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DATA
VENIA é a revista
eletrônica do Curso de Relações
Internacionais do Centro Universitário Belas
Artes de São Paulo. De periodicidade trimestral,
seu conteúdo não necessariamente coincidirá
com o pensamento da FEBASP, mantenedora desta Instituição,
mas será de inteira responsabilidade dos autores
que subscreverão suas respectivas matérias.
As colunas
serão alimentadas pelos professores do Curso,
contando-se também com a colaboração
do alunado, da Comunidade Febaspiana como um todo,
e apenas marginalmente, ocorrerá a participação
de colaboradores externos à Instituição.
Além
de divulgar as notícias relacionadas ao Curso,
as matérias publicadas reportar-se-ão
às sociedades nacional e internacional, através
de textos inéditos e não muito extensos,
acolhendo-se também material redigido nos idiomas
inglês e espanhol.
O conteúdo
divulgado em DATA VENIA pautar-se-á pelo balizamento
ético e pluralismo das idéias, as quais
autoriza-se sua reprodução por quaisquer
meios desde que se mencione suas respectivas fontes.
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| Negociação
ganha-perde
Como
o próprio título acima sugere, uma
negociação desse tipo configura
o payoff para um jogo de soma zero, como aquele
que ocorre no comércio internacional, assim
visualizado tanto pelos nacionalistas (outrora
mercantilistas) quanto pelos marxistas.
Por
sua vez, os liberais vêem o comércio
internacional como um jogo de soma positiva, quer
dizer, promoverá ganhos mútuos para
todos os seus partícipes (nem sempre na
mesma proporção, é bom que
se diga), estando mais próximo, portanto,
de uma negociação ganha-ganha.
Por
este último prisma, navega (ou naufraga)
o ideário dos atuais defensores do livre
comércio, cuja defesa avoluma-se em retórica,
mas escasseia em termos práticos, pois
a realidade denota que os países do Norte
são inteiramente favoráveis à
abertura dos mercados externos (países
do Sul, principalmente), mas são bem menos
afoitos quando se trata de abrir seus mercados
domésticos.
Comportaram-se
assim os norte-americanos, quando de suas propostas
iniciais quanto aos montantes e respectivos prazos
para reduções tarifárias,
no âmbito da Alca (Área de Livre
Comércio das Américas), senão
vejamos os informes do USTR (corresponde ao ministério
do comércio exterior norte-americano).
·
65% das exportações de bens manufaturados,
procedentes dos parceiros norte-americanos, na
Alca, estarão isentas de tarifas aduaneiras,
enquanto 56% dos produtos agrícolas terão
o mesmo tratamento;
· para os quatro parceiros do Mercosul,
esses percentuais serão da ordem de 58%
e 50%, respectivamente, enquanto os quinze parceiros
do Caricom (Comunidade Caribenha e Mercado Comum)
serão agraciados com os respectivos percentuais
de 91% e 85%;
· na agricultura, especificamente, os percentuais
tarifários remanescentes serão reduzidos
de forma gradativa no prazo de cinco anos, exceto
para produtos sensíveis (açúcar,
cítricos etc.) os quais levarão
dez anos ou mais para sofrerem desgravação
tarifária;
· no caso de produtos têxteis e vestuário,
as tarifas serão eliminadas no prazo de
cinco anos, a contar da entrada em vigor da Alca,
prevista para 2005 com o fim das negociações
e respectivas aprovações pelo poder
legislativo de cada país envolvido;
· eliminação de tarifas,
quando do lançamento da Alca, para os seguintes
itens: produtos químicos, ambientais, equipamentos
elétricos, e médicos, e também
para construção civil e engenharia,
tecnologia da informação, papel,
madeira, aço, além de produtos do
setor energético e tecidos sintéticos.
Cumpre
ressaltar que tanto esta última desgravação,
quanto àquela dos têxteis e vestuário
estarão condicionadas à atitude
reciproca proveniente dos demais 33 parceiros
norte-americanos na Alca.
Devemos
atentar para os aspectos não quantitativos,
mas qualitativos da proposta apresentada pelos
norte-americanos, uma vez que a redução
tarifária não elimina assimetrias
competitivas, nem tampouco reduz disparidades
tecnológicas entre parceiros comerciais.
Aliás, o comércio internacional
jamais será totalmente livre justamente
devido às referidas assimetrias.
Já
o acesso a mercados externos, de modo sustentado
e duradouro, requer capacidade competitiva em
preço, qualidade e regularidade no fornecimento.
Além disso, requer ainda que se não
forem eliminadas, ao menos sejam amplamente reduzidas
as barreiras não tarifárias, que
por serem menos visíveis que as tarifárias,
muitas vezes até as substituem, eliminando
assim, o efeito redutor em seus níveis
percentuais. O GATT, desde sua criação
(1947), logrou considerável êxito
na redução gradativa de barreiras
tarifárias, ao menos em média e
principalmente com a Rodada Kennedy (1964/67)
e Rodada Tóquio (1973/79) [rounds de negociações
multilaterais de comércio, a exemplo da
Rodada Uruguai, a mais longa dentre as oito realizadas
até o presente momento, 1986/94], mas o
mesmo não se pode dizer das barreiras não
tarifárias como quotas às importações,
medidas antidumping, subsídios e aquelas
de natureza fitossanitárias etc. Barreias
estas praticadas em grande medida pela tríade
EUA, União Européia e Japão.
Como
toda negociação se define por um
processo e não por um fato consumado, com
a Alca não poderia ser diferente e assim,
compreende-se que a decolagem do processo seja
tímida, passando a uma maior agressividade
(espera-se) com o decorrer das negociações.
Processo aliás que exige paciência,
capacidade negociadora e muito jogo de cintura
entre as partes demandantes.
Por
conta dessa paciência, mesmo sofrendo discriminação
dos norte-americamos na Alca, a julgar pelos dados
acima, os países do Mercosul e em especial
o Brasil, precisam lutar pela preservação
da parceria comercial com os ianques, afinal,
trata-se de um grande mercado não apenas
em extensão, bem como, em poder aquisitivo.
É preciso ter em mente que a troca de parceiros
comerciais não se reduz a uma decisão
política, nem se faz abruptamente. Até
porque (1) os contratos precisam ser respeitados;
(2) via de regra os parceiros comerciais são
agentes privados; (3) acessar novos mercados às
vezes significa ter de deslocar competidores já
instalados, daí a importância daquele
tripé competitivo: preço, qualidade
e regularidade na oferta; (4) a troca de um mercado
por outro não ocorre de modo simultâneo;
e, (5) a troca de um mercado por outro poderá
ser um caminho sem volta.
Os
países do Mercosul (Brasil principalmente),
com efeito, precisam intensificar e consolidar
o comércio no âmbito de sua união
aduaneira, além de conquistar novos mercados,
mas para tanto, não é necessário
dizer adeus aos parceiros comerciais do presente.
A troca dos antigos pelos novos, nesse caso, pode
não configurar a troca de seis por meia
dúzia simplesmente.
