. p. 244.
2. Idem. p. 245.
3. MIYAMOTO, Shiguenoli. O ensino das relações
internacionais no Brasil: problemas e perspectivas.
Site: www.unicamp.br (2005).
4. BRIGAGÃO, Clóvis (coord). Diretório
de Relações Internacionais no Brasil.
Site: www.candidomendes.edu.br/ceas
Referências
bibliográficas
ALMEIDA, Paulo Roberto. Os primeiros
anos do século XXI: o Brasil e as Relações
Internacionais Contemporâneas. São
Paulo: Paz e Terra, 2002.
BRIGAGÃO, Clóvis
(coord). Diretório de Relações
Internacionais do Brasil. Site: www.candidomendes.edu.br/ceas
(2005)
MIYAMOTO, Shiguenoli. O ensino
das relações internacionais no Brasil:
problemas e perspectivas. Site: www.unicamp.br
(2005)
Demetrius
Cesário Pereira
Mestre em Relações Internacionais
e docente no curso de relações internacionais
do Unicentro Belas Artes.
|
|
Conjuntura
(inter) nacional
|
| *O
impasse alemão e as grandes coalizões
Por **José Carlos de Sousa Junior
Uma semana após a votação
na Alemanha, o país ainda encontra-se indeciso
quanto à quem irá ocupar o posto
de Primeiro-Ministro, que representa de fato o
poder político no sistema parlamentarista
alemão, que ainda tem o presidente com
poderes simbólicos. A disputa está
entre Gerhard Schoreder, do Partido Social Democrata
(SPD), e Angela Merkel, União Democrata-Cristã
(CDU).
No complexo sistema eleitoral alemão, no
qual o eleitorado elege primeiro os parlamentares
e, a partir deles, através de coalizões,
é eleito o chanceler federal, Merkel e
Schoreder travam uma batalha, no qual ambos clamam
sua vitória nas urnas. Porém, o
cargo de Primeiro-Ministro ainda não está
decidido. O resultado da votação
deu estreita vitória à Merkel, com
35,2% dos votos, contra 34,2% de Schroeder. No
parlamento porém, as movimentações
políticas mostram que nada está
ainda decidido quanto ao futuro Primeiro-Ministro
alemão.
Uma coalizão entre os do SPD e do CDU,
os dois principais partidos protagonistas desse
impasse político, não é descartada
por nenhuma das partes. Merkel ainda se propõe
a realizar essa união política a
fim de promover estabilidade no governo alemão.
No entanto, o atual Primeiro-Ministro, Schroeder,
se opõe à tal coalizão.
Essa sua postura já vem trazendo inimigos
dentro de seu próprio partido. A idéia
de uma Grande Coalizão com outros partidos,
de ideologias convergentes, também é
cogitada a fim de garantir maioria no parlamento
para realizar as reformas necessárias na
Alemanha. Porém, coloca em dúvida
o futuro governo, tido como incerto e confuso
no cenário internacional.
A maioria dos empresários e comentaristas
econômicos considera o resultado da eleição
prejudicial para uma economia tão carente
de reformas, com uma taxa de desemprego por volta
dos 11% da população.
*. Texto extraído do Jornal de RI/Belas
Artes (ainda sem título) e cujo autor é
um de seus editores, sendo de periodicidade semanal,
razão pela qual há um certo descompasso
temporal quanto à atualidade dos fatos.
Referências bibliográficas:
Deutsche Welle: http://www.dw-world.de**.
Acadêmico do 1º semestre de relações
Internacionais / Belas Artes
|
|
Livro:
CINEMA BRASILEIRO – das origens à
retomada.
Autor: *Sidney Ferreira Leite
Editora: Fundação Perseu Abramo.
São Paulo, 2005, 160 pp.
A
indústria cinematográfica é
um fenômeno historicamente novo. De fato,
tem pouco mais de cem anos. 'Cinema brasileiro
- das origens à Retomada' discute esta
história desde a primeira fase das atividades
cinematográficas no país até
o 'cinema da Retomada', nos anos 1990 - passando
pela relação do Estado com o cinema
nacional, a 'era dos estúdios', o Cinema
Novo e o período da Ditadura Militar. É
uma história rica em dramas, comédias
e aventuras, como os filmes que o nosso cinema
produziu. Entender o lugar desta produção
na cultura brasileira e quais são os obstáculos
para a consolidação de uma indústria
cinematográfica nacional é a contribuição
que este livro busca oferecer.
