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DATA
VENIA é a revista
eletrônica do Curso de Relações
Internacionais do Centro Universitário Belas
Artes de São Paulo. De periodicidade trimestral,
seu conteúdo não necessariamente coincidirá
com o pensamento da FEBASP, mantenedora desta Instituição,
mas será de inteira responsabilidade dos autores
que subscreverão suas respectivas matérias.
As colunas
serão alimentadas pelos professores do Curso,
contando-se também com a colaboração
do alunado, da Comunidade Febaspiana como um todo,
e apenas marginalmente, ocorrerá a participação
de colaboradores externos à Instituição.
Além
de divulgar as notícias relacionadas ao Curso,
as matérias publicadas reportar-se-ão
às sociedades nacional e internacional, através
de textos inéditos e não muito extensos,
acolhendo-se também material redigido nos idiomas
inglês e espanhol.
O conteúdo
divulgado em DATA VENIA pautar-se-á pelo balizamento
ético e pluralismo das idéias, as quais
autoriza-se sua reprodução por quaisquer
meios desde que se mencione suas respectivas fontes.
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Desajustes
do ajuste
Apenas
um grupo de vinte países utilizam-se da
política macroeconômica de metas
inflacionárias (inflation targeting), e
dentre eles, há nações desenvolvidas
e em desenvolvimento como Suécia, Reino
Unido, Canadá (apenas estes dois últimos,
representando o G7) etc., e Coréia do Sul,
México, Brasil, Israel etc., respectivamente.
O fato de ser uma política adotada por
menos de 10% das nações, já
indica não ser a única alternativa
possível rumo ao desenvolvimento econômico-social
ou ao menos à pavimentação
da estrada conducente ao mesmo.
Também é, de certo modo surpreendente,
que a referida política contenha um princípio
ativo capaz de vitaminar tanto os bem nutridos
quanto aqueles em estado de desnutrição.
Qualquer ser racional, mesmo leigo em economia,
fica tentado a questionar o porquê de se
estabelecer apenas uma meta, a do índice
de preços, e não outras para os
níveis de emprego, renda, moradia, saúde,
educação etc.
O mainstream econômico, confiante nas benesses
do mercado, dirá que essas últimas
metas serão realizadas quando do cumprimento
daquela primeira, certo? Nem tanto! Não
se pode negar que a estabilidade de preços
seja condição favorável embora
não suficiente para o crescimento, ao facilitar
a (pre)visibilidade do horizonte empresarial.
Todavia, os resultados obtidos pelo Brasil, nas
duas últimas décadas, causam apreensão:
se no primeiro decênio o país não
cresceu devido à inflação,
no último, o crescimento praticamente se
ausentou para que a inflação não
voltasse a crescer, ou seja, tudo pela estabilidade
de preços! Efetivamente não se advoga
aqui a reedição dos “cinqüenta
anos de [inflação] em cinco”,
nem tampouco se pretende cinqüenta anos (ou
mais) sem inflação, sem pão
e sem circo, afinal “a gente não
quer só comida, a gente quer bebida, diversão
e arte”.
E como fazer para alcançar tal intento?
Muito simples: elevemos as taxas de juros. Há
quem acredite que a baixa renda dos brasileiros,
reduzida ainda mais pelo desemprego, sem falar
de sua crônica concentração,
seja capaz de pressionar os preços via
consumo. Tenta-se pois atacar as conseqüências
e não as verdadeiras causas do problema
ou seus causadores (oligopólios e variação
cambial, e.g.).
Desse modo, na tentativa de equacionar um problema
(inflação) geram-se outros de grande
monta a começar pela taxa básica
de juros (selic), situada no patamar de 26% a.a.
(equivalente a 1,95% ao mês), enquanto nos
EUA são de 1,25% a.a. e na União
Européia remontam a 2% a.a.
Dentre os setores oligopólicos inserem-se
os bancos, os quais vêm sendo responsabilizados
pelo elevado preço da moeda local (leia-se
juros), sob a alegada falta de concorrência
como sendo característica dos oligopólios.
Na verdade, as duas principais características
dos oligopólios são (i) as barreiras
ao ingresso de novas empresas e (ii) a interdependência
entre elas, ou seja, afetam-se mutuamente em suas
atitudes, mas não a falta de concorrência,
antes pelo contrário (a menos que se formem
cartéis), a rivalidade competitiva entre
as firmas oligopólicas muitas das vezes
é intensa, e em menor grau via preços,
mas principalmente via diferenciação/diversificação
do produto/serviço, ou através da
propaganda, do progresso técnico, ou ainda,
por meio da ociosidade planejada.
A alegada ausência concorrencial no setor
bancário brasileiro tem sua razão
de ser por dois
motivos. Primeiro, aos olhos do cliente, praticamente
não há diferença em ser correntista
e/ou direcionar seus investimentos para este ou
aquele banco, isso sem falar daquela clientela
cuja escolha (do banco) fora feita pela empresa
em que trabalha. O segundo motivo reside no grande
cliente cativo que têm os bancos, qual seja,
o setor público e sua necessidade de financiamento,
face à elevada dívida pública
interna, alimentada e ampliada inclusive com a
manutenção dos juros altos.
Ocorre assim uma redistribuição
de renda às avessas, na medida em que o
setor público (via rolagem de sua dívida
interna) e os consumidores (via empréstimos/financiamentos)
transferem parcelas consideráveis de suas
respectivas rendas ao segmento bancário/financeiro
do país. E nem atentam para isso, pois
para o brasileiro em geral, importa mesmo é
saber se as prestações cabem no
orçamento.
Por outro lado, se os bancos nacionais tivessem
de disputar a clientela no mercado, e em particular
os relacionados aos empréstimos e financiamentos,
dificilmente os spreads bancários (taxa
de captação menos taxa de repasse)
estariam situados nos atuais 40%. A alegação
bancária de que a inadimplência é
a grande culpada pelos altos spreads bem pode
ser invertida, já que os juros elevados
também provocam inadimplência, a
exemplo da que ocorre com certos usuários
de cartões de crédito, cheque especial
etc.
Ocorre que os efeitos colaterais da política
macroeconômica doméstica se avolumam,
tangenciando um círculo vicioso: juros
elevados, crescimento gigantesco da dívida
pública interna, menores investimentos
produtivos, elevado desemprego de mão-de-obra,
déficit crescente da previdência
social, maior dívida pública etc.
etc.
E assim o país se encaminha para mais uma
década perdida, a terceira consecutiva,
de modo que o PIB real, desde meados dos 1970,
tem-se situado aquém da média do
nosso PIB histórico de 7% ao ano, e cuja
violência vem se desdobrando em outros tipos
de violência. Suplantar essa situação
não é tarefa fácil, convenhamos,
ainda mais quando a própria política
macroeconômica torce contra, pois o placar
até os primeiros seis meses do atual governo
ainda acusa: brasileiros 1 x 2 monetaristas.
Raimundo
F. de Vasconcelos
Coordenador e Professor do curso
de relações internacionais / Febasp.
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Interdependentismo,
Cooperação e Combate à Corrupção
O
cenário internacional desde o fim da segunda
guerra mundial (1939-1945) foi definido como um
sistema bipolar, socialistas e capitalistas, regido
pelo interesse de manter ou ampliar o poder sobre
os países aliados ou não aliados.
O princípio realista definia a política
externa mundial e os atores internacionais eram
vistos exclusivamente como produto do Estado.
A política interna não interferia
na política externa, uma vez que as questões
de poder e segurança eram prioritárias
face a todos os outros temas das relações
internacionais. A convicção de que
paz e a segurança somente poderiam ser
alcançadas mediante o equilíbrio
de poder entre os Estados fazia da questão
estratégico-militar uma preocupação
constante dos mesmos. A questão ideológica
sufocava todos os outros temas das relações
internacionais; as relações interestatais
limitavam a inclusão de outras discussões
como: meio-ambiente, migrações internacionais,
narcotráfico, entre outros.
O fim da guerra fria forjou uma nova explicação
para as transformações que ocorriam
a partir dos anos 90 e o questionamento sobre
a tendência realista dos Estados aprofundou-se.
Passou-se a questionar sobre: o Estado como ator
principal; o sistema internacional anárquico;
a rivalidade entre os estados e o uso sistemático
da força como meio de solução
para os conflitos, aspectos considerados relevantes
na agenda dos realistas.
A globalização dos anos 90 trazia
uma complexa rede de interconexões que
inviabilizava que um ou dois Estados pudessem
gerir seu próprio destino no cenário
internacional. "As relações
internacionais passaram a serem analisadas a partir
de um conjunto de processos e atores de caráter
transnacional” (Santos, 2000, p.246) e as
questões internacionais tornaram-se mais
complexas. O próprio conceito de poder
passou a ser considerado em termos de variáveis
como sensibilidade (assimetria de baixa intensidade)
e vulnerabilidade (assimetria de alta intensidade),
é o paradigma interdependentista que ascende
na política externa.
A política mundial, ao incorporar a idéia
de que o poder é assimétrico e portanto
os atores mais fracos podem ter uma capacidade
de barganha superior aos Estados fortes, dissolveu
nesse contexto a idéia da hierarquia estabelecida
pelos realistas de high and low politics. Passou-se
a considerar outras variáveis que poderiam
influenciar e definir as relações
internacionais. A tradicional via de ampliação
de poder dos Estados adquire outros contornos
e deverá levar em consideração
a ausência de hierarquia de assuntos; as
forças armadas como elementos não
proeminentes em política internacional;
e o estabelecimento de estratégias de acordo
com as conveniências dos Estados (Vigevani,
1994, p.17).
