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DATA
VENIA é a revista
eletrônica do Curso de Relações
Internacionais do Centro Universitário Belas
Artes de São Paulo. De periodicidade trimestral,
seu conteúdo não necessariamente coincidirá
com o pensamento da FEBASP, mantenedora desta Instituição,
mas será de inteira responsabilidade dos autores
que subscreverão suas respectivas matérias.
As colunas
serão alimentadas pelos professores do Curso,
contando-se também com a colaboração
do alunado, da Comunidade Febaspiana como um todo,
e apenas marginalmente, ocorrerá a participação
de colaboradores externos à Instituição.
Além
de divulgar as notícias relacionadas ao Curso,
as matérias publicadas reportar-se-ão
às sociedades nacional e internacional, através
de textos inéditos e não muito extensos,
acolhendo-se também material redigido nos idiomas
inglês e espanhol.
O conteúdo
divulgado em DATA VENIA pautar-se-á pelo balizamento
ético e pluralismo das idéias, as quais
autoriza-se sua reprodução por quaisquer
meios desde que se mencione suas respectivas fontes.
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| Limitações
Americanas
A morte de Sérgio
Vieira de Mello, em agosto último, mostrou
o imbróglio que é o Iraque. O atentado
contra a Sede provisória da ONU, em Bagdad,
deixou claro que o controle da situação
no país é precária. Como
uma espécie de repetição
histórica do que ocorria nos impérios
coloniais europeus, os norte-americanos controlam
de uma maneira eficaz porções pequenas
do território conquistado, mas estão
expostos a ações de guerrilha urbana
e atentados numa região vasta, inamistosa
e de difícil controle. A violência
da “Resistência Iraquiana” foi
apontada por vários analistas como algo
provável, já pouco antes do início
da guerra em março/abril deste ano.
Os Estados Unidos avançaram
para o Iraque com várias motivações
convergentes. Em primeiro lugar, o Iraque aparecia
como o alvo de ocasião: enfraquecido por
anos de embargo econômico após a
Guerra do Golfo, em 1991, suas forças militares
estavam tão depauperadas como a sua população
civil. Em segundo lugar, Ele surgia, para os planejadores
da administração Bush, como um ponto
de partida para uma reorganização
geopolítica do Oriente Médio. Uma
ação bem sucedida por lá
terminaria colocando os Estados Unidos em condições
de arbitrar de maneira mais efetiva os conflitos
naquela região do mundo: pressão
sobre os palestinos, a Síria e o Irã.
Ao mesmo tempo, pressão em cima de um aliado,
a Arábia Saudita, fonte principal do financiamento
para a Al Qaeda e celeiro para o descontentamento
de movimentos islâmicos anti-americanos.
E, em terceiro lugar, havia por parte da administração
Bush o desejo de dar uma resposta rápida
aos eleitores americanos e, também, mostrar
ao mundo que a Superpotência estaria disposta
a passar por cima de inimigos, neutros e aliados,
quando os interesses de segurança norte-americanos
estivessem sendo ameaçados. A força
seria, para os “falcões” do
governo republicano, mais efetiva em relação
aos terroristas, Estados delinqüentes e mesmo
aliados do que os mecanismos clássicos
da concertação diplomática.
Ocorre que em matéria
de conflitos internacionais ainda vale o dito:
“sabe-se como uma guerra começa,
mas não como ela termina.” Nestes
meses que se seguiram ao colapso do governo de
Saddam Hussein, algumas situações
começaram a se cristalizar no Iraque e
em outras partes do mundo – regiões
geográficas e fóruns internacionais.
No Iraque, a situação é delicada,
para usarmos um eufemismo mais polido. Aos ataques
movidos por sunitas e que eram o sustentáculo
do regime iraquiano, temos a sempre possível
rebelião xiita no sul. Ainda que beneficiários
diretos da vitória dos Estados Unidos na
guerra, os xiitas iraquianos deixaram bem claro
que não querem uma ocupação
norte-americana, solitária ou em conjunto
com a ONU. O perigo, aqui é de uma série
de ações militares combinadas com
um levante no estilo “intifada palestina”.
Alguns sinais preocupantes já foram mostrados
nas últimas semanas, com greves e paralisações
comandadas por clérigos xiitas. Essa seria
uma situação verdadeiramente explosiva
para a ocupação americana, com reflexos
imediatos para as eleições do próximo
ano nos EUA.
No Oriente Médio,
israelenses e palestinos continuam às turras.
A vitória americana de fato colocou uma
pressão adicional sobre os inimigos do
Estado de Israel. O ataque israelense contra alvos
hipoteticamente terroristas na Síria e
a declaração subseqüente dos
Estados Unidos, de que os sírios estavam
acobertando o Terror, devem ser entendidos num
contexto de pressões crescentes contra
os países islâmicos da região.
Todavia, a resistência
palestina continua. As idas e vindas dos candidatos
a primeiro-ministro da Autoridade Palestina e
os choques constantes com Arafat, também
deixam claro que a pressão exercida depois
da ação no Iraque não estão
surtindo o efeito esperado. Entre os países
islâmicos, a relação com a
Arábia Saudita continua sendo a mais delicada.
O arsenal nuclear israelense e a presença
de tropas e navios de guerra próximos dos
sauditas não muda o fato de que este país
segue como a principal fonte financiadora da Al
Qaeda. Segundo vários analistas, o fluxo
de dinheiro não pode ser controlado pelo
governo, pois há vários simpatizantes
de Bin Laden dentro das elites sauditas, e uma
atitude mais firme por parte do governo americano
poderia ter conseqüências graves, pois
ameaçaria desestabilizar o maior fornecedor
de petróleo do mundo.
No principal fórum
de discussões internacionais, a ONU, a
posição americana continua sendo
alvo de críticas. Os franceses –
sempre eles... – continuam usando a sua
posição dentro da Europa e no Conselho
de Segurança para opor obstáculos
ao governo Bush. Ameaçam vetar qualquer
resolução em relação
ao Iraque que não implique em dar mais
poder à ONU no país ocupado. Como
se não bastassem os críticos tradicionais,
o presidente Bush teve de ouvir o discurso do
Secretário Geral, Koffi Anam, que simplesmente
criticou o unilateralismo americano.
Naquele outro grande fórum,
a OMC, os países pobres começam
a se coligar para defender os seus interesses
no âmbito comercial agrícola. Os
Estados Unidos e a União Européia
assistem, desagradados, ao fracasso da Reunião
de Cancún, pois se recusam a discutir de
uma maneira mais ampla e eqüitativa as questões
agrícolas. Desnecessário dizer que
Washington foi a capital que mais se irritou com
essa atitude por parte das nações
pobres.
Talvez estejamos assistindo, pela primeira vez
desde o fim da Guerra Fria, a constituição
de um sistema de freios e contrapesos à
hegemonia americana. Podemos observar que uma
série de Estados tratam de consolidar a
sua posição em regiões específicas
do mundo, numa maneira de estabelecer melhores
bases de negociação e relacionamento
com a Superpotência. Ao invés de
uma confrontação global com os Estados
Unidos, vários países tratam de
competir por influência regional. Cientes
de que não podem enfrentar os norte-americanos
no campo militar, econômico e político,
são sabedores, também, de que precisam
resguardar algum espaço de atuação
externa para defender os seus interesses.
Na Ásia, chineses
e indianos se fortalecem localmente. Possuem economias
que crescem rapidamente, e se transformam em grandes
plataformas de desenvolvimento tecnológico,
civil e militar. A União Européia
sai fraturada depois da Guerra Iraquiana, mas
consolida-se como pólo de poder regional.
Muitos analistas especulam que a divisão
entre a “velha” e a “nova”
Europa – categorias criadas por Rumsfeld
no início do ano – será superada,
pois os recém-chegados à UE, os
países que pertenciam ao antigo Bloco Soviético,
chegariam à conclusão que os Estados
Unidos não poderiam lhes garantir, simultaneamente,
segurança, desenvolvimento econômico
e redes de proteção social. Especialmente
nesse terceiro item, somente um acordo com a “velha
Europa” permitiria uma posição
confortável.
A
morte de Sérgio Vieira de Mello mostra
o imbróglio iraquiano. Mas ela é
simbólica de uma situação
maior: por mais poderosos que sejam, os Estados
Unidos da América terão que se adaptar
a uma situação internacional na
qual eles poderão ser os maiores, mas não
poderão obter tudo. Com uma economia dinâmica
e gigantesca, mas ainda assim que encolhe quanto
mais crescem as participações de
outros países, será uma questão
de tempo até que os custos do unilateralismo
comecem a anular quaisquer projetos imperiais
que certos setores mais belicistas da administração
Bush estão acalentando hoje.
Quem viver, verá.
Flávio Rocha
de Oliveira
Mestre e doutorando em Ciência Política.
