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DATA
VENIA é
a revista eletrônica do Curso de Relações
Internacionais do Centro Universitário Belas
Artes de São Paulo. De periodicidade trimestral,
seu conteúdo é de inteira responsabilidade
dos autores que subscrevem as matérias publicadas.
As colunas serão alimentadas pelos professores
do Curso, contando-se também com a colaboração
do alunado, da Comunidade Febaspiana como um todo e,
apenas marginalmente, ocorrerá a participação
de colaboradores externos à Instituição.
Além de divulgar as notícias relacionadas
ao Curso, as matérias publicadas reportar-se-ão
às sociedades nacional e internacional, através
de textos inéditos e não muito extensos,
acolhendo-se também material redigido nos idiomas
inglês e espanhol.
O conteúdo divulgado em DATA VENIA pautar-se-á
pelo balizamento ético e pluralismo das idéias,
às quais autoriza-se sua reprodução
por quaisquer meios desde que se mencione suas respectivas
fontes.
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O
Golpe na Política Externa Brasileira
Os
40 anos do Golpe Militar de 1964 não passaram
despercebidos. Cadernos especiais e artigos sobre
o tema foram publicados pelos principais periódicos
do país e as emissoras de televisão
e de rádio apresentaram programas jornalísticos
especiais. Em diversos centros culturais foram
realizados ciclos de cinema em que foram exibidas
películas que levaram para as telas os
múltiplos aspectos do Golpe e suas conseqüências,
tais como: Jango, Pra frente Brasil!, Eles não
usam Black-tie, Cabra marcado para morrer, entre
outros. A mídia brasileira, em geral, não
deixou o evento passar em branco. O mundo acadêmico
nacional organizou conferências, palestras
e congressos que possibilitaram o debate acadêmico
mais aprofundado sobre os diversos ângulos
presentes nesse acontecimento da história
recente do país. No entanto, o impacto
do golpe e suas conseqüências para
a política externa brasileira foram praticamente
esquecidos. E estão a exigir algumas reflexões.
A
expressão Revolução de 1964
vai sendo lentamente apagada dos livros de história.
Escrita no período de arbítrio,
a expressão representou, muito mais, o
esforço de setores do regime em identificar
no fato, um substrato de ruptura progressista,
supostamente contido no ideário revolucionário.
O esforço funcionou exatamente como ideologia,
na forma que a concebeu o filósofo alemão
Karl Marx, isto é, um conceito utilizado
para obliterar a realidade e, concomitantemente,
impedir o seu completo esclarecimento. De fato,
o que tivemos foi um golpe, engendrado por diversos
segmentos da sociedade brasileira e liderado por
setores das Forças Armadas nacionais, descomprometidos
com as instituições democráticas.
Longe de ser revolução, como a define
os historiadores, ou seja, o momento de ruptura
global e total com as estruturas sociais e econômicas
estabelecidas, o Golpe teve o objetivo explícito
de restabelecer a ordem e a hierarquia ameaçadas.
Em uma revolução, as alterações
na esfera política representam o corolário
de todas as novas vicissitudes que foram desencadeadas
pelo próprio processo revolucionário.
Fenômeno que positivamente não ocorreu
em 1964. Pelo contrário, o Golpe se deu
exatamente para obstaculizar as mudanças
que estavam em curso, sob a bandeira das Reformas
de Base.
Nessa
ótica, é possível sustentar
que os acontecimentos de março e abril
de 1964 atingiram diretamente o processo de autonomia
de formulação da política
externa brasileira que estava em curso, desde
o final do governo Juscelino Kubitschek, notadamente
quando o mesmo rompeu com a missão do Fundo
Monetário Internacional que tentou inviabilizar
a continuidade do Plano de Metas, o carro-chefe
do governo. Porém, foi durante a curtíssima
gestão de Jânio Quadros e a conturbada
presidência de João Goulart que as
formulações da política externa
independente saíram do papel e dos debates
no Itamaraty para nortear a ação
governamental. O presidente Jânio Quadros
fez de tal política o ponto fulcral do
seu projeto de inserção do Brasil
na ordem internacional. A sua viagem a Cuba, no
momento que esse país começou a
ficar sobre o foco concêntrico do governo
dos Estados Unidos, a condecoração
do líder revolucionário Che Guevara
e do astronauta russo Yuri Gagarin, a visita do
presidente Sukarno, da Indonésia, um dos
principais líderes do movimento dos países
não-alinhados (bloco de países que
tentou transcender aos limites impostos pelas
duas superpotências) mais do que provocações
à Casa Branca, representaram demonstrações
inequívocas dos esforços dos gestores
e articuladores da política externa do
governo Jânio Quadros em marcar uma posição
de autonomia face à bipolarização
do mundo, no contexto da Guerra Fria.
A
política externa independente começou
a ser articulada no Brasil após a Segunda
Guerra Mundial e o fim do Estado Novo. Essa articulação
coincidiu, portanto, com o período de redemocratização
do país. Ela consistia de cinco princípios
nucleares: a) o país deveria manter relações
comerciais com todos os países, inclusive
os socialistas, pois as barreiras ideológicas
não deveriam inviabilizar o avanço
das exportações brasileiras; b)
a defesa do Direito Internacional, da autodeterminação
e da não-intervenção nos
assuntos internos de outros países, conceitos
importantes, pois usualmente desconsiderados pelo
governo dos Estados Unidos que transformaram a
América Latina em um balneário,
a ser invadido, quando fosse necessário;
c) a exaltação da paz como eixo
norteador das relações entre os
Estados nacionais, traduzida na política
de desarmamento e coexistência pacífica;
d) apoio ao processo de descolonização
afro-asiático e, finalmente, e) formulação
autônoma de planos nacionais de desenvolvimento
e de encaminhamento da colaboração
externa para os mesmos.
Os
princípios sistematizados acima foram implementados
com mais clareza durante o governo João
Goulart. Mesmo na condição de vice-presidente,
Goulart demonstrou grande desprendimento quando
se tornou o primeiro líder latino-americano
a visitar a União Soviética e a
República Popular da China. San Tiago Dantas,
seu ministro das Relações Exteriores,
deu mostras do firme propósito de aplicar
os princípios da política externa
independente na célebre Conferência
de Punta Del Este, em 1962, quando defendeu o
princípio da não-intervenção
em relação a Cuba. Nesse contexto,
demonstrou autonomia em relação
aos Estados Unidos e reatou as relações
diplomáticas entre o Brasil e a URSS. As
pressões dos setores mais conservadores
logo se fizeram sentir. As acusações
levianas de que o governo era comunista e estava
a serviço dos interesses do Kremlin.
A
vitória do Golpe, em 1964, levou a uma
completa mudança de rota. A política
externa independente foi abandonada. A defesa
do terceiromundismo foi substituída pelo
conceito de segurança hemisférica.