O interdependentismo acredita que - da mesma forma
que há disputa entre as empresas - na política
mundial também os Estados competem através
de canais múltiplos (Vigevani, 1994, p.17),
ou seja, as sociedades entram em contato sem necessariamente
o controle estatal e os meios de comunicação
auxiliarem nesse sentido. Os sistemas financeiros,
as corporações empresarias, as ONG’s
alteram gradualmente os canais de interação
tradicionalmente pertencentes ao Estado. Tais
relações definidas por Joseph Nye
(2002, p.17) como “relações
transgovernamentais” têm forçado
os países a buscarem resoluções
que não as de caráter coercitivo
e mais ainda, obrigando-os a diversificarem as
principais questões em política
mundial. Ou seja, o conjunto de assuntos pertinentes
à política internacional não
depende exclusivamente dos temas militares.
A participação da OCDE, GATT, FMI,
dentre outros, são exemplos de que as políticas
dos Estados interagem, os problemas internos e
externos influenciam-se e buscam-se novas alternativas
para os problemas governamentais. Surge no pós-guerra
fria um novo Estado que freqüentemente equaciona
suas demandas através de alianças
transgovernamentais e onde a cooperação
é possível porque existem interesses
compartilhados entre os Estados. Exemplo de cooperação
internacional pode ser demonstrado através
das práticas compartilhadas no combate
à corrupção.
A questão da corrupção tem
sensibilizado os países a buscarem parcerias
uma vez que a mesma ameaça a Democracia,
além dos empréstimos internacionais
serem mais caros para países considerados
corruptos. O Brasil, por exemplo, paga juros 6,5%
mais altos que a Finlândia. Outro dado que
comprova os danos causados pela corrupção
é que, entre 1989 e 1998, os países
onde a corrupção esteve mais presente
foram os que apresentaram maior queda do PIB,
segundo dados divulgados pela revista Veja em
14/03/2001. A prática de corrupção
no Estado brasileiro pode ser confirmada por diagnósticos
como o elaborado pela Transparency International,
que divulga o ranking de percepções
de corrupção nos países.
Abaixo a tabela resume a situação
dos países latino-americanos e do Caribe:
| País |
2000
|
2001 |
2002 |
| Chile
|
7,4 |
7,5 |
7,5 |
| Uruguai
|
- |
5,1 |
5,1 |
| Trinidad
& Tobago |
- |
5,3 |
4,9 |
| Costa
Rica |
5,4 |
4,5 |
4,5 |
Peru
|
4,4 |
4,1 |
4,0 |
| Brasil
|
3,9 |
4,0 |
4,0 |
| Jamaica
|
- |
- |
4,0 |
| Colômbia
|
3,2 |
3,8 |
3,6 |
| México
|
3,3 |
3,7 |
3,6 |
Rep.
Dominicana
|
- |
3,1 |
3,5 |
| El
Salvador |
4,1 |
3,6 |
3,4 |
| Panamá |
- |
3,7 |
3,0 |
| Argentina
|
3,5 |
3,5 |
2,8 |
| Honduras |
- |
2,7 |
2,7 |
| Guatemala |
- |
2,9 |
2,5 |
Venezuela
|
2,7 |
2,8 |
2,5 |
| Nicarágua |
- |
2,4 |
2,5 |
| Equador |
2,6 |
2,3 |
2,2 |
| Bolívia |
2,7 |
2,0 |
2,2 |
| Haiti |
- |
- |
2,2 |
| Paraguai |
- |
- |
1,7 |
Pode-se observar que os custos da corrupção
não se referem apenas à questão
econômica, mas afetam a credibilidade política
dos países que necessitam de investimentos
externos. Por esse motivo, os organismos de cooperação
internacional entendem que os problemas com a
corrupção estão ligados à
estrutura interna dos países e a cooperação
técnica, operacional e administrativa pode
constituir uma alternativa aos problemas estruturais
daquele país (porventura corrupto).
__________________________________________________________________________________
“Os paraísos fiscais servem
para converter o dinheiro sujo, proveniente de
narcotráfico ou do desvio de verbas públicas,
em dinheiro limpo que pode ser reutilizado”
__________________________________________________________________________________
Speck,
enumera as principais práticas que envolvem
a cooperação transnacional no combate
à corrupção (2002, p.447):
1. Harmonização das diferentes legislações
nacionais;
2. Cooperação na investigação;
3. Extradição de atores envolvidos;
4. Repatriação dos recursos transferidos.
Tais aspectos fazem parte de iniciativas dos organismos
internacionais como:
1. Declaração da assembléia
geral da Organização das Nações
Unidas sobre corrupção e suborno
em transações internacionais (1996);
2. Convenção interamericana da OEA
sobre a corrupção (1996);
3. Convenção OCDE sobre o combate
ao suborno de funcionários públicos
no exterior ( 1997);
4. Convenção do Conselho Europeu
na área criminal de corrupção(1999).
Muitos desses programas têm por preocupação
o combate ao crime organizado, entretanto é
necessário pensar que numa economia globalizada
os temas crime organizado e corrupção
estão intimamente ligados, podemos tomar
por exemplo a questão da lavagem de dinheiro.
Os paraísos fiscais servem para converter
o dinheiro sujo, proveniente de narcotráfico
ou do desvio de verbas públicas, em dinheiro
limpo que pode ser reutilizado. Tais esquemas
servem à diferentes fins e freqüentemente
estão interligados. Neste sentido os programas
acima podem servir como instrumentos eficazes
e eficientes para o combate à corrupção.
No caso da Convenção Interamericana
contra a Corrupção, da OEA (Organização
dos Estados Americanos), adotada pelos Estados
membros em 29/03/1996 e aprovada pelo Congresso
Nacional Brasileiro, em 25 de junho de 2002 (Decreto
Legislativo nº 152), entrou em vigor no Brasil
em 24 de agosto de 2002. A referida Convenção
pretende que sejam reforçadas as instituições
democráticas e evitadas distorções
na economia, vícios na gestão pública
e deterioração moral e social. Essa
Convenção pretende, em seus 28 artigos,
detectar, punir e erradicar a corrupção
através da criação e do fortalecimento
dos mecanismos voltados para a cooperação
entre os Estados. A dificuldade, segundo Speck
(2002, p.452), é que por ser uma convenção
e não um tratado, não há
instrumentos legais para serem aplicados e toda
a ratificação depende da alteração
da legislação nacional para a responsabilização
dos delitos vinculados à corrupção.
No caso da convenção da OCDE (Organização
para Cooperação e Desenvolvimento
Econômico), tem por objetivo obrigar as
empresas multinacionais a suspender o suborno
de funcionários públicos estrangeiros,
tornando tais práticas delitos puníveis
pela lei. A Convenção Anti-suborno,
da OCDE, entrou em vigor em fevereiro de 1999
e, em maio de 2002, havia sido ratificada por
34 dos 35 países signatários (inclusive
o Brasil). Estes países representam mais
de três quartos do comércio mundial.
A Convenção proíbe o suborno
de funcionários públicos estrangeiros.
Para fazer que a Convenção seja
efetiva é necessário implementar
códigos de aceitação anti-suborno,
não somente nas matrizes das empresas como
também em suas filiais, suas sucursais
e seus sócios no estrangeiro. Isso requer
preparação e treinamento “no
campo”, assim como nos países em
que a empresa tem sua sede. Segundo Speck (2002,
p. 456), a convenção da OCDE é
mais específica pois o problema da corrupção
é entendido não apenas como exclusivo
dos países em desenvolvimento, mas também
das empresas dos países industrializados
que atuam nesse meio.
Portanto, a cooperação internacional
pode auxiliar individualmente aos países
nas reformas da administração pública,
no sistema legal judicial e na descentralização
administrativa através de estudos que forneçam
um panorama da situação interna
do país em setores considerados prioritários
(saúde, educação, eleições).
A cooperação pode incrementar uma
consciência global (Nye, 2002, p. 131) de
combate à corrupção uma vez
que ações coletivas de interesses,
expectativas e práticas compartilhadas
têm se revelado mais eficazes e vantajosos
aos Estados, além de implementar uma nova
ordem nos assuntos contemplados pelas relações
internacionais.
Em suma, a globalização reordenou
os Estados e colocou a cooperação
dentro da hierarquia interna de cada país
na medida em que gera oportunidades aos atores
de negociarem para conseguirem resultados favoráveis
aos interesses dos envolvidos, o que seria improvável
pela via da negociação unilateral
ou bilateral (Santos, 2000, p. 295). Cabe aos
países empenhados no combate à corrupção
utilizarem-se dos recursos disponibilizados pela
OEA e OCDE, acumulando e disseminando as melhores
práticas mundiais de redução
e controle da corrupção.
Notas:
A Transparência Internacional é uma
organização não governamental
fundada na Alemanha em 1993 e atualmente com sede
em mais de 80 países, inclusive no Brasil.
A ONG tem como objetivo reduzir a corrupção,
em especial aquela que ocorre nas transações
comerciais internacionais. A organização
é financiada por doações
e contribuições, de Europeus e de
Norte-americanos, de 70 empresas e organizações
empresariais, 17 fundações e 27
instituições governamentais.
A ONG divulga desde 1995 o ranking da corrupção
no mundo, cujo nome oficial é Corruption
Perceptions Index. O índice não
mede a corrupção em si, mas a percepção
que se tem da gravidade do problema. As notas
finais para cada país, de zero (muita corrupção)
a dez (nenhuma ou pouca corrupção),
foram calculadas por meio da ponderação
de pesquisas feitas com executivos de empresas
( locais e multinacionais) e consultores internacionais
de investimento, que avaliam através de
questionários, o grau de corrupção
existente nas transações econômicas.