É Professor nos cursos de Relações
Internacionais do Centro Universitário
Belas Artes de São Paulo e da FASM, e também
da pós-graduação na FESP/USP.
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Profissão
Lobbista
“Um Ideal de Vida...”
Se
o lobbista trabalhar em uma grande organização,
da iniciativa privada, ou em uma associação
de interesse comunitário, suas metas e
estratégias são as mesmas. Em primeiro
lugar, os lobbistas devem ser adeptos da arte
da persuasão, que é o pilar de sua
profissão. Eles devem ser capazes de influir
os políticos a votar leis que favoreçam
os interesses que eles representam. Isto significa
ser capaz de moldar os seus apelos de tal forma
que eles sejam capazes de sensibilizar indivíduos
específicos na sociedade ao mesmo tempo
em que pressionam grandes blocos partidários,
sejam da situação ou da oposição.
Lobbistas também fazem pressão uns
contra os outros. Quando normalmente grupos opostos
se encontram em uma área comum de interesse
e podem unificar suas reivindicações
em uma pauta comum eles se tornam extremamente
eficientes.
O
lobbismo pode ser direto ou indireto. Direto significa
o óbvio: agendar encontros com congressistas
e abastecê-los de informação
pertinente que justifiquem o voto em leis de seu
interesse. O lobbista apresenta sua informação
com imparcialidade: com a ajuda de gráficos,
tabelas, índices sócio-econômicos,
relatórios técnicos-científicos
que ele pessoalmente produzir ou foi capaz de
obter junto a fontes de reputação
reconhecida.
Desnecessário
dizer que elas são informações
que normalmente o político pode não
ter tido acesso, e que sua ausência prejudica
o entendimento da questão no ponto de vista
que favoreça os interesses representados
pelo lobbista. Algumas vezes, lobbistas irão
se reunir com o político e irão
auxiliá-lo a esboçar uma legislação
que será vantajosa para os seus interesses.
Por essa razão, ser capaz de manter um
bom relacionamento com políticos que podem
ser ganhos para a sua causa é a chave de
seu sucesso.
Embora
os lobbistas e seus clientes não possam
eles mesmos fazer doações para os
fundos de campanha dos políticos, eles
podem, e de fato fazem campanhas de arrecadação
de dinheiro e outros recursos para os seus comitês
de campanha. Para obter sucesso em todas essas
atividades, o lobbista deve ser bem informado,
persuasivo e bom confidente. Uma boa imagem e
carisma serão fundamentais, e o lobbista
não se descuidará de desenvolvê-las
como o seu maior patrimônio. Ele fortalecerá
os laços de seus relacionamentos políticos
por meio da realização de eventos
sociais, onde o ambiente descontraído e
a informalidade permitem que se circule entre
as diferentes facções partidárias
sem constrangimentos.
O
lobbismo indireto, algumas vezes, é característico
de grandes organizações de massa
ou de setores sociais específicos, como
associações comunitárias,
representações de classe e organizações
não governamentais (ONGs). São menos
glamourosos que o lobby direto sobre os congressistas.
Os lobbistas desses grupos de pressão tentam
influenciar os legisladores, demonstrando força
por meio de grandes mobilizações
de massa. Isto significa longas horas gastas ao
telefone e escrevendo cartas e enviando e-mails,
tentando envolver a comunidade, ou os associados
da entidade, a se engajar nos atos de mobilização.
Esses
lobbistas também se dirigem aos políticos,
só que nesse caso para relatar os ânimos
e as reações dos eleitores de sua
comunidade ou dos membros de sua entidade de classe.
Esse lobby indireto também é feito
junto à mídia. Os lobbistas das
entidades de massa escrevem artigos para jornais
e revistas e tentam aparecer em programas de rádio
e TV populares de grande audiência com a
intenção de gerar simpatia junto
à opinião pública para as
suas reivindicações.
Os
lobbistas tendem a trabalhar intensamente. Jornadas
de quarenta a oitenta horas por semana são
consideradas normais. E quando uma lei está
para ser votada, eles freqüentemente emendam
ao menos uma noite por semana. Mas a parte mais
tensa da profissão do lobbista não
é o ritmo incessante comum a essa atividade.
Em muitas sociedades, e a brasileira não
fugiu à regra, ela talvez seja a profissão
de mais baixa reputação junto à
opinião pública.
Embora
a maioria dos lobbistas seja escrupulosa, há
- no meio - àqueles que são conhecidos
por saberem quais mãos se deve agradar
quando a persuasão dos argumentos falha,
o que acabam por desmoralizar todos os demais.
Os lobbistas escrupulosos e os engajados conscientemente
às causas que defendem, representam os
setores organizados da sociedade civil. A sua
importância na promoção das
causas políticas que acreditamos, e seu
trabalho de conscientização da cidadania
ajudam a sedimentar a democracia e, afortunadamente,
nos países mais desenvolvidos politicamente,
tem-se conseguido aos poucos, afastar esse estigma
por meio da conscientização dos
eleitores para o valor da vida democrática
e suas formas de existência.
“Paga
as Nossas Contas?...”
Lobbismo
é uma atividade que se caracteriza por
ser a segunda profissão de muitos de seus
membros. No meio se conhece inúmeras histórias
de quem largou tudo, carreiras sólidas,
para fazer lobby; E é natural que assim
o seja, uma vez que conhecimento e experiência
são tudo o que se precisa para se tornar
um lobbista. Às vezes nem isso... Nas modernas
democracias ocidentais, onde a profissão
é regulamentada, não se cobra licença
ou certificações. Apenas é
cobrado o registro junto aos serviços legislativos,
com o intuito de assegurar a transparência
nos contatos entre o lobbista e o legislador,
dentro das dependências legislativas.
Embora desregulamentada nas exigências profissionais,
a maioria dos lobbistas acumula os vários
graus de uma formação universitária,
ou mais de uma formação universitária.
A maioria, ao menos, possui algum curso na área
de ciência política, jornalismo,
direito, comunicação social, economia,
relações públicas e relações
internacionais. A razão é que, no
meio universitário, o estudante desses
cursos é apresentado a vários convênios
e programas em que interagem os centros de pesquisa
universitária e os serviços públicos.
A convivência estimula a compreensão
e a familiaridade com o “modo de ser”
dos serviços públicos. O que facilita
a inserção futura desses profissionais
em empresas de lobby, associações
comunitárias e ONGs, ou mesmo diretamente
no serviço público.
A
experiência profissional, por outro lado
em empresas que interagem com os setores públicos
como firmas de consultoria, ou bancas de advocacia,
podem fazer que os próprios legisladores
recrutem esse profissional para agirem na linha
de frente da atividade de assessoria parlamentar.
Muitos lobbistas também vêm da carreira
política, como ex-miltantes partidários
e sindicais, que freqüentemente capitalizam
sua própria experiência no serviço
público, na ação partidária,
e suas conexões dos velhos tempos de militância.
Esse recrutamento de “antigos companheiros”
e de “retirados do serviço público”
são os responsáveis pelas recentes
regulamentações da atividade de
lobby nas democracias ocidentais, no sentido de
estabelecer “quarentenas” ou períodos
de afastamento compulsório para a prática
do lobby. Tudo em busca da transparência
nas relações entre lobbista e legislador.
Isso
porque boas conexões e rede de influências
são o caminho das pedras no lobbismo. Isso
porque nos bastidores da política vale
mais quem se conhece do que o que de fato se conhece.
Alguém que pode circular nas altas esferas
sem alarde irá começar suas atividades
de lobby do alto, de acordo com o nível
do relacionamento que possui, enquanto outros
irão fazer um árduo percurso para
construir relações em níveis
cada vez mais elevados e restritos do circulo
de poder.
Embora
não exista a rigidez hierárquica
das corporações privadas, isso também
significa que não haverá segurança
para todos os lobbistas que profissionalmente
trabalhem bem, se eles não forem capazes
de manter suas relações ativas nos
círculos de poder que realmente importam.
“Carreiras
Associadas...”
A
grosso modo, o lobbista trabalha com os legisladores,
em uma ponta; e com os consultores, que lhe prestam
serviços, na outra. Ambos os lados são
possíveis pontos de partida para a atuação
dos lobbistas. Agir no contato direto pressupõe
o conhecimento do sistema político. O planejamento
e a organização dos serviços
básicos que sustentam a atividade de lobby,
por outro lado, é a natural escolha dos
lobbistas que têm afinidade com comunicações,
promoções de eventos, publicidade
e relações públicas. Tudo
é uma questão de saber onde o lobbista
se encaixa melhor e em qual das pontas ele melhor
utilizará as suas energia e talento.
“Duas
Visões de Mundo...”.
“Profissionalismo
nos Estados Unidos...”.