Nessa perspectiva, o país aderiu automaticamente
aos postulados do governo norte-americano. Na
prática passou a funcionar o ditado: “o
que é bom para os Estados Unidos é
bom para o Brasil”. O rompimento de relações
diplomáticas com Cuba e a participação
brasileira, na vergonhosa intervenção
da OEA (sob os auspícios do governo dos
Estados Unidos) na República Dominicana,
deixaram claras as intenções dos
golpistas: aderir aos princípios da Doutrina
de Segurança Nacional, sistematizados na
geopolítica da Guerra Fria. A opção
trouxe “resultados”; a administração
Lyndon Johnson logo concedeu o empréstimo
de 50 milhões de dólares ao governo
Castelo Branco. Esse foi o preço pago pela
nossa soberania. Cabe destacar que a política
externa dos governos militares não foi
homogênea. O governo Geisel, por exemplo,
ousou colocar em prática o pragmatismo
responsável que deu certa autonomia ao
país para definir relações
bilaterais privilegiadas que fugiram à
lógica do mundo bipolarizado.
De um modo geral, pode-se afirmar que o legado
mais nocivo e pernicioso do golpe de 1964 foi
o de ter abortado a saudável experiência
de independência e de autonomia colocada
em prática no início dos anos sessenta.
Provavelmente essa perspectiva ficou perdida.
Mesmo com a redemocratização do
país nos anos 80, tais princípios
continuaram em segundo plano, cedeu ao discurso
pragmático de “inserção
do Brasil na ordem mundial globalizada”.
A política externa brasileira não
pode se limitar em agência auxiliar para
transformar o Brasil em uma “colônia”
próspera. O seu objetivo deve ser o de
somar esforços para a construção
de uma nação soberana, capaz de
contribuir para colocar um ponto final nas diversas
assimetrias da ordem internacional.
Sidney
Ferreira Leite
Doutor em História Social pela USP. É
docente no curso de
relações internacionais / Belas
Artes, e também, na Fundação
Casper Líbero.
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Retrospecto
do relacionamento Brasil-Iraque
Introdução
Brasil
e Iraque iniciaram relações diplomáticas
em 1.º de dezembro de 1967. Em 1968, o Brasil
instalou sua Embaixada em Bagdá, capital
iraquiana, simultaneamente com a Embaixada em
Damasco, na Síria. O Iraque credenciou,
em 1971, seu primeiro embaixador no Brasil. Em
1972, o Brasil estabeleceu uma Missão Permanente
em Bagdá.
Nos
anos 70 e 80, as relações bilaterais
se desenvolveram, sobretudo no campo comercial
e o volume desse intercâmbio atingiu níveis
consideráveis. Segundo o Itamaraty, em
1980, o comércio total entre os dois países
chegou a US$ 4,1 bilhões; no mesmo ano,
criou-se o Banco Brasileiro-Iraquiano; e nos anos
posteriores o intercâmbio foi diminuindo,
pois em 1985 foi de US$ 2.435,0 milhões;
em 1987, US$ 1.740,0 milhões e, em 1989,
US$ 1.817,9 milhões.
Já
em 1998, o Banco Brasileiro-Iraquiano entrou em
regime de liquidação ordinária
por causa da quebra nas relações
comerciais com o Iraque, determinadas pelo embargo
econômico imposto àquele país
pela Organização das Nações
Unidas - ONU.
Dito
isto, cumpre esclarecer que o objetivo desta comunicação
é realizar uma breve análise do
relacionamento que o Brasil vem desenvolvendo
com o Iraque, principalmente desde o período
do governo Figueiredo (1979/85) até o II
pós-Guerra do Golfo – anos 90.
Ao
longo do texto, mostrar-se-á que apesar
das imensas diferenças culturais, o Brasil
conseguiu sustentar um relacionamento comercial
com o Iraque, um país tão rico em
matéria de cultura e recursos naturais;
além disto, manteve a flexibilidade nas
negociações, mesmo existindo divergências
em suas respectivas ideologias políticas.
Nossa
análise se comporá de duas partes:
a primeira, debruçada mais sobre o aspecto
político-estratégico, abrangerá
a política externa brasileira do não
alinhamento e sua continuidade pelo governo Figueiredo;
na segunda, a ênfase recairá sobre
a esfera econômica, quando apresentará
a intensificação do comércio
bilateral Brasil–Iraque, além da
atuação destacada de algumas empresas
brasileiras naquele país, bem como, perspectivas
futuras.
Parte
I
O
Pragmatismo da Política Externa Brasileira
no relacionamento com o Iraque
Desde
o governo Garrastazu Médici (1969/74),
com a atuação do ministro Mário
Gibson Barbosa, no Itamaraty, o Brasil começou
a desvincular-se de sua tradicional política
externa - de alinhamento automático aos
Estados Unidos (1) - para assumir uma posição
denominada como "pragmática",
defensora de uma aproximação com
os países que oferecessem vantagens que
pudessem interessar às aspirações
nacionais de desenvolvimento econômico.
Nesses
termos, durante o governo Ernesto Geisel (1974-1979),
o Brasil manteve relações preferenciais
com o Iraque, a Arábia Saudita e o Irã.
O Itamaraty passou a apoiar os palestinos e a
votar contra Israel no âmbito da ONU.
Nessa
época, o Iraque era visto como aliado estratégico
do Brasil, que ainda sofria o impacto negativo
do duplo choque do petróleo, em 1973 e
1979. Bagdá passou a ser, então,
um dos principais fornecedores de petróleo
ao País.
As
negociações foram facilitadas pelos
interesses mútuos entre os dois países;
o Iraque chegou a trocar petróleo por frangos
congelados, automóveis e, na área
militar, desde carros de combate até tecnologia
nuclear, pois Saddam Hussein também almejava
esta tecnologia, no intuito de fabricação
de mísseis.
Estabeleceu-se
então uma sólida parceria entre
os emissários iraquianos, representantes
de Saddam, com empresários e diplomatas
brasileiros, os quais articularam não só
a cooperação na área nuclear,
mas também, na científica e tecnológica,
além da que ocorreu na indústria
bélica. Empresas como a Odebrecht, Camargo
Correia e Mendes Júnior instalaram-se em
Bagdá com operários, administradores
e engenheiros, recebendo assim uma atenção
especial das autoridades iraquianas.
Em
resumo, o “pragmatismo responsável”
- iniciado no governo Ernesto Geisel (1974/79)
- também perdurou no mandato do presidente
João Figueiredo (1979/85), pois é
a partir desse período de tempo que nossa
análise deter-se-á um pouco mais.
Já
em seu discurso de posse, o então presidente
Figueiredo afirmou sua intenção
de manter a orientação pragmática
da política externa adotada por seu antecessor,
Ernesto Geisel, privilegiando o estabelecimento
de relações comerciais com países
que propiciassem vantagens ao desenvolvimento
nacional.