A crítica que se faz ao ranking é
que ele mede opiniões subjetivas e é
restrito ao mundo dos negócios e aos valores
que as pessoas desse meio possuem. Interessa-nos
que o ranking é uma tentativa de medir
o fenômeno da corrupção em
diversos países fornecendo um panorama
do grau de corrupção.
Referências
bibliográficas
JORDÃO, R. P. Crime quase perfeito: corrupção
e lavagem de dinheiro no Brasil. São Paulo:
Fundação Perseu Abramo, 2000.
KLITGAARD, R. International Cooperation against
corruption. Disponível em: http:// www.gwgg.de/~uwuw/
research_area/klitgaard.htm. Acesso em 10/11/1998.
NYE Jr., J. S. O Paradoxo do Poder americano:
porque a única superpotência do mundo
não pode prosseguir isolada. São
Paulo: Editora UNESP, 2002.
SANTOS Jr. R.B. Diversificação das
relações internacionais da interdependência.
IN: Bedin, G. A. (org.) Paradigmas das Relações
Internacionais: idealismo, realismo, dependência,
interdependência. Ijuí: editora Unijuí,
2000.p. 245-301
SPECK, B. O Controle da corrupção
como desafio transnacional. IN: Caminhos da transparência:
análise dos componentes de um sistema nacional
de integridade.Campinas: Editora da Unicamp, 2002.
VIGEVANI, T. ; VEIGA, J.P.; MARIANOI, K. Realismo
versus globalismo nas relações internacionais.
Lua Nova: revista de cultura e política,
nº 34, 1994, p. 5-26.
Convenções:
Organização dos Estados Americanos
(OEA). Disponível em
www.oas.org/juridico/portuguese/Anticorrupção.htm
(Acesso em 20/06/2003)
Organização
para Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE). Disponível em
www.oecd.
Org/daf/nocorruptionweb/index.htm (Acesso
em 20/06/2003)
Rita
Biason
Doutora em Ciências pela
Universidade de São Paulo (USP) e professora
do curso de Relações Internacionais
do Centro Universitário Belas Artes de
São Paulo.
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Caminhos da Humanidade... |
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A
Política Externa do Vaticano
1.
Algumas características da instituição
eclesiástica
1.1
A Igreja Católica Romana (ICR) é
uma das mais antigas instituições
do mundo; é herdeira do Império
Romano e da Idade Média.
1.2
Vive, simultaneamente, três tempos: (a)
o tempo cotidiano – segundo o ritmo do conjunto
da sociedade; (b) o tempo histórico –
temporalidade de dois mil anos de história;
e (c) o tempo mítico – o de sua mensagem
religiosa propriamente dita.
1.3
A ICR tem, também, uma tríplice
leitura do espaço: (a) um espaço
restrito, a diocese (poder dos bispos); (b) um
espaço mais amplo – a Igreja Universal,
com sede em Roma; e (c) um espaço mítico
(religioso propriamente dito).
2.
A ICR é a única instituição
confessional do mundo a ter acesso às relações
diplomáticas (organização
universal e transnacional).
3.
A interação da ICR com os demais
atores internacionais não se dá,
propriamente, através da Igreja, nem do
Estado do Vaticano, mas da Santa Sé (formada
pelo Papa e pela Cúria Romana). De acordo
com o Código de Direito Canônico
(cân. 361), a expressão “Santa
Sé” inclui “não só
o Romano Pontífice, mas também a
Secretaria de Estado, o Conselho para os Negócios
Públicos da Igreja e os demais organismos
da Cúria Romana”. A Cúria
é a administração central
da Igreja.
4.
O mesmo Código afirma, no cân. 1131,
que a ICR e a Sé Apostólica “são
pessoas morais pela própria ordenação
divina”.
5.
O contato entre a Santa Sé e a comunidade
internacional nasceu no contexto dos Concílios
Ecumênicos: a figura do Núncio Apostólico
(embaixador do Papa), com uma missão diplomática
junto a um determinado governo e com uma missão
eclesial junto a uma igreja particular, já
existia no ano 453, no final do Concílio
de Calcedônia.
6.
Já no século XVI, a realidade internacional
é impactada pelo surgimento do Estado-nação.
A diplomacia adapta-se à nova situação.
Em 1701, o Papa Clemente XI institui a Academia
dos Nobres Eclesiásticos, para formar os
representantes pontifícios junto a outros
governos.
7.
O Congresso de Viena (1814/15) – responsável
pela reorganização geopolítica
da Europa, após a derrota de Napoleão
Bonaparte – dá precedência,
nos debates, ao representante do Papa.
8.
A legitimidade internacional da Santa Sé
é majoritariamente reconhecida. A Santa
Sé tem personalidade jurídica internacional
(é a única confissão religiosa
a ter esse status) e se apresenta como uma “autoridade
moral soberana e independente”, por meio
dos canais da diplomacia bilateral (que inclui
relações diplomáticas com
172 países; assinatura de concordatas e
de acordos) e da diplomacia multilateral (relações
com a ONU, com a Comunidade Européia e
com outras organizações).
9.
As relações internacionais da Santa
Sé são dirigidas e executadas pela
Secretaria de Estado, cuja origem remonta ao século
XV e que tem duas Secções: a Secção
dos Assuntos Gerais e a Secção das
Relações de Estado, que integram
o Conselho dos Assuntos Públicos da Igreja.
A segunda Secção cuida das questões
que envolvem a Igreja e os governos civis, além
das organizações multilaterais.
10.
Os temas prioritários da diplomacia vaticana
Tanto
na diplomacia bilateral quanto na multilateral,
a Santa Sé prioriza alguns temas:
10.1
A prioridade da pessoa humana, da sua dignidade
e de seus direitos; direito à vida, desde
a concepção; direito ao trabalho
e à justa repartição de seus
frutos; direito à cultura; direito à
liberdade de pensamento, direito à liberdade
de consciência e direito à liberdade
de religião. Para a ICR, os direitos são
inatos à pessoa humana, universais e não
têm origem no Estado.
10.2
Promoção e defesa da paz; a rejeição
da guerra como modo de resolver as disputas entre
os Estados; as iniciativas em favor do desarmamento.
Em 1971, a Santa Sé assinou e retificou
o Tratado de não-proliferação
nuclear; em 1977, o Tratado relativo à
proibição das minas e em 1999, o
Tratado sobre as armas químicas.
10.3
Apoio a iniciativas em favor da democracia, com
base na idéia de participação
e de corresponsabilidade e inspirada nos valores
humanos.
10.4
Construção de uma ordem internacional
baseada na justiça eno direito, a partir
da visão de que a humanidade dispõe
de um avançado patrimônio jurídico,
nesse campo, como fruto de suas trágicas
experiências.
10.5
Defesa do “dever de ingerência”
diante de situações que configuram
crimes contra a humanidade, depois de se tornarem
ineficazes todas as medidas diplomáticas.
10.6
Respeito pelas culturas e pelas tradições
religiosas.
10.7
Solidariedade para com os países mais pobres,
ajudando-os a assumirem o seu próprio desenvolvimento.
10.8
As ameaças à estabilidade do mundo,
não tanto no que se refere à soberania
territorial, mas, sobretudo, pelos efeitos resultantes
da extrema pobreza, das desigualdades sociais,
das tensões étnicas, da poluição
do meio ambiente, da falta de democracia e do
desrespeito aos direitos humanos.
10.9
Defesa da globalização da solidariedade
como alternativa à atual globalização
econômica, que aprofunda o fosso entre os
ricos e os pobres no mundo.
10.10
Redução e renegociação
da dívida externa dos países pobres,
atribuída, em parte, às estruturas
injustas da economia mundial.
10.11
Proposta de internacionalização
de Jerusalém, sob a coordenação
da ONU, por considerar essa cidade como santa
para as três grandes religiões monoteístas
(Judaísmo, Cristianismo e Islamismo).
10.12
Rejeição total ao terrorismo, qualquer
que seja sua origem, como método de luta
política.
11.
Desafios estratégicos para a Igreja
11.1
Em 1980, a ICR só contava com 44% de seus
integrantes na Europa e na América do Norte.
Hoje, há 35% de católicos no Ocidente,
65% na África, na América e na Ásia;
ou seja, antes de 2010, mais de dois terços
dos católicos não serão mais
originários da tradição greco-latina.
Nos EUA, a maioria dos católicos será
hispânica.
11.2
A secularização avança no
Ocidente, em paralelo ao crescimento de novas
formas de renovação religiosa.
11.3
A ICR sofre a concorrência, no terceiro
Mundo, de seitas e igrejas evangélicas,
sobretudo pentecostais.
11.4
Essa concorrência acontece, também,
na Ásia e na África, com o Islamismo.
De acordo com dados mais recentes, os cristãos,
hoje, são dois bilhões de pessoas
no mundo, enquanto o Islamismo possui 1,3 bilhão
de adeptos, caminhando para se tornar, a médio
e longo prazo, a maior religião do mundo,
quanto ao número de integrantes. Seguem,
pela ordem, o hinduismo (900 milhões);
os ateus, agnósticos e pessoas que se declaram
não religiosas (850 milhões) e o
budismo (360 milhões) (1).
11.5
a Igreja vive, ainda, internamente, um déficit
democrático, sobretudo com referência
à situação das mulheres,
à obrigação do celibato dos
padres e a uma moral sexual que muitos consideram
ultrapassada.
12.
