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DATA
VENIA é a revista
eletrônica do Curso de Relações
Internacionais do Centro Universitário Belas
Artes de São Paulo. De periodicidade trimestral,
seu conteúdo não necessariamente coincidirá
com o pensamento da FEBASP, mantenedora desta Instituição,
mas será de inteira responsabilidade dos autores
que subscreverão suas respectivas matérias.
As colunas
serão alimentadas pelos professores do Curso,
contando-se também com a colaboração
do alunado, da Comunidade Febaspiana como um todo,
e apenas marginalmente, ocorrerá a participação
de colaboradores externos à Instituição.
Além
de divulgar as notícias relacionadas ao Curso,
as matérias publicadas reportar-se-ão
às sociedades nacional e internacional, através
de textos inéditos e não muito extensos,
acolhendo-se também material redigido nos idiomas
inglês e espanhol.
O conteúdo
divulgado em DATA VENIA pautar-se-á pelo balizamento
ético e pluralismo das idéias, as quais
autoriza-se sua reprodução por quaisquer
meios desde que se mencione suas respectivas fontes.
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Por
quem os sinos dobram
Há
quase setenta anos atrás, o número
estimado de mortos na guerra civil espanhola,
ao longo de três anos (1936/39), remontou
a um milhão de pessoas. Esse resultado,
à primeira vista de longe suplanta as duzentas
vítimas fatais da última tragédia
ocorrida em solo madrilenho, em 11 de março
último, mesmo adicionando-se as quase duas
mil vítimas sobreviventes desse trágico
episódio.
Entretanto,
os registros midiáticos classificaram este
recente ataque terrorista como o pior já
acometido sobre a nação espanhola.
Diferenças à parte, talvez isso
se deva à imprevisibilidade (do ataque),
à instantaneidade no número de vítimas
inocentes, à escolha aleatória(?)
das mesmas, ao fator surpresa ou à invisibilidade
do(s) agressor(es), à insanidade de certos
indivíduos ou agrupamentos de fanáticos
religiosos, suas ilimitadas brutalidade e intolerância.
Afinal,
quanto vale uma vida humana? Não sabemos
calcular. Nem mesmo os economistas o sabem. E
eis que se impõe a relevante distinção
entre valor e preço. Portanto, uma tragédia
é o que é, e não devemos
mesmo qualificá-la pelo montante de suas
vítimas, mas por suas causas e conseqüências,
além dos impactos provocados.
Viver
é muito perigoso, já dizia Guimarães
Rosa. E nos dias atuais pior ainda, quando o perigo
está em toda parte, quando o inimigo está
presente, mesmo que não tenhamos inimizades;
mesmo distante estando do inimigo do amigo, ainda
assim sentimo-nos amedrontados, ameaçados,
inseguros e atingidos.
Flagelos
há cujos efeitos são instantâneos,
efêmeros, alguns mais prolongados e já
outros teimam em continuar. Nesse contexto, facilmente
visualizamos, em cenários diversos, vitimados
de enfermidades, da fome, da miséria e
do atraso; da tirania, opressão e intolerância
de certos governantes; da covardia e crueldade
de agressores sem rosto e insanos; da insensatez
e devaneios de alguns líderes, no papel
de protagonistas e coadjuvantes.
A
fatura a pagar por tudo isso é imensa e
enquanto os espanhóis sepultavam seus mortos,
já especulava-se quem serão as próximas
vítimas. Ao invés disso, mais proveitoso
seria discutir mecanismos impeditivos à
efetivação de resultados decorrentes
dessas especulações macabras.
Quem
sabe um bom começo esteja na redução,
quiçá eliminação do
sofrimento de outros vitimados, a exemplo de afegãos,
iraquianos, tchetchenos, palestinos, haitianos
e tantos outros mundo a fora, incluindo-se até
mesmo os inquilinos de Guantânamo.
A
fome e sede de justiça, particularmente
no mundo subdesenvolvido e em desenvolvimento,
denota imenso passivo a ser saldado cujas perspectivas
remotas e sombrias, nessa direção,
são contributos à plataforma de
atuação do terrorismo, cimentada
ainda pelo fanatismo religioso.
Todavia,
os instrumentos por ele utilizados e seus nefastos
resultados são provas de que os fins justificam
alguns meios, não todos, porquanto existem
formas alternativas de luta, corroboradas ainda
pela legalidade e legitimidade.
O
apartheid social entre o Norte e o Sul não
se estreitará apenas com democracia e livre
comércio, mesmo porque a primeira não
se impõe, conquista-se; já este
último, precisa estabelecer um fluxo de
mão-dupla, destravando a via que flui de
dentro para fora e não apenas de fora para
dentro, em prejuízo dos países do
Sul, configurando mais peça de retórica
a tão apregoada liberdade comercial, porquanto
travada por subsídios, acordos bilaterais,
dentre outras barreiras.
E
a perdurar esse fosso mundial com sua injustiça,
permanecerá também a insatisfação
que por sua vez, incubará a intolerância
latente a qual desaguará nas mais variadas
formas de violência, ou seja, injustiça
+ insatisfação + intolerância
= violência, e o ciclo recomeça,
face à tendência reprodutiva desta
última .
Assim,
no produto dessa equação só
há perdedores, pois os vencedores se encontram
fora daquele resultado. No caso em tela podemos
dizer que venceu a democracia. Venceram os eleitores
espanhóis, ao praticarem a liberdade de
escolha no exercício da cidadania. Felizes
são aqueles com capacidade para fazerem
escolhas.
Quem
sabe esse resultado sirva de inspiração
à mídia e também àqueles
eleitores do outro lado do Atlântico que,
em novembro próximo, terão a chance
de escolher um mandarim a protagonizar a liderança
na sociedade internacional.