Nesse
pragmatismo político, buscou-se intercâmbio
até mesmo com nações que
haviam adotado uma orientação econômica
e política diferente da nossa, ou seja,
além do relacionamento com países
capitalistas, passamos a tratar também
com os países que adotaram os sistemas
socialista e comunista.
Assim,
as inúmeras viagens do presidente Figueiredo
ao exterior, acrescidas de outras tantas visitas
de chefes de Estado que o Brasil recebeu tinham
como fundamentos, assinalados em notas conjuntas,
o fortalecimento do diálogo Sul-Sul, o
revigoramento do princípio da não-intervenção,
a proscrição do colonialismo, a
condenação à discriminação
racial e o combate ao protecionismo adotado pelos
países desenvolvidos, entendido como forma
de asfixiar as economias dos países emergentes.
Foi
neste contexto que as relações bilaterais
entre Brasil e Iraque se intensificaram e sobre
as quais nossas atenções se voltarão
a seguir.
Na
década de 80, durante o governo Figueiredo,
o Brasil vendeu 27 toneladas de “yellow
cake” para o regime de Saddam Hussein. O
yellow cake é a primeira fase de beneficiamento
do urânio, fundamental para a produção
do combustível de usinas nucleares, ou
do plutônio, essencial para a bomba atômica.
O
negócio foi confirmado em 1991, depois
da I Guerra do Golfo, quando os inspetores da
ONU descobriram o arsenal iraquiano, mas na época
ninguém do governo brasileiro quis fazer
declarações. Atualmente, alguns
militares admitem falar ostensivamente sobre o
assunto.
O
almirante brasileiro, Othon Luiz Pinheiro da Silva,
ex-coordenador do programa nuclear da Marinha
brasileira - que conseguiu dominar o ciclo completo
da tecnologia nuclear para fins pacíficos
- comentou que a venda de yellow cake ao Iraque
“foi um negócio contraproducente
para o Brasil e a Marinha não participou
dele”.
Outro
almirante, Hernani Fortuna, ex-secretário-geral
da Marinha, endossa a afirmação
de seu colega: “Aquela negociação
com o Iraque foi um erro estratégico, porque
o governo não deveria vender urânio
enriquecido ao Iraque ou a qualquer outro país,
pois a tecnologia, nessa área, deve ser
patrimônio do Estado”. É bom
lembrar de que, na época, havia uma proibição
do próprio governo brasileiro de se comercializar
qualquer tipo de urânio para fora do País.
Um
coronel do Exército brasileiro, que prefere
o anonimato, disse que a transação
com Bagdá teve a participação
e o estímulo do extinto Serviço
Nacional de Informações (SNI), com
o aval da Comissão Nacional de Energia
Nuclear (CNEN) e do Itamaraty.
Com
o apoio do Itamaraty, o governo brasileiro aprovou
uma cooperação com a participação
do principal especialista brasileiro na área
espacial, o brigadeiro Hugo de Oliveira Piva.
Ele ajudaria na instalação de um
centro de excelência, semelhante ao Centro
Tecnológico Aeroespacial (CTA) brasileiro
e no desenvolvimento da tecnologia de um míssil
tático (de pequeno alcance).
Mas
Piva teria condições de desenvolver
um projeto de artefato nuclear, que não
chegou a ser executado. O militar admite que o
Iraque “tinha interesse em um projeto para
a bomba atômica, que levava em conta o fato
de Israel já possuir um arsenal nuclear.
/.../ O projeto nuclear iraquiano sofreu um grande
atraso quando os israelenses bombardearam a usina
nuclear de Osirak, em 1981”.
Já
um projeto do míssil estratégico
de maior alcance, denominado Piranha, desenvolvido
pelo CTA, também foi solicitado pelo governo
de Bagdá, mas sofreu algumas restrições
do Itamaraty e da área militar. Mesmo assim,
a tendência, no fim dos anos 80, era de
que o governo brasileiro acabasse garantindo a
tecnologia para o míssil estratégico.
Porém, com a guerra do Golfo (1990), os
Estados Unidos pressionaram ao Brasil para que
encerrasse a cooperação com Bagdá.
Com
o fim da Guerra (1991), as relações
do Brasil com o Iraque tiveram que ser redimensionadas,
dadas às circunstâncias decorrentes
do conflito e os limites definidos pelas sanções
do Conselho de Segurança da ONU, incluindo
a suspensão das relações
comerciais do Brasil com o Iraque e vice-versa,
às quais o Brasil aderiu sem reservas.
Desta forma, as relações diplomáticas
com o Iraque reduziram-se ao mínimo e o
intercâmbio comercial foi suspenso.
A
embaixada brasileira, em Bagdá, foi desativada
e àquela instalada em Amã, na Jordânia,
passou a responder pelos negócios com o
Iraque, enquanto cessaram as importações,
as exportações e as transações
financeiras.
Desde
1991, o Itamaraty enviou missões administrativas
a Bagdá, chefiadas em nível de secretariado,
para averiguar as condições do imóvel
da Chancelaria, fazer o inventário e renovar
o contrato de aluguel. A última dessas
missões ocorreu em outubro/novembro de
1999.
Dado
seu isolamento internacional, o Iraque tem buscado
normalizar as relações diplomáticas
com diversos países, entre os quais o Brasil.
O Governo iraquiano dá mostras de que pretende
o progressivo restabelecimento das relações
aos níveis pré-1990 e o restabelecimento
do intercâmbio comercial bilateral.
Por
sua vez, o Brasil tem adotado a seguinte postura:
observância das Resoluções
do Conselho de Segurança das Nações
Unidas e espera da normalização
das relações do Iraque com a comunidade
internacional, mediante o cumprimento das resoluções
do referido Conselho.
Parte
II
Atuação
de algumas empresas brasileiras no Iraque
e perspectivas futuras
– Cia. Mendes Júnior -
O
Iraque foi um grande parceiro comercial do Brasil
entre o final dos anos 70 e início da primeira
Guerra do Golfo, em 1991; a construtora Mendes
Júnior, por exemplo, construiu estradas
de ferro e uma estação de bombeamento
de águas naquele país, de 1978 a
1990.
Com
as duas guerras travadas pelo Iraque – uma
contra o Irã e a outra com a invasão
iraquiana do Kwait – vieram as dificuldades
econômicas e assim, o governo de Saddam
Hussein ficou devendo US$ 671,6 milhões
à empresa brasileira. Representantes da
Mendes Júnior afirmam que o governo brasileiro
aceitou saldar o passivo, via Banco do Brasil,
embora seu valor não tenha sido quitado.
Na
verdade, o Iraque permitia ao Brasil garantir
um maior equilíbrio da balança comercial,
pois aquele país aceitava comprar produtos
e contratava os serviços brasileiros. Nos
anos 80, o Iraque era um dos poucos países
que não exigia garantia de crédito
de bancos estrangeiros para contratos firmados
com o Brasil, sendo o Itamaraty o agente que intermediava
as negociações.
