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DATA VENIA é
uma revista eletrônica do Curso de
Relações Internacionais do Centro
Universitário Belas Artes de São Paulo.
De periodicidade trimestral, seu conteúdo
é de inteira responsabilidade dos autores
que subscrevem suas respectivas matérias.
As colunas serão alimentadas pelos professores
do Curso, contando-se também com a colaboração
do alunado, da Comunidade Febaspiana como um todo,
e apenas marginalmente, ocorrerá a participação
de colaboradores externos à Instituição.
Além de divulgar as notícias relacionadas
ao Curso, as matérias publicadas reportar-se-ão
às sociedades nacional e internacional, através
de textos inéditos e não muito extensos,
acolhendo-se também material redigido nos
idiomas inglês e espanhol.
O conteúdo divulgado em DATA VENIA
pautar-se-á pelo balizamento ético
e pluralismo das idéias, as quais autoriza-se
sua reprodução por quaisquer meios
desde que se mencione suas respectivas fontes.
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| O
petróleo é deles
No último 1° de maio, dia internacional
do trabalhador, fomos surpreendidos pela polêmica
decisão do presidente da Bolívia,
Evo Morales, de nacionalizar as reservas de hidrocarbonetos
do país, que compreendem o petróleo,
o gás natural, o carvão, dentre
outros combustíveis fósseis extremamente
importantes para as economias altamente industrializadas
da atualidade.
A Bolívia
é o segundo maior detentor de reservas
petrolíferas da América Latina,
perdendo apenas para a Venezuela. Apesar disto,
é um dos países do continente latino-americano
com o menor índice de desenvolvimento social
e econômico, vivendo em situação
de riqueza e pobreza permanente. Riqueza porque
a quantidade de reservas existentes no país
seria suficiente para abastecer o mercado boliviano
por 1.340 anos ou toda a economia dos EUA por
92 anos (1). Pobreza porque este potencial gerador
de riqueza e de prosperidade não se reverte
em benefícios econômicos e sociais
para a população do país.
A polêmica
envolvendo a nacionalização destas
reservas naturais reascende antigos debates sobre
energia, crescimento econômico e hegemonia,
justificando assim a importância dada ao
tema nos diversos noticiários do mundo.
Nestas laudas pretendemos analisar os motivos
políticos e econômicos da medida
adotada pelo presidente da Bolívia e identificar
seus possíveis impactos para o Brasil e
para o restante do mundo.
No contexto político
latino-americano e a nacionalização
do petróleo, as últimas eleições
presidenciais traduzem as mudanças políticas
pelas quais a região vem passando. Desde
1998, com a eleição de Hugo Chávez
na Venezuela, a maior parte dos países
latino-americanos vem elegendo governantes que
adotam um discurso de crítica às
políticas neoliberais implementadas na
década de 90 e que apontam para as políticas
nacionalistas e de igualdade como saída
para a pobreza e para os baixos índices
de crescimento observados por esses países.
Dentro deste contexto, podemos identificar dois
blocos de governos que adotam políticas
distintas para resolver esses problemas, quais
sejam, os que têm buscado negociar com os
países desenvolvidos melhores condições
para a inserção de seus países
e os que têm se apoiado em políticas
unilaterais e por vezes radicais para atingir
seus objetivos. No primeiro bloco estão,
e.g., o Brasil, o Uruguai e o Chile; e no segundo
bloco, a Venezuela e a Bolívia.
Com aproximadamente 65% da população
sendo de origem indígena, Evo Morales é
o primeiro presidente indígena da Bolívia
e para alcançar tal posto, prometeu durante
as campanhas presidenciais dar melhores condições
de vida para o povo boliviano e fazer que as riquezas
do país se transformassem em benefício
para a população e não para
o resto do mundo. Assim, já nas campanhas
presidenciais defendia a nacionalização
dos hidrocarbonetos, as plantações
de coca (2) e a reforma agrária (3).
Após as
eleições, Evo Morales adotou uma
política de aproximação com
todos os governantes ditos de esquerda, mantendo
diversas conversações com Lula e
com Chávez. Nos últimos meses foi
ficando evidente que o presidente boliviano estava
se tornando mais próximo das idéias
de Chávez, fato que culminou com o anúncio
de nacionalização dos hidrocarbonetos.
Evo Morales estava sendo pressionado pelo povo
boliviano, que desejava ver em prática
a retórica utilizada nas campanhas. Não
havia outra saída para aquele líder
que não a nacionalização.
Apesar de pouco
ser dito acerca do histórico boliviano
de nacionalização e privatização
das reservas de gás e petróleo,
é fato que o ato do presidente boliviano
não é nenhuma novidade.
Em 1937 ocorreu
a primeira estatização do petróleo,
representada pelo confisco e transferência
das propriedades da Standard Oil para a estatal
boliviana Jazidas Petrolíferas Fiscais
Bolivianas (YPFB). Em 1969 houve a segunda nacionalização,
com o confisco das propriedades da petrolífera
Gulf Oil Company. No final de 1995, já
em meio ao processo de globalização
e à adoção generalizada de
privatizações o governo boliviano
privatizou o setor petrolífero e foi neste
contexto que a Petrobras adentrou naquele país.
Em meio a um processo
de privatização acusado de não
ser legítimo por não ter sido aprovado
pelo Congresso Boliviano, a Petrobras adquiriu
o direito sobre parte das reservas de hidrocarbonetos
da Bolívia. A prática adotada no
mercado internacional no que se refere à
questão dos hidrocarbonetos é a
concessão de licenças privadas para
a exploração dos recursos naturais
e é por este direito que as empresas pagam
quando aderem a esse processo de privatização.
No caso da Bolívia, o país foi além
e vendeu as reservas de hidrocarbonetos para as
empresas estrangeiras, o que significa que as
empresas que lá estão pagaram não
só pelo direito de explorar esses recursos
naturais, mas sim que são proprietárias
dos mesmos. É baseado no fato de que o
modelo de privatização adotado na
Bolívia na questão dos hidrocarbonetos
foge às práticas internacionais
que o Presidente Lula afirma que a nacionalização
é uma decisão soberana da Bolívia.