Ainda
é cedo para se falar de negociação
ganha-perde, visto que as negociações
em torno da Alca estão apenas em sua fase
inicial. Os norte-americanos, convenhamos, precisam
mais da Alca do que os demais 33 integrantes,
por se tratar de um mercado maduro, face ao estágio
de desenvolvimento que aquela sociedade já
atingiu e, portanto, com menores espaços
para o crescimento. Assim, é de se esperar
novas e melhores ofertas, e até mesmo contra-ofertas
provenientes do vizinho do Norte. Este, diga-se
de passagem, protege algumas de suas indústrias
maduras e isso “autoriza” a que o
Mercosul também proteja sua indústria
infante. O fato é que negociar é
preciso; impera envidar esforços para se
atingir um payoff ganha-ganha, a fim de que tenhamos
senão um comércio mais livre que
o atual, ao menos alcancemos um comércio
mais justo (fair trade).
Raimundo
Ferreira de Vasconcelos
|
Caminhos
da humanidade... |
| Os
Riscos da Nova Ordem Mundial
Se
chegamos a pensar, por um momento sequer, que
a queda do Muro de Berlim e o colapso da União
Soviética e do Leste Europeu poderiam afastar
em definitivo do horizonte da História,
o risco da guerra e conflitos de grande porte,
os fatos que agora tomam a forma de preocupantes
manchetes, nos jornais do mundo inteiro, vêm
desmentir aquela vã esperança. Uma
Pax Americana foi o que de fato se impôs
ao mundo e um revival do totalitarismo parece
tomar forma cada vez mais clara e assustadora:
um totalitarismo travestido de globalismo, apoiado
num pensamento que se quer único e que
submete os direitos sociais à razão
competitiva e aos ditames do mercado, esse novo
deus a que se presta agora incondicional reverência
e tributo.
“O
fim da Guerra Fria, - observa Pablo Casanova –
não acabou com o perigo mundial. Desde
1990, com a desintegração da URSS
e a proliferação das autoridades
militares em suas antigas repúblicas, aumentou
o perigo de difusão de tecnologias nucleares,
o que já se havia constatado em países
como Israel, África do Sul, Iraque ou Coréia
do Norte, entre outros.” (1)
Não
foram poucos aqueles que, por oportunismo alguns,
por insensatez, outros, apressaram-se em renegar
todo um passado de lutas, derrogar insígnias,
atestando o óbito do socialismo e proclamando
a vitória final do capitalismo. Não
faltou sequer quem decretasse o fim da História
ou quem desqualificasse qualquer crítica
ao processo que então se desencadeou de
forma agressiva.
Foi
preciso menos de um quarto de século para
dissipar aquelas expectativas de paz e hoje, em
meio à exclusão, à regiões
inteiras do globo que sobrevivem na mais profunda
miséria, o espectro da guerra se insinua
no cenário internacional de forma ameaçadora
e o grande capital e uma rede insidiosa de interesses
lançam seus poderosos tentáculos
um pouco por toda parte. A transnacionalização
joga uma pá de cal sobre a rede de proteção
social que se forjara no bojo de intensas lutas
sociais - desde o século XIX e ao longo
do século XX - e não foram poucos
os que sucumbiram à miragem do Estado minimal.
Toynbee,
com seu otimismo cético e desesperançado,
ao analisar nos quadros da Guerra Fria, a possibilidade
de uma guerra terminal, varrendo os sinais de
vida da Mãe-Terra e a degradação
progressiva do meio ambiente, que já se
lhe configurava um verdadeiro ecocídio,
afirmava que o homem cometeria ainda muitos erros
e o poder que rege o planeta e se assenhora da
História continuaria envolvendo milhões
de pessoas em guerras fratricidas, pondo em risco
a própria sobrevivência da Humanidade.
Deixava aberto, entretanto, um portal de esperança,
julgando que no final, o instinto de sobrevivência
falaria mais alto e teriam os homens que por termo
a essa escalada de terror que a guerra engendra
e começar a contabilizar as perdas –
algumas muito difíceis, outras até
impossíveis de recuperar – e reconstruir
um mundo, fazê-lo renascer das cinzas.
As
vozes saudavelmente discrepantes que se fizeram
ouvir no Fórum Social realizado em Porto
Alegre, onde ao longo de uma semana, mais de 20
mil delegados se reuniram, representando mais
de 700 organizações e 156 países,
vem romper – movidas pelas mesmas preocupações
– com um discurso homologatório e
servil que procurava fazer tábula rasa
do passado e sucumbia ao encanto do neoliberalismo.
E vozes bastante persuasivas como a de István
Mésàros, não recearam recolocar
o socialismo – que se imaginara morto –
como opção para a barbárie
que hoje ameaça o mundo sob as mais variadas
formas e, dada a ubiqüidade da crise que
se abate sobre nós, não poupando
sequer a vida cotidiana, roubando-nos o trabalho
ou aviltando-o de modo tal que se torna insuportável,
privando do pão de cada dia, um grande
número de mesas e bocas famintas e povoando
de sombras nosso amanhã.
O
velho socialismo, denominado real, burocratizado
e diverso em tudo da esperança que suscitara
um dia, num já remoto outubro, teve de
morrer, depois de lenta agonia e sinais de degeneração
de que teriam sido expressão a Revolta
da Hungria (1956) e a Primavera de Praga (1968),
para que um novo socialismo pudesse renascer penosamente
e encontrar abrigo em mentes e corações.
É
possível perceber nos ecos de Porto Alegre,
que se reproduzem um pouco por toda parte, que
aumenta em intensidade e vigor o clamor contra
o mundo intolerável, ameaçado por
suas desigualdades e desperdícios e por
um individualismo destruidor, que colocam em questão
as próprias premissas do liberalismo, como
tão bem acentuou René Dumont, no
diagnóstico a que deu forma e conteúdo
na obra “Um Mundo Intolerável”.(2)
Foi
possível, outrossim, perceber o quanto
são poderosas as vozes que se reúnem
e que mais poderosas ainda serão na medida
em que se multiplicarem, fortalecendo a luta por
uma democracia de participação ampliada,
criando novas formas de intervenção
política e sem omitir sequer a revolução
como possibilidade histórica e a resistência,
a insurgência pacífica capaz de anelar
muitas vontades dispersas nas lutas de cada dia,
mas sobretudo sensibilizando as consciências
e atuando positivamente em diferentes níveis.
É possível assim começar
a reverter as tendências suicidas para o
belicismo e a auto-destruição, assim
como o quadro de miséria e exclusão
social que o sistema econômico vigente configurou.
E
sequer Davos, onde se reuniu o Fórum Econômico
Mundial, terá ficado imune por inteiro
ao vigor dessas vozes e teve de se render às
evidências de que um outro mundo é
possível; um outro tipo de relação
entre os povos é desejável e necessário;
que a sociedade não pode resultar apenas
de uma equação econômica,
que o abandono dos objetivos sociais não
pode ser o preço que se paga pelo crescimento
econômico, que a luta por uma sociedade
mais justa deve considerar o valor da natureza,
do povo e da cultura e que a liberdade não
pode ser sacrificada no altar da tecnologia ou
do poder econômico ou ainda sujeitar-se
aos ditames do mercado.