A
Mendes Júnior assinou novo contrato, em
1981, para a construção de 128 quilômetros
da Expressway, ferrovia que vinha da fronteira
com a Jordânia até a do Kuwait. O
Iraque, porém, começou a atrasar
os pagamentos, por ter passado a concentrar suas
despesas orçamentárias na guerra
contra seu vizinho, o Irã.
O
então presidente, João Figueiredo,
escreveu uma carta a Saddam Hussein, pleiteando
a solução das pendências,
e com isso a situação se agravou,
em 1987, pois a construtora brasileira suspendeu
as obras e deu início ao processo de cobrança
na Corte Internacional de Comércio, em
Paris.
Saddam
irritou-se perante tal atitude. Exigiu então
que a Mendes Júnior retomasse as obras,
ameaçando cortar o fornecimento de petróleo
para o Brasil. Vale dizer, o país receberia
petróleo do Iraque, que descontaria os
valores devidos do passivo negociado junto ao
Banco do Brasil. Todavia, com a II Guerra do Golfo,
em 1991, a Mendes Júnior retirou todos
os seus funcionários do Iraque.
–
Cia. Volkswagen -
A
história da Volkswagen no Brasil começou
no dia 23 de março de 1953, em um armazém
alugado, no qual, iniciou a montagem dos primeiros
Fuscas com peças importadas da Alemanha.
Essa
filial brasileira é a única empresa
do hemisfério Sul com um Centro de Engenharia
capaz de projetar e produzir automóveis
de aceitação mundial, como o Gol,
exportado para vários países, Santana
2000 (também produzido na China), Nova
Parati, Nova Saveiro, além da Brasília
e do Passat, que foram sucessos de venda nos anos
70 e 80.
A
fábrica de São Bernardo do Campo
fechou, nos anos 80, o maior contrato de exportação
da história da indústria automobilística,
e impediu uma onda de demissões em massa,
no ABC paulista, em virtude do seu comércio
exportador ao Iraque, com a fabricação
do Passat.
Passat
ou "Brazili" - um caso de amor
O
iraquiano vive(u) um caso de amor com o Passat,
não o modelo importado atual, que é
sonho de consumo da geração de alta
renda, mas o carro brasileiro que reinou nas ruas
e estradas do país, nos anos 80; é
dessa época a primeira leva de exportação
do automóvel para o Iraque. Como nos vidros
traseiros os veículos traziam o adesivo
"Made in Brazil", desde então
o Passat é conhecido no Iraque como "Brazili".
O
Brazili é muito querido entre a população
iraquiana, devido ao baixo custo e manutenção.
Atualmente, um modelo ano 1988, o último
a ser exportado, pode custar até US$ 4.000,
e também porque os “Brazilis”
são o sonho possível da classe média
iraquiana de ter um carro próprio.
A
Volkswagen brasileira exportou 170 mil Passats
para o Iraque, entre 1983 e 1988; todos têm
quatro portas, ar-condicionado, luz para leitura
no banco traseiro e cores mais ao gosto dos iraquianos,
como o discutível verde-abacate.
Numa
iniciativa inédita até então
entre os dois países, trocavam automóveis
por petróleo, o qual era revendido depois
à Petrobras.
Há
Brazilis em todos os lugares, de todas as cores
e estilos. Criativo, o iraquiano os pintou de
tonalidades, digamos, mais alegres do que as convencionais
ou oriundas da fábrica.
Com
relação ao combustível não
é exatamente um problema para os iraquianos,
pois com apenas três dólares compravam-se
cem litros de gasolina especial e o valor caia
pela metade na gasolina do tipo comum.
-
Cia. Braspetro -
A
Petrobras Internacional S/A - Braspetro, atuante
nas atividades de extração e industrialização
petrolíferas, e na prestação
de serviços técnicos e administrativos
no exterior, teve destacada atuação
comercial com o Iraque, tanto que no auge das
relações entre os dois países,
entre as décadas de 70 e 80, 42% do óleo
cru importado pelo Brasil eram provenientes do
Iraque.
As
compras brasileiras de petróleo iraquiano
declinaram em razão da Guerra Irã–Iraque
(1980), voltando a elevar-se após o fim
do conflito (1988), até atingir o percentual
de 60% do total das importações
brasileiras do produto.
–
Atuação de outras Empresas –
Com
o Iraque, empresas como Sadia, Massey Ferguson
e Odebrecht, iniciaram suas “aventuras exportadoras”,
em uma época em que poucas companhias vislumbravam
outros mercados. Também coube às
empreiteiras brasileiras, os serviços de
construção civil, como os mais de
500 quilômetros de estrada duplicada que
ligam Bagdá à fronteira com a Jordânia,
além da construção de ferrovias.
Na
mesa do iraquiano, o produto brasileiro é
bastante conhecido e apreciado, visto que durante
a década de 80, período que compreendeu
a guerra Irã–Iraque (1980/88), o
Brasil exportou cerca de US$ 150 milhões
em carne de frango congelado. À frente
do negócio estava o atual ministro brasileiro
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior, Luiz Fernando Furlan, à época
atuando na Sadia.
Atualmente,
a população iraquiana consome, além
do frango, carne bovina, café e açúcar
brasileiros, provenientes do programa Petróleo
por Comida da Organização das Nações
Unidas (ONU), pois desde o inicio da I Guerra
do Golfo (1990), o Iraque está sob o regime
de embargo econômico.
Perspectivas
mais recentes
Foi
justamente o histórico de um relacionamento
que se provou eficaz, em períodos de normalidade
política, que levou um grupo de empresários
iraquianos, refugiados e radicados no Brasil há
mais de 15 anos, a criar uma nova Câmara
de Comércio e Indústria Brasil–Iraque,
em 2003; uma organização sem fins
lucrativos que já está trabalhando
para reacender as relações comerciais
com o Brasil, país ao qual estes empresários
devem bastante, principalmente o “ativo”
de uma identidade cidadã, direito que lhes
foi tomado em um triste episódio da história
do seu país natal.
De
acordo com o presidente da referida Câmara,
Jalal Chaya, a reconstrução do Iraque,
país que foi praticamente destruído
com a invasão dos Estados Unidos e aliados,
abre não só grandes chances para
conglomerados dos países que apoiaram a
ofensiva militar, bem como daqueles que tinham
boas relações comerciais antes do
embargo comercial imposto pelas Nações
Unidas há cerca de 15 anos. O objetivo
da reabertura da Câmara é tentar
levar o Brasil a (re)conquistar mercados Iraquianos.
Cumpre
assinalar que a primeira Câmara, criada
em 1974, acabou sendo extinta com o embargo imposto
pela ONU, devido ao uso da força armada
em uma rebelião na região norte
do Iraque, onde a minoria curda foi esmagada,
tendo como conseqüência milhares de
mortos entre 1974 e 1975.