Que
a escolha recaia na direção do ideário
multilateralista, mais sintonizado, portanto,
com os rumos requeridos pelo atual ordenamento
internacional, no qual americanos e europeus terão
de se unir não apenas na dor, na tristeza
e no luto, mas sobretudo nos esforços por
um mundo pacífico e mais justo, sem o derramamento
do sangue, suor e lágrimas de inocentes
por quem os sinos dobram.
Raimundo
Ferreira de Vasconcelos
Doutor em sociologia e mestre em economia política.
Coordenador e Professor do curso de relações
internacionais,
no Unicentro Belas Artes de São Paulo.
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*Relações
Internacionais - um Campo em Constantes Mudanças
O campo institucional das Relações
Internacionais passa por um momento de grandes
alterações e, principalmente, a
partir dos anos 80 e 90 deixou de ser exclusividade
dos diplomatas. De fato, as preocupações
sobre a ordem internacional passaram a ocupar
lugar destacado na agenda de amplos segmentos
da iniciativa privada e da sociedade civil. Uma
jovem estudante de Relações Internacionais
da PUC/MG definiu com simplicidade e clareza a
ampliação do campo de ação
da área em questão quando declarou:
”desenvolver projetos sociais junto a organizações
internacionais é fazer Relações
Internacionais, mesmo não sendo diplomata,
não estando no Itamaraty”. Em outras
palavras, as Relações Internacionais
estão diretamente vinculadas, por exemplo,
à idéia de responsabilidade social.
Nessa perspectiva, não é exagero
sustentar que o campo das Relações
Internacionais passa por uma verdadeira revolução
(Rilton Pimentel, “Responsabilidade social
compõe o novo perfil das relações
internacionais”. site Aprendiz,
30/01/2003).
Nesse
cenário de amplas e profundas mudanças,
a oferta de vagas nos cursos de graduação
em Relações Internacionais cresceu
significativamente na última década,
principalmente na cidade de São Paulo,
o centro econômico e financeiro do país.
Tal crescimento está relacionado diretamente
ao processo de globalização e a
sua conseqüência mais direta é
a internacionalização da economia
e a hegemonia do capital financeiro. Nesse contexto,
a possibilidade de atuar numa área profissional
que está na ordem do dia, seduz muitos
jovens. Todavia, esses, muitas vezes, optam pelo
curso sem ter o conhecimento mínimo sobre
a área de conhecimento em questão,
a matriz curricular do curso e sobre o mercado
de trabalho. Assim, o principal objetivo do presente
artigo é contribuir para o conhecimento
das principais características do campo
de atuação do graduado em Relações
Internacionais.
I.
O campo de estudos das Relações
Internacionais
Como
a História, as Relações Internacionais
possuem a mesma expressão para designar
o campo de saber e o objeto de investigação.
Esse fato provoca não apenas dificuldades
de expressão, mas reforça um certo
ranço positivista contido nessa importante
esfera da realidade contemporânea. Faz-se
necessário recorrer a outros campos de
saber para obliterar essa perigosa ambigüidade.
O
conceito de campo foi sistematizado com mais rigor
pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu.
Segundo Bourdieu, os indivíduos se situam
em diferentes posições dentro de
campos de saber e profissional, ambos foram institucionalizados
ao longo da modernidade. Em tais campos, os indivíduos
assumem posições e tornam-se parte
de um conjunto estável e definido de regras,
recursos e relações socais. Como
sustentou o sociólogo francês, todos
os campos de saber e profissional têm a
sua própria historicidade e um momento
específico de institucionalização
(Ver a análise do assunto em John B. Thompson.
A Mídia e a Modernidade,
Petrópolis, Ed. Vozes, 1995).
No
que se refere à institucionalização
do campo em questão, algumas vicissitudes
parecem nítidas. As Relações
Internacionais se estabeleceram como área
de conhecimento independente, no início
do século passado. Em outras palavras,
o saber sobre a ordem internacional, os seus conceitos,
categorias e regras que passaram a definir o estudo
das Relações Internacionais como
área de conhecimento específica,
tem pouco menos de um século. Pois, o arcabouço
teórico-metodológico foi estabelecido
com mais clareza quando se encerrou a 1ª
Guerra Mundial, em 1918. Naquele contexto, que
o historiador britânico Eric Hobsbawm definiu
como era do massacre, o objetivo fulcral dos diplomatas
foi estabelecer um conjunto de regras que contribuísse
para evitar a emergência de conflitos similares
ao que ocorrera durante quatro anos e que dizimou
a vida de aproximadamente oito milhões
de europeus, destruiu boa parte do parque industrial
e da economia do continente e liquidou a ordem
estabelecida pelo Congresso de Viena.
O
caminho delineado foi a tentativa de elaborar
e consagrar princípios, normas e instituições
capazes de regular e intermediar os litígios
e conflitos de interesses por meio de negociações
que tivessem como objetivo a sua resolução
de forma pacífica e fundamentada no espírito
cooperativo. Porém, a emergência
dos regimes nazi-fascistas no Entre-Guerras (1918-1939),
a crise da economia capitalista, em 1929, e a
eclosão da nova guerra mundial, em 1939,
contribuíram decisivamente para o fracasso
dessa concepção de Relações
Internacionais que passou denominada, não
sem uma dose de menosprezo, de idealista e, concomitantemente,
fortaleceu a percepção da ordem
internacional através da interpretação
que se autoproclamou realista.