*.O
Prof. Dr. Sidney Leite é historiador e
docente no curso de relações internacionais
do Unicentro Belas Artes.
Dissertação
de Mestrado:
União Européia – a
política externa e de segurança
comum em um mundo unipolar. Unicamp /
Programa Santiago Dantas, 2005, 150 pp.
Autor: *Demetrius Cesário Pereira. Orientador:
Prof. Dr. Sebastião Velasco e Cruz.
*.
O Prof. Me. Demetrius Pereira é advogado
e internacionalista; é também docente
no curso de relações internacionais
do Unicentro Belas Artes.
RESUMO
Nesta
dissertação pretende-se analisar
a influência do sistema internacional após
a Guerra Fria no regionalismo europeu por meio
do estudo da Política Externa e de Segurança
Comum (PESC) da União Européia (UE).
No trabalho, procurou-se apresentar as teorias
sistêmicas de integração regional,
concentrando-se na perspectiva neo-realista para
a análise da PESC. A partir daí,
contextualiza-se o cenário mundial e regional,
para então inserir o estudo da PESC na
análise. Estudou-se também as discussões
que levaram à criação da
PESC pelo Tratado de Maastricht, com a análise
das posturas dos três principais países
envolvidos na negociação, Alemanha,
França e Reino Unido, para depois examinar
suas características e evoluções.
Assim, o trabalho relaciona os avanços
e retrocessos da PESC com as previsões
feitas pelos teóricos realistas, avaliando
a validade de seus argumentos e tecendo cenários
futuros com o auxílio da teoria, especialmente
em relação à independência
de uma política externa européia
em relação aos EUA e à OTAN.
Palavras-chave:
Europa – Organizações internacionais,
Relações Internacionais, Segurança
Internacional.
ABSTRACT
This
paper is an analysis of the post-Cold War international
system in the European regionalism through the
study of the Common Foreign and Security Polity
(CFSP) of the European Union (UE). The regional
integration systemic theories are presented, concentrating
in the neorealist perspective to the analysis
of CFSP. From this starting point, the global
and regional scenarios are contextualized, and
then the study of the CFSP is inserted. It was
also studied the discussions that led to the creation
of CFSP by the Maastricht Treaty, along with the
analysis of the positions of the three main countries
involved in the negotiation, Germany, France and
United Kingdom, to then examine its characteristics
and evolutions. The paper correlates advances
and backlashes of the CFSP with the previsions
made by the realist scholars, evaluating the validity
of their arguments and building future scenarios
with the aid of theory, especially in relation
to the independence of a European foreign policy
in relation to the US and NATO.
Key-words:
Europe – International organizations; International
Relations; International Security.
(RFdV).
|
|
·
SEMANA DIPLOMÁTICA
A
Política Externa Brasileira Contemporânea
foi o tema que norteou a IV edição
da Semana Diplomática, transcorrida de
3 a 7 de outubro do corrente ano, promovida pelo
curso de relações internacionais
do Unicentro Belas Artes.
Como
de costume, contamos com a presença de
ilustres palestrantes do meio empresarial, acadêmico
e diplomático, os quais abrilhantaram nosso
evento acadêmico-cultural deste ano, o qual
também fora organizado pela diretoria da
Febasp Jr - RI, com destaque para a participação,
o emprenho e a desenvoltura de sua diretora-presidente,
Juliana Ribeiro, bem como dos respectivos diretores
de marketing e administrativo-financeiro, Daniela
Martins e Evandro Almeida.
Tivemos
ainda a grata satisfação de mais
uma vez podermos contar com a participação
direta de alguns de nossos docentes, ora como
palestrantes, ora como mediadores dos debates,
os quais foram alvo da atenção de
nossos acadêmicos e dos convidados externos
pertencentes à comunidade de internacionalistas
também convidada a interagir conosco.