As
atividades de lobby no congresso norte-americano
são reguladas desde 1946 pelo Federal Regulation
of Lobbying Act of 1946, que segue o principio
da transparência (disclosure). Contudo,
por muito tempo ela sofreu critica nos Estados
Unidos por não ser eficiente na fiscalização
das atividades dos lobbistas e não distinguir
a pressão legitima de setores sociais pela
defesa e ampliação dos direitos
civis das atividades de pressão de grupos
empresariais privados.
A fiscalização e a defesa dos princípios
dos direitos civis seria contemplada apenas na
década de 1970, com a reforma das leis
eleitorais federais com o Federal Election Campaign
Act of 1971. O principal ponto da nova lei foi
a criação dos Political Action Committees
(PAC's). O PAC seria o comitê de campanha
eleitoral autorizado a apoiar candidatos a cargos
eletivos. Com a lei, as entidades criadas para
apoiarem e sustentarem candidatos, desde a fase
pré-eleitoral até o exercício
do cargo legislativo, seriam fiscalizadas e suas
ações seriam normatizadas.
As
medidas federais logo seriam seguidas por legislações
estaduais e municipais que seguiram, em principio,
a mesma disposição de preservar
a transparência nas relações
entre os poderes públicos e os interesses
privados dos eleitores. Como há uma grande
variedade de leis nas três esferas de poder,
sintetizamos o espírito do legislador norte-americano
em quatro princípios básicos descritos
a seguir.
1
– Principio da Transparência Pública
nas leis (disclousure)
·
governantes promoverem a confiança no governo,
ao assumirem a imparcialidade e honestidade de
seus funcionários;
·
evitar o segredo de bastidores das campanhas políticas
e das contribuições de lobbistas;
·
encorajar ampla participação no
processo político;
·
assistir esses objetivos na lei, ao determinar
nas mesmas, mecanismos para o efetivo cumprimento
de suas obrigações.
2
– Princípios de Regulamentação
das Atividades de Lobby
·
lobbistas devem se registrar no legislativo se
exercerem atividade remunerada (não é
obrigatório para voluntários) e
devem reportar regularmente às suas atividades;
· lobbistas sem registro não poderão
reportar gastos de lobby;
· lobbistas podem ser punidos se realizaram
atividades remuneradas e não informaram
(o mesmo vale para seus clientes).
3
– Principio da Fiscalização
das Atividades de Lobby
Demonstrativos de atividades de Lobby
·
registro do lobbista
identifica o lobbista e seu empregador. Indicar
o status do empregador e seus acertos financeiros
e os objetivos gerais das suas atividades de lobbista;
·
registro de despesas
discriminação contábil dos
gastos do lobbista que financiaram suas atividades;
·
declaração do empregador
discriminação contábil dos
gastos do empregador do lobbista que incluem informações
não requeridas do lobbista;
·
declaração de despesas do empregador
do lobbista
discriminação contábil das
contribuições do cliente do lobbista
que excederam US$ 100,00;
·
declarações dos serviços
públicos e legislaturas
Identifica regularmente as audiências entre
agentes públicos e legisladores e os lobbistas
nos escritórios e dependências públicas.
Registra os lobbistas e seus percursos nos gabinetes
oficiais; suas principais atividades; salários;
gastos de viagem; gastos de consultoria; publicações
e serviços gerais de almoxarifado para
o lobby;
·
registro de associações e grupos
de pressão
contabiliza os gastos dos responsáveis
por campanhas de lobby públicas, que arrecadam
fundos e outros bens junto aos eleitores para
defenderam posições e interesses
comunitários e/ou posições
de classe. Anexa-se à lista de contribuintes;
·
registro dos funcionários públicos
e legisladores
identificação de funcionários
públicos, legisladores e ocupantes de cargos
públicos de confiança no serviço
público que podem vir a ser alvo de campanhas
de lobby.
4
– Principio do Controle das Atividades de
lobby
Agências
Públicas das Atividades de Lobby
Objetivos:
1°)
Listar as agências do Estado que sofrem
ações de lobby na ordem de importância
que podem influenciar a legislatura.
2°)
Monitorar as atividades de lobby e suas despesas
nas agências e órgãos do Estado.
3°)
Listar as organizações sociais e
firmas privadas que fazem pressões de lobby
junto às legislaturas locais.
“O
improviso brasileiro...”
A
presença de atividades de lobby, no legislativo
do Brasil, registram-se desde o inicio do século
XIX, e tornaram-se mais evidentes com a República
Velha. A primeira vez que a atividade de lobby
foi discutida no país, oficialmente, seria
em uma conferencia da OAB (Ordem dos Advogados
do Brasil), em 1958, denominada "Advocacia
e o Poder Legislativo - Lobbyng”.
Com
o golpe militar de 1964, as atividades de lobby
no Brasil tornaram-se obscuras, situação
coerente com o ambiente político da época.
A produção de leis e normas executivas
foram intensas no período que vai de 1964
a 1985, o que permite se dizer que houve um ambiente
propício ao crescimento das atividades
de lobby no país. Um registro da época,
que nos permite afirmar essa crescente presença
do lobby, foi a reforma do regimento da Câmara
dos Deputados, em 1972, que reconheceu a relevância
do lobby ao normatizar um mecanismo regimental
para o legislativo federal receber propostas,
assessorias e subsídios de grupos de interesse
organizados, na elaboração e apresentação
de projetos de lei. Esses procedimentos valeram
até 1983 e favoreceram as atividades de
entidades sindicais de grau superior, tais como
confederações ou federações
patronais de abrangência nacional e sindicatos.
Em 1984 a Câmara passa a credenciar entidades
associativas mais representativas e, após
a Constituição de 1988, adequou
o tratamento constitucional ao regimento interno,
permitindo o amplo credenciamento de entidades
associativas de todo o tipo.
O
Senado Federal trata a participação
da sociedade no processo legislativo com menos
detalhes. Existem, apenas, dispositivos regimentais
relacionados à participação
de entidades da sociedade civil em audiências
públicas, ao recebimento de petições
e ao envio de documentos às comissões.
Não há previsão regimental
para o credenciamento de entidades tal qual a
Câmara dos Deputados.
Quanto
aos demais setores da administração
federal e autarquias, limitou-se a se organizar
ouvidorias públicas, que recebem e encaminham
pedidos e reclamações do contribuinte
ás direções de suas entidades.
Cabe o registro de que, ao contrário de
outros países que legislaram sobre as atividades
de lobby, não houve a disseminação
das regulamentações ao plano da
administração local. Os legislativos
estaduais e municipais, bem como as autarquias
estaduais e municipais praticamente desconhecem
o tema.
A
partir dessa conjuntura nacional, pode-se afirmar
que, no Brasil, diferentemente do tratamento dado
pelos legisladores dos EUA, nossos legisladores
preocuparam-se apenas em enunciar os direitos
decorrentes da Constituição de 1988
e operacionalizaram em parte o acesso a tais direitos.
As
seguintes semelhanças e diferenças
podem ser apontadas no Brasil:
Semelhanças:
·
normatizaram-se o registro de entidades, o encaminhamento
de representações e a participação
em audiências públicas;
·
cobertura constitucional;
·
direito de petição;
·
direito de associação;
·
liberdade de expressão;
·
obtenção de informações
dos poderes públicos em audiências
públicas;
·
registro de entidades associativas, empresariais
e sindicais de trabalhadores na Câmara.
Diferenças:
·
não existe a prática de registro
de entidades associativas, empresariais e sindicais
de trabalhadores no Senado e na maioria das Assembléias
estaduais e Câmara de Vereadores do Brasil.
·
não existe a obrigatoriedade do credenciamento
de entidades. Ou seja, é perfeitamente
legal qualquer entidade, empresa ou indivíduo
atuar no lobby parlamentar desde que suas atitudes
e atividades não possam incorrer nos crimes
previstos no Código Penal.
·
não há, nem mesmo para aquelas entidades
que estão credenciadas na Câmara
dos Deputados, obrigação de informar
quais matérias legislativas lhes interessam
e estão sendo objeto de ações
de influência.
·
declaração de gastos com atividades
de lobby.
·
exigência de registro de lobbistas estrangeiros.
·
legislação punitiva aos que descumprirem
as normas legais sobre as atividades de lobby.
Conclusão
A
prática do lobby, desde que exercido com
transparência e ética, constitui-se
num instrumento útil ao processo decisório
no Parlamento, contribuindo enormemente para o
esclarecimento dos aspectos técnicos e
interesses políticos, econômicos
e sociais envolvidos.
É uma área
de conhecimento obrigatório para advogados,
jornalistas, parlamentares, cientistas políticos,
autoridades, intelectuais, políticos e
especialistas em relações internacionais,
bem como para todos aqueles que se interessam
pela participação da sociedade,
na elaboração das leis e no debate
das grandes questões nacionais, em torno
da inserção do Brasil no cenário
internacional.
Referências
Bibliográficas
Constituição Federal do Brasil,
Senado Federal, Editora Senado Federal, Brasília,
2002.