Que esta decisão é da Bolívia
e que deve ser respeitada ninguém discute.
O que se questiona é que, comparando as
duas situações fica evidente que
no caso boliviano, a Petrobras investiu um montante
de recursos financeiros muito superior ao que
seria exigido para apenas explorar as reservas
de gás e petróleo, posição
à qual foi relegada a partir da nacionalização
ocorrida no último 1° de maio, fato
que por si só acarreta prejuízo
financeiro que precisa ser discutido.
Em termos práticos
a nacionalização significa que tudo
o que as empresas estrangeiras instaladas na Bolívia
produzirem será repassado para a estatal
YPFB, única empresa autorizada a distribuir
e comercializar estes produtos dentro e fora da
Bolívia. Boa parte dos recursos obtidos
com a venda dos produtos será repassada
para o governo boliviano, que passará a
ter o controle sobre mais de 50% das empresas.
Para a Petrobras esta decisão significa
que, de detentora das reservas de gás e
petróleo na Bolívia, ela passou
a ser empresa terceirizada na exploração
destes recursos.
Atrelado ao programa
de nacionalização, o governo boliviano
deseja promover um reajuste nos preços
do gás natural explorado pela Petrobrás
na Bolívia e posteriormente importado pelo
Brasil, com o intuito de aumentar as receitas
provenientes de exportações. Esta
medida é polêmica, porque os reajustes
de preços estão previstos em contratos
anteriormente assinados entre a Petrobras e o
governo boliviano e não podem ser alterados
indiscriminadamente. Como a Petrobras não
tem nenhum interesse neste aumento de preços
é muito difícil imaginar um entendimento
comercial entre as duas partes interessadas. Além
disso, a decisão acerca da alteração
dos preços não envolve apenas a
empresa brasileira, mas sim o governo brasileiro,
pois um aumento nos preços do gás
traria impactos para a economia do Brasil.
Os impactos financeiros
destas medidas, bem como o desfecho deste episódio
de proporções econômicas e
diplomáticas só serão sentidos
no médio prazo, mas já podemos fazer
algumas considerações acerca do
ocorrido.
Assim, quanto aos
impactos da citada nacionalização,
ainda é cedo para relatarmos seus reflexos
no Brasil e na própria Bolívia.
Nos primeiros dias que se seguiram ao evento,
houve muita crítica à medida e ocorreram
muitas declarações enérgicas
de ambos os lados, mas ainda não podemos
dizer que todos os efeitos foram absorvidos.
Primeiramente,
foi muito criticada na imprensa local e internacional
a ocupação da Petrobras pelas tropas
militares bolivianas. Internacionalmente, esta
atitude não foi bem-vista, podendo dificultar
ou mesmo impedir os fluxos de investimentos diretos
para a Bolívia. As empresas transnacionais
são muito sensíveis às incertezas
políticas dos países em desenvolvimento,
e as desconfianças tendem a aumentar quando
governos com inclinações mais à
esquerda chegam ao poder. A atitude da Bolívia
incentiva este tipo de pensamento, prejudicando
a entrada de novos investimentos diretos estrangeiros
no país que tanto necessita de desenvolvimento.
Além disso, existe a possibilidade de as
empresas transnacionais generalizarem essa desconfiança
para a América Latina como um todo, diminuindo
ou adiando investimentos futuros já planejados
em diversos países, inclusive no Brasil.
Do ponto de vista
da percepção de risco dos investidores
estrangeiros, não foram grandes os impactos
nem para a Bolívia nem para os demais países
da América Latina, pois o mercado de capitais
boliviano é muito pequeno, com pouca participação
de investidores estrangeiros. Neste sentido, o
número de investidores estrangeiros que
poderia perceber risco de prejuízos financeiros
por conta da nacionalização e promover
a retirada abrupta de grandes quantias de recursos
é praticamente nulo, não existindo
real possibilidade de esta medida originar uma
crise financeira de grandes proporções.
Na verdade, ao que tudo indica, não existirá
crise de proporção alguma.
É importante
ressaltar que desde que Evo Morales decretou a
nacionalização das reservas de hidrocarbonetos
muito se especulou na imprensa nacional e internacional
sobre os reais motivos desta decisão. Os
defensores do presidente dizem que as medidas
foram tomadas para manter as riquezas bolivianas
dentro do país e revertê-las em benefício
da população. Os críticos
alegam que têm caráter puramente
político, visto que foram tomadas perto
das eleições para as novas cadeiras
do Congresso. Assim, a nacionalização
não passaria de uma medida para aumentar
a popularidade do presidente e, com isso, renovar
o Congresso boliviano de forma que lhe fosse favorável.
O fato é que, passado pouco tempo desde
o anúncio da nacionalização
o governo boliviano ainda não se posicionou
acerca dos aumentos dos preços para o gás
enviado ao Brasil e parece que tão logo
não o fará. A resolução
deste assunto envolve discussões diplomáticas
entre os dois países e, em última
instância, envolvimento dos EUA por meio
da corte arbitral. Neste caso, a YPFB teria que
recorrer a esta corte para aprovar o aumento de
preços, mas esta medida dificilmente será
adotada, pois os EUA não vêem com
bons olhos as políticas e os políticos
mais radicais da América Latina. Como o
rompimento de contrato com a Petrobras está
descartado, em virtude da dependência da
Bolívia nas divisas geradas pela venda
do gás natural para o Brasil, a solução
para esta questão parece estar longe de
ser alcançada, o que coloca mais dúvidas
sobre a decisão boliviana. Por que será
que tudo isso não foi previsto e discutido
antes, de maneira diplomática?