Confira
a seguir a programação completa.
Período noturno: 20h00
03/10 – A Política Externa Brasileira
Contemporânea.
Palestrante: Prof. Dr. Rafael Villa – USP.
04/10 – A candidatura brasileira para o
conselho de Segurança da ONU.
Palestrante: Daniel França – Programa
San Tiago Dantas.
05/10 – Negociações comerciais
brasileiras.
Palestrantes: Sr. Ricardo Mendes – Diretor
da Prospectiva – consultoria em RI. Sr.
Leandro Rocha – advogado do Escritório
Pinheiro Neto. E o Sr. Diego Bonomo – Divisão
de Negociaçòes comerciais –
OMC/FIESP.
06/10 – Acordos Empresariais Regionais.
Palestrantes: Sr. Fábio Rua - AMCHAM. Profa.
Dra. Ana Maria Stuart – docente da PUC/SP
e Diretora de RI do PT.
07/10 – Acordos de cooperação
internacional brasileiros.
Palestrantes: Sr. Julio Seabra – Diretor
de RI/Senac. Gabriela Cano – Gerente de
RI da PMSA. E o Sr. João Marcelo Borges
– Diretor da Acesso Consultoria em Cooperação
Internacional.
Período matutino: 08h00
05/10 – Arte, Cultura e Diplomacia.
Palestrante: Sra. Franzisca Potel – Adida
cultural alemã.
06/10 – A candidatura brasileira para o
Conselho de segurança da ONU.
Palestrante: Profa. Dra. Cristina Pecequilo –
Unibero/Faap.
·
SEMINÁRIO RELAÇÕES INTERNACIONAIS
NO BRASIL.
Promovido pela PUC - Minas, e que transcorreu
de 29/9 a 1.º/10, na cidade de Belo Horizonte
/ Minas Gerais.
Na
ocasião, nosso curso esteve representado
pelo Prof. Msc. Feliciano de Sá Guimarães,
o qual teve a oportunidade de acompanhar as palestras
de ilustres representantes da área de relações
internacionais, no Brasil, advindos de instituições
como UnB, PUC - Minas, PUC/SP, PUC - Rio, USP,
Unicamp, Unesp, UCAM, dentre outras instituições
governamentais e órgãos de pesquisa.
Como
uma das decisões mais relevantes, fruto
do referido seminário, constou a criação
da Sociedade Brasileira de Relações
Internacionais.
·
SEMINÁRIO INTERNACIONAL
REGGEN 2005
Promovido pela Cátedra e Rede UNESCO /
Universidade das Nações Unidas sobre
Economia Global e Desenvolvimento Sustentável,
de 8 a 13 de outubro do corrente ano, na cidade
do Rio de Janeiro.
Renomados
representantes do cenário nacional e internacional,
a exemplo de Benjamim Coriat (França),
Celso Amorim, Theotonio dos Santos e Emir Sader
(Brasil), Giovanni Arrighi e Immanuel Wallerstein
(EUA) e tantos outros que estiveram debruçados
sobre o tema: Alternativas à Globalização:
potências emergentes e os novos caminhos
da modernidade.
(RFdV).
|
|
Em
Nome da Rosa
Por
Raimundo Ferreira de Vasconcelos
E
eis que é chegada a primavera e com ela,
o sol nos aquece, arbustos florescem, as praças
agradecem o colorido das flores, o aconchego de
amores a brindar a visita de mais uma estação
primaveril.
E
o ambiente juvenil que nos rodeia, fortalece e
convida-nos a com ele festejar não apenas
uma, mais muitas, várias e até mesmo
diversas primaveras; dez, vinte, trinta ou quarenta?
Muito mais de cinqüenta, sessenta, setenta,
enfim, 80 primaveras.
Se
invertermos a contagem, ou melhor, se contarmos
de modo regressivo, aportaremos no 23 de setembro
de 1925, na primeira das primaveras. Foi lá
que surgiu a Rosa Bela, incolor, inodora, insípida,
porém Bela.