Guide to Lobbyst Registration
and Reportiong, The Florida Legislature, Tahalassi,
2003.
Lobbyist, in Profissions
Index, Princeton Review, University of Princeton
Press, Princeton, 2003.
Public Disclosure Comission:
Public Agency Lobbying, State of Washington, Olimpia,
1998.
Regimento da Câmara
Federal, Editora da Câmara dos Deputados,
Brasília, 2002.
US Lobby Report for 2002,
United States Senate Office of Public Records,
Washington DC, 2003.
Paulo
Tempestini
Doutor
em Ciência Política. É Professor
no curso de Relações Internacionais
do Centro Universitário Belas Artes de
São Paulo e na Pós-graduação
da Unisa.
Narcotráfico e a análise
da política internacional
“A
política é a guerra prolongada por
outros meios”
Michel Foucault
Ao incômodo analítico
As
certezas paradigmáticas são instrumentos
reconfortantes para qualquer especialista. Tranqüiliza
saber que um colar de princípios está
preparado para ser utilizado no estudo de um objeto.
As dificuldades de uma pesquisa, assim, restringem-se
à escolha de um tema para posterior aplicação
das teorias pertinentes. Nas relações
internacionais, braço das ciências
sociais tão rico em possibilidades, a vontade
de saber a partir de campos teóricos determinados
não é menor. No entanto, a própria
voracidade da História explicita as ranhuras
e os limites das lentes cognitivas produzidas
com a meta de reduzir o conjunto de fenômenos
internacionais a um denominador reconhecível.
O surgimento das relações internacionais
como um singular espaço de estudos trouxe
a reboque o interesse dos novos cientistas do
internacional em construir seus arcabouços
particulares (Krippendorff, 1993). Ainda que turbilhonada
por um ímpeto crítico primordial
(Carr, 2002), as relações internacionais
no ocidente foram inicialmente produzidas em meio
às disputas políticas globais que
despontaram com o fim da Segunda Guerra Mundial
(1939-1945). Antes de pretender rever a constituição
do estudo das relações internacionais
– estudo de maior exigência e que
no momento está em preparo – cabe
aqui destacar a importância do grande quadro
explicativo propiciado pela Guerra Fria e sua
destreza em balizar o entendimento de um aspecto
dos acontecimentos mundiais: os conflitos internacionais.
A força das explicações
fundadas no antagonismo Leste-Oeste ficou evidente
quando a dita “polarização
ideológica” foi aceita como terminada
após a queda do Muro de Berlim, em 1989,
e a pulverização da União
Soviética, em 1991. No período compreendido
entre os anos 1950 e 1980 a grande maioria das
guerras, embates militares e insurreições
eram entendidas como manifestações
locais da disputa mundial entre as superpotências.
A quase inexistência de guerras interestatais
após 1945 foi, então, substituída
por uma infinidade de guerras civis que encontravam
tradução na lógica do “enfrentamento
ideológico”. Na China e no sudeste
asiático, frentes nacionalistas e rebeldes
deram interpretações próprias
às idéias ocidentais de esquerda
e de direita (Dalloz, 1987). Na África
e suas guerras de independência, a orientação
dos grupos em luta parecia também afirmar-se,
em maior ou menor medida, nas diretrizes ideológicas
ocidentais (Munanga e Serrano, 1995). Na América
Latina, movimentos guerrilheiros de esquerda e
forças militares de direita deram a tônica
das disputas que convulsionaram a região.
Em termos gerais, as propostas socialista e liberal
assumiram as posições dos faróis
a nortear os conflitos e a interpretação
dos conflitos durante a Guerra Fria.
Com o desmonte do socialismo
soviético, os contornos explicativos que
conferiam sentido às relações
conflituosas internacionais pareceram desvanecer
em conjunto. Começaram a despontar, nesse
momento, tentativas novas de interpretação
do sistema internacional. Das teses sobre o fim
da História à perspectiva do “choque
civilizacional” de Samuel Huntington (1994),
os primeiros anos da década de 1990 assistiram
verdadeira corrida em busca da nova inteligibilidade
internacional. O esforço, entretanto, foi
ainda o da busca de “novos paradigmas”,
novos campos abrangentes que fornecessem as chaves
para compreensão do mundo. Numa palavra,
almejou-se a criação de novas teorias
que, mesmo cotejadas com a crítica pós-moderna
aos métodos científicos, mantinham
o afã da totalidade e da decifração
universal.
A
questão que os internacionalistas passaram
a se colocar, então, foi a validade e as
debilidades das teorias diante da explosão
de conflitos que não pareciam mais redutíveis
a uma só abordagem. As guerras civis nos
Bálcãs e na África Central
fizeram eclodir estudos sobre o caráter
cultural ou “étnico” das guerras
pós-soviéticas. O recrudescimento
do terrorismo de matiz islâmico acendeu
interpretações e debates sobre os
perigos do Islã para o ocidente. As discussões
sobre a nova configuração do poder
mundial após a queda da URSS fizeram circular
estudos sobre as supostas unipolaridade, multipolaridade,
ou ainda, unimultipolaridade. Parece difícil
defender a tese de que as “novas guerras”
sejam, de fato, novidades e, portanto, reconhece-se
que o final da Guerra Fria tornou possível
a emergência de tensões represadas
pelo conflito ideológico EUA-URSS. Há
o que podemos chamar de novas conflitividades
que, todavia, devem ser entendidas como “outras
conflitividades”, batalhas imersas num ambiente
atravessado por incontáveis fluxos de poder
que instauram guerras em diversos níveis
e com graus variados de interdependência.
É temerário afirmar que durante
a Guerra Fria todos os embates se deram única
e exclusivamente pela motivação
ideológica, ainda que tal recorte tenha
facilitado em muito o estudo das relações
internacionais. No entanto, não há
como enfrentar o desafio de estudar o mundo contemporâneo
procurando fórmulas cognitivas que solvam
os problemas e consolem os internacionalistas.
Talvez uma pista esteja não no caminho
paradigmático, mas na tentativa em se elaborar
analíticas pontuais, instrumentos de investigação
que perscrutem planos locais de conflitos o que,
hoje, não significa circunscrever o estudo
a “micro-objetos” presos em um região
geográfica já que estamos num mundo
de fluxos e as localidades estabelecem conexões
várias e espacializadas de maneira original
e volátil. Talvez um caminho seja a busca
de uma analítica internacional que abdique
das teorias e invista nas guerras incessantes
– essas outras conflitividades
– que queimam na vida internacional.
A
emergência de um outro
Na
miríade de conflitos que despontam do antigo
manto da Guerra Fria ganha evidência uma
modalidade de embate fluída e de longa
procedência: o narcotráfico. O tráfico
de drogas não é um fenômeno
de simples apreensão por ser multifacetado
e dotado de inúmeras características
locais que o distinguem nas várias regiões
do planeta. Ainda que o consideremos uma nova
conflitividade, por romper os limites
tradicionais dos parâmetros que definem
os conflitos internacionais, há que rastreá-lo
desde, ao menos, os anos iniciais do século
XX. A decisão analítica em retornar
ao princípio do século XX justifica-se
pela necessidade de demarcar os diversos momentos
em que o tráfico de drogas emerge, primeiro
como uma questão de saúde pública,
depois como uma questão de segurança
nacional e internacional.
Na passagem do século
XIX para o XX os controles legais sobre substâncias
psicoativas (1) eram praticamente inexistentes,
restringindo-se a um pequeno corpo de medidas
sanitárias que não chegavam a vedar
a livre comercialização e consumo
destes compostos (Escohotado, 1998). A maioria
das potências econômicas e políticas
do período mantinha interesses na manutenção
do status legal de psicoativos como a morfina,
o ópio e a cocaína, uma vez que
suas grandes companhias comerciais e suas indústrias
farmacêuticas aferiam lucros consideráveis
com o comércio internacional de drogas.
Estados que se tornariam defensores da proibição
das drogas ao longo do século XX chegaram
mesmo a empreender ações armadas
para garantir a legalidade dos psicoativos. Os
casos mais notórios são as duas
Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60) mantidas
pela Inglaterra e outras potências européias
contra o governo imperial chinês que pretendia
proibir a venda e o consumo de ópio em
seu território. Os europeus, ciosos de
seu interessante negócio, foram às
armas para impor a legalização do
ópio na China.