Por
outro lado, é preciso um certo cuidado
ao receber as notícias sobre o afastamento
do Brasil (e dos demais países que se opuseram
formalmente à invasão norte-americana
no Iraque, como França, Alemanha e outros)
nos projetos de reconstrução do
país.
Trata-se
apenas do afastamento formal do Brasil dos projetos
de concorrência internacional para o fornecimento
de mercadorias e serviços, o que não
impede que exportemos para a iniciativa privada,
ou mesmo que venhamos a participar de projetos
como fornecedor de empresas localizadas em países
ganhadores de tais concorrências.
Para
Jalal Chaya, a abertura do mercado iraquiano às
exportações de países amigos
terá impacto direto nos custos dos produtos
brasileiros. Com o fim da intermediação
(de terceiros países), explicou Chaya,
“os custos dos produtos no mercado iraquiano
cairão pelo menos 30%, permitindo forte
ganho de competitividade”. A Câmara
comercial calcula que os exportadores brasileiros
poderão “faturar” pelo menos
US$ 6 bilhões até 2009, com média
anual de cerca de US$ 1,2 bilhão. Esse
montante, porém, não representa
nem mesmo metade dos US$ 3,3 bilhões que
o Brasil exportava na década de 80 para
o Iraque.
Ainda
de acordo com Jalal Chaya, o “salário”
de apenas US$ 2 que os iraquianos recebiam até
antes da invasão do país por tropas
dos Estados Unidos e seus aliados (2003), saltou
para US$ 500. “O mercado iraquiano, de quase
30 milhões, é um dos maiores da
região”, e os EUA vão injetar
US$ 80 bilhões para reconstruir o país.
Mesmo
que alguns países “amigos”
do Iraque não venham a fazer parte da reconstrução
de sua infra-estrutura, já existe pelo
menos 14 mil editais para as compras governamentais,
e para o Brasil, a construção civil
e o setor alimentício são "armas"
a serem aproveitadas por empresas brasileiras.
Considerações
finais
Como
vimos, houve pontos positivos e negativos na relação
bilateral Brasil-Iraque, os quais foram importantes,
pois o Brasil se infiltrou em um mercado em que
poucos países tinham acordos preferenciais
ou privilégios comerciais como a política
do “petróleo por comida”, além
de outros produtos e da prestação
de serviços por parte de algumas grandes
empresas brasileiras.
Por
outro lado, houve negociações na
área militar onde o Brasil se encontrou
em uma situação arriscada com relação
à sua soberania, face à troca de
tecnologia e à venda de urânio ao
Iraque para a fabricação de mísseis
balísticos, a serem utilizados contra o
Irã, desrespeitando assim o princípio
de que a tecnologia militar é de propriedade
exclusiva do Estado.
Vimos
também como o comércio bélico
foi um capítulo um tanto nebuloso nesta
história da política externa brasileira,
na década de 80, pois somente em 1991 -
com as investigações realizadas
pela ONU - foram então descobertas e divulgadas
pela mídia.
Encerrada
“oficialmente” a guerra contra o Iraque
de Saddam Hussein, em 2004, começa a guerra
pelo Iraque pós-Saddam com a resistência
da população nativa. Com o país
destruído pelas bombas da coalizão
- formada por 34 países sob a liderança
dos EUA -, e pelos 13 anos de embargo econômico
imposto pela ONU (1990–2003), criou-se então
uma disputa entre as principais potências
econômicas pelos contratos iraquianos para
a reconstrução do país, e
o Brasil pode sair ganhando através de
futuros contratos por meio de iniciativas privadas.
"A
América Latina, nesse período de
guerra, ficou em bastante evidência para
os investidores", afirma o especialista em
planejamento tributário, Sidnei Bizarro
(Bizarro e Associados, 2003). Para ele, no entanto,
a política econômica do governo Lula
foi um fator ainda mais importante para garantir
a confiança dos organismos monetários
internacionais. Esta perspectiva tem uma visão
idealista, ou seja, que haverá oportunidades
ideais para a volta e a possível expansão
do comércio bilateral entre Brasil e Iraque.
Porém
há uma perspectiva com uma visão
mais realista, ou seja, baseados em fatos ocorridos
no passado, nos quais acredita-se que poderão
se repetir novamente. O historiador, João
Francisco Tidei de Lima (da Unesp), defende esta
posição; para ele, os "efeitos
positivos" da guerra para o Brasil são
"transitórios e circunstanciais".
Na sua avaliação, os benefícios
da reconstrução e dos petrodólares
iraquianos vão mesmo ficar nas mãos
das grandes potências econômicas.
Ideologias
à parte, o fato é que as avaliações
apresentadas acima demostram o papel que o Brasil
desempenhou e ainda pode desempenhar no cenário
internacional, e as possibilidades que lhe serão
apresentadas, tendo como pano de fundo a disputa
acirrada entre os Estados tanto do Norte quanto
do Sul pela conquista de novos mercados tal qual
o iraquiano que, para nós brasileiros,
terá sabor de reconquista.
Nota:
(1). Na verdade, o rompimento com
esse alinhamento automático teve início
com o governo Jãnio Quadros (1961) e prosseguiu
com o governo João Goulart (1961/64) através
da Política Externa Independente, rompida
com o Golpe de 31 de março de 1964.
Referências
Bibliográficas
Agência
Brasil - Radiobras
www.radiobras.gov.br/
ATTUCH,
Leonardo. Saddam, o amigo do Brasil: a história
secreta de Bagdá. São Paulo: Qualitymark,
2003.
BIZARRO
& ASSOCIADOS. Desenvolvimento Empresarial
Ltda.
www.bizarroeassociados.com.br/
CÂMARA
DE COMÉRCIO BRASIL-IRAQUE
www.brasiliraq.com.br/pdf/Artigo1.pdf
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Amado Luiz; BUENO, Clodoaldo. História
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Paulo: Ática/Atena, 1992.
JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO
www.folha.com.br/
JORNAL
DO COMMERCIO DO RIO DE JANEIRO
www.jornaldocommercio.com.br/
MINISTÉRIO
DAS RELAÇÕES EXTERIORES DO BRASIL
www.mre.gov.br/portugues/politica_externa/relacoes/africa/iraque.asp
REVISTA
AMANHÃ
amanha.terra.com.br/
REVISTA
ISTO É
www.terra.com.br/istoe
VIZENTINI,
Paulo; FORTES, Alexandre; LEAL, Maurício
Balthazar. Relações internacionais
do Brasil: de Vargas a Lula. São Paulo:
Fundação Perseu Abramo, 2003.
Cintia
Auda & Evandro de Almeida
Acadêmicos do 3º. Semestre do Curso
de Relações Internacionais do
Unicentro Belas artes.
Texto de pesquisa inicialmente apresentado à
disciplina de Economia Política Internacional,
e ajustado para publicação.
|
|
C A M I N H O S D
A H U M A N I D A D E... |
| O
que se esconde atrás do Muro?