Surgiu
de fato incolor? Não, não, na verdade
multicor não era, mas tricolor com efeito
ainda o é, com matizes refletidas pela
paz, pelo firmamento e pela vida, ou melhor, pelo
precioso liquido da vida nas artérias a
transcorrer e assim, vale conferir: vermelho,
azul e branco são as tonalidades dela.
Se
assim o foi, inodora e insípida também
não era. E com certeza, podemos constatar,
até hoje conserva o aroma exalado das tintas,
tinturas, pincéis, telas e outros materiais
com que opera, no exercício da criatividade
e da criação, e a serviço
da arte, da cultura e do saber.
Conserva
também o sabor da satisfação,
do prazer e da alegria de viver para ensinar,
ensinar para viver, para aprender, para crescer;
ensinar a ter, a ser, a saber, a fazer; ensinar
a concretizar projetos, a arquitetar planos e
idéias, a desenhar soluções,
enfim, ensinar sobretudo a viver.
Na
Idade Média, “o nome da rosa”
era uma expressão utilizada para indicar
o poder da palavra, a qual fora muito bem explorada
por Humberto Eco no moderno romance - transformado
em filme – e cujos títulos tomaram
por empréstimo a referida expressão.
Ao
que nos toca, neste momento, parafraseamos àquela
expressão medieval para, também
através da palavra, mas com objetivo distinto,
poder gritar, _ Que viva a Rosa! Mas afinal qual
o nome dessa Rosa? FINE ARTS,
of course! Esta jovem senhora, esta instituição
octogenária, há exatos oitenta anos,
atuante e atuando em prol do ensino, da cultura
e da educação; da arte, da técnica
e até de business e negotiation, enfim,
da profissionalização com qualidade.
Seu
nome de batismo evoluiu de Escola de Belas Artes
para Faculdade de Belas Artes de São Paulo,
e atualmente, Centro Universitário Belas
Artes de São Paulo, localizado no tradicional
bairro paulistano de Vila Mariana, na rua Dr.
Àlvaro Alvim.
Nosso
Unicentro Belas Artes é mantido pela Febasp
– Associação Civil e sob a
reitoria do Dr. Paulo Antônio Gomes Cardim;
a direção financeira da Profa. Maria
Lúcia de Oliveira Gomes Cardim;
A
arte de fazer uma tradição é
o mote da, quero dizer do, ou ainda melhor, do
Unicentro Belas Artes, pois assim soa mais agradável
aos nossos ouvidos e ao nome da rosa.
Consta
de seu cardápio educacional diversos cursos
de extensão, pós-graduação
e graduação. Dentre estes últimos,
visualizamos os pioneiros e tradicionais cursos
de Arquitetura e Urbanismo, Design do Produto
(antigo desenho industrial), bacharelado em Arte,
Escultura e Gravura e ainda, Licenciatura em Artes
Visuais. Em épocas mais recentes, o design
contribuiu com novos cursos a exemplo de Design
de Embalagens, de Interiores e Design de Moda.
Também
já fincou suas raízes o curso de
Comunicação Social, voltado para
Publicidade & Propaganda, aliás fincou
e frutificou ao agregar os caçulas da,
perdão, do Unicentro Belas Artes que são
Relações Públicas e Rádio
e TV, assim como sedimentado também está
o curso especial de Formação de
Professores.
Centro
universitário é sinônimo de
idéias plurais e atividades distintas (não
confundir com dissonantes). Daí sua diversificação
de cursos, ao agregar alguns da área de
business como Administração de Empresas,
Turismo, além do jovem e prestigioso Relações
Internacionais, estando este último mais
afinado à negociação estratégica
do que aos negócios, ou à gestão
dos mesmos.
Podemos
mesmo dizer que a arte da negociação
já se faz presente no Unicentro Belas Artes,
a negociação estratégica
ou o estrategista internacional encontra sólida
formação em nosso Unicentro, o qual
prima por revestir de qualidade e por construir
tradição também para os cursos
implantados após os pioneiros supra mencionados.