A situação
legal dos psicoativos começa a se transformar
com a entrada em cena do Estados Unidos que deram
especial atenção à questão
do ópio. Já em 1909, os EUA patrocinam
uma conferência em Xangai que reuniu os
mais importantes Estados comerciantes da droga
para estabelecer limites ao seu comércio
mundial. Seguiu-se a esse encontro, outro realizado
na Holanda, em 1912, que institui pela primeira
vez barreiras concretas ao livre comércio
de psicoativos. Para a compreensão dessa
diretriz explícita de política externa
por parte dos EUA deve-se percorrer um trajeto
que alia pressões sociais e políticas
internas (de grupos puritanos e conservadores)
e posturas externas da nova potência que,
então, se apresentava ao grupo de nações
(Passetti, 1991; Rodrigues, 2003). Para esta reflexão
é suficiente sustentar que o movimento
que levou um importante leque de substâncias
psicoativas da legalidade para a ilegalidade é
um trajeto complexo que combina decisões
de política externa dos EUA, a celebração
de conferências internacionais especiais
para a questão e a aceitação
estratégica da maior parte dos Estados
do proibicionismo à maneira estadunidense
como o mais adequado modo de enfrentar o tema
da produção, comércio e consumo
de drogas (McAllister, 2000).
Às
sombras da ilegalidade que se constituiu internacionalmente,
o tráfico de drogas firmou-se como uma
indústria importante que conecta redes
e agentes independentes que atuam com lógica
empresarial dividindo mercados e interagindo simbioticamente
com a economia legal. No pós-Segunda Guerra,
exemplos das relações da economia
ilegal das drogas com personalidades públicas
e conflitos dos mais diversos matizes tornaram-se
abundantes na Ásia, Europa, África
e América (Brouet, 1991). Nesse quadro,
os governos dos Estados Unidos passaram a dar
ainda mais destaque à questão do
combate ao tráfico de drogas ilícitas.
Nos anos 1960 e 1970, houve uma considerável
reformulação das leis estadunidenses
e dos aparatos nacionais de repressão que
culminaram, em 1972, com a declaração
de guerra às drogas pelo presidente
Richard Nixon e a posterior pela criação
da Drug Enforcement Administration (DEA), agência
que se dedica ao combate doméstico e internacional
do narcotráfico.
Lastreada na idéia
de que existem países produtores e países
consumidores, a política de guerra às
drogas foi hábil, desde sua instituição,
em localizar em terras estrangeiras a “fonte”
do “mal social” atribuído aos
psicoativos. Ao exteriorizar a origem da “ameaça”,
pavimentou-se o caminho para postar o combate
ao narcotráfico como tema central de segurança
nacional. Em adição, o narcotráfico
começou a ser encarado pelo governo estadunidense
como um perigo também para as “débeis
democracias” latino-americanas e dos países
do Sul de forma geral. O enfrentamento do tráfico
de drogas se constituiu, assim, como uma postura
simultaneamente favorável à estabilidade
política dos países ditos produtores,
da defesa dos interesses norte-americanos em tais
regiões e da preservação
da “saúde” institucional e
biológica dos povos. Os dois mandatos de
Ronald Reagan (1980-84 e 1985-88) cristalizaram
um notável redirecionamento das preocupações
externas dos EUA, principalmente no que concerne
à América Latina, substituindo a
tradicional “ameaça comunista”
pelo “perigo das drogas” (Hargraves,
1992; Marshall & Scott, 1991). Esse deslocamento
de grande importância parecia responder
ao esmorecimento do socialismo soviético
com a descoberta de um novo campo de intervenção
e ingerência nas Américas e em demais
regiões. Entretanto, uma abordagem pouco
cuidadosa pode aplainar um espaço no qual
há o entrechoque de variáveis sutis
que passam pela aceitação do proibicionismo
militarista pelos Estados supostamente vítimas
da ingerência norte-americana (Labrousse,
2003). De outro lado, não há como
desconsiderar que, com a entrada dos anos 1990,
os Estados Unidos passaram a identificar outras
ameaças, como o fundamentalismo islâmico
que, depois de 2001, assumiram atenção
prioritária em sua agenda internacional.
Pode-se afirmar, no entanto,
que o narcotráfico continua sendo entendido
pelos EUA como um “perigo crônico”
que estabelece vínculos com a “ameaça
aguda” do terrorismo internacional. Há,
inclusive, um reforço à dissolução
das barreiras conceituais entre “terrorismo”
e “narcotráfico”, como atesta
a postura dos Estados Unidos com relação
aos grupos guerrilheiros colombianos (Forças
Armadas Revolucionárias da Colômbia
– FARC e Exército de Libertação
Nacional – ELN) tidos como “terroristas”
e “narcotraficantes”.
Cabe ao analista das relações
internacionais interessado em abordar o narcotráfico
como uma modalidade ao mesmo tempo ímpar
e plural de conflito, reparar nos detalhes que
atravessam os contatos entre Estados proibicionistas,
empresas narcotraficantes, grupos armados e atividades
ilícitas correlacionadas como o tráfico
de armas e a lavagem de dinheiro como fagulhas
de uma guerra constante e que flui pelos veios
da política internacional; realidade viva
e intensa demais para ser capturada por teorias
totalizantes e explicações universais.
Nota:
1. Drogas que agem no sistema nervoso central
provocando modificações nas percepções
objetiva e subjetiva. Tais alterações
podem ser de caráter “depressivo”
(morfina, heroína, ópio, etc.),
“excitante” (cocaína, anfetaminas,
etc.) ou “alucinógeno” (LSD,
ayahuasca, etc.).
Referências
bibliográficas
BROUET,
Olivier. Drogues et relations internacionales,
Bruxelas, Edition Complexe, 1991.
CARR, Edward. Vinte anos de crise: 1919-1939,
Brasília, Editora UnB/IPRI, Coleção
Clássicos IPRI, 2002.
DALLOZ, Jacques. La guerra d’Indochine
(1945-1954), Paris, Éditions du Seuil,
1987.
ESCOHOTADO, Antonio. Historia de las drogas
vol 3., Madri, Alianza Editorial, 1998.
HARGRAVES, Clare. Snow fields – the
war on cocaine in the Andes, Nova Iorque,
Holms & Meier, 1992.
HUNTINGTON, Samuel. “Choque das civilizações?”,
Política Externa, Paz e Terra,
vol. 2., nº 4, março-abril-maio 1994,
pp.120-141.
KRIPPENDORFF, Ekkhart. Las relaciones internacionales
como ciencia, México, Fondo de Cultura
Económica, 1993.
LABROUSSE, Alain (org.). Dictionnaire géopolitique
des drogues, Bruxelas, De Boeck, 2003.
MARSHALL, Jonathan e SCOTT, Peter Dale. Cocaine
politics: drugs, armies and the CIA in Central
America, Los Angeles, UCLA, 1991.
McALLISTER, William. Drug diplomacy in the
twentieth century, Nova Iorque, Routledge,
2000.
MUNANGA, Kabengele; SERRANO, Carlos. A revolta
dos colonizados: o processo de descolonização
e as independências da África e da
Ásia, São Paulo, Editora Atual,
19095.
PASSETTI, Edson. Das ‘fumeries’
ao narcotráfico, São Paulo,
Educ, 1991.
RODRIGUES, Thiago. Narcotráfico, uma
guerra na guerra, São Paulo, Editora
Desatino, 2003.
Thiago
Rodrigues
Coordenador e Professor do Curso de Relações
Internacionais da Faculdade Santa Marcelina, Mestre
e bacharel em Relações Internacionais
pela PUC-SP, pesquisador do Programa de Estudos
Pós-graduados em Ciências Sociais
da PUC (Nu-Sol/PUC-SP), do Núcleo de Estudos
Interdisciplinares sobre Psicoativos (Neip) e
colaborador da área de Cultura e Política
do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento
(Cebrap). É autor de Narcotráfico,
uma guerra na guerra, São Paulo, Editora
Desatino, 2003.
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Caminhos da Humanidade... |
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A
questão da água nas Relações
Internacionais: fonte
de sede e riqueza
Apresentação
Este
texto é fruto de um trabalho que realizamos
no R.I. em Foco, seminário apresentado
na disciplina de História das Relações
Internacionais, ministrada pelo professor Sidney
Leite, onde fomos incumbidos de apresentar um
tema internacional que nos chamasse a atenção
e despertasse o interesse dos colegas, buscando
a sua compreensão, causas, conseqüências
e, quiçá, possíveis soluções.
Esperamos que sua leitura sirva para aproximar
o tema daqueles que se interessam pelas Relações
Internacionais e sirva ainda de ponto de partida
para um estudo mais aprofundado.
Introdução
Há
cerca de milhões de anos, a raça
humana surgiu na África. Lentamente desenvolveu
sua capacidade criativa para superar os desafios
naturais que dificultavam sua sobrevivência.
Atualmente, somos cerca de 6,2 bilhões
de indivíduos e apesar de todas as dificuldades,
a cada ano aumenta a população mundial
em torno de 80 milhões.
Entretanto,
progressivamente, esse aumento populacional está
gerando graves problemas que dificultam a manutenção
da vida em nosso planeta. Sem dúvida a
força da vida, com sua capacidade adaptativa,
continuará evoluindo em outras formas,
alterando-se e adaptando-se. E os seres humanos?