O objetivo deste artigo é essencialmente
responder a seguinte pergunta: por que Israel
decidiu construir uma cerca de segurança
em volta dos territórios palestinos?. Para
responder a questão devemos identificar,
em primeiro lugar, a história dos territórios
ocupados para, em seguida, discutir as motivações
políticas e de segurança do atual
governo do primeiro-ministro Sharon
Uma
breve história dos territórios ocupados
O
mapa abaixo mostra o território israelense
que se configurou após a Guerra da Independência
até a Guerra de 1967, também conhecida
como a Guerra dos Seis Dias. Neste período
(1949-67), estrategicamente, dois pontos eram
especialmente sensíveis para os Israelenses:
ao norte, as Colinas de Golan; parte do território
sírio que - por sua localização
privilegiada de planalto - constantemente atacava
as colônias judaicas localizadas no Galil;
e ao centro, Jerusalém; que estava dividida
entre ocidental - sob o controle israelense -
e oriental - sob o controle da Jordânia,
incluindo aí a Cidade Velha.

Fonte:
http://www.eifo.com.br/aramap2.html
Politicamente,
às vésperas da Guerra de 1967, ao
sul, Israel enfrentava o nacionalismo árabe,
representado por Nasser que já havia sido
derrotado na Campanha do Sinai, em 1956; ao norte,
a Síria também era governada pelo
nacionalista, Hafez al-Assad, que tinha uma forte
aliança estratégica com o Egito,
além de controlar política e militarmente
o Líbano; finalmente a maior extensão
territorial de fronteira de Israel era junto à
Jordânia, liderada pelo Rei, Hashemita Hussein.
O
período que precedeu a Guerra de 1967 foi
caracterizado pela crescente escalada da tensão
na região, marcada por discursos nacionalistas
anti-sionistas, especialmente no Egito e Síria
e por vários episódios de pequenos
ataques vindos especialmente do território
sírio. A Jordânia do Rei Hussein
não estava especialmente disposta a entrar
em conflito com Israel, considerando a sua grande
desvantagem do ponto de vista militar, entretanto
o rei temia pela própria estabilidade do
seu regime, caso não se juntasse ao Egito
e à Síria; especialmente considerando
que mais de 90% da população era
palestina, largamente formada por refugiados de
1948 e naquele momento, o país era base
da operação da Organização
para a Libertação da Palestina (OLP)
liderada por Yasser Arafat.
Na
manhã de 5 de Junho de 1967, munido de
informações dos órgãos
de inteligência que indicavam a eminência
de um ataque da coalizão árabe,
Israel decide lançar um ataque antecipado
para se proteger da ação militar
do inimigo. Desta forma a Força Aérea
Israelense foi capaz de, em três horas,
praticamente destruir todos os aviões do
Egito, Síria, Jordânia e até
do Iraque (que estava posicionado em território
sírio para apoio à ação
da coalizão).
Estas
primeiras horas de combate foram determinantes
para a continuação da guerra e para
uma acachapante vitória do exército
israelense, pois em apenas seis dias conquistou
as Colinas de Golan sírias, Jerusalém
oriental e toda Cisjordânia da Jordânia,
além de toda a região do Sinai,
incluindo a Faixa de Gaza, do Egito.
As
fronteiras de 1949 são conhecidas internacionalmente
como a linha verde, como o território legalmente
reconhecido pela comunidade internacional, e portanto,
os territórios pós-1967, para além
da linha verde, não são legalmente
reconhecidos como israelense. O mapa abaixo mostra
o resultado da guerra:

Fonte:
http://www.eifo.com.br/aramap2.html
Posteriormente
as Colinas de Golan foram anexadas ao território
israelense e o Sinai devolvido aos Egípcios,
no acordo de paz de Camp David, entretanto, a
faixa de gaza permaneceu como território
ocupado israelense, não porque Israel não
quisesse devolver aos egípcios, mas por
que estes afirmam que a região deve ser
parte de um futuro Estado palestino; mas na verdade
os egípcios não queriam o território,
pois o mesmo tem a maior densidade populacional
do mundo, formada por uma população
palestina consideravelmente miserável.
Por
outro lado, Jerusalém Oriental foi unificada
com a parte ocidental, enquanto a Cisjordânia
permaneceu como território ocupado como
moeda de barganha em uma negociação
de paz com a Jordânia; e como zona de segurança
em relação a não só
possíveis ataques da Jordânia, mas
como forma de prevenir as ações
de grupos terroristas como a OLP. Aos poucos,
durante as décadas de 1970 e 1980, os sucessivos
governos israelenses - de esquerda e direita (o
Likud chega a primeira vez ao poder em 1977) -
promovem a construção de colônias
ou assentamentos, na Cisjordânia e na Faixa
de Gaza, com intuito de garantir o efetivo controle
da região.
No
entanto, as colônias efetivamente começaram
a se multiplicar sob o governo Likud; só
em 1977 foram criadas 15 contra 23 criadas no
período 1967 a 1976. Hoje já são
mais de 140 colônias para além da
linha verde. Para os governos de direita, colonizar
a Cisjordânia não tinha apenas uma
conotação de segurança como
para os esquerdistas; tratava-se de povoar a Israel
bíblica, ou seja, uma parte dos israelenses
tende a considerar a Cisjordânia como parte
integrante do território israelense, porque
esta porção de território
faz parte do mapa de Israel, quando os judeus
controlavam a região há mais de
dois mil anos atrás e, portanto, cada vez
mais essas colônias passaram a ser formadas
por religiosos judeus, que muitas vezes migram
dos Estados Unidos ou França para ocuparem
algo que estes consideram parte da “terra
prometida dada por Deus”.
Deve-se
frisar que no período pós-1967 -
a exceção das Colinas do Golan e
Jerusalém Oriental - passou a prevalecer
o Direito de Ocupação conforme regulamentado
pela Convenção de Genebra, portanto
os palestinos passaram a conviver com a constante
presença militar, com a invasão
de colônias, com o alastramento da miséria
e enfim, com o significado de não ser um
cidadão o que implica na ausência
do passaporte, do direito de ir e vir, do direito
ao voto e outros direitos considerados básicos
em qualquer sociedade ocidental.
Finalmente,
em meados de 1987, os filhos da ocupação
passam a se revoltar e de forma espontânea,
começam a combater os soldados israelenses
diariamente com apenas pedras nas mãos.
A chamada Intifada foi um movimento popular, mas
a liderança da OLP soube capitanear o momento
e em meados da década de 1990 renuncia
ao terror, reconhece o Estado de Israel e negocia
a paz com os israelenses, processo este que resultou
nos acordos de Oslo, de 1993, e na criação
da Autoridade Palestina sob o comando de Arafat.
Os
acordos de Oslo deveriam ser acordos intermediários
até que fosse negociado um acordo definitivo
de paz, a fins de resolver questões delicadas
como a completa desocupação da Cisjordânia
e Gaza, o status de Jerusalém, o status
dos refugiados de 1948, entre outros tópicos.