Não
podemos ter certeza de que essas vozes –
entre elas a do presidente brasileiro, que se
fez presente nos dois eventos – tenham logrado
se internalizar nos participantes de Davos ou
se resultarão numa efetiva mudança
no modo de ser, pensar e agir, capaz de repercutir
nas relações entre classes, entre
as regiões de um mesmo país, entre
os povos e nações de todos os continentes.
Resta esperar por atos concretos que sinalizem
essas mudanças e tomadas de consciência,
explicitando-as por inteiro.
De
outra parte, resta saber como e até quando
o novo governo brasileiro poderá conciliar
a correção de rumos para a qual
acenou, ainda que cercado de cuidados, pisando
entre ovos e cristais, ao longo da campanha eleitoral,
com as recomendações do Fundo Monetário
Internacional e dos interesses representados em
Davos. Logrará o novo governo, que assumiu
cercado de esperanças, manter as premissas
de uma política econômica clássica
e atender às demandas sociais? Poderá
o novo governo evitar rupturas sem arcar com os
desapontamentos, alguns dos quais já se
manifestam em sua própria seara? Ou conseguirá
romper com o modelo econômico que permanece
intocado, sem suscetibilizar o mercado e elevar
o risco Brasil? Poderá uma voz altiva no
procênio internacional casar-se com uma
atitude tímida e subalterna no plano interno?
Logrará ainda amortecer os descontentamentos
com a execução de projetos sociais
cuja eficácia deve ser demonstrada e cuja
mística não é perene?
As
forças e as vontades mobilizadoras comprometidas
com um novo projeto não podem entretanto
confinar suas lutas no plano nacional, devem sobretudo,
repor a luta no plano em que ela realmente se
trava, quer dizer, na arena internacional, articulando-a
com as lutas locais e sem olvidar as especificidades
de cada sociedade e a imensa dívida social
que temos para com aqueles que perderam o barco
da grande sociedade. Significa, sobretudo, rever
os princípios que regem as relações
internacionais e os pressupostos nos quais se
escoram os Estados e seus agentes, para garantir
suas vantagens. E mais, significa não esmorecer
na vigília, no acompanhamento crítico
das propostas de reforma ainda bastante desarticuladas,
afinal a luta por uma sociedade de novo tipo e
por um novo modelo econômico não
começa em Davos e muito menos deve terminar
em Porto Alegre.
Fica
a impressão de que uma guinada em outras
direções, e a necessidade de uma
vigorosa correção de rumos encontra
guarida nas consciências, afinal não
se tem notícia de uma sociedade justa que
tenha tido por fundamento o mercado e o individualismo
exacerbado. Um novo ordenamento político
deve estancar a sangria a que são submetidos
os países mais pobres e por fim a um processo
que resultou numa forma de domínio imperial
sobre todos os continentes, capitaneado por empresas
monopolistas multinacionais e transnacionais,
que agem sob a sombra e cumplicidade de múltiplas
bandeiras. Enfim, algo muito diferente daquele
governo mundial que o espírito nobre e
generoso de Arnold Toynbee um dia sonhou e que
deveria promover a paz, eliminar a guerra dos
horizontes da História, planejar a produção
e distribuição de alimentos, colocar
as conquistas da ciência – e não
apenas os riscos – ao alcance de todos,
reduzir as discrepâncias sociais e por termo
a todas as formas de autoritarismo. (3)
Notas
1. CASANOVA, Pablo Gonzales – [1995] –
O COLONIALISMO GLOBAL E A DEMOCRACIA. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira.
2. DUMONT, René – [1989] –
UM MUNDO INTOLERÁVEL. O LIBERALISMO EM
QUESTÃO. Rio de Janeiro: Revan.
3. TOYNBEE, Arnold – [1970] – EXPERIÊNCIAS.
Petrópolis (RJ): Vozes.
Evaristo
Giovannetti Netto
Doutor e mestre em História
Social. Professor do curso de Relações
Internacionais
do Centro Universitário Belas Artes de
São Paulo.
|
| “O
glamour de uma profissão”
Este
foi o título da matéria publicada
pelo Jornal paulistano Gazeta Mercantil, de 3
a 5/03/03, assinada pela jornalista Maria Helena
Tachinardi, e versou sobre a profissão
(não regulamentada) de internacionalista.
O destaque ficou por conta da elevação
da empregabilidade, no Brasil, de profissionais
de relações internacionais. Vejamos
um briefing da citada matéria.
Até
há bem pouco, a política internacional
era tratada por militares da Escola Superior de
Guerra (ESG) e por diplomatas.
Hoje os especialistas procurados pela imprensa
para explicar os acontecimentos saíram
de cursos de graduação, mestrado
e doutorado em relações internacionais,
espalhados pelo Brasil.
Além do Congresso Nacional, as organizações
não-governamentais (ONGs), as câmaras
de comércio e indústria estrangeiras
[Amcham, e.g.], o alto Comissariado das Nações
Unidas para Refugiados (acnur), escritórios
de advocacia, federações estaduais
de indústria, bancos, empresas e jornais
são segmentos do mercado que absorvem os
formandos em relações internacionais,
seja em programas de estágio ou para ocupar
cargos efetivos.
Apesar da absorção cada vez maior
do profissional de relações internacionais,
o mercado o conhece relativamente pouco. Ele tem
uma formação que lhe permite entender
as crises internacionais, trabalhar com negociações
comerciais, lidar com o mercado de investimentos,
analisar a conjuntura interna [e externa] e fornecer
estudos sobre o Brasil para empresas multinacionais.
A
matéria termina por ratificar uma certa
antigüidade para os cursos de relações
internacionais, em países como Argentina
e Chile, comparativamente aos cursos recém-criados
no Brasil, não sem antes salientar a ausência
de estudos temáticos e regionais, a exceção
apenas do Mercosul.
Em
adição à matéria supra,
cumpre acrescentar que o curso de relações
internacionais da FEBASP, mantenedora do Centro
Universitário Belas Artes de São
Paulo, constitui-se num dos melhores cursos dentre
os mais recentes que foram criados nessa área,
no Brasil. Focado na Geopolítica, nosso
curso norteia-se por três eixos temáticos:
Política Internacional (negociação);
Integração Regional (Mercosul, Alca,
União Européia etc.); e, Teoria
das Relações Internacionais (acordos,
convenções e tratados internacionais),
os quais estarão ainda ancorados numa forte
carga de pesquisa.
RFdV.
|
| Aula
Magna
“expectativas
e possibilidades da política externa brasileira
e inserção internacional do Brasil
no governo Lula da Silva”.
Este
foi o tema da aula inaugural do curso de Relações
Internacionais da FEBASP, proferida em 05/02/03
- a partir de 20h00 – no auditório
Prof. Raphael Galvez Dazanni, do Centro Universitário
Belas Artes de São Paulo.
Palestrante:
Prof. Dr. Christian Lohbauer – Doutor e
mestre em Ciência Política pela USP;
Gerente de relações internacionais
da FIESP (Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo).
RFdV. |
| ENERI
2003
O
Encontro Nacional dos Estudantes de Relações
Internacionais deste ano, ocorrerá na cidade
paulista de Ribeirão Preto, e será
sediado pelo Centro Universitário Moura
Lacerda.