Mudança no Colégio dos Cardeais
12.1
O Sacro Colégio ou Colégio dos Cardeais,
que são os eleitores e os principais conselheiros
do Papa, tem hoje 184 integrantes, dos quais 135
com menos de 80 anos, aptos, portanto, para participar
da eleição pontifícia. Esse
Colégio tem representantes de 70 países.
Os cardeais europeus são 63, dos quais
os italianos são 23. Pela primeira vez,
os latino-americanos, os espanhóis e os
portugueses configuram um bloco ibero-americano,
com 34 eleitores, que será decisivo no
próximo conclave.
13.
A Santa Sé e a invasão do Iraque
13.1
O Papa João Paulo II assumiu uma posição
contrária à dos EUA e da Inglaterra,
diante da recente invasão do Iraque, basicamente
por dois motivos: (a) éticos e espirituais;
e (b) pragmáticos. Reafirmou os princípios
que o Concílio Vaticano II já havia
aprovado nos anos 60: “todo ato de guerra
que leva indistintamente a destruição
de cidades inteiras ou de vastas regiões,
com os seus habitantes é um crime contra
Deus e contra o próprio homem, que deve
ser condenado firmemente e sem hesitação”.
No posicionamento papal, no caso do Iraque, pesaram
também, motivos estratégicos: a
ICR considera fundamental um bom relacionamento
com os países islâmicos. O Islamismo
tende a ser, a médio prazo, a religião
com maior número de adeptos no mundo, vale
repetir.
13.2
A ICR é herdeira da doutrina da guerra
justa (Tomás de Aquino). Mas, modernamente,
já a atende de outra maneira: defende o
direito de legítima defesa nacional, mas
somente após o esgotamento de todas as
possibilidades de solução pacífica
para os conflitos. Essa legítima defesa
só pode ser acionada em resposta a uma
agressão armada real e não somente
potencial (ou seja, a Igreja é contra a
chamada “guerra preventiva”). Do mesmo
modo, a guerra deve ser limitada e não
total, e não deve causar um mal maior do
que o bem a ser defendido.
13.3
Outro princípio defendido pela Igreja é
o de que os não-combatentes não
devem ser atacados (cf. o Direito Internacional
Humanitário e as Convenções
de Genebra).
13.4
A Igreja também condena o uso, mesmo defensivo,
das armas nucleares.
Conclusões:
1.
A inserção da Santa Sé no
cenário internacional apresenta características
sui generis e, deste modo, contém vários
elementos característicos dos modelos realista
e idealista das relações internacionais.
2.
Dentro da própria Igreja, deve ser registrada
a atuação e a influência de
vários atores, de acordo com o poder de
cada um no âmbito interno eclesiástico.
Notas:
*. Seminário Temático oferecido
aos alunos do curso de Relações
Internacionais, em abril/03, a convite do Prof.
Flávio Rocha de Oliveira.
1. Cf. a New York Public Library Student’s
Desk reference.
Dermi
Azevedo
Jornalista, mestre e doutorando
em Ciência Política. Cobriu várias
viagens do Papa João Paulo II e diversos
eventos no Vaticano.
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Visita
Técnica
No
mês de maio p.p., os acadêmicos de
relações internacionais, do Centro
Universitário Belas Artes, realizaram visita
ao Parlatino – Parlamento Latino-americano
onde foram recebidos pelo Sr. Alfredo Gimenez,
coordenador técnico daquela instituição
internacional, aliás, a única sediada
no Brasil.
Ao chegarem ao Parlatino, acompanhados dos professores
Raimundo de Vasconcelos e Paulo Tempestini, os
alunos inicialmente assistiram a uma mini-palestra,
proferida pelo Sr. Gimenez, seguida da apresentação
de um vídeo sobre a história recente
da referida instituição.
A visita se encerrou com um passeio pelas instalações
do Parlatino, culminando com uma seção
de fotos realizadas no plenário destinado
à conferências e convenções.
URBIS
2003
Feira e Congresso Internacional de Cidades
Evento transcorrido de 22 a 25 de julho, no Pavilhão
de Exposições do Anhembi –
São Paulo, numa iniciativa da Prefeitura
Municipal Paulistana, através de sua Secretaria
de Relações Internacionais.
Aguardam-se as presenças de vários
expositores, além de conferencistas, palestrantes
e autoridades de renome nacional e internacional.
Em discussão, o futuro das cidades.
A Comissão Organizadora do evento formulou
convites aos graduandos de relações
internacionais para atuarem como trabalhadores
voluntários, nos Stands da referida feira.
O curso de Relações Internacionais
da Belas Artes prontamente atendeu ao convite,
mediante voluntarismo de alguns dos seus acadêmicos
que, por sua vez, sentiram-se prestigiados pela
oportunidade que lhes fora proporcionada. Abaixo
estão relacionados nossos alunos-voluntários.
Eduardo Ferreira de Oliveira – acadêmico
do 3º semestre de R.I. - e seus colegas do
2º semestre: Atila Berardelli, Dayhanne Liu,
Livia Araujo, Renata Guglielminetti e Viviana
Cabral.
RFdV.
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Workshop
“Sindicalismo
e mercado de trabalho: empregos e empregabilidade
em tempos de globalização”.
Este é o tema do Workshop promovido pelo
curso de relações internacionais
da Belas Artes, receptivo aos seus calouros e
veteranos, no próximo semestre letivo a
ter início em agosto próximo.
O objetivo é discutir a profissão
do internacionalista, seu campo de atuação
e sua empregabilidade, tendo em conta o cenário
atual de um mundo em permanente transformação.
Para tanto, reunir-se-ão acadêmicos
de áreas específicas do curso como
economia, ciência política, direito
internacional e da própria esfera de relações
internacionais que, juntamente com um consultor
profissional de Recursos Humanos (RH), debaterão
as questões relativas ao tema supra, enfocando
as relações estágio/estagiário,
as dificuldades inerentes ao primeiro emprego
etc.
Confira a lista de convidados.
Dr. Thomas Case – Sócio-fundador
do Grupo Catho.
Profa. Dra. Rita Biason – Cientista Política/Belas
Artes.
Prof. Dr. Nilson Araújo – Economista/Belas
Artes.
Prof. Dr. Paulo Tempestini – Cientista Político/Belas
Artes.
Prof. Ms. Fernando Emanuel Mourão –
Advogado/Belas Artes.
Coordenador/Moderador: Prof. Raimundo F. de Vasconcelos
– Belas Artes.
Local:
Auditório Prof. Raphael Dazanni.
Data: 06/08/03 – das 19h00 às 22h30
RFdV.
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BRÁS:
CANTEIROS DA MEMÓRIA NA MODERNIDADE DE
SÃO PAULO.
Pereira, Verônica Sales.
Tese de doutoramento, apresentada
à Universidade de São Paulo –
USP, abril, 2003. Mimeo.
SINOPSE
A tese aborda como os aspectos
espaço-temporais da modernidade de São
Paulo - destruição/construção,
segregação sócio-espacial
e preservação - são articulados
pela memória coletiva e individual, constituindo
a identidade de um outrora bairro operário,
atualmente marcado por um caráter multicultural,
o Brás. Analisamos como estas memórias
são construídas por diferentes sujeitos
(o Estado, a universidade, as associações,
os movimentos sociais, a população)
a fim de legitimar os seus lugares e o lugar do
outro na vida cotidiana, bem como nas situações
de conflito em torno dos projetos de preservação
arquitetônica e urbana no bairro nos anos
90.
Palavras-chave:
Memória Individual e Coletiva; Exclusão
Social; Segregação Urbana; Migração
Nacional e Internacional; Preservação
ABSTRACT
This thesis studies how
the spatial and temporal aspects of the modernity
in São Paulo - destruction/construction,
spatial and social segregation, preservation -
are articulated by the collective and individual
memory, building the identity of Brás,
a former working district, now marked by a multicultural
character. We study how these memories are built
by different subjects (State, university, associations,
social groups, the people) in order to legitimate
their places and the place of the other in the
every days life, as well as in conflict situations
dealing with the projects of architectonic and
urban preservation in the neighborhood during
the Nineties.
Key
Words:
Individual and Collective Memory; Social Exclusion;
Urban Segregation; National and International
Migration; Preservation.
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Métodos Lógicos
O pensamento científico (filosófico),
no seu início, desconhecia o movimento dos
fenômenos e, ao contrário, acreditava
na sua imutabilidade. Só tinha, pois, à
sua disposição para perquerir a causalidade
dos fenômenos, o Método Metafísico.
Generalizando esse Método, os filósofos
gregos (principalmente Aristóteles) formularam
certo número de regras universais que o pensamento
deveria seguir em todas as circunstancias para evitar
o erro e chegar à verdade. O conjunto dessas
regras recebeu o nome de Lógica. A
Lógica tem por objeto o estudo os princípios
e as regras que o pensamento deve seguir na pesquisa
da verdade. Esses princípios e regras
não derivam da fantasia, originam-se no contato
permanente do homem com a natureza. Foi a natureza
que tornou o homem “lógico”.
Que lhe ensinou que não faz o que bem entende
(a lógica é natural e sociocultural)
e sim segue uma regra universal.
São
três os Princípios da Metafísica:
1. Imutabilidade
2. Imobilidade
3. Quantitativo é diferente de qualitativo
E são três
as principais regras da Lógica tradicional,
também chamada de Lógica Formal.
1.
A identidade dos fenômenos: uma
coisa é idêntica a si mesma. Um vegetal
é um vegetal, um animal é um animal;
a vida é a vida, a morte é a morte.
Os lógicos, pondo este princípio
numa formula dizem: A é A
2.