Ao
mesmo tempo, em meados da década de 1990,
os oponentes - de parte a parte - ao progresso
do processo de paz apareciam de forma bastante
acentuada. Do lado palestino eclodia definitivamente
o grupo terrorista Hammas, opondo-se a qualquer
negociação com a “entidade
sionista” e defendendo uma palestina livre
dos sionistas. Sua estratégia de ação
é a promoção de atentados
terroristas contra alvos civis e militares israelenses
de forma a desestabilizar o processo de paz, ou
seja, à medida que eclodem atentados terroristas
dentro da sociedade israelense, começa
a se suscitar a questão da validade dos
acordos de paz e do real compromisso de Arafat
em combater o terrorismo.
Do
lado israelense, a ultra-direita se “alimentava”
do terror palestino, esbravejando contra a inutilidade
dos acordos de Oslo e acusando Izaac Rabin de
“traidor”. Por fim a retórica
se transformou no assassinato do primeiro-ministro,
Rabin, por um militante religioso de ultra-direita,
Igal Amir, que se opunha ao processo de paz; em
ultima instância seu objetivo era impedir
os progressos do mesmo, assim como os militantes
do Hamas, e de forma bizarra, os radicais de parte
a parte se congratulam com o significado da morte
de Rabin, pois após sua morte o direitista,
Netanyahu, assume o poder acelerando a escalada
da violência. O mesmo será sucedido
pelo trabalhista, Barak, que sob os auspícios
de Bill Clinton, busca negociar com Arafat um
acordo definitivo em meio a mais uma nova onda
de ataques terroristas.
Finalmente
Sharon faz uma visita de “rotina”
ao Monte do Templo, em Jerusalém, lugar
considerado o mais sagrado pelos judeus, pois
lá estava localizado o Grande Templo, enquanto
lá hoje localiza-se o complexo da Mesquita
de Omar e a Doma da Pedra, onde a alma do profeta
Maomé teria ascendido ao céu, portanto
o local é considerado um dos três
mais sagrados ao islamismo juntamente com Meca
e Medina na Arábia Saudita.
A
visita de Sharon foi considerada pelo mundo árabe
uma ofensa gravíssima, especialmente considerando
o histórico de Sharon que participou ativamente
na Guerra do Líbano, tendo inclusive acobertado
o massacre de árabes muçulmanos
por árabes católicos nos campos
de Sabra e Shatila. O resultado foi a eclosão
da segunda Intifada, que continua em curso e já
tem mais de quatro anos. Posteriormente, em meio
a violência dos ataques terroristas, Barak
foi derrubado e Sharon eleito primeiro-ministro,
em 2001.
A
Construção do muro
Você
provavelmente mora em uma casa ou em um prédio
cercado por um muro e por mais algum tipo de sistema
de segurança. Há cerca de 15 ou
20 anos atrás era difícil encontrar
prédios ou mesmo casas cercadas por muros
e com diversos sistema de proteção;
o que aconteceu de lá para cá? Por
que afinal você mora dentro de muros? Qualquer
criança paulistana sabe que moramos atrás
de muros e sistemas de segurança para nos
protegermos da crescente violência da cidade
de São Paulo, enfim na tentativa de evitar
que sejamos roubados. Diante do problema de segurança,
em São Paulo, e a crescente privatização
dos mecanismos de segurança, na cidade,
há algumas perguntas implícitas
que devemos tentar responder: a construção
de um muro em torno de sua casa é legal?
Por que o Estado não impede que a violência
cresça?
Em
primeiro lugar, ninguém questiona a legalidade
e a legitimidade de você cercar aquilo que
é reconhecido como propriedade sua, e então,
você tem todo o direito de tentar se proteger
diante de ameaças externas. Em segundo
lugar, provavelmente o Estado não acaba
com a violência em São Paulo porque
suas causas são estruturais (como por exemplo
a extrema pobreza na periferia da cidade) e portanto,
a solução está fora do seu
alcance e assim, só lhe resta a alternativa
de tentar reprimir a violência.
Utilizo-me
desta história que você certamente
conhece para que possamos discutir a criação
do muro nos territórios palestinos. A idéia
da construção do muro é uma
idéia antiga que já esteve em discussão,
em Israel, mesmo no âmbito de governos de
esquerda, mas que por diversas vezes foi descartada
dado o problema de alto custo, o questionamento
sobre a efetividade do sistema de segurança
e finalmente, porque havia um processo de paz
em curso e, portanto, a medida poderia atrapalhar
as negociações.
A
sociedade, nos últimos anos, vem discutindo
a construção do muro pela mesma
razão que você pensa em cada dia
como aumentar a sua segurança diante da
violência do mundo aí fora, ou seja,
o muro vem a contribuir para um aumento da “sensação”
de segurança. Digo sensação
porque de certo modo você sabe que o muro
de sua casa e todo o sistema de segurança,
montado em volta dela, não é capaz
de definitivamente impedir que ocorra um roubo
e, portanto, o sistema de segurança apresenta
um aumento mais da “segurança psicológica”
do que da “segurança real”.
Desta forma, a construção de um
muro nos territórios palestinos, do ponto
de vista do cidadão de conhecimento médio,
significa mais que nada a sensação
de estar mais seguro; sensação esta
que não necessariamente corresponde à
segurança real, pois é pouco provável
que os atentados parem mesmo com o muro concluído.
A decisão política da construção
do muro vem, portanto, em meio a segunda Intifada,
ou seja, uma onda crescente de atentados terroristas
dentro do território israelense, acoplada
a quase-morte do processo de paz; portanto, o
clima político interno israelense tornou
propício a construção do
sistema de segurança de modo que a maior
parte da população, mesmo os tradicionais
militantes da esquerda tendem a apoiar a sua construção,
simplesmente porque sentem a mesma necessidade
psicológica de segurança que você
sente.
Do
ponto de vista da legalidade, ou seja, do Direito
Internacional, o muro não deveria ser um
problema desde que fosse construído sobre
a linha verde, ou seja, dentro das fronteiras
reconhecidas legal e internacionalmente, entretanto,
várias partes do muro, projetadas ou já
construídas, encontram-se depois da linha
verde. Vejamos o mapa abaixo do muro:

Fonte: http://www.mideastweb.org/thefence.htm
Como
pode-se perceber, o muro literalmente “encapsula”
várias regiões palestinas; mapas
mais detalhados inclusive mostram vários
encapsulamentos aonde colônias israelenses
são colocadas também dentro de muros
(como se fora um Alphavile rodeado de favelas).
Por conseqüência, o muro vem causando
sérios distúrbios no dia a dia da
vida de milhares de palestinos que têm de
passar por vários “portões”
(ckeck-points) para conseguir chegar ao trabalho,
ir à escola, ter acesso à saúde,
etc.