“Relações
Internacionais, Economia global e Cidadania”
será o tema sobre o qual se debruçarão
os debates no referido encontro.
Simultaneamente,
ocorrerá o I Encontro Nacional de Empresas
Juniores de Relações Internacionais
– ENEJ RI.
Para
maiores informações sobre o evento:
eneri-rp@yahoo.com.br
RFdV.
|
| Queda
do Império Americano
Ironicamente,
quando os apologistas da ordem imperial anunciavam
aos quatros ventos que, com a ruína da
União Soviética, instaurar-se-ia
uma “nova ordem mundial” sob domínio
absoluto dos Estados Unidos, começaram
a vir à tona, a partir de então,
os primeiros sintomas da ruína do próprio
império americano.
Sua
decadência teve inicio no começo
da década de 70, quando o então
presidente Nixon, reconhecendo que os EUA já
não tinham condições de manter
a paridade e a livre-conversibilidade do dólar,
iniciou o processo de desvalorização
dessa moeda, realizando o maior calote de todos
os tempos e enterrando de vez a ordem monetária
internacional estabelecida em Bretton Woods. Foi
essa a resposta do governo norte-americano ao
déficit crônico na sua balança
comercial, que havia esvaziado as reservas em
ouro do Tesouro e cuja raiz havia sido a perda
de competitividade da economia dos EUA frente
às economias alemã e japonesa. O
império havia começado a desabar.
Logo
após, a partir de 1973, a economia norte-americana
mergulharia em profunda recessão, e daí
em diante se arrastaria numa estagnação
crônica, da qual, apesar de todos os esforços,
não logrou sair até os dias de hoje.
De 1973 a 1993, a taxa anual de crescimento do
PIB esteve em torno de 1%. De 1993 em diante,
até meados do ano 2000, difundiu-se mundo
afora a ilusão de que os EUA teriam dado
a volta por cima e estariam vivendo um novo “milagre
econômico”, pois sua economia estaria
crescendo a um ritmo de 3% ao ano.
Na
verdade, nem esse medíocre “crescimento”
chegou a ocorrer. Como demonstramos em nosso último
livro (“Ascensão e Queda do Império
Americano”), ele foi inflado artificialmente
por critérios de medição
que embutem a especulação financeira
e deixam de descontar parte da infração.
Essa
avaliação foi inteiramente confirmada
por uma revisão posterior das estatísticas
oficiais promovida pelo Federal Reserve, o banco
central dos EUA. Comentando essa revisão,
o articulista Floyd Norris, do “The New
York Times”, declarou: “após
uma revisão, as estatísticas da
produção industrial foram seriamente
reduzidas”. Reforçando essa avaliação,
o estrategista-chefe da arapuca especulativa Fuji
Futures, John Vail, comentou: “Os novos
números mostram que a produção
industrial foi superestimada de maneira dramática”.
O
escândalo das fraudes contábeis das
corporações norte-americanas, que
veio à tona no ano 2002, também
veio reafirmar que o PIB dos EUA havia sido artificialmente
inflado.
Portanto,
a economia real norte-americano seguiu estagnada
durante o período do “milagre”.
O que cresceu, brutalmente, foi a especulação
financeira – entre 1994 e janeiro de 2000,
o índice Dow Jones da Bolsa de Nova York
inchou sete vezes mais do que o já artificialmente
inflado “crescimento” do PIB. E, para
agravar, a partir de meados do ano 2000, essa
economia começou a rumar em direção
a uma forte depressão. O desabamento nas
bolsas começou em março de 2000,
a recessão na indústria deflagrou-se
em agosto e os lucros das empresas começaram
a cair no último trimestre daquele ano;
os investimentos empresariais despencaram desde
o começo de 2001 e o conjunto da economia
entrou em rota recessiva desde março de
2002.
A
situação está tão
dramática que, apesar de um forte programa
de estímulos fiscais e monetários
deflagrado por George W.Bush, empurrando para
um nível abaixo de zero a taxa real básica
de juros, que caiu para o menor nível nos
últimos 40 anos, e implementando um programa
de devolução de impostos da ordem
de US$ 1.35 trilhão (agora reforçado
por um outro de US$ 650 bilhões), a economia
prossegue se deteriorando.
As
duas tentativas anteriores de injetar sangue na
veia do vampiro para levantá-lo do caixão
fracassaram redondamente. Primeiro, foi a reaganomics
na década e 80. Reduziram-se os impostos
e aumentaram-se os gastos públicos –
principalmente os militares – como forma
de injetar dinheiro na economia e assim reanimá-la.
Ao mesmo tempo, elevaram-se as taxas de juros
a fim de atrair capitais externos para financiar
o déficit público que se originaria
daquela política. O crescimento da demanda
aliviou um pouco a economia, mas a principal consequência
dessa política foi o surgimento do déficit
nas contas públicas, que, ao se somar ao
déficit externo crônico, provocou
um festival de endividamento externo e interno
e uma farra especulativa inédita na historia
do país.
Com
essa política, o império americano
sorveu os capitais do mundo inteiro, provocando
a devastação econômica do
resto do planeta, mas, mesmo assim, não
conseguiu levanta-se. Reagan entregou a economia
em recessão ao seu sucessor, George Bush.
Este [o Bush pai] inaugurou e Clinton implementou
uma nova tentativa de ressurreição
da moribunda economia norte-americana, mas, mais
uma vez, fadada ao fracasso. Sob as alcunhas de
“nova ordem mundial”, “Consenso
de Washington” ou “neoliberalismo”,
impuseram aos países mais débeis
um conjunto de politicas que visavam, entre outras
coisas, abrir espaço para as mercadorias
e capitais norte-americanos. Os xerifes dessa
política foram o FMI e o Banco Mundial
Apesar
de multiplicarem por quatro suas exportações
ao longo da década de 90, não lograram
levantar-se. Esse aumento brutal das exportações
não conseguiu tirar o país da estagnação
econômica - ao contrário, ela mergulhou
em profunda recessão a partir de meados
do ano 2000. E os déficits externos, em
lugar de diminuírem, cresceram vertiginosamente:
de 1997 a 2000, o déficit em conta corrente
do Balanço de Pagamento saltou de US$ 143,5
bilhões para US$ 435 bilhões.
Depois
de três décadas de crescentes déficits
externo e interno e de violento processo de endividamento
[também externo e interno], a economia
do império, em verdadeiro processo de apodrecimento,
atingiu um grau de vulnerabilidade jamais alcançada
por qualquer outro império. Seu passivo
externo, isto é, o volume dos capitais
estrangeiros existentes no país, já
atingia em 2000, a gigantesca cifra de US$6.5
trilhões, fazendo que os EUA enviem para
fora mais juros e lucros do que recebem; sua dívida
pública já era então de US$5.6
trilhões e seu déficit público,
que havia artificialmente desaparecido nos últimos
três anos do governo Clinton, ressurgiu
novamente graças à política
de aumento de gastos e corte de impostos do governo
Bush; o endividamento das empresas, como percentagem
de seu património líquido, aumentou
de 70%, em 1997, para inéditos 83%, em
2000; a divida total das famílias aumentou
de 70% de sua renda disponível, nos anos
80, para mais de 100%, no inicio de 2002.