Nesse
quatro de redefinições da ordem
internacional marcado pela eclosão e o
fim da 2ª Guerra Mundial e a simultânea
emergência da Guerra Fria teve como corolário
o ocaso da ordem multipolar e a implantação
da bipolaridade. Durante os 45 anos de vigência
da Guerra Fria, a luta pelo poder e pela hegemonia
passou a ser definida como o aspecto decisivo
para a compreensão do comportamento dos
Estados. Assim, o conceito de poder influenciou
tanto os estudos, quanto à própria
condução da política exterior
pelos governos dos Estados-nacionais. A rigor,
durante a Guerra Fria os temas relacionados às
estratégias, ações militares,
o equilíbrio de poder e a atuação
dos Estados como atores principais no sistema
internacional estiveram na ordem do dia.
Todavia,
a partir dos anos 60 foi possível detectar
uma ampliação na agenda de temas
que preocupavam os estudiosos das Relações
Internacionais como: a incorporação
de novos atores ao campo de estudos, notadamente
os tópicos relacionados ao desenvolvimento
econômico, desigualdade social e o crescimento
das organizações governamentais
e não-governamentais; muitas dessas com
atuação internacional. Nesse contexto,
os estudiosos passaram a dedicar maior deferência
não apenas às ações
e interesses do Estado, como de suas respectivas
políticas externas que levavam a cabo,
mas a um sistema de referências mais amplo
de tópicos, incorporado ao campo de investigação
dos especialistas em Relações Internacionais,
tais como: os processos decisórios, a atuação
dos atores não-estatais e as novas formas
de regulação e cooperação
internacional.
III.
Da bipolaridade para a multipolaridade
O
fim da Guerra Fria em fins dos anos oitenta e
início dos noventa propiciaram uma série
de alterações no campo das Relações
Internacionais. As questões relacionadas
ao poder dos Estados, à sua capacidade
de elaborar estratégias de ação,
definir os seus interesses e a corrida armamentista
foram colocadas em um plano secundário.
A ordem internacional deixou de ser bipolarizada,
avançou em direção ao multilateralismo
e novas preocupações passaram a
orientar o trabalho do profissional de Relações
Internacionais.
Nesse
contexto de mudanças, o Brasil passou a
vivenciar novas perspectivas. A crescente internacionalização
da economia contribuiu para aproximar, por exemplo,
o Ministério das Relações
Exteriores dos empresários nacionais. Esses
em geral sempre foram historicamente aversos às
questões de política externa. Porém,
com a crescente internacionalização
da economia, passaram a somar esforços
no sentido de acompanhar atentamente o dinâmico
cenário internacional, em especial os movimentos
do comércio. Como demonstra Roberto Teixeira
da Costa, presidente do conselho de administração
do Banco Sulamérica e representante dos
empresários brasileiros no Conselho de
Empresários da América Latina, apenas
nos últimos anos percebeu-se maior interesse
dos empresários em discutir temas relacionados
à inserção do Brasil no exterior,
tarefa até então exclusiva dos agentes
do Estado. Na visão do empresário
em questão: “diante do quadro cada
vez mais complexo, o Itamaraty, ainda que de uma
forma não definida, busca um diálogo
ampliado com o setor privado, para discutir uma
pauta comum e até dividir responsabilidades”.
Segundo sua interpretação, a Cúpula
de Miami, realizada em 1994, contribuiu decisivamente
para o estabelecimento de um diálogo mais
afinado e freqüente entre empresários
e governos. Diálogo que não apenas
se faz necessário como indispensável
para tornar os produtos de exportação
nacionais competitivos (Costa, Roberto Teixeira
da – “A política externa se
aproxima dos empresários”. In: Carta
Internacional, Ano VI, n. 59, jan. 1998).
No
campo do saber, ao longo dos anos oitenta, ocorreu
o aprofundamento do diálogo com as ciências
e disciplinas afins. Assim, a ortodoxia que caracterizava
essa área de conhecimento cedeu espaço
para a emergência de uma percepção
mais plural, multidisciplinar e transdisciplinar
dos fenômenos presentes na ordem mundial
no cenário do pós-Guerra Fria. O
diálogo com outros campos de saber foi
condicionado, em grande medida, pela maior complexidade
da ordem internacional. Assim, nos últimos
vinte anos a questão do desenvolvimento
econômico e social, o meio ambiente e direitos
humanos entraram definitivamente no campo de estudos
das Relações Internacionais. Em
outras palavras, o objeto de estudo ampliou-se:
“a nova sociedade pós-industrial
requer novos instrumentos, novas metodologias
e instâncias institucionais que aperfeiçoem
a diplomacia clássica e incrementem a qualidade
das tarefas das missões diplomáticas”.
As mudanças contribuíram para o
crescente interesse sobre a ordem internacional
e para as atividades desenvolvidas pelo profissional
de Relações Internacionais. De fato,
pode-se afirmar que no momento, tais estudos vivem
um período que pode ser definido como auspicioso;
marcado entre outros aspectos, pela revisão
de antigos paradigmas e a elaboração
de conceitos e categorias. Novos desafios são
colocados para as Relações Internacionais,
não apenas como objeto, mas como campo
de investigação e atuação
profissional.
IV.
Perfil profissional: novos e velhos desafios
Qual
a essência da diplomacia e dos diplomatas?
Para Paulo Roberto de Almeida, estudioso do tema:
“os diplomatas constituem, no plano da política
externa, os ideólogos dos estados modernos.
Eles estão sempre procurando soluções
inovadoras para os velhos e novos problemas das
Relações Internacionais, combinando
propostas singelas de melhoria da situação
mundial como o corolário e a expressão
mais imediata dos interesses concretos de seus
respectivos países”. Após
as inúmeras e profundas mudanças
na ordem internacional, relatadas acima, a sua
função profissional principal passou
a ser principalmente o processamento de informações.