Como iremos manter nossa espécie se as
fontes vitais que garantem nossa sobrevivência
estão se extinguindo?
O
solo de onde tiramos grande parte de nossos alimentos
está cada vez mais degradado. As florestas
que mantêm o equilíbrio dos ciclos
naturais e da biodiversidade estão sendo
largamente destruídas. A maioria dos cientistas
do mundo concordam que os seres humanos são
os principais responsáveis pelo aumento
da temperatura na terra, que entre outros perigos,
eleva o nível dos mares ameaçando
as populações costeiras. E o que
dizer do ar que respiramos, que está cada
vez mais poluído?
Ao
falarmos de nossa sobrevivência não
podemos focar nossas ações simplesmente
em um problema, pois como a natureza busca a harmonia,
é preciso que todas as variáveis
que garantem a nossa vida estejam disponíveis.
No entanto, existe uma fonte vital que vem sendo
seriamente ameaçada: a água. Por
ser uma das premissas que origina e mantém
a vida, não podemos deixar esta questão
para ser discutida quando a situação
de perigo que vem sendo estabelecida atingir um
patamar irreversível. Não é
por acaso que todas estas questões ambientais
já foram incluídas na agenda internacional
dos chefes de governo e de Estado, embora os avanços
tenham sido tímidos.
O
ano de 2003 é considerado pela Unesco como
o Ano Internacional da Água Doce, tornando-se
um marco desta preocupação universal.
As discussões iniciaram-se assim pelos
impasses em como encarar a água, como um
produto ou como um bem comum. Estas preocupações
partem da escassez da água própria
para o nosso consumo, visto que do total de água
disponível na terra, apenas 2,5% é
doce. Sendo que deste percentual 69% está
congelado nas geleiras, 30% está situado
nas reservas subterrâneas, 0,3% é
a proporção de água renovável
e os 0,9% restantes encontram-se dispersos sob
outras formas. Assim sendo, cerca de 1% é
a quantidade de água disponível
para o nosso consumo direto e renovável.
Desta
forma chegamos ao nosso desafio, pois ao terminar
este dia, cerca de 9,3 mil pessoas terão
morrido em todo o mundo por falta de água
potável ou de saneamento básico,
que gera doenças como diarréia,
cólera, esquistossomose e outras. Sendo
a carência de água potável
a razão pela morte de tantas pessoas, não
é difícil perceber que ela é
fonte de poder devido ao seu significativo valor
estratégico para a manutenção
da vida.
Mas
como os seres humanos estão utilizando
a água? Até um certo período
considerávamos as fontes de água
potável como infinitas e não nos
preocupávamos em evitar desperdícios.
Atualmente, somente nos períodos de seca
e estiagem em que os serviços de abastecimentos
de água são racionados nós
conseguimos perceber a gravidade do problema.
Ao
analisarmos o consumo de água por setores,
detectamos que a agricultura é responsável
pela utilização de 70% da distribuição
de água no Brasil, sendo que a maioria
dos 3 milhões de hectares de terra em nosso
país são irrigados pelos métodos
mais antigos e de grande desperdício. As
cidades, por sua vez, consomem 20% da produção
de água potável, mas as companhias
de distribuição perdem de 40% à
60% da água tratada em suas precárias
redes de esgotos, quando elas existem, pois, segundo
o IGBE, 58,4% dos distritos do país não
coletam esgoto. As indústrias, que utilizam
os 10% restantes, também não ficam
atrás no desperdício, pois a maioria
não possui um sistema próprio de
tratamento da água, o que geraria redução
de custos e diminuiria a poluição
ambiental.
Por
isso, não adianta que os responsáveis
por esse setor lancem campanhas publicitárias
de conscientização para o uso racional
da água, enquanto as redes de distribuição
continuam perdendo grande parte de sua produção.
Assim sendo, é preciso que, antes de mais
nada, pesados investimentos governamentais em
infra-estrutura sejam feitos e concomitantemente
se ensine os cidadãos a racionar e dar
o devido valor a cada gota de água que
está ficando cada vez mais rara e dispendiosa.
Água:
recurso finito e escasso
Estudos
realizados por diversas organizações
internacionais (1) revelam que as reservas de
água doce do planeta podem se esgotar em
até 50 anos. Um estudo da ONU revela que
2,7 bilhões de pessoas estarão sem
acesso à água até o ano de
2025, se o consumo prosseguir nas condições
atuais.
Atualmente,
estima-se (2) que 2,5 bilhões de pessoas
não dispõem de saneamento básico,
o que leva à morte mais de 5 milhões
de pessoas no mundo anualmente por doenças
relacionadas à falta de saneamento e tratamento
das redes de distribuição de água.
Desperdício
e deficiente infra-estrutura: o caso brasileiro
Quando
se fala em desperdício de água,
qual a primeira imagem que vem a cabeça?
Vejamos pois como isso ocorre na realidade. A
distribuição da água no Brasil
é a seguinte (3):
70% é utilizada pela agricultura;
20 % é utilizada pelas cidades;
10 % é utilizada pela indústria.
Agriculura
(4):
Dos 3 milhões de hectares de terra que
são irrigados no Brasil, 93% deles usam
os métodos de irrigação mais
atrasados do mundo. O método mais utilizado
(espalhamento superficial) leva a uma perda de
60%.
O método mais eficiente (o gotejamento)
pode reduzir essa perda a 5%.
Cidades:
As companhias de água perdem (5) de 40%
a 60% da água tratada colocada na rede
de distribuição e 58,4% dos distritos
do país não coletam esgoto (6).
Indústrias:
Não há, no Brasil, redes públicas
de tratamento de água destinadas a permitir
que a água utilizada no processo de produção
seja oriunda não das reservas de água
potável, mas da reutilização
da água tratada, reduzindo assim o consumo
e tratando a água, afim de reduzir a poluição
ambiental.
As
poucas empresas que têm sistemas próprios
de tratamento da água o fazem a partir
da lógica de redução de custos,
sem preocupações ambientais.
A
batalha pela água na política internacional
Entre
os dias 16 e 23 de março de 2003 foi realizado
no Japão o 3º Fórum Mundial
da Água, financiado pelo Banco Mundial,
para discutir uma estratégia internacional
para a questão. Naquele Fórum estiveram
presentes mais de 10 mil pessoas, representando
mais de 160 países, e conforme editorial
do jornal O Estado de São Paulo (26
de março) “foi um fiasco: não
produziu as esperadas diretrizes para resolver
o grave problema da escassez e má distribuição
da água no mundo”.
A
explicação para tal resultado está
nas soluções apresentadas para resolver
o problema. De um lado, Banco Mundial, FMI e ONU
com o apoio de organismos de fomento, apresentaram
um relatório defendendo como solução
a ativa participação do setor privado
internacional na gestão dos recursos hídricos
e a estipulação de um preço
para a água. Michael Candessus, ex-presidente
do FMI, em relatório encomendado pela ONU,
sugeriu “ampla descentralização
para que os municípios possam negociar
empréstimos internacionais sem a autorização
ou interveniência dos governos centrais”
No
mesmo período, várias ONG´s,
ambientalistas e diversos movimentos sociais –
defensores de que a falta de recursos só
será resolvida com mais envolvimento do
Estado e criação de condições
de infra-estrutura que, junto com a conscientização
da população e a imposição
de normas de utilização, permitam
a distribuição dos recursos hídricos
para todos – realizaram atividades paralelas
em todo o mundo para debater a situação
e apresentar alternativas à solução
defendida pelos organismos internacionais “oficiais”.
A
água no campo de batalha
Mas
essa polêmica não está restrita
aos fóruns de debate. Em diversas partes
do mundo centenas de conflitos estão acontecendo
e têm a água como epicentro. De acordo
com os dados da ONU, nos últimos 50 anos
mais de 507 situações de tensão
motivadas pela escassez ou controle da água
foram registradas em todo mundo. Vejamos dois
exemplos:
1)
Em meio ao conflito Israel-Palestina, a luta pelo
estabelecimento das fronteiras territoriais incluem
uma acirrada disputa pela água. Israel
apropriou-se de boa parte da água da Cisjordânia.
Para explorar a própria água, palestinos
precisam de autorização de Israel
e seus poços devem obedecer um limite estabelecido
pelo governo israelense. Israelitas não
sofrem nenhuma restrição.
2) Na Bolívia, o governo fez um acordo
com o FMI para privatizar o controle dos sistemas
de água (através da Lei 2029) e
colocou-o nas mãos da transnacional Bechtel.
Tal medida era condição para que
o país conseguisse renegociar sua dívida
externa com os organismos internacionais. A mercantilização
da água gerou uma enorme revolta na população,
que organizou um levante popular que culminou
em uma greve geral que revogou a Lei 2029 e reconquistou
o controle da água pelo Estado (7).