Notas:
1. Dados retirados do artigo “Bolívia,
solução: Brasil” da coluna
Petróleo Global por Jean-Paul Prates (04/07/05)
do Jornal O Globo.
2. O presidente Evo Morales é contrário
ao narcotráfico, mas defende a produção
de coca por acreditar que o consumo desta planta
faz parte da cultura do povo boliviano e não
tem nenhuma relação com comércio
de drogas.
3. Após a nacionalização
dos hidrocarbonetos, especula-se que a reforma
agrária a ser promovida na Bolívia
possa significar a expulsão de imigrantes
de vários países da América
Latina, inclusive do Brasil.
Luciene
Godoy
Mestre em Economia Política.
É docente no curso de Relações
Internacionais do Unicentro Belas Artes de São
Paulo
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| Geopolítica
do Petróleo na Venezuela
A geopolítica
é uma área de conhecimento multidisciplinar
que estuda as influências do espaço
geográfico nas relações de
poder em política internacional. Entre
as características geográficas que
contribuem para determinar a política nacional
e aspectos importantes das relações
internacionais destacam-se, por exemplo, as fronteiras
naturais, o acesso a e o controle de rotas marítimas
e áreas territoriais estratégicas
e os recursos naturais disponíveis, como
o petróleo, que tem sido a principal matriz
energética há mais de um século.
A importância
geopolítica do petróleo expressa-se
de várias maneiras, como através
da disputa pelo controle de suas reservas e locais
de produção - envolvendo extração
e refino -, vias de transporte, que se relacionam,
entre outros, com questões de segurança
marítima e assim por diante.
As indústrias
internacionais de petróleo, privadas ou
estatais, situam-se entre as mais poderosas do
mundo, pois operam com uma mercadoria (commodity)
essencial para o sistema econômico internacional,
não por acaso chamada de “ouro negro”.
Interesses, estratégicos e outros, de Estados,
companhias petrolíferas e mercado financeiro
(movimentado pelos petrodólares) se compõem
e se desdobram tanto em diplomacia quanto em guerra,
como se pôde observar no ataque militar
ao Iraque em nome da “liberdade e democracia”.
Ademais, vale relembrar de que, nos anos 70, dois
choques do petróleo marcaram a conjuntura
das relações internacionais, compondo
um cenário que envolveu, em contexto de
Guerra Fria e de conflitos no geoestratégico
Oriente Médio, corrida armamentista e embargo
da preciosa commodity pelos países árabes
produtores.
O petróleo
marca a geopolítica do Estado venezuelano
há quase um século. Nas primeiras
décadas do século XX, a Venezuela
emergiu como um dos principais países petroleiros
do mundo. Já no final dos anos 20, esse
país desponta como o segundo produtor mundial
de petróleo e o principal exportador (feito
que manteve até 1970). Cerca de 45% da
produção total de petróleo
nas Américas Central e do Sul é
venezuelana. Hoje, sua estatal, a PDVSA, criada
em 1976, é a terceira empresa de petróleo
do mundo.
No início
do século XX, a Venezuela era um país
agrícola, pouco povoado e sem importância
no cenário internacional. Porém,
a partir de 1920, a exploração e
produção de petróleo passam
a se apresentar como um negócio muito promissor
para as elites políticas venezuelanas,
comandadas pelo então presidente ditador,
general Juan Vicente Gómez. Desde então,
o petróleo passa a ser, com intensidade
cada vez maior, a principal fonte de arrecadação
fiscal do Estado e sua exploração
ficava nas mãos de empresas estrangeiras,
mediante políticas públicas liberais
de concessões. A indústria do petróleo
vai alterando o perfil territorial do país,
que se urbaniza, sobretudo a partir da constituição
das cidades petrolíferas.
Em 1943, é
aprovada a Lei de Hidrocarburantes, resultado
de negociações entre o Estado e
as empresas estrangeiras. Através dessa
lei, o Estado venezuelano procurou uniformizar
o marco regulatório das concessões
e extrair mais royalties das companhias petroleiras.
Em 1960, a Venezuela desempenhou um papel relevante
na criação da Organização
dos Países Produtores de Petróleo
(OPEP), que tinha como um dos principais objetivos
a manutenção de preços estáveis
através da regulação da produção.
Nesse mesmo ano, é criada a Corporación
Venezuelana de Petróleo (CPV), uma estatal
que passou a responder por 1,6% da produção
nacional desse produto. Outro marco importante
se deu com a nacionalização do petróleo,
iniciada em 1976, que se desdobrou na criação
da companhia estatal Petróleos de Venezuela
S.A. (PDVSA), pôs fim na política
de concessões e integrou as concessionárias
privadas ao organograma da nova empresa.
Porém, não
demorou muito para que a PDVSA se tornasse um
“Estado” dentro do Estado”,
exercendo uma administração extremamente
autônoma em relação ao Ministério
das Minas e Energia, ou seja, em relação
ao Poder Executivo, que assim perdia, de fato,
embora não de direito, a soberania sobre
o petróleo. Nesse contexto, as petroleiras
transnacionais que atuavam na Venezuela estabeleciam
as estratégias de mercado da PDVSA, cuja
independência fiscal cada vez maior a divorciava
do Estado, para quem a estatal não pagou
dividendos durante anos. Começa, assim,
nos anos 80, a tomar corpo a política de
abertura petroleira, que se procurou aprofundar
nos anos 90, conjuntamente com o processo de globalização
e o avanço da ideologia neoliberal. O objetivo
era desregulamentar a economia venezuelana, atrair
mais investimentos privados e liberalizar o regime
fiscal, o que passava por considerar o petróleo
como um recurso natural livre e assim diminuir
a importância do Estado enquanto proprietário
e beneficiário fiscal dessa matriz energética.
Tais medidas iam na contramão da nacionalização
adotada nos anos 70.