Assim, há pelo menos três grandes
segmentos no qual esse profissional pode atuar:
a) no governo (setor publico), em especial, na
diplomacia, b) no mundo acadêmico, atuando
como professor e pesquisador e c) no setor privado,
cujas opções se renovam e se multiplicam
(Almeida, Paulo Roberto de - Dez Regras Modernas
de Diplomacia. IN: Revista Espaço
Acadêmico, ano I, n. 04, set. de
2001).
A
profissionalização no campo das
Relações Internacionais tem avançado
significativamente no Brasil. Tal avanço
foi impulsionado principalmente pelas perspectivas
oferecidas pelo mercado de trabalho na área.
Há algumas décadas atrás,
a perspectiva de atuação profissional
ficava restrita ao campo diplomático tradicional.
Porém, atualmente foram agregadas novas
atividades como, por exemplo, a crescente necessidade
dos governos de especialistas na área,
com o processo de integração regional,
notadamente após a criação
do Mercosul e o aumento da mobilidade do capital,
câmaras de comércio, consulados e
embaixadas, as confederações sindicais
patronais e de trabalhadores, as organizações
não governamentais, assessoria técnica
em organizações internacionais,
órgãos de comunicação
e a área acadêmica.
A
diversificação das atividades delineia
novos desafios, pois o profissional necessita
possuir um conjunto múltiplo habilidades,
tais como: ser capaz de pesquisar, ensinar, aconselhar,
assessorar e executar. Nesse contexto, os cursos
de graduação devem repensar constantemente
os seus projetos pedagógicos, pois os discentes
devem ser capazes de exercitar o censo crítico,
identificar e avaliar cenários, adquirir
capacitação técnica básica,
desenvolver as suas capacidades de comunicação
e de liderança, elaborar estratégias
de ação, conhecer padrões,
regras e procedimentos das principais organizações
internacionais, conhecer e analisar tratados e
acordos internacionais relevantes, compreender
e propor intervenções e saber utilizar
os conhecimentos adquiridos ao longo do curso.
Para Paulo Roberto de Almeida, uma das dez regras
da moderna diplomacia é ter um domínio
total de cada assunto, dedicar-se com afinco ao
estudo dos assuntos que esteja encarregado e aprofundar
os temas em pesquisas paralelas. Como se vê,
um conjunto amplo e diversificado de atividades.
Para
finalizar, vale citar as 13 lições
que devem ser seguidas, segundo Sérgio
Danese, pelos diplomatas e pelos profissionais
de Relações Internacionais. As lições
são a rigor algumas das principais regras
do campo das Relações Internacionais:
1.
Confie, mas verifique.
2. Quem decide deve ouvir opiniões variadas
e recomendações variadas e conflitantes,
pois a pluralidade de sugestões enriquece
a decisão a ser tomada.
3. Nunca negocie por medo, mas nunca tenha medo
de negociar.
4. Em muitas ocasiões em que tudo parece
exigir pronta e vigorosa ação, vale
seguir o princípio: É urgente, esperar!
5. Quando estiver negociando, estabeleça
quais são os seus objetivos reais e não
procure ganhos adicionais que não têm
haver com esse objetivo, correndo o risco de sacrificar
toda a negociação.
6. Coloque-se sempre nos sapatos do seu adversário,
de modo que você possa ver as coisas através
dos olhos dele.
7. Nunca acue um adversário e sempre o
assista para que possa salvar a sua face.
8. As decisões têm que ter uma base
de legitimidade e não estar apenas respaldada
pela força ou pelo artifício político.
9. As recomendações para o uso da
força têm de ser testadas em todas
as suas conseqüências e implicações
e somente devem ser levadas em conta para adoção
depois de esgotadas todas as demais opções.
10. Em qualquer caso, o uso da força não
pode ser um blefe, nem um argumento puramente
teórico.
11. Nenhuma ação se toma contra
um inimigo poderoso no vácuo, isto é,
é preciso sempre medir as conseqüências
de sua ação.
12. Não tente comprometer publicamente
o seu adversário, nem negociar com ele
pela mídia, sem antes tentar convencê-lo
privadamente e explorar ao máximo as suas
razões e argumentos.
13. Finalmente, como disse certa vez Rio Branco:
“Há vitórias, que não
se comemoram.”
Assim,
como sustenta: ”em política, como
nas relações humanas não
há substituto para a diplomacia. É
falsa a afirmação segundo a qual,
a guerra seja a continuação da política
por outros meios, a guerra é o pior fracasso
da política. Numa negociação
não há outras opções
fora da clareza de objetivos, a firmeza de voz,
a frieza, a paciência e, em especial a sensibilidade
para o poder, às razões e os argumentos
do outro”. Essa dimensão ética
e humanista deve ser a principal motivação
para os jovens abraçarem o campo promissor
das Relações Internacionais ( Danese,
Sérgio- “As lições
dos 13 dias de outubro”. IN: O Estado
de São Paulo, jan. de 2000).
Sidney
Ferreira Leite
Doutor em História e docente no curso de
Relações Internacionais
do Unicentro Belas Artes de São Paulo.
*.
Texto apresentado na Aula Magna proferida pelo
Prof. Sidney Leite, em 03/02/04. Evento receptivo
aos calouros e veteranos de relações
internacionais, intitulado “Diplomatas,
diplomacia e sua praxis: negociar é preciso”,
tendo ainda como palestrante, o Prof. Gilberto
Sarfati.
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Alguém
é insubstituível. Será?
A
velha máxima de que todos nós, pobres
mortais, somos substituíveis, continua
a ecoar pelas diversas organizações.
De fato, é até relativamente fácil
encontrar substitutos para os mais variados cargos
e funções, admitamos. Todavia, o
verdadeiro problema consiste em saber se o substituto
está à altura do substituído.