Notas:
1. Revista Galileu, nº 140, março
de 2003.
2. Revista National Geograhic, ano 3, nº
29, setembro de 2002.
3. In: ANA (Agência Nacional de Águas
do Brasil)
4. Segundo o geólogo Aldo da Cunha Rebouças,
in: Revista Galileu, nº 140, março
de 2003.
5. Idem.
6. Pesquisa Nacional de Saneamento Básico
do IBGE.
7. In: Jornal Brasil de Fato; várias edições.
Conclusões
Apresentamos
a seguir três argumentos conclusivos para
o debate:
1)
A realidade que se impõe revela que não
se pode mais tratar o problema da água
como irrelevante e que este deve ser objeto de
análise do curso de Relações
Internacionais. Muitos movimentos, debates e acordos
estão tratando deste que já é
e será um problema crucial no cenário
internacional do porvir.
2) A transformação da água
em mercadoria e o controle de gestão por
parte de empresas transnacionais é um equívoco.
Primeiro, porque a água é um bem
comum e vital à humanidade e a sua transformação
em mercadoria leva necessariamente a uma situação
de controle de riquezas e, em última instância,
da vida de uma parcela infinita de habitantes
do planeta. Conforme denunciado por ONG´s
e outros movimentos sociais, se a água
for controlada pelas “forças do mercado”,
cujo objetivo é comercial, não haverá
nenhum compromisso de que a água chegue
às regiões mais pobres do planeta.
3) Apesar de concordarmos com a necessária
conscientização da população
sobre a utilização racional da água,
não cremos que este seja o problema mais
importante, ou seja, não se resolve o problema
só com essa medida.
É necessário um investimento maciço
dos governos em instalações às
atividades humanas, que permitam a melhoria das
condições de coleta, distribuição
de tratamento da água; saneamento básico
e acesso universal à água potável;
infra-estrutura para a indústria e agricultura
utilizarem os recursos hídricos racionalmente,
etc.
Mas
e os gastos? Segundo a OMS (Organização
Mundial de Saúde) para cada US$ 1,00 investido
em saneamento, US$ 4,5 são economizados
em despesas com saúde pública. Portanto,
o debate de política pública não
pode ser reduzido a orçamento; tem de estar
pautado por prioridades.
Eduardo
Ferreira de Oliveira & Orliano Trindade da
Cunha
Acadêmicos do 3º semestre de Relações
Internacionais e membros do conselho editorial
de Data Venia.
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|
II
Semana Diplomática
“Desenvolvimento
latino-americano: o estado da arte” foi
o tema geral escolhido para análise, na
2ª edição da Semana Diplomática,
evento promovido pelo curso de Relações
Internacionais do Centro Universitário
Belas Artes de São Paulo, no período
de 28 a 30 de outubro do corrente ano, contando
com a presença de ilustres convidados.
De modo mais específico
serão abordados pelos respectivos palestrantes
os seguintes temas.
28-10-03 * Política
Externa Americana: um olhar sobre a América
Latina *
Sr. Michel Toyryla – Vice-Cônsul dos
EUA em São Paulo.
Sr. Jadiel Ferreira de Oliveira – Embaixador
do Itamaraty em São Paulo.
Mediador: Prof. Raimundo F. de Vasconcelos –
Febasp.
29-10-03 * Integração
Regional na América Latina: da Aladi à
Alca *
Sr. Amadeu da Costa Ribeiro – Diretor-Geral
do Parlatino.
Mediador: Prof. Paulo Tempestini / Febasp.
30-10-03 * Apresentação
em vídeo sobre o tema: “A paz é
possível”.
Comentado e analisado pela Profa. Rita Biason
/ Febasp.
31-10-03 * “Performances
das ONGs educativas”.
Sr. Antonio Eleilson Leite _ Coordenador-Geral
da Abong/SP.
Mediador: Prof. Flávio Rocha de Oliveira
/ Febasp.
A II Semana Diplomática
também abriu espaço para lançamento
do livro As Imagens do Cinema Mudam a Realidade?
De autoria do Prof. Dr. Sidney Ferreira Leite,
historiador e docente no curso de Relações
Internacionais, o qual autografou exemplares da
referida obra no dia 29-10-03, a partir de 21h30,
no hall do Auditório Prof. Raphael Galvez
- Unidade II, sede da Belas Artes.
IX
Conesul
A
Universidade Estácio de Sá, do Rio
de Janeiro/RJ, foi sede do IX Encontro de Graduados
e Estudantes de Relações Internacionais,
de 25 a 28 de outubro/03. Estará em discussão
o tema “América Latina hoje: caminhos
para uma agenda sustentável”.
Dentre os participantes
estiveram presentes Celso Amorim, ministro das
Relações Exteriores do Brasil; o
embaixador João Clemente Baena Soares,
presidente da Univ. Estácio de Sá
e demais autoridades acadêmicas.
No referido evento, nosso
Curso se fez representar pelos acadêmicos
do 2º semestre, Atila Berardinelli e Rafael
Resende.
Colóquio
sobre Engels e Marx
O
Cemarx – Centro de Estudos Marxistas do
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
(IFCH) da Unicamp, realizou encontro sobre “Marxismo
e Socialismo no século XXI, de 04 a 07
de novembro/03.
Este evento reuniu especialistas
de várias Instituições de
Ensino Superior (IES) como Unicamp, Unesp, USP,
Ufal, Universidade de Paris etc. O Unicentro Belas
Artes esteve presente através do Prof.
Dr. Nilson Araújo de Souza, o qual fora
convidado para uma Mesa Redonda, a fim de debater
o tema “As novas forças produtivas
do capitalismo e o movimento socialista”,
juntamente com os professores Benedito Rodrigues
Moraes Neto (Unesp) e Ruy Braga (USP).
RFdV.
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IV
FoMerco
“A América
do Sul como prioridade do Brasil” é
o tema a ser debatido pelos participantes do IV
Encontro Anual do Fórum Universitário
Mercosul – FoMerco, de 5 a 7 de novembro
do ano em curso, cuja sede será a Universidade
Estadual de Maringá/PR.
SOI
2003
Pela
primeira vez realizar-se-á a Simulação
de Organismos Internacionais – SOI/2003,
a qual contará com a participação
de universitários de todo o Brasil, os
quais simularão situações
negociadoras, consensuais e conflituosas, objetivando
desenvolver nos estudantes partícipes,
capacidades perceptivas e compreensivas de fatos
com amplitude global.
Tal
evento ocorrerá de 20 a 23 de novembro/03,
na Universidade Federal do Rio Grande do Norte
– UFRN. Maiores informações
poderão ser obtidas no seguinte endereço:
soiufrn@yahoo.com.br
Fórum Social Brasileiro
A
cidade mineira de Belo Horizonte sediará,
de 6 a 9 de novembro/03, o Fórum Social
Brasileiro, uma variante do Fórum Social
Mundial, colocando em discussão temas como:
“As alternativas de integração
na América Latina e no mundo”; “a
Alca e a globalização”; “A
inserção do Brasil no contexto mundial”,
dentre outros. Maiores esclarecimentos poderão
ser obtidos no endereço eletrônico:
organizacao@fsb.org.br
RFdV. |
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Livros
& sites
Aquisições
recentes de nossa biblioteca (textos didáticos):
1. Mirtô, Fraga.
O conflito entre tratado internacional e norma
de direito interno.
2. Araújo, Nádia
de. Direito Internacional Privado.
3. Coelho, José
Teixeira. Língua, discurso, sociedade.
Sites
estrangeiros sobre Direito Comparado
Electronic
Journal of Comparative Law
http://law.kub.nl/ejcl/index.html
Hastings
International and Comparative Law Review
http://www.ejil.org/index.html
E
sobre Direitos Humanos
Anistia
Internacional
http://www.amnesty.org/
Tribunal
Internacional de Justiça de Haia
http://www.icj-cij.org/
RFdV. |
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Os Templos de Deus
Dilma
Mello
São
vários, inúmeros e infinitos
Alguns feitos de carne, osso, flores e frutos
surgidos há anos e anos atrás.
Não se sabe bem de onde vieram
mas, carregam em si o amor e a fé.
Fazem
parte de Templos maiores (maiores???)
Alguns, construídos com pedra e areia
outros, de sangue, suor e hipocrisias,
semeando a riqueza de uns
e temores e esperanças falsas de outros
Quanto
Poder
na mão de poucos
ou na mão de muitos tolos
que se deixam enganar porque...
eles precisam. (Precisam???)
Escolhi
meu Templo.
Ele não está em um só lugar
ele é o Lugar.
É o ar que respiro,
o sol que me queima e aquece
O
céu é a minha imagem,
as estrelas as velas
que iluminam minha oração
e o solo meu altar.
O infinito são os ouvidos de Deus
e ele me ouve.
Meu amor à vida é a oração
Não
sou menos religiosa
que os outros.