Em 6 de dezembro
de 1998, Hugo Chávez é eleito presidente
em primeiro turno, com 56% dos votos e empossado
em 1º de janeiro de 1999, em uma conjuntura
marcada por grave crise econômica devido
à queda abrupta do preço do barril
de petróleo no mercado internacional. A
dependência da economia venezuelana em relação
ao petróleo fez o país ingressar
numa profunda crise econômica e social.
A partir de sua
posse, Hugo Chávez passa a implementar
um conjunto de mudanças que ele denomina
de revolução bolivariana. Em 2001,
Chávez lança um pacote de medidas
legais, que geram intensa oposição
do empresariado venezuelano: A Lei de Terras,
a Lei do Petróleo, a Lei de Pesca e a Lei
das Zonas Costeiras. Interessa a este artigo abordar
a Lei do Petróleo, cujo objetivo é
manter o controle estatal sobre todas as fases
do setor e aumentar em 30% os royalties pagos
pelas empresas privadas aos cofres públicos
da Venezuela por qualquer descoberta de óleo
no território daquele país. Além
disso, essa lei estabelece que as atividades primárias
(exploração, extração,
transporte e armazenamento) só podem ser
feitas por empresas das quais o Estado tenha pelo
menos 51% das ações. Na verdade,
a política petroleira do governo Hugo Chávez
visa resgatar a soberania do Estado sobre o petróleo,
subordinar a PDVSA aos interesses nacionais do
Governo Central, restringindo sua anterior autonomia,
incentivar o desenvolvimento e destinar os recursos
do petróleo ao combate à pobreza
e à exclusão social. O conjunto
de medidas adotadas pelo governo Chávez
de 2001 em diante em relação ao
petróleo vem sendo denominado de “reforma
petroleira”.
A medida político-administrativa
concreta, de conteúdo geopolítico,
que o governo Chávez adotou para combater
a pobreza e a exclusão social é
a constituição dos Distritos Sociais
Petroleiros e Gasíferos. Trata-se de “uma
unidade de gestão territorial de caráter
produtivo, ecológico e social, que integra
funções de engenharia, desenvolvimento
e execução de projetos, com o intuito
de consolidar estratégias que, dentro do
processo de exploração, produção,
refino e comercialização de petróleo
e gás, propiciem um esforço conjunto,
eficiente e efetivo dos funcionários da
PDVSA e da população para garantir
o desenvolvimento endógeno sustentável,
gerando os equilíbrios necessários
para a erradicação da pobreza”
(consultar site da PDVSA).
Após enfrentar
sérias dificuldades econômicas e
políticas nos primeiros anos de governo,
a Venezuela vem alcançando alguns progressos
desde 2004, quando o PIB cresceu 17,9%, 9,3% em
2005 e prevê-se que crescerá 8,0%
em 2006. Esse crescimento tem ocorrido junto com
a queda do desemprego e avanços na redução
da pobreza (que é imensa naquele país),
assim como se faz acompanhar da diminuição
da vulnerabilidade externa, devido ao saldo positivo
nas transações correntes gerado
pelas exportações de petróleo,
cujos preços no mercado internacional têm
se elevado nos últimos anos.
Outra iniciativa
geopolítica importante do governo Chávez
é o ingresso da Venezuela no Mercosul,
que, ademais, implicará acordos na área
energética com os países membros
desse bloco regional. Enfim, a mudança
de perspectiva política em relação
ao sentido e aos beneficiários da economia
petroleira é uma novidade importante na
Venezuela atual. O que tem ocorrido nesse país,
para o bem ou para o mal, é interessante
de ser acompanhado, pois se trata de uma experiência
que busca se distanciar da ortodoxia liberal predominante
na América Latina desde o final dos anos
80.
Marcus Ianoni
Doutor e Mestre em Ciência Política.
É docente no curso de Relações
Internacionais do Unicentro Belas Artes de São
Paulo. |
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Caminhos
da humanidade... |
| O
Tráfico de Pessoas, a Cidadania Empresarial
e o Direito Comunitário
Por Luisa Moura
A análise
comparativa dos pressupostos e objetivos, dos
procedimentos jurídicos e administrativos,
e das suas conseqüências práticas,
nos processos de integração da União
Européia e do MERCOSUL, é fundamental
para o entendimento de que cada processo é
protagonizado por vontades distintas que erigiram
duas organizações internacionais
com características bastantes diversas.
Esta diversidade se relaciona tanto à sua
estrutura orgânica, como no que respeita
aos meios financeiros que utilizam, às
bases teóricas em que se assentam e ao
quadro jurídico que as suporta.
É certo
que os objetivos gerais das duas organizações
– U.E. e MERCOSUL – são semelhantes:
o progresso econômico e social, a melhoria
do nível de vida e das condições
de trabalho e o fortalecimento da união
entre os povos pertencentes aos respectivos países
membros.
Entretanto, cada
uma delas apoia a sua estrutura orgânica
em filosofias distintas. Se a U.E. pressupõe
o principio da proporcionalidade e da desigualdade
funcional dos estados-membros, o MERCOSUL pressupõe
a intergovernamentalidade e o princípio
da igualdade jurídica e funcional dos Estados-partes.
Quando se aborda
a questão da livre circulação
de pessoas e de trabalhadores, se toca num ponto
crucial da prática integrativa, quer do
ponto de vista econômico e social, quer
do ponto de vista jurídico. Isto por que
este cenário vem tendo implicações
transversais, especialmente nos países
do continente americano que aderiram ao Pacto
Andino, ao MERCOSUL e, mais recentemente, à
Comunidade Sul-Americana de Nações
– CASA, tais como o tráfico
de pessoas para o trabalho escravo e a responsabilidade
social das empresas transnacionais ou
multiregionais que estão inseridas nestes
pactos comunitários.
Estas temáticas
estão na ordem do dia, e daí a necessidade
de se aprofundarem os estudos dos marcos jurídicos
comunitários usando as situações
exemplares da União Européia –
UE e da extinta União das Repúblicas
Socialistas - URSS, como o espelho e, simultaneamente,
fazer o aperfeiçoamento da formatação
específica dos marcos jurídicos
da livre circulação de pessoas e
de trabalhadores na integração da
América do Sul.