O que nem sempre ocorre, convenhamos. Mas também
poderá ocorrer o inverso, ou seja, uma
superação por parte do sucessor.
De
qualquer maneira, há pessoas cujo modo
de ser e de agir lhes confere certa singularidade,
parecendo únicas. É o caso do saudoso
Sérgio Vieira de Mello. Entenda porque
com a leitura do oportuno texto publicado pela
Folha de São Paulo, em 14/03/04, de autoria
do embaixador brasileiro e Secretário-geral
da UNCTAD, Rubens Ricupero, reproduzido aqui quase
na íntegra por Data Venia.
Latas
de lixo da história
Por
Rubens Ricupero
Confrontado
certa feita com tragédia parecida à
do Haiti, Kissinger comentou que não havia
nada a fazer, por tratar-se de caso desesperado,
mais apropriado para a lata de lixo. O país
em questão era Bangladesh, o maior dos
LDCs, os Least Developed Countries ou Países
Menos Desenvolvidos. É uma categoria da
ONU que reúne os mais miseráveis
e infelizes entre os pobres /.../.
São
49 nações, das quais 34 africanas
/.../. Alguns /deles/ até que estão
se saindo relativamente bem: Bangladesh –
contrariando a profecia de Kissinger -, Camboja,
Moçambique, Lesoto, Cabo Verde. Muitos,
no entanto, sofrem de uma economia em retrocesso
ou da crescente falência do Estado ou de
ambos.
A
Unctad /.../ identifica cinco indicadores para
medir a regressão do sistema econômico-social:
1)crescimento negativo per capita durante cerca
de dez anos; 2)mortalidade infantil; 3)índice
diário de calorias por habitante; 4)taxa
de crianças matriculadas em escolas primárias;
5)número de mortes por conflitos civis
ou por Aids e doenças do gênero.
Em fins dos 1990s, por exemplo, o Haiti acusava
uma espantosa redução de 41% nas
matrículas do ensino fundamental.
Com
freqüência, a combinação
desses fatores enfraquece tanto o Estado que ele
já não é mais capaz de garantir
à população os serviços
mínimos indispensáveis: segurança
pessoal, sistema judiciário, educação,
saúde, água potável. É
a falência do Estado, que pode chegar ao
colapso quando o governo deixa de existir, quando
ele perde o monopólio da coação
legal, da polícia, da força armada
e proliferam os bandos predadores e os “senhores
de guerra”. É essa a situação
vivida, há mais de década, pela
Somália, país sem Estado.
Diante
disso, não e possível olhar para
o outro lado, como queria Kissinger. Quando se
fez isso em Ruanda ou no Camboja, os resultados
foram genocídios monstruosos de milhões
de vítimas. Finda a invasão soviética
e desaparecida a competição da Guerra
Fria, o Afeganistão /.../ foi abandonado
à própria sorte. Acontece que essa
ma sorte /.../ acabou por atingir aos EUA e ao
resto do mundo. O colapso do Estado e a indiferença
externa levaram ao poder os talebans, criando
a plataforma terrorista que iria explodir no 11
de setembro e mudar a história.
Se
quisermos evitar que haja não apenas um
mas dois, três, vários Afeganistão,
o caminho e um só: o engajamento dos mais
afortunados para, de saída, pacificar e,
em seguida construir instituições
que permitam administrar os conflitos, sem a violência
da guerra civil e o extermínio dos perdedores.
É uma vocação ou especialidade
nova e difícil, na qual a vantagem comparativa
da ONU não receia competidores.
/.../
A fim de fazer diferença no oceano dos
problemas haitianos, seria necessário um
programa de ajuda maciça por mais de 20
anos. Infelizmente, a paciência e a generosidade
dos países ricos, dos quais depende a ONU,
tem pavio muito curto. Desde as intervenções
dos fuzileiros navais americanos da época
do “Big Stick”, de Theodore Roosevelt,
as inúmeras interferências estrangeiras
no Haiti acabaram por tornar-se mais parte do
problema que da solução.
Sérgio
Vieira de Mello foi a expressão mais cabal
de uma vocação que ainda nem tem
nome adequado. /.../ Sérgio nunca trabalhou
para outra organização além
da ONU. Nela ingressou apenas saído da
universidade e percorreu a carreira perigosa da
mais dura das escolas da ONU: o trabalho com os
refugiados.
Lê-se
às vezes que Sérgio era diplomata,
e nada é mais enganoso. Diplomata vem de
diploma, em grego, “documento dobrado ao
meio”. Sem desapreço pela categoria
a que pertenço, essa raiz etimológica
é fiel reveladora da essência de
profissão que, na maior parte do tempo,
se cumpre por meio de documentos, comunicações
escritas entre embaixadas e chancelarias, em ambientes
civilizados.
Da
mesma forma que o nosso Conselheiro Aires, a imensa
maioria dos diplomatas jamais assinará
tratados de aliança, de paz ou de guerra.
Raros terão a experiência dos que
zelam na ONU por campos de milhares de refugiados,
dos que, em situações de perigo
extremo, negociam a proteção de
inocentes com guerrilheiros sanguinários
e psicopatas genocidas.
É
difícil encontrar uma estação
da via-crúcis dos conflitos e tragédias
do último quarto de século em que
não se detecte a presença constante,
a ação inteligente e eficaz desse
brasileiro a quem ficamos a dever os êxitos
de Kosovo /à época/ e de Timor.
Não se trata apenas de obra de pacificação,
mas do que e tão ou mais árduo do
que por fim à guerra: a reinvenção,
a recriação de um país novo.