A não contradição entre os
fenômenos: uma coisa não
pode ser, ao mesmo tempo, ela mesma e o seu contrário.
Um vegetal não é um animal, um animal
não é um vegetal. A vida não
é a morte, a morte não é
a vida. Os lógicos dizem: A não
é não-A
3.
A regra do terceiro-excluído. (ou
exclusão do terceiro caso) Entre duas possibilidades
contraditórias não há lugar
para uma terceira. Um ser é animal ou vegetal;
não há lugar para uma terceira possibilidade.
É preciso escolher entre a vida e a morte,
não um terceiro caso. Se A e não-A
são contraditórios, determinada
coisa é A ou não-A.
Esta
LÓGICA é válida?
Sim, porque representa a experiência acumulada
por séculos e séculos de possibilidades
de raciocinar. Porém ela é insuficiente
quando se pretende aprofundar a pesquisa.
Voltando aos próprios exemplos dados, constatamos
que há seres vivos que não podem
ser classificados rigorosamente na categoria de
vegetais ou na categoria de animais porque não
são uma nem outra coisa. Do mesmo modo
em que não há vida absoluta ou morte
absoluta: todo o ser vivo se renova a cada instante
em que luta contra a morte; toda morte leva consigo
os elementos de uma nova vida. A morte não
é a abolição da vida, mas
o último momento da decomposição
continuada de um organismo.
Válida dentro de certos limites, a Lógica
Formal é insuficiente para penetrar nas
profundezas do movimento da realidade. Querer
que ela dê mais do que pode, é precisamente
cair na Metafísica. Esta lógica
tradicional em si não é falsa; mas
quando a aplicamos para além dos seus limites,
ela engendra o erro.
É verdade que um animal não é
um vegetal; é verdade e continua sendo
verdade que é preciso, de conformidade
com o principio da não contradição,
evitar confusões.
Mas a outra Lógica, a Lógica Dialética
não é a confusão: ela diz
que o animal e o vegetal são dois aspectos
inseparáveis da realidade a tal ponto que
certos seres são um e outro (unidade dos
contrários).
A Lógica Formal ou Metafísica, constituída
nos primórdios das ciências, é
suficiente para o uso corrente: permite classificar,
distinguir, comparar. Quando porém queremos
aprofundar a análise ela já não
pode bastar. Por quê? Porque o real é
movimento, e a lógica da identidade (A
é A) é estática, não
permite que as idéias exprimam o real em
seu movimento, somente em momentos desse movimento.
Porque, na verdade, esse movimento é o
produto das contradições internas
dos fenômenos, como vamos ver a seguir.
Ora, a lógica da identidade não
permite conceber a identidade dos contrários
e a passagem de um para o outro.
A Lógica Formal,
em suma, não atinge senão o aspecto
mais imediato da realidade. O Método Dialético
vais mais longe: ele tem por objetivo atingir
todos os aspectos de um processo.
A aplicação
do Método Dialético às leis
do pensamento chama-se Lógica Dialética
O surgimento da Lógica Dialética
como forma de pensar, de raciocinar e de perquerir
os fenômenos será objeto de outro
texto.
Neste momento verificamos quais sãos os
princípios e as regras do pensamento dialético
Princípios (leis)
1. O movimento
2. A contradição
3. A transformação qualitativa
Regras:
1.Tudo se relaciona
Em
contraposição à Metafísica,
a Dialética olha a natureza e a sociedade
não como um amontoado acidental de objetos
e de fenômenos destacados uns dos outros,
isolados e independentes, mas como um todo unido,
coerente, com uma razão de ser, em que
os objetos e os fenômenos são organicamente
(de organicidade) ligados entre si, dependendo
uns dos outros e se condicionando reciprocamente
2.
Tudo se transforma
Em
oposição à metafísica,
a dialética vê a natureza não
como um estado de repouso ou de imobilidade, de
estagnação e de imutabilidade, mas
como um estado de movimento e mudança perpétuas,
de renovação e desenvolvimento incessante,
onde sempre qualquer coisa nasce e se desenvolve,
qualquer coisa se desagrega e desaparece. É
por isso que o método dialética
considera os fenômenos, não apenas
do ponto de vista de suas relações
e de seus condicionamentos recíprocos,
mas também, do ponto de vista do movimento,
da mudança, do desenvolvimento; do ponto
de vista do seu aparecimento como fenômeno
e do seu desaparecimento.
3
. A quantidade se transforma em qualidade
Em
oposição à metafísica,
a dialética considera o processo de desenvolvimento
não como um simples processo de crescimento,
em que as mudanças quantitativas são
apenas um simples aumento de quantidade dos fenômenos,
mas como um desenvolvimento que passa das mudanças
quantitativas insignificantes, latentes para as
mudanças aparentes e radicais , as mundanas
qualitativas. Por vezes as mudanças qualitativas
não são graduais, mas rápidas,
súbitas, e se operam por saltos de um estado
a outro; essas mudanças não são
contingentes, acidentais, mas necessárias,
são o resultado da acumulação
de mudanças quantitativas imperceptíveis
e graduais.
_________________________________________________________________________________
“A morte não é a abolição
da vida, mas o último momento da decomposição
continuada de um organismo”
_________________________________________________________________________________
4. A luta dos contrários
Em oposição
à metafísica, a dialética
parte do ponto de vista de que os objetos e os
fenômenos da natureza supõem contradições
internas, porque todos têm um lado negativo
e uma lado positivo, um passado e um futuro. Todos
têm elementos que desaparecem e elementos
que se desenvolvem; a luta desses contrários,
a luta entre o velho e o novo, entre o que morre
e o que nasce, entre o que perece e o que evolui,
é o conteúdo interno do processo
de desenvolvimento, da conversão das mudanças
quantitativas em qualitativas.
O estudo da contradição, como princípio
do desenvolvimento vai nos permitir destacar suas
principais características: a contradição
é interna; é inovadora; há
unidade entre os contrários, por meio da
fórmula: Tese x Antítese = Síntese.
Conclusões
Na
análise da sociedade, o método da
lógica formal utiliza o sistema de aproximações
sucessivas, no qual a “realidade concreta”
é tomada como um objeto, cristalizado em
si mesmo, e estudado de ângulos diferentes,
segundo o instrumental teórico que se está
utilizando: sociologia, psicologia, geografia,
antropologia etc. A análise se complica,
pois cada uma destas disciplinas se subdivide
em quantidade de outras, segundo o objeto estudado.
Para superar esta dificuldade intransponível
a Lógica Formal propõe que determinados
fatores influenciam uma realidade de maneira diferente,
exercendo influência maior ou menor, segundo
o ângulo em que se situa o analista. Assim,
a influência maior ou menor de fatores religiosos,
raciais, climáticos, econômicos e
outros explicaram porque determinada realidade
segue determinada linha de desenvolvimento.
Na verdade, este método não esclarece
muita coisa, a não ser constatar que há
diferenças na evolução de
determinadas realidades sociais. Dizer, por exemplo,
que o Brasil é um país subdesenvolvido
porque foi formado inicialmente por portugueses
católicos, negros africanos e índios
preguiçosos não tem nenhum fundamento
científico; escamoteia a realidade e semeia
preconceitos advindos de juízos de valores
contra os que realmente formaram a sociedade brasileira,
ou seja, a imensa maioria da população
de efetivamente originária da África;
índios capturados e forçados ao
trabalho como escravos e pobres portugueses forçados
ao exílio pelas condições
sociais dominantes em Portugal na época
da colonização.
A elaboração teórica é
pertinente quando consegue reproduzir a totalidade
em um processo que vai dos elementos ao conjunto
e do conjunto aos seus elementos; da totalidade
à contradição e desta à
totalidade; do objeto ao sujeito e do sujeito
ao objeto, seguindo um encadeamento de procedimentos
que podemos resumir assim:
· Prática
Social, permitindo a apreensão da realidade
no contexto total.
· Análise dos dados da realidade
concreta, produzindo os elementos abstratos que
permitem descobrir as interações
e determinações do processo.
· Síntese, que permite estabelecer
a ligação entre fenômeno e
essência, e a reprodução teórica
da totalidade concreta como unidade dos diversos
componentes abstratos
· Verificação teórica
e prática das formulações
gerais (abstratas) descoberta de novos dados significativos
no domínio do concreto, novas relações
e determinações, no confronto dos
dados teóricos obtidos pelo conhecimento
da realidade
*. Texto didático
Luisa Moura
Doutora em Sociologia
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Give
the Teachers a Blank Sheet
Dilma Mello
Next
time you go to a Teacher training
give the teachers a blank sheet
You don’t have to do anything
Just sit down and wait
Some
of them will do nothing
Some of them will wait for the directions
Some will try to guess what you expect them to
do
Some will draw the same picture they have been
trained to do
But,
maybe on the second session
Some of them may think that
you are such a crazy “expert”
Then, they may start doing whatever they want
A house, a road, a butterfly...
I
was given a blank sheet
And I suddenly realized
how many beautiful things
I was able to draw
I was an artist and I didn’t know that!
Next
time you go to a Teacher training
give the teachers a blank sheet
Some of them may throw it away
Some may pour their theories on it
Some may just fly...
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Vestibular
de inverno
O curso de relações internacionais
continua com uma procura bastante elevada, mesmo
nos processos seletivos de meados do ano, os chamados
vestibulares de inverno.
Prova disso advém do processo seletivo
realizado pela Unesp, ao oferecer, pela primeira
vez, a graduação em relações
internacionais na cidade paulista de Marília.
Conforme noticiário da mídia, a
Unesp atraiu 54,1 candidatos para cada uma das
40 vagas oferecidas.