O pós-moderno
tráfico de pessoas para o trabalho escravo,
caracterizado pela servidão por dívida
e o trabalho contratado, mas forçado e
em condições insalubres, tem suas
origens nos amplos movimentos migratórios
intercontinentais ou inter-regionais do início
do século XX. É mais comum entre
países e regiões mais desenvolvidas
que agem como polo de atração econômica,
simultaneamente à ausência de oportunidades
de trabalho para populações na sua
região de origem. As situações
de vulnerabilidade social instigam as famílias
a migrar por melhores condições
de vida. Acrescido de atos criminosos, como a
coerção, a extorsão, a violência
física, o estupro, a fraude e a detenção,
o tráfico para o trabalho escravo continua
tendo lugar preferencialmente no seio de processos
migratórios ou de recrutamento de trabalho
e ainda em locais de trabalho no destino da migração,
contribuindo para a recriação, em
pleno século XXI, de situações
típicas do fim do feudalismo e da Revolução
Industrial.
Diante de intensas
denúncias de situações de
violação dos direitos humanos dos
trabalhadores e suas famílias (1), e num
cenário de integração regional
- MERCOSUL, Pacto Andino e, integrando ambos,
a Comunidade Sul Americana de Nações
-, em que deverá ser estabelecida a livre
circulação do trabalho, a que condições
de trabalho e de exploração serão
submetidas mulheres, crianças, famílias
inteiras que buscam melhores condições
de vida e a superação das discriminações
sociais?
Independentemente
de que a negociação dos Estados-parte
aponte, no setor dos direitos do trabalhador,
para uma harmonização da legislação
ou para a sua uniformização, temos
como ponto de partida a assinatura da DECLARAÇÃO
SOCIOLABORAL DO MERCOSUL, a 10 de dezembro de
1998, no Rio de Janeiro, pelos chefes de estado
do Mercado Comum do Sul, conscientes de que esse
encaminhamento seria fundamental para garantir
o desenvolvimento sócio-econômico
dos países e a viabilização
do processo integrativo.
Considerando que
os Estados-parte, além de membros da Organização
Internacional do Trabalho, ratificaram as principais
convenções internacionais de Direitos
Humanos e as que dão garantias aos trabalhadores,
a DECLARAÇÃO garante, no âmbito
dos países que fazem parte do MERCOSUL,
os direitos individuais, a não discriminação,
a promoção da igualdade entre homens
e mulheres, a proteção e o direito
à ajuda e informação dos
trabalhadores migrantes e fronteiriços,
a liberdade sindical e à greve, o fomento
e criação do emprego, a execução
de políticas ativas de modo a elevar o
nível de vida e corrigir os desequilíbrios
sociais e regionais como uma forma de promover
o crescimento econômico e a ampliação
dos mercados interno e regional.
No que se refere
à eliminação do trabalho
forçado, a DECLARAÇÃO garante
o direito ao trabalho livre e a exercer qualquer
ofício ou profissão, de acordo com
as disposições nacionais vigentes.
Os Estados-parte comprometem-se, sobretudo, a
eliminar toda forma de trabalho ou serviço
exigido a um indivíduo sob a ameaça
de uma pena qualquer e para o qual dito indivíduo
não se ofereça voluntariamente.
Ademais, comprometem-se a adotar medidas para
garantir a abolição de toda utilização
de mão-de-obra que propicie, autorize ou
tolere o trabalho forçado ou obrigatório.
E, de modo especial, suprime-se toda forma de
trabalho forçado ou obrigatório
que possa utilizar-se: como meio de coerção
ou de educação política ou
como castigo por não ter ou expressar o
trabalhador determinadas opiniões políticas,
ou por manifestar oposição ideológica
à ordem política, social ou econômica
estabelecida; como método de mobilização
e utilização da mão-de-obra
com fins de fomento econômico; como medida
de disciplina no trabalho; como castigo por haver
participado em greves; como medida de discriminação
racial, social, nacional ou religiosa.
A DECLARAÇÃO
também preconiza o diálogo social
quando os Estados-parte se comprometem a “fomentar
o diálogo social nos âmbitos nacional
e regional, instituindo mecanismos efetivos de
consulta permanente entre representantes dos governos,
dos empregadores e dos trabalhadores, a fim de
garantir, mediante o consenso social, condições
favoráveis ao crescimento econômico
sustentável e com justiça social
da região e a melhoria das condições
de vida de seus povos” (2).
Nestes cenários
de integração regional, em que as
constituições nacionais e comunitárias
garantem o direito de ir e vir e a livre circulação
de pessoas, inclusive para trabalhar, e se os
Estados nacionais não crêem que os
trabalhadores, de livre vontade, desejem sair
das suas regiões natais para se movimentarem,
em fluxos migratórios para outras regiões
(3), passa a estabelecer-se um tráfico
dissimulado de pessoas, de difícil detectação,
disfarçado de turismo, férias ou
romarias religiosas ou mesmo oculto na simples
migração de chefes de família
em busca de melhores condições de
vida.
Por detrás
do tráfico de pessoas, especialmente o
de mulheres, encontramos empreendimentos que vivem
da ação criminosa de exportar e
importar pessoas para serem exploradas de várias
formas, resultando num tipo de escravidão
eticamente inconcebível e incompatível
com os princípios de respeito à
dignidade da pessoa humana consagrados na “Declaração
Universal de Direitos Humanos” (4). Encontramos,
sobretudo, uma ganância sem limites, uma
exclusão social, uma desorganização
de valores de proporções mundiais,
uma ausência de responsabilidade social
e econômica por parte das empresas, e dos
correspondentes marcos regulatórios, que
caracterizam situações de vulnerabilidade
e de risco social. Estas situações
são resultantes da acentuação
das contradições sociais e políticas
proporcionadas pelo recente processo da chamada
“globalização” (5).