Esse
desafio de tamanha dificuldade nas condições
do Iraque, necessitava-se combinar idealismo,
destemor, com profissionalismo objetivo e agudo
senso da realidade, o que incluía a obrigação
incontornável de trabalhar com independência,
mas sem antagonizar a potência ocupante.
Ao fazê-lo, não se podia evitar tornar-se
alvo potencial, risco mortal que Sérgio
aceitou por não querer isolar-se do povo.
Um
jornalista americano lembrou que, ao perguntarem
a Kofi Annan por que, após o atentado de
Bagdá, não se enviou ao Iraque um
sucessor para Vieira de Mello, a resposta foi:
“Porque eu só tinha um Sérgio”.
Em outras palavras, Sérgio era único
e ninguém mereceu tanto a bem-aventurança
evangélica: “Abençoados os
que constroem a paz porque serão chamados
de filhos de Deus”.
(RFdV).
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XI
UNCTAD
A
cidade de São Paulo será sede da
XI Conferência Ministerial da UNCTAD, que
pela primeira vez ocorrerá num país
latino-americano.
O
evento transcorrerá de 13 a 18 de junho,
no Centro de Convenções do Anhembi.
Em debate estarão temas como
“Estratégias de desenvolvimento numa
economia globalizada”; “construção
de capacidade produtiva e competição
internacional .
“Parceiros do desenvolvimento” etc.
URBIS
2004
Feira
e Congresso Internacional de Cidades, de 14 a
18 de junho, no Pavilhão de Exposições
Expo Center Norte, em São Paulo.
Esta
será a 3ª edição da
URBIS que, desta feita, adotou o seguinte tema
para discussão: “Cidades e regiões
metropolitanas – estratégias para
o desenvolvimento”.
IX ENERI
O
IX Encontro Nacional dos Estudantes de Relações
Internacionais ocorrerá de 13 a 16 de maio/04,
em Florianópolis - Santa Catarina.
Paralelo
ao ENERI, ocorrerá também a I Conferência
Mundial de Relações Internacionais.
Em debate, “Desenvolvimento & Segurança
Internacional”.
Ainda
estão previstos o II Encontro Nacional
de Empresas Juniores de RI, bem como, a XVIII
Reunião do CONERI.
Um
grupo de acadêmicos de RI do Unicentro Belas
Artes marcará presença, prestigiando
os referidos eventos.
(RFdV).
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Livros-texto:
aquisições recentes
Confira
abaixo a relação de alguns dos livros-texto
recentemente adquiridos para nossa biblioteca,
e que acrescerão o acervo de relações
internacionais.
ALVES,
J.A.L. Relações Internacionais e
temas sociais: a década das conferências.
Brasília: IBRI, 2001.
ARBEX
JR. J. Guerra Fria: terror de Estado, política
e cultura. São Paulo: Ed. Moderna, 1997.
CERVO,
A. L. Relações Internacionais da
América Latina: velhos e novos paradigmas.
Brasília: IBRI, 2001.
FERREIRA,
O. S. A crise da política externa: autonomia
ou subordinação? Rio de Janeiro:
Revan, 2001.
FRIEDMAN,
T. O lexus e a oliveira: entendendo a globalização.
Rio de Janeiro: Objetiva, 1999.
GILPIN,
R. A economia política das relações
internacionais. Brasilia: UnB, 2002.
LESSA,
A. C. A Construção da Europa: a
última utopia das relações
internacionais. Brasília: IBRI, 2003.
MARTINS,
E.C.R. Relações Internacionais:
cultura e poder. Brasília: IBRI, 2002.
MARTINS,
E. C. R. (Org.). Relações Internacionais:
visões do Brasil e da América Latina.
Brasília: IBRI, 2003.
PIO,
C. Relações Internacionais: economia
política e globalização.
Brasília: IBRI, 2002.
RENOUVIN,
P. & DUROSELLE, J. B. Introducción
a la historia de las relaciones internacionales.
México: Fondo de Cultura Económica,
2000.
RICUPERO,
R. Esperança e ação: a ONU
e a busca de desenvolvimento mais justo –
um depoimento pessoal. São Paulo: Paz e
Terra, 2002.
ROCHA,
A.J.R. Relações Internacionais:
teorias e agendas. Brasília: IBRI, 2002.
SARAIVA,
J.F.S. (Org.). Relações Internacionais:
dois séculos de história. Vols.
I e II. Brasília: IBRI, 2002.
SENNES,
R. U. Mudanças da política externa
brasileira nos anos 80: uma potência média
recém industrializada. Porto alegre: UFRGS,
2003.
VAZ.
A. C. Cooperação, integração
e processo negociador: a construção
do Mercosul. Brasília: IBRI, 2002.
VIZENTINI,
P.F. & FORTES, A. (Coord.). Relações
Internacionais do Brasil: de Vargas a Lula. São
Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2003.
(RFdV).
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| Raio-X
da Rússia
Nome
Oficial: Federação Russa
Superfície: 17.075.400
Km2
Localização: Europa
Oriental e Ásia
Principais Cidades: Moscou (capital
do país), São Petersburgo, Nizhny
Novgorod, Novosibirsk, Yekaterinburg, Samara,
Voronezh.
Idioma Oficial: Russo
PIB (2001): US$ 369,0 bilhões.
PIB (2002): US$ 385 bilhões.
PIB “per capita” (2002):
US$ 2.650
Balança Comercial (2002):
Exportações: US$ 107 bilhões;
Importações: US$ 61 bilhões;
superávit de US$ 46 bilhões.
Moeda: Rublo
Religião: Cristã
Ortodoxa Russa (Patriarcado em Moscou)
Indicadores
sócio-econômicos
População:145,200
milhões de habitantes.