Apesar
de explorar predatoriamente as riquezas, os mercados
e a força de trabalho do mundo inteiro,
o império americano ainda teve de endividar-se
de maneira brutal para tentar evitar o seu colapso
e nem assim conseguiu levantar-se. Ao contrário,
à moda das frágeis economias dependentes
do Terceiro Mundo, passou a depender umbilicalmente
dos capitais especulativos externos para financiar
seus rombos externo e interno. Tal nível
de vulnerabilidade nunca atingiu qualquer império,
mesmo em sua fase terminal.
Na
raiz desse processo, está a perda na corrida
tecnológica. Esgotaram-se as inovações
tecnológicas do pós-guerra e as
novas tecnologias são impedidas de massificar-se
em face do controle sobre a economia, particularmente
por parte do capital especulativo–financeiro.
Na
economia, o império americano é,
portanto, um império terminal. E, na área
“social”, como isso se manifesta?
Segundo estudo de um desses economistas de carteirinha
do establishment americano, o professor do MIT
Lester Thurow, se somarmos os desempregados à
procura de emprego mais os que desistiram de procura-lo
e mais os que, a contragosto, trabalham como temporários,
falta emprego para 14% da força de trabalho
norte–americana - cerca de três vezes
maior que o índice oficial. E, se considerarmos
os grupos que não têm trabalho constante,
o exército de desempregados e subempregados
sobe a 28% - quase um terço da força
de trabalho norte-americana.
Por
sua vez, dois terços dos 43 milhões
de trabalhadores norte-americanos que perderam
o emprego, entre 1979 e 1995, voltaram a trabalhar,
mas tiveram de aceitar salários e condições
de trabalho piores. Ao final dos anos 90, uma
família norte-americana trabalhava por
ano, em média, 185 horas a mais do que
no começo da década, levando a que
a jornada de trabalho comum nos EUA subisse para
60 horas por semana. A gigante Caterpillar vem
impondo jornadas diárias de trabalho de
até 12 horas, incluindo os fins de semana.
Desemprego,
trabalho mais intensivo e, portanto, extenuante
e maior jornada de trabalho, acompanhados de salários
mais baixos, resultantes da queda dos direitos
trabalhistas – é esse o drama dos
trabalhadores norte-americanos nessa fase terminal
do império. A oligarquia imperial extrai
não apenas o suor, mas o sangue e a própria
carne do trabalhador de seu país.
E,
quando mais se aproxima seu fim, mais o império
se torna agressivo na tentativa vã de evitar
a dèbácle. É por isso que
busca apropriar-se do património nacional
dos demais países, monopolizar seus mercados
e explorar desenfreadamente e de forma predatória
a força de trabalho e os recursos naturais
do planeta. É por isso que tenta enquadrar
os demais países, e aqueles que não
se submetem são agredidos militarmente
ou bloqueados. Mas, quanto mais agressiva se torna
essa casta imperial, mais aumenta seu isolamento
no mundo.
Ao
lado das lutas e revoluções que
explodem em todos os rincões do planeta,
e das manifestações anti-”globalização”
que tornaram impossíveis as reuniões
dos representantes das finanças mundiais
em qualquer parte do mundo, os EUA foram excluídos,
em março de 2002, de duas importantes comissões
da ONU (Direitos Humanos e Narcóticos);
saíram sozinhos do Protocolo de Kyoto e
só não abandonaram solitários
a Conferencia da ONU contra o Racismo porque foram
acompanhados pelos representantes do governo de
Israel. Esse isolamento só ocorre com um
império moribundo.
Foi
esse quadro de degeneração econômica,
social e política que a casta imperial
americana exibiu ao mundo, sem o menor pudor,
como nunca fizera antes, a farsa em que se converteu
sua já castrada democracia formal. O candidato
menos votado tanto no voto popular quanto, inclusive,
no colégio eleitoral, que é onde
se “elege” o presidente nessa democracia
de fachada, foi o escolhido para governar o país,
num golpe de mão da Suprema Corte, que
impediu a recontagem dos votos na Flórida,
cujo resultado definiria a maioria no colégio
eleitoral. Recontagem posterior feita por um “pool”
de órgãos de imprensa revelou que
nesse estado o presidente escolhido, George W.
Bush, perdeu no voto popular e, portanto, não
teria direito aos seus delegados no colégio
eleitoral.
Faliu
o que restava de arremedo de instituições
democráticas no império. E chegaram
a isso porque necessitavam impor na presidência
alguém que não tivesse qualquer
veleidade de impor seu próprio pensamento,
a exemplo de Bush II. Num império apodrecido,
a casta imperial tem pressa em saciar sua ganância
para, à moda dos vampiros, permanecer na
condição de morto-vivo. E por isso
não pode submeter-se às mínimas
regras da democracia formal por ela mesma impostas.
A ditadura sem rebuços é a sua forma
de governar nessa sua fase senil.
.
Em suma, o império norte-americano faliu.
A maneira como essa falência se converterá
em colapso não é fácil prever.
De qualquer forma, haverá uma combinação
de crises, lutas de resistência, revoluções,
avançando ou recuando ora num lugar ora
noutro, mas, assim como a Humanidade encontrou
um caminho para superar o escravista Império
Romano e o medievalismo feudal, também
encontrará o caminho agora.
Encontrará
um novo modo de vida que, certamente, incorporará
valores que acumulou ao longo de sua historia:
o humanismo, a solidariedade, a independência,
a democracia e a justiça social. E, assim,
se começará a construir a verdadeira
história humana.
Nilson
Araújo de Souza
Doutor em Economia pela Universidad Nacional Autónoma
de México (UNAM), com pós-Doutoramento
na Universidade de São Paulo (USP). É
professor aposentado pela Universidade Federal
de Mato Grosso do Sul. Atualmente preside o Instituto
do Trabalho Dante Pellacani
*
Sinopse do livro Ascensão e Queda do Império
Americano. São Paulo: Ed. CPC/Mandacaru,
2000. Texto apresentado no I Symposium sobre Globalização,
promovido pela Casa da Sabedoria, em Bagdá,
abril de 2002.
|
|
Ciência e arte: por uma metodologia
científica crítica e criativa
O
campo da Metodologia Científica ainda tem
sido considerado por muitos um terreno árido
na vida acadêmica de nossos estudantes.
A palavra “método” significa
“caminho para”, e nesse sentido, a
metodologia científica é um ramo
de conhecimento que visa facilitar o acesso e
o processo de se fazer ciência. São
duas as principais abordagens desta disciplina:
a primeira é teórica, através
da compreensão crítica das linhas
teórico-metodológicas da produção
científica, adentrando no campo da Sociologia
do Conhecimento; a segunda é prática
e tem como preocupação central o
levantamento de técnicas de pesquisa que
melhor auxiliem e componham uma produção
científica de qualidade.
O
argumento central deste breve artigo é
que os motivos que tornam a Metodologia Científica
tão pouco “atraente” aos nossos
alunos dizem respeito à própria
concepção que temos não só
desta disciplina, como da própria ciência.