Cada vez mais os
atores envolvidos (Ministérios, instituições,
Ong’s estudiosos do assunto, formadores
de opinião, lideranças comunitárias)
percebem que o combate às conseqüências
do tráfico, através da atuação
repressiva, moral ou psicologizante, não
tem obtido os resultados esperados pela sociedade,
e a legislação pertinente parece
não garantir que esta rede seja penalizada
e muito menos impedida de funcionar. Já
as lutas das entidades de mulheres vêm conseguindo
que o Estado defina políticas públicas
e medidas legais que diminuam as condições
de vulnerabilidade das mulheres e a tendência
de reproduzir o trabalho escravo em pleno século
XXI, que estaria incentivando o tráfico.
Sob esta perspectiva, a educação
e a informação são fundamentais
para que a sociedade enfrente radicalmente este
problema.
Educar
e informar as comunidades, as famílias,
as mulheres, para trazê-las à consciência
de sua identidade, é fundamental. Levar
para as comunidades locais os programas de erradicação
do analfabetismo e de capacitação
profissional, em parceria com governo e empresas,
públicas e privadas, que praticam a responsabilidade
social tem sido o primeiro passo para elevar a
consciência de toda a comunidade quanto
aos seus direitos à qualidade de vida e
à cidadania. Esta atuação
concreta se torna muito mais eficaz quando as
comunidades locais se mobilizam, elas próprias,
para atuar sobre a raiz do problema: as situações
de vulnerabilidade e de risco social.
Por outro lado,
erradicar o tráfico de pessoas para o trabalho
escravo faz aumentar a responsabilidade destas
empresas que vêm sendo cobradas socialmente
por posturas e ações éticas
no meio ambiente de trabalho, por respeito à
dignidade do trabalho feminino, pela erradicação
do trabalho infantil, e por responsabilidade social
e ambiental. As empresas, pela sua missão
constitucional de ”função
social”, de contribuírem para o desenvolvimento
ambiental, econômico, social, político
e humano local são, cada vez mais, chamadas
a se engajar na luta pela inclusão social
e pela cidadania com resultados positivos na redução
da vulnerabilidade social.
Esta é uma
abordagem diferenciada para esta questão,
uma atuação concreta que cria soluções
eficazes na raiz do problema, que torna possível
a conjugação dos esforços
de todas as instituições que diagnosticam
e atuam sobre o problema, sejam elas públicas
ou privadas, Estado, empresas e Terceiro Setor:
a da “Responsabilidade Social Empresarial”.
Entidades representativas
de trabalhadores, mulheres e estudantes já
criam nas suas comunidades os programas de erradicação
do analfabetismo, sob iniciativa dos governos
federal, estaduais e municipais e patrocinados
por empresas cidadãs, que desenvolvem programas
de responsabilidade social nesta área (6),
como um primeiro passo para que as comunidades
adquiram consciência dos seus direitos fundamentais.
Quanto às
empresas, pela sua missão constitucional
de contribuírem para o desenvolvimento
econômico, social, político e humano
local, vêm cada vez mais assumindo um compromisso
político e se engajando na luta pela inclusão
social e pela cidadania.
Compromissar cada
vez mais essas empresas, especialmente a mídia,
as empresas de turismo e as que se dedicam ao
transporte de pessoas, com ações
formadoras, para fazerem a prevenção
ao tráfico de pessoas, de mulheres, de
trabalhadores que, ao se movimentarem inter-regionalmente,
por meio dos transportes terrestres, aéreos
e aquáticos, podem ser capturadas pela
rede do tráfico de pessoas humanas. Compromissá-las
também com a estratégia da Justiça
é uma meta imediata para lograrmos o estabelecimento
de um marco regulatório eficaz, que envolva
as ações de políticas públicas
e a responsabilidade social das empresas quando
da livre circulação de trabalhadores
num cenário de integração
da América do Sul.
Neste cenário
de integração regional, é
importante que o meanstrem de Relações
Internacionais acompanhe de perto esta questão,
sob os olhares especializados da Sociologia e
do Direito Internacional Comunitário. Estas
abordagens nos trarão muitos aportes esclarecedores
e construtivos da proposta de um marco legal comunitário
que viabilize um projeto de integração
sul-americana includente, para o desenvolvimento
e com respeito à dignidade humana.
Notas:
1. Para este assunto ver o site do Instituto Observatório
Social uma organização que analisa
e pesquisa o comportamento de empresas multinacionais,
nacionais e estatais em relação
aos direitos fundamentais dos trabalhadores. http://www.observatoriosocial.org.br,
acessado em 18/08/06
2. Declaração
Sociolaboral do MERCOSUL, disponível em
http://www.mercosur.int/msweb/principal/contenido.asp
, acessado em 18/08/2006
3. Segundo a Comissão das Comunidades Européias,
PT, em folheto “Circular livremente”
da série “A Europa em movimento”
publicado em 1991: “No interior da Comunidade
todos os cidadãos nacionais dessa Comunidade
podem escolher o próprio local de trabalho
e de residência e aí usufruir dos
mesmos direitos que a população
autóctone. A criação desse
direito não é um convite às
migrações. A experiência demonstra
que a imensa maioria dos cidadãos prefere
trabalhar e viver na região que considera
a sua ‘pátria’.
4. Diz Ignacy Sachs em paper apresentado ao Seminário
Direitos Humanos no século XXI, Rio de
Janeiro, 10-11/9/1998, comemorativo do cinquentenário
da DUDH “A Carta das Nações
Unidas, a Declaração Universal dos
Direitos do Homem, o Pacto Internacional sobre
os Direitos Civis e Políticos e o Pacto
Internacional sobre os Direitos Econômicos
e Culturais balizam o processo de internacionalização
dos direitos do homem”. Disponível
em http://www2.mre.gov.br/ipri/Papers/DireitosHumanos/Artigo06.doc,
acessado em 18/08/2006
5. Ver SOARES, Laura Tavares Ribeiro, Ajuste neoliberal
e desajuste social na América Latina. Petópolis:
Vozes, 2001
6. As Fundações e Institutos de
empresas criaram uma ONG cujo principal objetivo
é fomentar os investimentos sociais privados,
lutando por um marco legal para o Terceiro Setor.