Densidade demográfica (hab/Km2):
8,50
*Taxa de analfabetismo: 0,2%
*Mortalidade infantil (por mil nascidos
vivos): 14,6
*Expectativa de vida ao nascer:
65,3 anos
Variação anual do índice
de preços ao consumidor (%): 20,08
(2000); 15,7 (2001)
Reservas internacionais, exclusive ouro
(US$ bilhões): 37,00 (2001), 54,27
(agosto/2003)
Reservas de Ouro e Divisas (US$ bilhões):
57,6 (julho/2003)
Dívida Externa Total (US$ bilhões):
115,4 (agosto/2003)
Investimentos Estrangeiros (US$ bilhões):
48,3 (agosto/2003)
Câmbio (RB / US$ - média):
30,31 (setembro/2003)
Inflação (2002):
14% (previsão de 2003: 10-12%)
Taxa de desemprego: 8,5% (2001),
8% (2002 - 5,7 milhões hoje em dia) da
PEA.
(fontes:
Min. do Desenvolvimento Econômico e Comércio
da Rússia); e *FMI (Country Report, mai/2003).
Elementos
Informativos Federação da Rússia
-
O PIB russo, de US$ 385,0 bilhões (ano
2002), vem crescendo desde há mais de 4
anos.
-
No ano 2002, a Rússia teve um superávit
de 51 bilhões de dólares na Balança
Comercial, em parte face à alta dos preços
do petróleo, pois possui a 6a maior reserva
mundial.
-
O país vem amortizando pontualmente junto
aos credores internacionais seus débitos,
muitas vezes antecipadamente, sem recorrer a novos
empréstimos.
-
Seguindo os ritmos atuais, a totalidade da dívida
externa russa poderá ser quitada até
2011.
-
Em 2000, a economia russa cresceu 7,7%, 5,1% em
2001, e 4,5% em 2002, mais do que a maioria das
potências mundiais, como EUA, Japão,
Canadá, França, Alemanha e outros.
O crescimento da produção industrial
em 2002 foi de 3,7%, denotando a franca recuperação
da economia russa, após a crise de agosto
de 1998.
- O momento é INÉDITO para o desenvolvimento
de relações entre Brasil e Rússia,
não apenas face à estabilização
política e econômica da Federação
Russa, bem como pela aproximação
política entre ambos.
-
Foram firmados acordos operacionais de crédito
entre o Banco do Brasil e os sete principais bancos
russos.
- BNDES e Banco de Desenvolvimento e Comércio
da Rússia estiveram em tratativas para
assinatura de acordo em 2003.
- Foi descoberta uma das maiores reservas mundiais
de petróleo no Mar Cáspio, boa parte
em território russo; superávit russo
deverá ser mantido.
- Moscou: lá existem dezenas de centros
de exposições e 25 shopping-centers
na capital russa. Até 2005, serão
investidos US$ 7 bilhões na construção
de novos centros comerciais e em infra-estrutura
empresarial.
Ingresso
da Rússia na OMC
A
Rússia começou a negociar seu acesso
à OMC no ano de 1995. Mudanças estão
sendo promovidas para atender às exigências
de modificar sua legislação de comércio
exterior, revendo sua política tarifária
(redução de taxas) e eliminando
diversos subsídios e barreiras não-tarifárias
que protegem o produtor russo. EUA, União
Européia, o Japão e o Canadá
já declararam o seu apoio político
à admissão da Rússia.
O Presidente Putin e autoridades da área
econômica estão programando o acesso
do país à OMC na primeira metade
de 2004. Para a Rússia, o ingresso na OMC
é visto como sinal de ‘conversão’
e integração da economia local à
economia de mercado mundial, e o seu acesso poderá
ser agilizado por força de decisões
políticas.
Acordos
em execução entre Brasil e Rússia
Acordo
de Cooperação na Área de
Proteção da Saúde Animal;
Acordo de Cooperação na Área
de Quarentena Vegetal;
Tratado sobre as Relações de Parceria;
Acordo de Cooperação no combate
a receitas ilícitas;
Acordo de Cooperação Aduaneira (em
linhas gerais, prevê o intercâmbio
de informações entre os órgãos
e instâncias administrativas responsáveis
pelos setores alfandegários dos dois países
quanto a métodos operacionais);
Acordo de Cooperação Técnico-Militar;
Acordo de Cooperação na área
de política de concorrência.
(fonte:
Ministério das Relações Exteriores
do Brasil)
Comércio
Exterior entre Brasil e Rússia em 2002
Total:
US$ 1.680.167.849
Exportações Brasileiras:
US$ 1.252.473.105
Importações Brasileiras:
US$ 427.694.744
Saldo: US$ 824.778.361 (favorável
ao Brasil)
(fonte:
Secretaria de Comércio Exterior-SECEX)
Principais produtos negociados:
Exportações
Brasileiras: Açúcar não-refinado,
carnes (suína, bovina e avícola,
fumo, café solúvel, alumina calcinada,
soja e sub-produtos.