A partir da revisão destes conceitos, salienta-se
a necessidade de se superar tanto a visão
empirista e positivista, quanto a visão
tecnicista que tem permeado o campo da Metodologia
Científica. Por fim, propõe-se uma
abordagem alternativa, que integre tanto aspectos
racionais e objetivos, quanto categorias de ordens
mais subjetivas, como a arte e a dimensão
estética, vislumbrando, portanto, uma produção
científica ao mesmo tempo mais crítica
e criativa.
Em
primeiro lugar, falar em abordagens teóricas
no campo da Metodologia significa desenvolver
de forma angular a capacidade crítica de
nossos alunos, iniciá-los nos caminhos
da ciência, fazê-los entender, interpretar
e problematizar as teorias que estudam. Mas, como
fazer isso com uma concepção de
ciência tão distante da realidade
destes jovens? Por muito tempo, a força
de uma ciência positiva e estritamente empirista,
pretensamente capaz de formular verdades absolutas
e inquestionáveis sobre a realidade, foi
predominante e, digamos, pouco significativa aos
estudantes em geral. Ernst Fischer afirma que
tanto a ciência como a arte servem para
integrar o indivíduo ao seu mundo exterior,
em sua busca por significação. Vejamos
esse pequeno trecho:
(o
homem) “busca um mundo mais compreensível
e mais justo, um mundo que tenha significação.
(...) O homem anseia por estender o mundo circundante,
integrá-lo a si; anseia por estender pela
ciência e pela tecnologia o seu “Eu”
curioso e faminto de mundo até as mais
remotas constelações e até
os mais profundos segredos do átomo; anseia
por unir na arte (1) o seu “Eu” limitado
com uma existência humana coletiva e por
tornar social a sua individualidade.” (Fischer,
1966, p. 16-7)
Nesse
sentido, é possível que o conhecimento
científico comece a despertar algum interesse
em nossos estudantes quando aquela concepção
fria e distante de ciência for substituída
por outra mais contextualizada e comprometida
com a cultura e com a história de cada
lugar, tendo em vista atender à necessidade
básica do ser humano de se relacionar,
de estender-se em direção ao outro,
de buscar, portanto, tanto a sua felicidade, quanto
o bem da sociedade em que vive.
Esta
primeira idéia desencadeia uma segunda
proposição bastante comum nos meios
não acadêmicos, a idéia de
que ciência é coisa para “especialistas”,
super-homens e supermulheres dotados de uma capacidade
extraordinária de “fazer ciência”.
Este é um dos mitos que mais atrapalha
o despertar de nossos alunos para os desafios
e os prazeres que o conhecimento científico
pode trazer, uma vez que se vêem intimidados
pela idéia de que ciência “é
coisa para intelectuais”, e em última
análise, “é coisa para loucos”.
A ciência é colocada, assim, como
algo absolutamente hermético e inacessível
para os “pobres mortais”. Ora, nada
mais longe da verdade.
Outra
dificuldade em relação à
disciplina de Metodologia é propriamente
sua abordagem mais prática, o conjunto
de regras e técnicas de pesquisa que, se
por um lado, pode facilitar bastante a vida de
estudantes e pesquisadores, por outro, pode tornar-se
uma camisa de força. Isso porque no afã
de introduzir nosso aluno na iniciação
científica, muitas vezes corremos o risco
de apenas tê-lo “formatado”,
ou como sugere Pedro Demo (1995), ter formado
um “idiota especializado”, ou seja,
aquele que segue à risca todas as regras
metodológicas, mas é incapaz de
fornecer uma contribuição original
e crítica à sociedade em que está
inserido.
Assim,
concordamos com Elisabete Pádua, no sentido
de que os procedimentos e as técnicas servem
apenas como “suporte ao desenvolvimento
do processo de pesquisar, constituem-se como meios,
através dos quais poderemos implementar
nosso projeto de desenvolvimento de uma formação
intelectual rigorosa, crítica e sintonizada
com nosso tempo” (Pádua, 2000, p.
12). E mais, ao expor os procedimentos metodológicos
desenvolvidos ao longo de sua pesquisa, o pesquisador
fornece um “roteiro” de seu caminho
percorrido, abrindo a todas as pessoas que se
interessarem, o acesso ao mesmo conhecimento.
Portanto, ao contrário de criar para a
ciência uma redoma de vidro, domínio
apenas de especialistas e “iniciados”,
cujo fim é a aplicação rigorosa
de suas regras, a metodologia pode ser instrumento
de acesso ao conhecimento científico. Trata-se
de aproveitar o conjunto de técnicas que
a metodologia pode fornecer, como um eficiente
meio na condução e produção
de pesquisas de reconhecido valor científico.
Ao
mesmo tempo, é essencial enfatizar a idéia
de Fischer, citada acima, de que o ser humano
não vive somente “dentro das possibilidades
transitórias e limitadas da sua exclusiva
personalidade” (Fischer, 1966, p. 16). Significa,
portanto, assumir que a condição
humana não se completa em si mesma, mas
está sempre em busca da satisfação
da necessidade de se relacionar, se comunicar,
se dirigir ao outro. E a ciência, como produção
humana, não vive à mercê desta
realidade, não pode se colocar como um
“mundo à parte”, neutro e objetivo.
Esta dimensão subjetiva da vida humana
deve servir como uma força alternativa
em direção a uma ciência mais
criativa e crítica. Pedro Demo, em sua
tentativa de defender categorias mais “libertadoras”
para a produção científica,
como “a fantasia, parceira da utopia, a
arte e a dimensão estética”
(Demo, 1995, p. 64), faz referência a uma
idéia de Bachelard:
“Numa
admirável fórmula, Bachelard disse
um dia que ‘nós temos o poder de
acordar as fontes’. Ora, encontra-se no
coração mesmo do homem uma fonte
que não se esgota nunca, que não
precisa ser acordada e é a fonte mesma
daquilo a que a filosofia durante muito tempo
rendeu homenagens, ao sono do corpo e do espírito,
a fonte dos sonhos, das imagens, das ilusões.
É a permanência deste poder originário,
literalmente poético, que constrange a
razão a seu esforço permanente de
denegação, de crítica, de
redução.” (Id. ib., p. 65).
A
experiência de manter acordadas nossas fontes
alimenta-se de um ingrediente que muitas vezes
não faz parte de nosso currículo
escolar: a criatividade. E a arte é o combustível
essencial para alimentar novas idéias,
soluções e o sonho de uma sociedade
mais humana e justa. Aliás, Fischer é
quem defende a idéia de que “a arte
é necessária para que o homem se
torne capaz de conhecer e mudar o mundo.”
(Fischer, 1996, p. 23). Se assim for, não
mais se considera a arte e a ciência como
áreas distintas e inconciliáveis,
mas compreende-se que uma integra a outra, num
esforço comum de ler a realidade com olhos
críticos, capaz de propor soluções
para seus problemas, envolvendo-se com ela de
forma profunda e radical, ou seja, para além
da superficialidade, dos modelos prontos e das
aparências. De forma muito simplificada,
podemos dizer que a crítica radical pressupõe
o elemento criativo, contextualizado com os processos
históricos, sim, mas sensível aos
elementos da intersubjetividade do fazer ciência.