Ver o site do GIFE – Grupo de Institutos,
Fundações e Empresas: http://www.gife.org.br
Referências
bibliográficas
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Arnaldo Francisco. Migrações Internacionais,
os blocos regionais e a mobilidade mundial de
mão de obra. São Paulo em Perspectiva
, v 16, no. 2. São Paulo: abr-jun 2002.
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das Comunidades Européias. O Dossier da
Europa: Circular Livremente. Bruxelas, 1991.
DECLARAÇÃO Sociolaboral do MERCOSUL,
Disponível em http://www.mercosur.int/msweb/principal/contenido.asp
DIAS. Claudia Sérvulo
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de exploração sexual. Brasília,
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http://www.observatoriosocial.org.br,
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Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttex&pid=S0104-83332005000200003
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OBSERVATÓRIO
Social- Conexão Sindical. Imigrantes são
submetidos à escravidão em São
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SANCHES, Eduardo
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uma análise critica frente às alterações
ao código penal brasileiro. Disponível
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Acesso em 5 de julho de 2006
SEMINÁRIO
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Liban: Le trafique des personnes. Le cas du monde
arab et le travail des ONG. Salvador: Federação
Internacional democrática de Mulheres,
jul de 2006
SOARES, Bárbara
M. enfrentando a Violência contra a Mulher.
Brasília: Secretaria especial de Políticas
para as Mulheres, 2005.
SOARES, Laura Tavares
Ribeiro, Ajuste neoliberal e desajuste social
na América Latina. Petrópolis: Vozes,
2001.
Luisa
M. S. Moura
Doutora e Mestre em Sociologia e docente no curso
de
Relações Internacionais do Unicentro
Belas Artes de São Paulo.
|
Desastres
do pós-guerra civil espanhola
Por *Margareth dos Santos
Resumen
El trabajo se propone
a analizar las novelas Nada (1945), de Carmen
Laforet y Tiempo de Silencio (1962), de Luis Martín-Santos
para examinar el rasgo singular de la elaboración
de ambas obras, es decir, la apropiación
de las series de grabados Los Caprichos y Los
Desastres de la Guerra de Goya. En Nada, abordamos
la integración del aspecto monstruoso al
espacio romanesco, la extinción de los
límites entre el mundo onírico y
el real, la representación fragmentaria
y la dilución de los límites entre
el pasado de la materia narrada y el tiempo de
la narración. En Tiempo de Silencio, analizamos
los procedimientos de reducción del espacio,
el uso del extracampo, de la animalización
y de imágenes expansivas, caracterizados
por la apropiación de representaciones,
procedimientos y temas provenientes del universo
goyesco. A partir del análisis de esos
elementos, observamos que, al incorporar los grabados
en la composición de esas novelas, los
autores crean una dimensión ampliada del
horror de la guerra y, a la vez, sugieren una
interpretación de la historia contemporánea
como un movimiento de continuidad del “desastre
español”, desde el siglo XIX hasta
la posguerra civil española.
Palabras-clave:
Nada; Carmen Laforet; Tiempo de Silencio; Luis
Martín-Santos; Goya y la novela de posguerra
civil española.
SANTOS,
Margareth dos. Desastres do pós-guerra
civil espanhola. 2006, 208 pp. Tese de doutoramento
defendida na USP, sob a orientação
da profa. Dra. Valeria de Marco.
*. Lingüista
e docente no curso de Relações Internacionais
do Unicentro Belas Artes de São Paulo.
(RFdV).
|
| III
Conferência Mundial para as Relações
Internacionais
Sociedade Internacional
e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio
foi o tema geral sob exame na III Conferência
Mundial para as RI, subdividido em oito temas
mais específicos: (1) acabar com a fome
e a miséria; (2) educação
básica de qualidade para todos; (3) igualdade
entre sexos e valorização da mulher;
(4) reduzir a mortalidade infantil; (5) melhorar
a saúde das gestantes; (6) combater a AIDS,
a malária e outras doenças; (7)
qualidade de vida e respeito ao meio ambiente;
e, (8) todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento.
O evento teve como sede
o Centro de Convenções Ulysses Guimarães
– Brasília – Distrito Federal
– de 9 a 12 de outubro/06.
(RFdV).
SiONU
2006
Acadêmicos de Relações
Internacionais do Unicentro Belas Artes participaram
da 5ª. Edição da SiONU –
Simulação da Organização
das Nações Unidas, evento ocorrido
em maio último, na cidade do Rio de Janeiro.
Foram debatidos os seguintes
temas: corrupção; narcotráfico;
pobreza; minorias; ordem financeira internacional;
paz e segurança; e a questão da
água.
Agradecemos mais uma vez
aos acadêmicos que se dispuseram a nos representar,
dignificando nossa Instituição,
nosso curso, além de acumularem experiência
que só engrandecerá a carreira profissional.
(RFdV).
V Semana Diplomática
Transcorrerá de 23
a 27 de outubro, a 5ª edição
da Semana Diplomática, ciclo de palestras
e debates promovido pelo curso de Relações
Internacionais do Unicentro Belas Artes, organizado
mais uma vez pela diretoria da Empresa Júnior
do Curso, propondo-se a debater, desta feita,
As Relações Internacionais Contemporâneas.
Confira a programação
completa a seguir.
Segunda-feira -
23/10
Manhã: 9h00
- União Européia: para onde vai
a Integração?
Profs. Demetrius Pereira e Marcus Ianoni.
Noite: 20h00
- Mídia e Relações Internacionais.