Importações
Brasileiras: Fertilizantes (ortofosfato
de amônio, cloreto de potássio, uréia
e nitrato de amônio), óleos cru e
diesel, cátodos de níquel, sardinhas
e peixes congelados, rolamentos)
Projeções
para crescimento até o final de 2004: US$
3 bilhões
Produtos
com perspectivas de incremento no comércio
bilateral
Pauta
de exportações brasileiras:
– Confecções Femininas
– Soja e Sub-produtos
_ Carne Bovina
– Calçados de Couro de alta qualidade
– Produtos e Material Cerâmico
– Esquadrias e Produtos de Madeira e Metal
para edificação
– Maquinas e tornos de pequeno porte
– Partes, peças e utensílios
para a indústria automobilística
– Produtos eletrônicos
– Minérios e Minerais não
ferrosos
– Móveis de alta qualidade
– Frutas tropicais
– Cosméticos
– Aeronaves executivas (pequeno e médio
porte)
Pauta
de importações brasileiras:
– Genéricos farmacêuticos
– Titânio Metálico e suas manufaturas
– Moinho Triturador Inercial
– Carvão (Metalúrgico e Combustível)
– Coque de Carvão e de Petróleo
– Brocas e equipamentos auxiliares de transporte,
e transmissão para mineração
e portos
– Papel de Jornal
– Trilhos Ferroviários
– Fluorita (para siderurgia)
– Equipamentos de geração
e transmissão de energia elétrica
– Aeronaves Militares e Cargueiras (de grande
porte)
(Fonte:
Câmara de Comércio, Indústria
e Turismo Brasil-Rússia)
(RFdV).
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São Paulo – Sotaques, cores
e sabores
Por
Marilene Garcia
Andando pelas ruas de São Paulo, digo não
só pelas ruas dos bairros tradicionais
e mais antigos, por toda a cidade, identifico-a
como palco das misturas de povos, resultando sotaques,
cores e sabores. Esta observação
poderia até delinear um modelo de respeito
às diversidades, muitas vezes não
revelada claramente. É impactante ver tudo
sobreposto e, ao mesmo tempo, é prazeroso.
São
Paulo fala várias línguas e se comunica
por meio delas com uma imensa massa de interlocutores.
Tem esse sotaque e diversos sabores, com sua origem
no seu jeito próprio de ser e de crescer,
moldado pela convergência das diferenças
que se fizeram presentes ao longo de sua história.
Aqui
o diferente é natural, seja pelas comidas,
músicas e expressões lingüísticas,
pois tiveram de permanecer ou de se enquadrar
nesta realidade latina, seja para matar a saudade
do lugar estrangeiro, seja para fugir das dificuldades
de outras terras brasileiras e lutar pela sobrevivência,
esquecendo sofrimentos da terra de origem ou,
simplesmente, para abraçar o novo lugar
de morada.
Casamentos
incomuns foram realizados neste lugar, gerando
seus filhos, netos, formando inúmeras gerações
que povoam hoje esta grande metrópole.
Traços na fisionomia de sua gente saltam
aos olhos daquele que isso desconhece: cabelos
lisos, encaracolados e crespos, olhos claros e
negros, faces rosadas, brancas, negras e morenas,
baixos e altos mapeam a geografia humana e reforçam
a sua disposição de se manter singular.
São japonesas loiras, negras ruivas e morenas
aloiradas. O tom da pele é propaganda positiva,
não é defeito, é bonito.
Filhos
de pedreiros que se tornaram engenheiros, filhos
de alfaiates que se tornaram médicos, filhos
de gente simples que trabalham em busca de uma
meta, embalados por sonhos e pelas incertezas
próprias dos cidadãos deste mundo,
sacudidos por guerras de rua e guerras distantes,
por disputas toscas e inerentes à civilização.
Filhos de gente incomum, que vislumbram menos
injustiças.
Nisseis
com sobrenomes italianos, alemães com misturas
de sangue índio, morenos e negros africanos
regionalizados com avós espanhóis
e portugueses e libaneses vizinhos de judeus modelam
o retrato de respeito à diversidade cultural,
nascida em ambiente de casa e refletida nas cores
da cidade. Nem tudo é tão aberto,
justo e nem equilibrado, há exageros, mesmo
dentro dos limites da convivência, mas,
sem dúvida, impera a mobilidade, a natureza
de se movimentar e dar continuidade.
A
diversidade de São Paulo contempla a preservação
das expressões culturais e a abertura para
a convivência e respeito às outras
culturas. As condições de expressão
desta diversidade ambientam-se na liberdade de
expressão e de informação.
Basta abrir um cardápio em um restaurante,
para constatar que a convivência é
pacífica e aceita, incondicionalmente,
pelo paladar. O tratado de paz vem na forma de
pratos diversos. No cardápio de São
Paulo convivem pacificamente pizzas, cáficas,
pastéis, sushis, sashimis, Apfelstrudel,
esfirras, paellas, pastel de Belém, caipirinha
e feijoada.
Transformada
em capital da gastronomia, espelho da expressiva
manutenção dessa diversidade, onde
comer uma bacalhoada acompanhada, na sobremesa,
por Apfelstrudel ou um creme de papaia com cassis,
só reafirmam os hábitos incorporados,
exportando estes sabores para outros lugares do
país como marca paulistana.
É
um gosto temperado pela mistura contínua
que só esta cidade pôde fazer.
Parabéns,
São Paulo, por ter-se feito e crescido
assim.
Seja
diferente!
Faça RI no Unicentro Belas Artes.
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| Editor
e revisão técnica:
|
Raimundo F. de Vasconcelos |
|
Fátima Schoendorfer |
|
João de Oliveira |
Raimundo F. de Vasconcelos
Fátima Schoendorfer
Fernando Emanuel de Oliveira Mourão
Verônica Sales Pereira
Paulo Tempestini
Sidney Ferreira Leite
Evaristo Giovannetti Netto
Elisabeth de Negreiros Ricardo
Pedro Augusto M. Figueiroa |
Fernando Augusto A. Mourão
Henrique Altemani de Oliveira
Maria Aparecida Alcântara
Dermi Azevedo
Giorgio Romano Schutte |
Design Gráfico
Adriano Frachetta |
Fabiano
Reis
Fábio Espíndola |
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.: CENTRO UNIVERSITÁRIO BELAS ARTES DE SÃO
PAULO :.
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