Não causa espanto tamanha procura por esse
curso, afinal, as mais recentes transformações,
nas sociedades mundial e internacional, abriram
espaço para atuação de profissionais
cujos conhecimentos suplantam aqueles restritos
ao comércio exterior e mesmo os dessa área
também se viram ampliados pela intensificação
do comércio internacional entre e intrafirmas,
entre e intraregiões etc.
Por sua vez, a Belas Artes ampliou as vagas oferecidas
para alguns de seus cursos de graduação,
oferecendo-os também no período
matutino. Dentre eles, inclui-se o curso de relações
internacionais, administração e
suas modalidades, design de moda, comunicação
social etc.
No caso específico de relações
internacionais a procura mostrou-se elevada tanto
para o período matutino quanto para o noturno.
Até o fechamento desta edição,
as expectativas eram de que ambas as turmas seriam
equivalentes quanto ao número de alunos.
Parabéns aos aprovados em nosso processo
seletivo!!!
Reiteramos o convite para que outros candidatos
também venham desenvolver conosco “a
arte de negociar”, além de reforçar
uma equipe não apenas sonhadora, mas transformadora
de sonhos em realidades.
RFdV.
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O
Magnífico Reitor responde...
Nesta sua 4ª edição,
DATA VENIA comemora seu primeiro ano de existência,
esperando ter correspondido aos anseios de seus
digníssimos leitores, e agradecida aos
seus fiéis colaboradores, sem os quais
seria impossível suas sucessivas edições.
Seu design também sofreu alterações
e a revista ainda ganhou um conselho editorial,
enriquecido com a presença de convidados
especiais, conforme demonstrado em seu expediente.
Também fomos agraciados com a participação
especial do nosso Magnífico Reitor, Dr.
Paulo Antonio Gomes Cardim, 53, advogado, ao nos
conceder uma longa entrevista, via e-mail, cujo
teor apresentamos a seguir.
1.
DATA VENIA - Há quanto tempo Vossa Magnificência
integra o staff de mantenedores da Belas Artes?
Reitor - Como membro da família
Gomes Cardim, comecei a trabalhar em 1964, aos
14 anos, na função de auxiliar de
secretaria, exercendo posteriormente as funções
de subchefe de secretaria, secretário-geral,
diretor-administrativo, diretor-financeiro e,
atualmente, o cargo de Reitor do Centro Universitário
Belas Artes de São Paulo e diretor-presidente
de sua entidade mantenedora.
2. DATA VENIA - Ao longo desse tempo,
à frente da Belas Artes, qual sua maior
alegria?
Reitor - Quem trabalha com prazer,
sente alegrias. Tenho como proposta de vida trabalhar
para ajudar a construir e perenizar a Belas Artes.
Assim, cada conquista para a Belas Artes significa
para mim uma nova alegria. Por isso foram muitas
as alegrias ao longo de décadas de trabalho.
Talvez a maior alegria possa ser atribuída
à conquista do credenciamento como centro
universitário, que representa a maioridade
da Belas Artes.
DATA VENIA - Alguma decepção?
Reitor - Muitas. As decepções acontecem
todos os dias na medida em que não conseguimos
o que desejamos. Decepções em acreditar
demais em pessoas que confiávamos e nos
decepcionaram; decepções com os
preconceitos do governo com o ensino privado,
decepções com colegas mantenedores
e decepções com a falta de sensibilidade
de pessoas com quem lidamos.
DATA VENIA - Algum arrependimento?
Reitor - Muitos. Na medida em que a vida caminha
e as experiências vão se acumulando,
percebe-se o quanto mais poderíamos ter
feito e não fizemos. O quanto poderíamos
ter sido mais tolerantes, mais audaciosos, mais
humildes, mais corajosos e mais arrojados.
DATA VENIA - E um agradecimento?
Reitor - À vida que Deus me proporcionou;
à família fantástica que
sempre se pautou pela honestidade e trabalho.
3. DATA VENIA - O que fez a tradicional
Faculdade de Belas Artes optar pela transformação
em Centro Universitário? Mencione alguns
benefícios concretos decorrentes dessa
transformação.
Reitor - Uma série de
fatores conjunturais. Primeiro, o surgimento da
nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional, de 1996, que criou um novo arcabouço
normativo para o ensino superior; segundo, as
mudanças de política com relação
à expansão do ensino superior. Dez
anos atrás as exigências oficiais
para abrir um curso superior levavam em conta
o que já existia na localidade, a necessidade
social, dentre outros requisitos. Hoje, a necessidade
social não é mais observada e qualquer
um pode cumprir as regras do jogo e abrir escolas,
o que tornou o mercado de ensino superior, além
de aberto, um verdadeiro mercado persa onde se
compra qualquer coisa. A Belas Artes sempre navegou
com segurança confiando nas regras existentes.
No momento que as regras mudam, é natural
que qualquer instituição que deseja
sobreviver procure encontrar novas alternativas,
novos meios para permanecer no mercado e ser competitiva.
O governo, ao criar a figura do Centro Universitário
e dotá-lo de autonomia, sinalizou com um
novo horizonte de instituições de
ensino superior com maior flexibilidade e com
autonomia para crescer de acordo com suas próprias
determinações. Assim, a Belas Artes,
analisando o mercado de ensino superior, a conjuntura
econômico-financeira do pais e o novo ensino
superior surgido a partir da nova LDB, resolveu
partir para se credenciar como centro universitário.
E que benefícios concretos essa transformação
vai propiciar? Muitos, e vou sinalizar apenas
alguns: primeiro, autonomia para planejar o próprio
desenvolvimento acadêmico incluindo-se aí
a possibilidade de criar novos cursos, expandir
e redistribuir vagas; segundo, flexibilidade de
organização acadêmica com
nova visão do negócio educação;
terceiro, o desafio de caminhar com as próprias
pernas e decidir com a própria cabeça;
quarto, liberdade com responsabilidade.
4. DATA VENIA - Como a FEBASP (mantenedora
da Instituição) justifica, perante
os públicos interno e externo, o oferecimento
de cursos (que, a priori, parecem) distantes daqueles
há muito existentes na Belas Artes? Estamos
falando dos cursos novos como Administração
de Empresas, Formação de Professores,
Design de Moda, Relações Internacionais
etc.
Reitor - Creio que não
há necessidade de nenhuma justificativa
nem para o público interno nem para o externo.
Por quê? Porque os tempos mudaram, o mundo
do trabalho mudou, e só quem não
vê essas mudanças, permanece estático.
Como disse, há dez anos poucos abriam cursos
na área de artes. Hoje o mercado acha-se
inundado com todos os tipos de cursos. A concorrência
aumentou, e se a Belas Artes ficasse marcando
passo e esperando que o nome histórico
que conquistou a sustentasse, certamente ela sucumbiria.
Se o mercado e as ofertas mudaram, é lógico
que sem abdicar de nossa história e tradições,
de nossos pontos fortes, de nossos cursos tradicionais,
haveria a necessidade de ousar e partir para uma
abertura maior. Para permanecer no mercado e ser
competitiva, não dava mais para ficar apenas
ofertando cursos na área de artes, pois,
em São Paulo, milhares de vagas novas foram
criadas em novos cursos em todas as áreas.
Qual deveria ser a reação da Belas
Artes? Resolvemos partir para transformar a instituição
em centro universitário e abrir o leque
de oferta de cursos para ocupar os espaços,
oferecer novas opções e alternativas
para o mercado e para maximizar a utilização
de nossos equipamentos, de nossos recursos humanos
e de nossa experiência. Se a Belas Artes
ficasse esperando um milagre, aí sim teria
de justificar por que esperou para reagir e mudar
de rumo. Continuamos a ser a Belas Artes, agora
enriquecida de novas ofertas, de novas opções
e de novos desafios.
5. DATA VENIA - Para ser mais preciso,
o que a Belas Artes espera desses novos cursos
e o que eles também poderão esperar
da Belas Artes?
Reitor - Ao propor um Plano de
Desenvolvimento Institucional para os próximos
cinco anos, a Belas Artes procurou planificar
o seu futuro com as melhores alternativas que
o planejamento estratégico permitiu. Assim,
os novos cursos devem propiciar ao Centro Universitário
uma maior densidade educacional na sua oferta
e dinâmica acadêmica, uma maior convivência
de novos profissionais na comunidade acadêmica
e principalmente possibilitar à clientela
novas opções de formação
profissional, de desenvolvimento profissional
e de treinamento profissional. A Belas Artes espera
que os novos cursos possam enriquecer e aumentar
o debate acadêmico interno na comunidade
e representar, além de novas opções
de formação, alternativas qualitativamente
diferenciadas de formação.
6. DATA VENIA - Daqui a praticamente duas
décadas, a Belas Artes estará comemorando
seu centenário de existência. Até
lá a Comunidade Febaspiana será
surpreendida com mudanças significativas?
Fale-nos a respeito.
Reitor - Esperamos que até
lá estejamos vivos. O importante é
vivenciar o hoje, fazer bem o que se está
fazendo. Claro que todos nós nos preocupamos
com o dia de amanhã e tanto assim que todas
as decisões que tomamos foi com vistas
a criar alicerces para que a Belas Artes tenha
um espaço no mercado paulista das próximas
gerações. Por outro lado, não
nos iludimos pensando que somos os únicos
do mercado a oferecer alternativas de formação.