Prof. Sergio Amadeu – Fac. Cásper
Líbero.
Mediadores/comentaristas: Profs.
Oswaldo Amaral e Marcus Ianoni.
Terça-feira
– 24/10
Manhã: 9h00
- Relações Bilaterais Brasil
X Bolívia.
Exmo. Sr. Cônsul-Geral da Bolívia
- a confirmar.
Mediadores/comentaristas: Profs.
Nilson Araújo e Humberto Paiva.
Noite: 20h00
- A corrupção e a imagem brasileira
no exterior.
Sr. Marcelo Soares – OnG Transparência
Brasil - Confirmado.
Mediador: Prof. Alcir Desasso.
Quarta-feira –
25/10
Manhã: 9h00 - Comunicação
e Relações Internacionais - a confirmar.
Mediadores/comentaristas: Profs.
Sidney Leite e Sérgio Lage.
Noite: 20h00 –
Integração Regional e Estados Subnacionais.
Dra. Maria Inês Barreto – Pesquisadora
do CEDEC.
Mediadores/comentaristas: Profs.
Demetrius Pereira e Marcus Ianoni.
Quinta-feira –
26/10
Manhã: 9h00
- China e os novos desafios do milênio.
Sr. Miguel Santos Neves - a confirmar.
Dr. Durval de Noronha Goios – a confirmar.
Mediadores/comentaristas: Profs.
Glauco dos Santos e Nilson Araújo.
Noite: 20h00 -
O programa Nuclear da Coréia do Norte e
Irã.
Exmo. Embaixador, Marcos Azambuja – a confirmar.
Sexta-feira –
27/10
Manhã: 9h00
- Direito Internacional Público
( a confirmar).
Mediador: Prof. Roberley Alves.
Noite: 20h00
- O diferencial do internacionalista no mercado
de trabalho.
Palestrantes: Membros da EJ,
e coord. da EJ, prof Glauco dos Santos.
Acadêmicos de International Relations/Febasp:
Andor Ascer, Dayhanne Liu, Atila Berardinelli,
Tatiana Engelmann.
(RFdV).
|
RI /Febasp –
reconhecido com nota “A”
O curso de Relações
Internacionais do Unicentro Belas Artes foi reconhecido
pelo MEC e obteve CMB (Conceito Muito Bom) nas
três dimensões: Proposta pedagógica,
Corpo docente e Infra-estrutura, afirmando-se,
portanto, como um excelente curso de RI, ao ser
o primeiro no Brasil a obter tal conceito quando
de seu reconhecimento.
Este resultado,
por certo, é fruto do esforço de
toda uma equipe de trabalho, composta por sua
coordenação, seu quadro docente,
além de sua equipe técnico-administrava,
respaldados ainda pelo apoio diretivo da Reitoria
do Unicentro Belas Artes.
Seja
um Internacionalista Com Maior Base; D’
Ecole D’Unicentro Belas Artes Para o Mundo.
(RFdV).
Grupos de Estudo:
participe...!!!
Atualmente,
há dois grupos de estudo atuantes em nosso
curso, contando com a participação
inicial de nossos docentes e discentes, e dispostos
a aceitar a participação de partícipes
externos, cujos interessados deverão contatar
seus respectivos coordenadores.
O GERI-SoC - Grupo
de Estudos em Relações Internacionais
– Sociologia Clássica é coordenado
pela profa. Dra. Verônica Sales, reunindo-se
quinzenalmente para discutir temas pertinentes
aos seus objetivos propostos. Contatos: versales@uol.com.br
O GERI-IRg –
Grupo de Estudos em Relações Internacionais
– Integração Regional, sob
a coordenação dos profs. Dr. Nilson
Araújo e Dra. Luisa Moura, devotado aos
temas da agenda sul-americana, aguarda contatos
de futuros ingressantes através deste formulário.
Um terceiro grupo
encontra-se em formação. Trata-se
do GERI-Gel, Grupo de Estudos em Relações
Internacionais – Grupo de Estudos Lingüísticos,
coordenado pela profa. Msc. Tânia Zen (taniazen@terra.com.br).
Os referidos grupos
possuem denominação provisória,
sendo portanto, passíveis de modificação.
(RFdV).
Novo editor para
Data Venia
A
partir da próxima edição,
DATA VENIA ganhará um novo editor. Trata-se
do prof. Msc. e doutorando, Oswaldo Amaral, docente
no curso de Relações Internacionais
d’Unicentro Belas Artes, o qual espero continuar
merecedor da atenção de nossos assíduos
leitores.
De minha parte,
agradeço aos nossos atentos, inúmeros
e prestigiosos leitores, nacionais e internacionais,
ao longo destas dezessete edições,
esperando poder continuar merecedor de vossa valiosa
participação - enquanto leitores
- de ora em diante, e desta feita, na condição
de revisor técnico, além de esporádico
articulista-colaborador, mas não sem antes
desejar um grande sucesso ao editor dos próximos
números.
(RFdV).
Nota do Editor
Por motivos de força maior, reunimos em
uma só edição as revistas
de números 16 e 17 que ora lhes apresentamos.
|
| Editor
e revisão técnica:
|
Raimundo F. de Vasconcelos |
|
Luisa Moura |
|
João de Oliveira |
Raimundo F. de Vasconcelos
Luisa Moura
Fernando Emanuel de Oliveira Mourão
Verônica Sales Pereira
Paulo Tempestini
Sidney Ferreira Leite
Evaristo Giovannetti Netto
Nilson Araujo de Souza
Pedro Augusto M. Figueiroa |
Fernando Augusto A. Mourão
Henrique Altemani de Oliveira
Maria Aparecida Alcântara
Dermi Azevedo
Giorgio Romano Schutte |
Design Gráfico
Adriano Frachetta |
Eduardo
Roberto
Fabio Espíndola |
|
|
|
.: CENTRO UNIVERSITÁRIO
BELAS ARTES DE SÃO PAULO :.
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