Mas, afinal, este talvez seja assunto para um
próximo artigo. E para “colocar mais
lenha” nesta discussão, transcrevo
uma outra consideração de Pedro
Demo, polêmica com certeza, mas que nos
traz uma sugestiva alternativa aos conceitos tradicionais
de ciência racional:
“A
irracionalidade nem sempre é um lapso,
mas o lado criativo da razão, quando aparece
como poesia, como arte, como invenção,
como revolução. Assim, ciência
racional não é aquela que resseca
o espírito, porque quer o homem como ator
fora de cena; ao contrário, é aquela
capaz de ver a forma, mas sobretudo de querer
a felicidade histórica da sociedade, a
cujo serviço deve estar a ciência.
Ciência também como poesia, arte,
felicidade.” (Demo, 1995, p. 65-6).
Para
terminar, deixo-os na companhia dos poetas, com
sua beleza e sublimidade, um trecho de uma crônica
de Rubem Alves, filósofo, escritor e psicanalista,
no qual o autor cita um poema de Cecília
Meireles e, em seguida, também uma frase
de Bachelard:
“No
mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
no canteiro, uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de uma borboleta.
Metáfora: somos a borboleta. Nosso mundo,
destino, um jardim. Resumo de uma utopia. (...)
nas palavras de Bachelard: ‘O universo tem,
para além de todas as misérias,
um destino de felicidade. O homem deve reencontrar
o Paraíso.’ ” (Alves, 2002,
p. 70-1)
Nota:
(1). Este e os demais grifos das citações
são meus.
Referências
Bibliográficas
ALVES,
Rubem. O retorno eterno. 22. ed. Campinas: Papirus,
2002.
DEMO,
Pedro. Metodologia científica em ciências
sociais. 3. ed. revista e ampliada. São
Paulo: Atlas, 1995.
FISCHER,
Ernst. A função da arte. In: VELHO,
Gilberto (org.). Sociologia da Arte. Rio de Janeiro:
Zahar, 1966. p. 15-23.
PÁDUA,
Elisabete Matallo Marchesini de. Metodologia de
pesquisa: abordagem teórico-prática.
6. ed. rev. e ampl. Campinas: Papirus, 2000.
Crislaine
Valéria de Toledo Francisco
Mestre em Sociologia. Professora
dos cursos de Relações Internacionais
e
Administração do Centro Universitário
Belas Artes de São Paulo
|
O
teatro e o cinema
Dilma
Mello
Se
você pensa que ir ao teatro é caro,
tente o cinema...
O
domingo estava claro e bonito, um daqueles dias
de sol depois de um longo e tenebroso inverno.
Havia passado as férias em casa me escondendo
do frio debaixo de duas calças de malha,
uma camiseta de mangas curtas, outra de mangas
longas, um suéter de lã e duas meias,
tudo isso somado a um edredom e um cobertor de
pelinhos azuis. Aproveitei, então, para
tirar toda aquela roupa que já estava um
nojo e tomar aquele banho gostoso.
Depois
do banho, já me sentindo um cidadão
respeitável, comecei a pensar qual seria
o meu programa de domingo. Primeiro, pensei em
ir ao teatro e fiquei até muito contente
com a idéia, pois ir ao teatro traz um
certo ar de intelectualidade que todo mundo gosta
de ter, e além do mais, depois de todo
o aparato da “era da informação”,
em que as pessoas preferem ficar diante das telinhas
e dos teclados, ir ao teatro significaria um grande
feito. Além disso, me senti um salvador
da pátria, um patrulheiro ecológico
ajudando a classe dos artistas que tão
bravamente luta para conquistar espaço
e patrocínio para a apresentação
de suas peças.
Porém,
ao consultar o jornal e a minha carteira, percebi
que apesar de toda minha veia intelectual e ecológica
ia ficar caro pagar meio salário mínimo
para um só dia de diversão, já
que minha filha havia decidido me acompanhar.
Um quarto de salário mínimo para
cada um, depois teria a condução,
o estacionamento... Ir ao teatro de repente passou
a ser um ato burguês e vergonhoso, pois
enquanto a maioria da população
brasileira ganha quatro a cinco entradas de teatro
por mês, os quais segundo os nossos governantes
dá perfeitamente para comer, ir ao médico,
estudar e ainda se divertir, como poderia eu,
um simples professor pensar em ir ao teatro.
Meio
envergonhado, fui para a coluna dos filmes. O
que fazer se a telinha é mais barata! Mas,
aproveitando o fato de que nós brasileiros
não temos vergonha mesmo, esqueci logo
do rompante heróico de salvar o teatro
e decidi ir ao cinema.
No
meio do caminho começamos a pensar em qual
cinema iríamos. Pensa dali e daqui e levando
em conta o problema de estacionamento, decidimos
ir ao shopping center. Escolhemos um daqueles
com dez salas de projeção, assim
teríamos outras opções que
não aquelas destinadas às crianças
já que estávamos em mês de
férias escolares. O shopping escolhido
ficava em um bairro de classe A o que me causava
um certo receio, já que tudo costuma ser
mais caro. No entanto, como nunca havia ido lá
topei a empreitada.
Chegamos,
e após girar quase que infinitamente a
procura de uma vaga, estacionamos e subimos até
o piso dos cinemas. Como esperado, vários
filmes destinados ao público infantil,
alguns destinados aos matadores de plantão
e lá, bem no cantinho um filme francês.
Ah, poderia enfim manter um pouco daquela veia
intelectual abandonada em casa. Um filminho francês
salvaria tudo. Porém, o filme só
começaria quase três horas depois
de nossa chegada, aí é que começou
a minha via crucis.
Compramos
os ingressos e decidimos dar uma “voltinha”
pelo shopping. Como eu temia, o local era daqueles
dedicado ao luxo e à extorsão de
seus “clientes”. Bonito, sim, mas
com escadas para todos os lados que te deixam
como um louco rodando em círculos. De um
lado a escada é só para descer,
do outro só para subir, mas se precisar
da escada rolante tem de ir para o outro lado,
se quiser o elevador, ande mais algumas lojas,
bla, bla, bla. Eficiente, sim, com aquela maquininha
de primeira geração que te diz:
você está no piso amarelo, suba até
o piso azul, ande pela listra verde com bolinhas
brancas, vire o rosto para esquerda e a seta indicará
a loja de sua preferência.
De
repente, entre um círculo e outro uma loja
de CD´s com uma promoção imperdível!
Não resisti a tentação burguesa
e comprei dois que traziam shows antigos da MPB.
Mas eu tinha minha razão pessoal e relevante,
a oportunidade de ouvir as músicas daqueles
discos de vinil que eu havia emprestado e nunca
haviam me devolvido.
Depois
de gastarmos quase a metade de um salário
mínimo entre os tickets e os cd’s,
decidimos comer alguma coisa antes que o filme
iniciasse. Fomos, então, para a praça
de alimentação. Lá, após
girarmos como um pião novamente, pois as
lojas ficam em um círculo, nos deparamos
com um espetáculo gastronômico que
fez com que nossa gula despertasse de forma bem
selvagem. Era um tal de pessoas comendo deliciosas
batatas, lindíssimas lasanhas, polpetones
e molhos vermelhíssimos gritando para que
os pedíssemos. Era impossível resistir.