Quem sabe seja até mais
porque minha fé é um sentimento
e extrapola paredes,
crenças, reis, leis e castigos
Mas,
minha Fé infinita e rebelde
me faz pequena
porque não aceito mandamentos.
Não faço parte do rebanho quase
sempre cego
que segue seus pastores
Não
aceito intermediários
e por isso sou o lobo
ao invés do cordeiro.
No entanto, insisto...
O Pai é nosso
apesar dos Templos.
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Washington
Olivetto – Doutor Honoris Causa.
No último dia vinte
e nove de setembro/03, o Centro Universitário
Belas Artes de São Paulo concedeu seu primeiro
título honorífico, agraciando com
o diploma de Doutor Honoris Causa, o ilustre brasileiro,
Washington Olivetto, publicitário prestigiado
nacional e internacionalmente.
A cerimônia de premiação
contou com o maciço apoio e participação
da Comunidade Febaspiana: Reitor, Pró-Reitores,
Diretores, Coordenadores, Professores, Alunos,
Chefias e Colaboradores técnico-administrativos,
além das ilustres presenças da atriz,
Regina Duarte; do escritor, Fernando Moraes, dentre
outros convidados.
Parabéns ao Doutor
Olivetto! Com o aplauso e respeito da Comunidade
Febaspiana!
RFdV.
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Informes
do processo seletivo
Os mantenedores do Centro
Universitário Belas Artes de São
Paulo, cônscios da realidade sócio-econômica
do nosso país, decidiram reduzir o valor
das mensalidades de seus cursos para os ingressantes
nos primeiros semestres com início em 2004/1.
O mais importante foi que,
nessa tomada de decisão, a redução
de preços manteve inalterado o tradicional
padrão de qualidade inerente à Belas
Artes, beneficiando portanto, os mais recentes
membros da Comunidade Febaspiana.
No caso específico
de relações internacionais, continua
crescente a demanda pelo curso. Tanto assim que
no próximo semestre letivo, contaremos
também com uma turma no período
matutino.
O nível dos candidatos
de um modo geral continua elevado, fazendo que
o percentual de reprovação se situa
ao redor de 10%.
Congratulamo-nos com todos
aqueles que nos procuram.
Sejam
bem vindos ao nosso Curso!!!
RFdV.
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Caroline
and Pedro ask...
O texto a seguir resultou
de um trabalho realizado por dois alunos do 3º
semestre de Relações Internacionais
do Unicentro Belas Artes, Caroline Reis e Pedro
Figueroa, para a disciplina de Inglês Instrumental
I, sob a orientação da Profa. Elivalda
Pires Ambiel.
Os referidos alunos optaram
por entrevistar uma pessoa com experiência
internacional, a qual é responsável
por uma Cia. Trading, atuando no Brasiol há
bastante tempo, sendo originária da Nova
Zelândia. Acompanhem abaixo os principais
trechos da entrevista.
Interview
with Mrs Alison Askew
By Pedro Figueiroa and Caroline Reis
September,
2003
This interview was recorded at Alison´s
house in Jardins. Our aim was to ask Mrs Alison
her point of view over relative issues in International
Relations. We hope this work will be useful for
everybody.
Pedro
- We are now here to enterview Mrs Alison Askew.
She works in a trading in Brazil and she is from
New Zealand. She also teaches English for businessmen
in Sao Paulo...
Alison
- And women!
Pedro - And women of course!
Alison has been living in Sao Paulo for ten years
and lived in capitals such as London, New York,
Hong Kong, so...
Alison
- That´s right, and other places such as:
Sweden, Germany, Scotland, Australia.
Pedro
- That´s quite a good life experience.
Carol
- Better than ours.
Alison
- But you guys are young. You´ve got your
whole life ahead of you yet. You are doing international
subjects, there will be lots of opportunities
ahead, you´ve gotta take them, I took them.
Pedro
- Ok. So, Mrs Alison, to start off, what are your
expectations for the remaining three years of
Lula´s Government in relation to your professional
area? Are you optimistic for that?
Alison
- Well I´m not sure, it seems that
he has started slowly let´s say, and as
far as I can see that´s what he’s
done so far, he has been continuing Cardoso´s
work, which I think is a good thing. But I don´t
know whether the people that has voted for the
PT if that was exactly what they were expecting
because his mandate I think was to eliminate the
poverty and the PT was dedicated itself to improve
the lack of equality in this country and I don´t
think he´s done either of those things.
Carol
- If any foreigner would ask your opinion, would
you suggest Brazil as a good place to make bussiness
at the moment?
Alison
- Depends on the business that you are
going to do, if it was anything related to retail
or manufacturing than I would say no, because
of the country risk in Brazil, which is always
high as we´ve seen in the past with devaluations
etc. But having said that, a friend of mine this
very week set up a business here in Jardins and
in the first three days he did what he budgeted
to do in three months so you can never tell.
Carol
- And in your area, trading area, do
you think it´s good?
Alison
- Ah, again the problem is the country
risk. I think the interest rates are very high
so as we all know Brazil is stagnated. I think,
the headlines today in the papers were that Brazil
is under recession. Makes it hard, things are
complicated at the moment, very complicated.
Pedro
- Now, are there any obstacles in Brazil laws/regulations
for your business or personal life? Do you think
the laws in Brazil are helpful or either slow
and bureauratic?
Alison
- I´d say it is very bureaucratic, compared
to some open cities or countries like Hong Kong:
it was a very easy place to do business. You go
there to open a bank account for example, I remember
very well doing this, you just needed your passport
and five minutes later you´ve got your bank
account open. To do the same thing in Brazil there
are a lot of bureacracy, it seems that they don´t
want you to open the bank account. They don´t
make it particularly easy, the bureaucracy is
old fashioned, slow and it needs to be reorganize,
fine tuned.
Carol
- And as an international observer, how would
you evaluate Lula´s position over Iraq´s
war?
Alison
- I think that´s something cultural.
I´m sure that most of the Brazilian people
supported his stand against it. But it´s
a cultural thing, for me, my background is British,
we´ve always had a very strong sense of
democracy. If those people were suffering, the
British reaction was always been to step there
and help them. The same as they did with Nazi-Germany,
this was another example. But I think it´s
cultural, it´s my culture, that´s
the way my father, grandfather, all my grandfather
before has done before, as I say it´s culture,
here we don´t have this culture, so that´s
maybe why the Brazilian people and Lula were against
it. I can understand his position, but it isn´t
mine.
Pedro
- Alison, can you tell us what makes you stay
in Brazil? You´ve lived in many places such
as London, Hong Kong, what makes you stay here,
what are the characteristics you find attractive?
Alison
- Well as a foreigner here, I have a very privileged
life that I wouldn´t have in another places.
I love the weather. For me now to live in those
cold countries after ten years it wouldn´t
be easy, so I love the weather. The Brazilian
people are wonderful. São Paulo is a difficult,
a tough city to live in but there are wonderful
places to go very close to here. I love the way
of life in Brazil. I just think it´s a shame
that Brazilian people has to suffer with the series
of disasters really in terms of the governments
that they´ve had, things like Collor and
all of those things that have happened in History.
Brazilian people deserve a lot more then that,
they are fighters.
Carol
- And now with some many foreigners that
live in Brazil, what do you think is most attractive
for them to come here?
Alison
- That´s a good question. Most people, all
people that I know I would say, have been sent
by their companies or else. English, Australian
men have married Brazilian women and so they come
here looking for opportunities. Many of them find
them. Most of them, stay, they don´t leave.
Or they have been sent by a company, like in my
case, my husband was sent here by a company. Of
course many of them leave, but as foreigners we´ve
got a very privileged life style here.
Carol
- Do you think Brazilians feel thretened?
Alison - No, what´s
the population in Brazil? One hundred and fifty
million, I don´t know how many foreigners
there are, a few thousant. No, not at all.
Carol
- But they get the best jobs...
Alison
- No I don´t think they get the best jobs.
I think they come initially to lead a company
when the company is new, but after two or three
foreigners have done their jobs they would hand
it over to Brazilians very competent managers.
Carol
- Do you feel like leaving Brazil?
Alison
- Not in the first able future. I suppose
one day I will. But not on the next two or three
years. I´ve still got many things to learn
about Brazil.
Carol
- Thank you so much!
Alison
- My pleasure!
Pedro
- Thanks very much for your time!
Alison
- Not at all! It was my pleasure.
DATA
VENIA agradece pela entrevista.
Seja
um acadêmico de sucesso
Torne-se um profissional respeitado
Venha dialogar com o mundo e
Seja diferente
Faça R.I. na Belas Artes
RFdV. |
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| Editor
e revisão técnica:
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Raimundo F. de Vasconcelos |
Dilma Mello
Fátima Schoendorfer |
João de Oliveira
Secretária
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Dilma Mello
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