E se não somos os únicos, nossa
preocupação vai além de oferecer
serviços e diferenças qualitativas
que possam atrair novos clientes. Tem um dizer
que assim reza: Antigamente os Grandes Comiam
os pequenos e hoje os rápidos comem os
lentos. É para não sermos comidos
que queremos ser rápidos e aproveitar todas
as oportunidades para criar, inovar, oferecer
alternativas sempre dentro da exeqüibilidade
e factibilidade da Belas Artes. A preocupação
agora é implantar nosso Plano de Desenvolvimento
Institucional, que vai até 2007. Para tanto,
precisamos investir, acompanhar e avaliar. Além
disso precisamos ficar atentos aos sinais do mercado
para poder reagir em tempo a qualquer mudança
de rumos da economia e da política. Não
podemos prometer grandes realizações,
mas podemos prometer consolidar o Centro Universitário
implementando, primeiro, o Plano de Desenvolvimento
Institucional e a partir daí, alçar
a novos horizontes. Sempre que as oportunidades
aparecerem a Belas Artes procurará acompanhar
e analisar sua viabilidade e coerência com
sua proposta de trabalho.
7. DATA VENIA - Quais os principais desafios
que uma instituição de ensino superior,
de orientação humanista, enfrenta
no presente momento histórico?
Reitor - Primeiro, todas as instituições
de ensino superior deveriam ter uma orientação
humanista, pois tudo deve ser feito para beneficiar
o ser humano, para ajudar o homem a construir
sua história, pois, na medida em que ele
constrói a própria história,
constrói a história da sociedade
onde convive e atua. Como disse, os tempos mudaram,
a concorrência predatória chegou
e hoje o principal desafio é a sobrevivência
numa economia em completa recessão. A classe
média perdeu seu poder de compra e as classes
C e D começaram a acessar mais fortemente
o ensino superior, com um poder de compra pequeno,
o que torna a questão do custo do ensino
superior outro desafio enorme. Antigamente faltavam
vagas e havia grana; hoje tem vaga sobrando e
não tem grana. Isto quer dizer que estamos
num grande impasse: como financiar o ensino superior.
A clientela não tem recursos para freqüentar
um curso superior e a elasticidade das mensalidades
não é ilimitada. Não se pode
oferecer um serviço abaixo do custo, pois
pode comprometer a sobrevida da instituição.
Então os desafios são de ordem econômica,
social e política. Hoje todos querem formação
rápida para poder trabalhar e se sustentar.
Como oferecer cursos rápidos, de qualidade,
e que forneçam os instrumentais necessários
para responder às necessidades do mercado
de trabalho? Este é o grande desafio de
qualquer instituição. Poderíamos
falar e repetir milhares de desafios, mas prefiro
ficar nesse apenas.
8. DATA VENIA - Diversas instituições
de ensino superior procuram investir na divulgação
de suas respectivas imagens e realizações.
Todavia, esse tipo de investimento não
parece ser motivo de maiores preocupações
da Febasp. Até que ponto isso é
verdadeiro e qual a justificativa?
Reitor - Todos hoje investem em propaganda, em
marketing direto ou indireto. E a Febasp não
age diferente. O que acontece está no enfoque.
Primeiro precisamos deixar claro que 88% da propaganda
que influencia é feita hoje pelos próprios
alunos que estudam na Febasp e apenas 12% são
fruto do marketing dirigido aos meios de comunicação
de massa. É apostando nessa assertiva que
a Febasp trabalha. Ao longo de sua história
a Belas Artes criou uma marca e essa marca representa
uma identidade e uma promessa. É baseado
nesse valor de marca e de promessa que nós
apostamos na ajuda de nossos clientes em divulgar
nossos serviços. Claro que não agredimos
o mercado com promessas fáceis e falsas.
O tempo se encarrega de desmistificar certas propagandas
que inundam as avenidas, as rádios e TVs
de nossas cidades. A Belas Artes prefere ser humilde
e trabalhar dentro de sua esfera de possibilidade,
de fidelização à marca dos
clientes hoje atendidos e viáveis de atraírem
novos clientes, sem esquecer que quem não
é visto não é lembrado. Propaganda
é cada vez mais necessária, mas
com prudência, ética e responsabilidade.
9. DATA VENIA - Ainda é muito marcante,
no Brasil, a presença da empresa familiar
e principalmente no segmento educacional. Em que
medida esse fato favorece/dificulta a gestão
de uma instituição de ensino superior?
Reitor - Em tese não deveria
haver relação entre o tipo de instituição
e o desempenho do processo de gestão. Mas
no Brasil os exemplos de empresas familiares não
são nada construtivos, antes, na maioria
dos casos, são desastrosos. No ensino superior
há exemplos de sucesso e exemplos de insucesso.
Precisamos qualificar a questão. A nova
geração de mantenedores com certeza
é mais profissionalizada que a geração
anterior. A minha geração foi forjada
na prática do dia a dia e não havia
maiores preocupações com a gestão
pois a concorrência não atrapalhava.
Hoje os tempos mudaram e as instituições
que não atuarem dentro dos princípios
da gestão estratégica correm sério
risco de desaparecerem. Há casos de filhos
de mantenedores que não demonstram maiores
pendores para sustentar o que os pais construíram
e dessa forma o que resta a fazer com urgência,
nesses casos, é profissionalizar a administração
da Instituição. Por outro lado,
há casos de empresas familiares que se
assessoram de bons profissionais para ajudar a
conduzir a instituição e conseguem
bons resultados. O importante é ter competência
para dirigir o negócio e competência
se consegue estudando, trabalhando, amealhando
experiência. Sem competência para
administrar a instituição, nada
feito.
10. DATA VENIA - A Belas Artes está
preparada ou preparando-se para a “Guerra
competitiva”, tendo em conta que a competição
se tornou mais acirrada? Qual o concorrente que
ajuda e qual o que atrapalha?
Reitor - A Belas Artes, ao planejar
o seu futuro através do PDI, o fez com
o intuito de ser competitiva e de encontrar um
nicho de mercado . Ao se transformar em Centro
Universitário a Belas Artes estava se preparando
para ser competitiva e enfrentar a concorrência.
Cada dia representa um novo desafio. Estamos atentos
e analisando o que nossos concorrentes estão
fazendo, como estão fazendo, o que está
dando certo para eles, o que não está
dando certo, e ao analisar essas experiências
procurar trazer para dentro da Belas Artes alternativas
para não errar, não improvisar.
Mas nós não temos ilusões:
cada dia representa um novo desafio a ser enfrentado
e com certeza novos concorrentes vão surgir.
Não existe concorrente ruim ou bom, ele
é concorrente e como tal deve ser tratado
e analisado. Se ajuda ou atrapalha, depende de
como você encara a concorrência.
11. DATA VENIA - O que Vossa Magnificência
diria para quem gostaria de cursar a Belas Artes,
mas que não pode arcar com o preço
das mensalidades?
Reitor - Eu diria: analise e verifique que os
preços praticados pela Belas Artes são
os mais competitivos do mercado paulista, sem
sombra de dúvida. Nossos preços
não são exorbitantes, mas cobrem
os custos da oferta e permitem trabalhar a instituição
e sua infra-estrutura. Procure verificar dentro
de suas prioridades onde fica o investimento em
você mesmo. Se ele vem depois do carro,
viagens, outros bens etc. e a partir daí
verifique quem pode financiar sua formação.
Há no mercado hoje opções
de financiamento para quem não dispõe
de recursos próprios para pagar as mensalidades.
Na vida tudo tem um preço, inclusive o
financiamento da própria formação.
O que a Belas Artes não pode fazer é
oferecer um serviço abaixo do custo direto
de sua produção. Se assim o fizesse
estaria escrevendo a própria morte. A solução
para a falta de renda dos clientes deve ser buscada
fora da Belas Artes, ela representa uma casa de
oferta de serviços que tem sua margem de
manobra mas que não é suficientemente
elástica para permitir-se atender todos
os casos. Cabe ao governo disponibilizar constitucionalmente
os meios para aqueles que não podem pagar
e querem continuar seus estudos.
12. DATA VENIA - No âmbito do ensino
superior privado, como conciliar qualidade com
preços mais acessíveis aos alunos?
Reitor - Vamos deixar claro:
qualidade, excelência e serviços
diferenciados custam caro. É possível
oferecer serviços de qualidade razoável
a preços baixos? Talvez sim, até
um dado momento em que a descapitalização
provoque um rombo financeiro na instituição.
Não existe milagre nesse setor. Há
serviços sendo oferecidos com uma variedade
de preços conforme a matriz que cada instituição
em sua complexidade elabora. Uma instituição
pequena seguramente tem maiores possibilidades
de oferecer serviços mais baratos que uma
instituição mais complexa. A pergunta
que deveria ser feita é outra: como encontrar
meios e fomentos para tornar o ensino superior
acessível a quem deve precisar. Claro que
hoje todos estão procurando minimizar os
custos, racionalizando ao máximo, para
oferecer serviços mais baratos, mas não
dá para fazer milagres. Os exemplos de
instituições grandes que começaram
a praticar preços diferenciados indicam
que o caminho para o buraco é simples:
ofereça cursos com mensalidades abaixo
dos custos e você estará assinando
o atestado de falência para sua instituição.
13. DATA VENIA - O ensino superior público
deve continuar gratuito?
Reitor - Primeiro não
existe ensino gratuito, pois o mesmo é
pago com dinheiro dos nossos impostos. O governo
subsidia o ensino público. Creio que o
melhor caminho é analisar e cobrar de quem
pode pagar e aos que não dispõem
de recursos, oferecer financiamento reembolsável,
como por exemplo: serviço civil obrigatório
pelo mesmo período de formação.
O que não pode continuar é fingir
que 500 mil privilegiados são diferentes
dos dois milhões que pagam para estudar.