Eu até que tentei quando dei uma olhada
nas tabelas de preços, mas minha filha
já estava olhando para mim com cara de
canibal. Lembrou que não tinha almoçado,
falou que só havia feito um lanchinho,
de repente lembrou que estava com dor de cabeça
de tanta fome... Rendi-me. Um dinheirinho a mais
não ia fazer tanta diferença, afinal
férias! Manda uma porção
de nhoc, que ela foi logo avisando que comeria
sozinha, apesar da minha tentativa frustrada de
pedir um só prato para nós dois.
Eu, para não ficar olhando, pedi um polpetone
que era o prato mais barato.
Depois
de tanto comer e gastar, decidi ir direto para
a sala de projeção, antes que alguma
outra promoção viesse a nos tentar.
Ledo engano! Lá chegando, outra tentação:
o cheiro da pipoca perfumava o local e era quase
impossível não querer. Mas quase
caí duro ao ver a tabela de preços
da lanchonete ou snack bar, como preferir. Apesar
da promoção coloridamente exposta,
uma pipoca pequena custava 5% do salário
mínimo, a mais cara custava quase 10% do
mesmo. Um refrigerante então, nem pensar!
Decidi comprar apenas uma água para beber
durante o filme. Mas, minha filha retrucou dizendo
que eu já havia gasto tanto, por que economizar
um ou dois reais, que diferença isto faria?
Afinal, estamos nas férias!
Apesar
de querer comprar o copo de refrigerantes infantil,
minha filha convenceu-me a comprar o pequeno que
para meu espanto vinha quase um litro de refrigerante.
Entramos em mais uma fila e vinte minutos depois
estávamos em uma sala claustrofóbica,
diante de uma tela que devido ao tamanho da sala
mais parecia um outdoor. Para entrar e sentar,
somente uma pista entre as duas fileiras de poltronas.
Como sairíamos dali caso acontecesse algo.
E se um outro matador louco resolvesse agir? (Refiro-me
àquele homem que entrou em uma sala de
cinema e metralhou várias pessoas, lembram?)
Minha filha tentava me acalmar, afinal eram férias
e um possível matador deveria estar de
férias também.
O
filme começou e passamos quase três
horas naquela sala minúscula e claustrofóbica
ouvindo um som irritante de uma porta dessas que
fazem barulho quando a gente entra em algumas
lojas, tlilimlimlimlim, pois no filme havia uma
porta dessas. E a minha última esperança
de ter um domingo intelectual acabou entre aquele
som irritante e uma historinha açucarada
muito parecida com as nossas novelinhas de todos
os dias. É, tudo bem. Pelo menos é
bom saber que eles também sabem fazer porcarias.
Saímos
e fomos direto para o piso em que teríamos
de pagar pelo estacionamento. Outra grande fila
nos aguardava. E, quando o gentil cavalheiro disse
que tínhamos de pagar quase 10% do salário
mínimo, tive que rir de mim mesmo. Senti-me
um perfeito idiota brasileiro tentando viver como
os enlatados padrões do primeiro mundo.
Saí do meu regime, gastei uma fortuna,
me aborreci com as escadas, as filas... Bem feito,
o teatro só me teria custado a metade do
salário mínimo.
O
Mendigo
Raimundo Ferreira de Vasconcelos
Sentado
à beira do caminho e
cercado pela escuridão, que vejo eu ali?
Pernas cruzadas, olhos vedados e mão estendida
_ Uma esmola para um pobre cego!
Pedestres
passavam, alguns nem olhavam para o velho mendigo
Suas fétidas chagas onde moscas paravam
e pediam abrigo
Pobre mendigo! pobre mendigo!
Exilado do dia...da noite cativo...
Queria
cantar, já não tinha mais forças
Queria chorar, já não havia mais
lágrimas
Queria fugir e lhe faltava coragem
Mas
fugir para onde? Para outra vida...e enquanto
o momento não chegava
O mendigo ali continuava; pernas cruzadas, olhos
vedados e mão estendida
_ Uma esmola para um pobre cego!
|
| Relações
internacionais amplia vagas
O
Centro Universitário Belas Artes de São
Paulo ampliará o número de vagas
oferecidas no curso de relações
internacionais, bem como, o de outros cursos já
ofertados por essa Instituição de
Ensino Superior (IES), já no próximo
semestre letivo (2003/2).
Haverá
cinqüenta novas vagas ofertadas no período
matutino, visando atender à demanda reprimida
há muito existente. Confira no quadro abaixo
o número de vagas autorizadas em seus respectivos
cursos e horários de funcionamento.
C
U R S O S |
Vagas
autorizadas |
Total |
Manhã |
Noite |
Relações
Internacionais |
50
|
50
|
100 |
Administração
de Empresas |
50
|
50
|
100 |
Comunicação
social |
50 |
50 |
100 |
Design
de Moda |
50
|
50
|
100 |
Turismo
|
50
|
50
|
100 |
*Bacharelado
em artes visuais |
100
|
50
|
150 |
Pedagogia
|
50
|
50
|
100 |
TOTAL
PARCIAL |
750 |
Fontes:
Pró-Reitorias Administrativa e Acadêmica
/ FEBASP.
*. Oferecido nos períodos da manhã,
tarde e noite (50 vagas cada).
Os
demais cursos, e.g., Arquitetura e Urbanismo,
Desenho Industrial, Artes Visuais etc., continuarão
oferecendo suas vagas habituais e nos respectivos
turnos de funcionamento de sempre.
RFdV.
|
| Processo
seletivo
No
próximo mês de abril/03, estarão
abertas as inscrições para o processo
seletivo, de candidatos aos cursos de graduação
do Centro Universitário Belas Artes de
São Paulo, localizado no bairro paulistano
da Vila Mariana.
Os
interessados também poderão se inscrever
pela Internet. Para tanto, deverão preencher
a ficha de inscrição que se encontra
disponível on line no sitio do referido
Centro Universitário: www.belasartes.br
Nosso
processo seletivo mantém-se contínuo,
perfazendo três modalidades: entrevista,
vestibular tradicional e transferência de
outras IES.
Especificamente
para o curso de relações internacionais,
exige-se exames de língua estrangeira,
inglês e espanhol, cujos testes constarão
de textos a serem traduzidos e/ou interpretados,
sendo permitido o uso de dicionários.
Nossa
expectativa é de que o número de
candidatos para R.I. supere mais uma vez o total
de vagas ofertadas, a exemplo do que ocorreu no
processo seletivo anterior.
Seja
um acadêmico de sucesso
Torne-se um profissional respeitado
Venha dialogar com o mundo e
Seja diferente
Faça R.I. na Belas Artes
RFdV.
|
| Ficha
técnica
Edição
e revisão técnica:
Prof. Dr. Raimundo F. de Vasconcelos
Revisão de texto: Sr. João
de Oliveira
Web Design: Fabiano Reis
Fabio
Espíndola
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Colaboradores permanentes: Professores e alunos
do curso de relações internacionais
|
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.: CENTRO UNIVERSITÁRIO BELAS ARTES DE SÃO
PAULO :.
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