Seus
cursos de Relações Internacionais
e de Design de Moda eram os dois caçulas,
mas perderam tal status com o ingresso dos cursos
de Rádio e TV e de Relações
Públicas. No caso de RI ainda acontece
de alguns de nossos acadêmicos serem surpreendidos
com a seguinte felicitação: _ Belas
Artes, parabéns, você faz arquitetura
ou design? _ Faço relações
internacionais, responde o aluno. Aliás,
os internacionalistas são também
confundidos com os acadêmicos de comércio
exterior e aqui a fronteira é muito próxima
ou quase inexistente, melhor ainda, é alargada
para contemplar ainda as relações
políticas e culturais.
Confusões
à parte, somos grato pela acolhida e apoio
institucional que temos recebido desde a implantação
do nosso curso (RI) aos dias atuais. Apoio este
que só tem nos fortalecido e contribuído
para nosso crescimento quantitativo e qualitativo,
afirmado, e.g., pelo número e natureza
dos ingressantes a cada semestre seletivo.
E
no balanço de lucros e perdas, os primeiros
superam estas últimas. Então voltemos
a comemorar, pois a Comunidade Febaspiana está
em festa, feliz e unida no sopro das 80 velas
a denunciar a idade desta prestigiosa e edificante
Instituição de Ensino Superior (IES).
Nenhuma
instituição se move sozinha, mas
é movida por pessoas, as quais moldam sua
cultura institucional (e por ela se vêem
emolduradas), traçam seu perfil e elaboram
suas especificidades. Sobre tais aspectos, a garra
da Comunidade Febaspiana, sua força de
vontade e os irmanados esforços fazem a
diferença, ultrapassam obstáculos
e renovam os ânimos para o permanente recomeço,
ao encarar o final de uma batalha como o limiar
de uma nova luta, mas desistir de lutar, jamais.
São
80 anos de luta e de glórias alcançadas;
de vitórias e também de prováveis
derrotas, mas de derrotismo nunca jamais. São
oito décadas de idealismo e realizações,
mas sem espaço para o pessimismo ou desânimo.
É quase um século de trabalho árduo,
seguro e consciente dedicado à informação,
ao conhecimento e à formação
de várias gerações.
Neste
momento, é preciso lembrar de que ao longo
desses 80 anos acumulamos a perda de diversos
ente queridos; impossível nomear a todos
aqui, tarefa que deixamos a cargo da memória
de cada um..., mas registramos, com respeito e
saudade, a ausência de nossos sócios-fundadores
e mais recentemente do chanceler e prof. Vicente
Di Grado, além de diversos ente queridos
do seio familiar de vários membros da Comunidade
Febaspiana. Ah, não podemos
esquecer também a perda do Maurício,
o “universitário” mais versátil
que já existiu, pois pertencia a todos
os cursos... Só não perdemos, é
preciso reconhecer, a fé, a esperança,
a dignidade e a capacidade de sonhar e de lutar
por dias melhores e por um futuro que nos sirva
de ancoradouro.
Do
nosso atual convívio, na Comunidade Febaspiana,
seria tarefa inglória nomear a todas as
pessoas, sob pena de cometermos alguma injustiça
denunciada pelo esquecimento de alguns e olha
que a lista é longa, mas resolvemos a questão
nomeando apenas uma delas para representar as
demais, a qual se afirma numa verdadeira lenda
viva, representada pela pessoa do Sr. Urbano e
seus 45 anos de atividade ininterrupta à
nossa IES.
E
movidos por tamanha dedicação, convidamos
a todo e qualquer integrante da Comunidade Febaspiana,
para que jamais se deixe acomodar, pois nada é
tão bom que não possa ser melhorado;
para que traga, portanto, suas sugestões
de melhorias.
E
reforçamos o convite a todos, sem exceção,
para que em uníssono, e num coro de quase
4.600 vozes gritemos: FELIZ ANIVERSÁRIO,
BELAS ARTES!!! Parabéns pelos seus 80 anos
de existência!!! E por tudo que nos tem
oferecido, o mínimo que podemos dizer é
muito, mas muito obrigado mesmo, porque...é
primavera, trazemos essa rosa para te dar.
|
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e revisão técnica:
|
Raimundo F. de Vasconcelos |
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