14. DATA VENIA - Como Vossa Magnificência
visualiza o ensino superior como um todo no Brasil?
Quais seus principais gargalos e suas maiores
virtudes?
Reitor - O ensino superior no
Brasil é formado por um conjunto heterogêneo
de instituições públicas
e privadas. Nos últimos anos o sistema
cresceu a taxas exponenciais e chegamos a uma
matrícula de mais de 3 milhões de
alunos, dos quais, 70% estudando em instituições
privadas. Criamos a partir da nova LDB novos cursos,
novas opções, que aos poucos o mercado
vai assimilando. O principal desafio continua
a ser o da qualidade dos serviços. Apesar
dos avanços verificados nos últimos
anos continuamos a dever em termos de qualificação
docente, de bibliotecas atualizadas, de informatização
acessível aos alunos, de laboratórios
atualizados, de flexibilidade curricular e principalmente
de programas de educação superior
continuada para permitir montar projetos de vida
profissional sem as amarras de profissões
regulamentadas. Crescemos como oferta mas não
democratizamos essa oferta pois a população
está mais pobre e sem recursos para estudar.
Criamos expectativas e não criamos instrumentos
para satisfazê-las. Por outro lado, houve
avanços significativos na avaliação
com novos instrumentos e novos indicadores que
permitiram uma maior disciplina por parte das
instituições. O sistema hoje está
à procura de um equilíbrio entre
o processo de expansão e da qualidade da
oferta e permanência. Os próximos
anos talvez serão determinantes para dizer
que arquitetura o sistema terá. Talvez
o processo de fusão, incorporação,
de fechamento de instituições, antes
nunca pensado, comece a ganhar corpo a partir
de 2004. Sobram mais de 20% de vagas e mais de
20% dos alunos trancam ou abandonam os estudos
todos os anos, representando um perigoso sinal
de que alguma coisa está acontecendo dentro
e fora do sistema.
15. DATA VENIA - Os Centros Universitários
estão desobrigados da pesquisa, ao contrário
do que ocorre com as Universidades. Em que medida
isso beneficia os primeiros e prejudica estas
últimas?
Reitor - A pergunta está
na moda da polêmica criada nos jornais entre
universidades e centros universitários.
Vamos deixar claro uma coisa. Bom ensino não
se faz sem investigação em qualquer
instituição de ensino superior,
tanto faz sua organização. Não
é a exigência legal que faz acontecer
a pesquisa, antes, é a determinação
de oferecer um ensino de qualidade. Os centros
não estão desobrigados de fazer
pesquisa. O que acontece é que, em sua
definição conceitual, não
aparece pesquisa. Já nas universidades
a pesquisa é o principal diferencial. Mas
quem cobra pesquisa das universidades? Já
avaliaram quais universidades públicas
e privadas fazem pesquisa? Que tipo de pesquisa
é feita? Há publicações
que sinalizam que a USP, UNICAMP e UNESP sozinhas
produzem a maior parte da pesquisa no Brasil?
Se isso for verdade ou exagero, não sei,
mas que leva a pensar, leva. A polêmica
deveria ser outra: para oferecer um bom ensino
é preciso pesquisa? Se é preciso,
qual tipo de pesquisa (investigação)?
Precisamos também diferenciar pesquisa:
pesquisa para novos conhecimentos, pesquisa como
suporte às atividades didático-pedagógicas,
pesquisa replicativa, pesquisa reelaborativa etc.
Precisamos fazer um exorcismo com relação
à questão da indissociabilidade
entre ensino e pesquisa e verificar o que deve
e pode ser feito pelas universidades e centros
universitários para oferecer um bom ensino
e para alavancar o desenvolvimento científico
e tecnológico brasileiros.
16. DATA VENIA - Como a Belas Artes se
posiciona perante o ensino superior não
presencial ou a distância?
Reitor - Primeiro vamos esclarecer
o que se quer dizer: Ensino na modalidade não
presencial é uma metodologia e ensino à
distância é outra. O que está
havendo. O MEC publicou a Portaria n.º 2.250/2002
permitindo às instituições
oferecerem até 20% da carga horária
de disciplinas na modalidade não presencial,
explicitando o que precisa ser feito para tanto.
Por outro lado, há a modalidade de educação
à distância que, para sua oferta,
a instituição precisa ser credenciado
pelo MEC, havendo nessa modalidade diversas metodologias
com diversos instrumentais que as modernas tecnologias
oferecem. A Belas Artes está ultimando
os estudos para poder oferecer as oportunidades
que a portaria acima citada permite e não
descarta a possibilidade de se associar a outras
entidades para oferecer educação
à distância pois considera que essa
modalidade é o caminho natural para diversificar
as oportunidades num pais continental como o nosso.
17. DATA VENIA - Até que ponto
é positiva a instalação em
nosso país, de instituições
estrangeiras de ensino superior? A OMC deve regulamentar
a exportação desse tipo de serviços?
Reitor - Creio ser inevitável
a médio prazo a presença de instituições
estrangeiras no Brasil para oferecer serviços
educacionais. Há instituições
brasileiras também se instalando em estados
americanos, em Portugal e até em países
da África. Mas precisamos analisar a questão
com certos cuidados. Cada país possui sistemas
independentes, com regras próprias. Com
a globalização o conhecimento também
está se tornando um bem comum, público
e globalizado e, neste contexto, como fica a independência
de cada país? Por isso creio ser necessário
algumas regras que a OMC deve fixar antes que
seja tarde. Por outro lado, se há espaços
para oferta de serviços de qualidade e
se nós não temos competência
para enfrentá-los, por que não deixar
que instituições estrangeiras ofereçam
serviços dentro de regras predefinidas.
18. DATA VENIA - Há muito já
se disse que somos um país de contrastes.
Um deles afeta diretamente a comunidade acadêmica,
qual seja a baixa renda x elevados preços
dos livros. Quais medidas poderiam ser tomadas
para encaminhar essa discrepância sem ferir,
por exemplo, direitos autorais? Esses direitos
são o que impedem a instalação
de um xerox a preços acessíveis,
no interior de nosso Centro Universitário?
Reitor - A questão da
renda do brasileiro é um problema sério.
Mas o que é mais sério é
o que está acontecendo com a clientela
do ensino superior que, em sua maioria terá
nos próximos anos origem na classe C e
D. A classe C ganha em média 840 reais
mensais o que já inviabiliza a freqüência
ao ensino superior sem o suporte de programas
de financiamento. Juntamente com esse problema
vem outro, que é o fato de as instituições
não poderem disponibilizar livros para
todos os alunos. A biblioteca universitária
deve dispor de acervo mínimo em cumprimento
aos padrões de qualidade exigidos pelo
MEC. Mas sabemos que para atender a necessidade
de todos os alunos deveríamos ter um banco
do livro, o que hoje é inviável.
Por outro lado o custo do livro se tornou muito
alto dado o elevado custo do papel. O que fazer?
Consórcios é uma saída ,
banco do livro montado por um conjunto de instituições,
outro e, finalmente, os cadernos universitários
onde cada professor de cada disciplina elabora
a matéria de sua área a partir da
bibliografia indicada e a instituição
imprime em forma de livro e o disponibiliza a
baixo custo ao aluno. O caderno universitário,
uma experiência que na ULBRA–RS tem
demonstrado ser um excelente instrumento, pode
servir para outras instituições
e a médio prazo constituir um banco de
livros didáticos para n instituições.
Talvez por aí se consiga minorar o baixo
poder aquisitivo de nosso aluno. Todavia a solução
ideal seria aumentar a renda média do nosso
aluno.
19. DATA VENIA - Estamos nos encaminhando
para o final da entrevista. Esteja à vontade
para encaminhar uma mensagem à comunidade
Febaspiana.
Reitor - A comunidade acadêmica
sabe de nossa dedicação e empenho
para construir um centro universitário
Belas Artes de São Paulo de qualidade,
onde o ambiente, a convivência e o espírito
de fraternidade, de colaboração,
de constante desafio pela busca das melhores alternativas
de oferecer serviços de qualidade estejam
presentes, é uma realidade. Creiam que
estamos dedicando o melhor de nossa vida por uma
causa, e nossa causa é a Belas Artes. É
possível fazer mais e melhor? Com certeza
a cada dia tentamos melhorar cada vez mais num
espírito de colaboração e
de parceria. Todos estamos no mesmo barco, cada
um com sua tarefa específica. Se todos
fizerem o melhor dentro de sua competência,
temos certeza que, ao final de nosso Plano de
Desenvolvimento Institucional, teremos conseguido
realizar todas as nossas metas.
20. DATA VENIA – E Paulo Cardim
por Paulo Cardim?
Um ser humano apaixonado pelo que faz que acredita
no que faz. Um ser humano com sensibilidade, humildade
e preocupado em servir melhor e cada vez mais.
Um ser humano com virtudes e muitos defeitos mas
com um grande coração. Um ser humano
que, por seu cargo, deve dizer muitas vezes um
“não”, ouvindo a voz da razão,
apesar de, em seu coração, gostar
de dizer sempre sim!. Um ser humano que deseja
o bem de todos. “MAIS VALE UM NÃO
SINCERO DO QUE UM SIM QUE NÃO SE PODE CUMPRIR”.
DATA
VENIA agradece pela entrevista.
Seja
um acadêmico de sucesso
Torne-se um profissional respeitado
Venha dialogar com o mundo e
Seja diferente
Faça R.I. na Belas Artes
RFdV.
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e revisão técnica:
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Raimundo F. de Vasconcelos |
Dilma Mello
Fátima Schoendorfer |
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