A
legalidade do muro está sendo discutida
dentro da Corte Internacional de Justiça;
no caso “as conseqüências legais
da construção do muro nos territórios
ocupados da palestina” (acompanhe o julgamento
pelo site http://www.icj-cij.org/icjwww/idocket/imwp/imwpframe.htm).
Provavelmente a Corte deve chegar à conclusão
da ilegalidade da construção do
muro (1), justamente porque parte significativa
dele está sendo construída para
além da linha verde.
No
entanto, qual a conseqüência prática
deste julgamento? Provavelmente nenhuma, pois
no sentido Realista mais puro, Israel é
uma potência militar inquestionável,
guiada por interesses próprios de defesa
de sua segurança, e portanto, com ou sem
apoio da comunidade internacional, Israel continuará
a construir o muro.
Mas
será tal muro capaz de impedir a escalada
do terrorismo? Isto é improvável,
pois o terrorismo se alimenta da miséria
e do sentimento de marginalização
que os palestinos sentem, e assim, os grupos terroristas
devem encontrar outros meios para conseguir perpetrar
seus ataques. Mas se o terrorismo continuará
e o muro é ilegal então para que
insistir na construção dele? Pela
mesma razão que os condomínios em
Alphaville, Morumbi ou Barra da Tijuca têm
grandes cercas e sistemas sofisticados de segurança;
porque isso aumenta a sensação de
segurança de seus moradores, ao isolar
os “ricos” dos “pobres”.
Finalmente,
por que Israel, ou mais especificamente, a Autoridade
Palestina não eliminam com o Hamas? Porque
o Hamas não é simplesmente uma organização
terrorista; ele é uma complexa rede social
que provê serviços de creche, educação
e saúde, apoiando a população
aonde a Autoridade Palestina ou Israel não
apóiam e, portanto, a força do grupo
não é apenas o discurso ideológico,
é sua força social.
É
preciso lembrar que a maior parte da população
palestina é absolutamente miserável
e, portanto, as causas do terrorismo são
forças estruturais que não podem
ser combatidas sem que, de fato, haja um comprometimento
internacional com o desenvolvimento socioeconômico
da região.
Por
outro lado, é verdade que a Autoridade
Palestina fez e faz pouco para combater o Hamas,
não só por medo da potencialidade
de uma guerra civil, mas também, a Autoridade
Palestina fez muito pouco para contribuir com
o desenvolvimento da população palestina,
isto porque grande parte dos oficiais da AP são
corruptos. Em 10 anos os casos são notáveis;
a mulher de Arafat, que reside em Paris, está
sendo investigada pelo recebimento ilegal de US$
10 milhões; o FMI investiga também
o desvio de doações, feitas à
AP, para contas privadas em bancos israelenses,
totalizando US$ 900 milhões, além
de outras dezenas de casos envolvendo largas somas
de doações vindas dos Estados Unidos
e Europa (veja http://www.palestinefacts.org/pf_1991to_now_pa_corrupt.php
e http://www.eretzyisroel.org/~jkatz/corruption.html).
O
mais recente escândalo envolve a produtora
de cimento,
Al-Quds, de propriedade da família do Primeiro
Ministro da Autoridade Palestina, Ahmed Qureia,
que é considerada uma das maiores empresas
do setor no Oriente Médio, e está
sendo acusada por parlamentares palestinos de
fornecer o cimento para a construção
do referido muro (http://www.telegraph.co.uk/news/main.jhtml?xml=/news/2004/02/12/wmid12.xml).
Conclusão
Certamente
o muro não é a solução
para os problemas de segurança no Oriente
Médio, pois ao mesmo tempo que ele aumenta
a sensação de segurança,
nos israelenses, causa mais ódio entre
os palestinos, mas é e será mais
uma realidade da região enquanto a solução
definitiva não vem. A meu ver, a solução
estaria no enriquecimento da população
palestina, e não apenas de alguns elementos,
mas isto parece também estar longe de ser
possível, porque a liderança da
AP se alimenta da miséria, em seus negócios
corruptos, tanto quanto o Hamas se alimenta da
pobreza de seu povo, provendo serviços
sociais.
Nota
do Editor.
(1). De fato, a Corte Internacional concluiu pela
ilegalidade do muro, confirmando-se, portanto,
as expectativas deste articulista, o qual enviara
o artigo antes daquele veredicto.
Gilberto
Sarfati
Mestre em relações internacionais
pela Universidade Hebraica de Israel e doutorando
em Ciência Política pela USP. É
docente no curso de relações internacionais
/ Belas Artes; e Faculdades Rio Branco.
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R E S E N H A S & S I
N O P S E S |
| Política
Nuclear Brasileira
**Por
Camila Benesi, Ailson Reis, Vanessa Olavo
e Tatiana Matsumoto.
O
Brasil, mesmo sendo um país pacifista,
necessita de investimentos no desenvolvimento
de projetos nucleares, como o enriquecimento de
urânio na aplicação da energia
nuclear.
Consonante
com nossa história econômica, nas
décadas de 1940/50 o Brasil apresentou
um invejável crescimento em sua economia,
e data daquela época o início da
corrida nacional em investimentos de pesquisa
na área nuclear.
Porém,
na década de 1970, devido ao primeiro choque
do petróleo (1973), o Brasil passou por
uma grave crise econômica, pois grande parte
do petróleo consumido ainda era importado.
Não
obstante, no decênio seguinte o Brasil amplia
suas pesquisas nucleares, desenvolvendo significativamente
a técnica de enriquecimento do urânio,
utilizando-se da investigação já
realizada sobre tal tecnologia e posta em prática
por países mais desenvolvidos nessa matéria
como Estados Unidos e Alemanha.
Com
efeito, o desenvolvimento da energia nuclear é
importante para nós, pois para o Brasil
poder avançar industrialmente, será
necessário o consumo de uma maior quantidade
de energia em relação ao que recentemente
é produzido e consumido no país.
Aliás,
nós ainda sub-consumimos energia; no entanto,
só as hidrelétricas não comportariam
aumento de consumo, portanto é necessária
a utilização também da energia
nuclear como fonte complementar e alternativa
secundária.
Secundária
porquanto a prioridade nacional são as
hidrelétricas, pois segundo o almirante,
Otton da Silva, o parque hidrelétrico nacional
"é mais valioso que as reservas de
petróleo da Arábia Saudita",
além do que o petróleo é
uma fonte de energia esgotável.
De
acordo com da Silva, é necessário
sabermos fazer uma boa gestão de nossas
fontes, saber aproveitar os recursos energéticos,
quando os temos e mesmo quando não os temos.
Ele cita a França como um exemplo de país
que é deficiente em fontes minerais e,
portanto, utiliza-se da dominação
dos recursos de países africanos para suprir
suas necessidades energéticas.
A
capacidade energética é um item
representativo da qualidade de vida. Quanto maior
o consumo de energia, maior é a qualidade
de vida de um país; o Brasil necessita
expandir sua capacidade energética, ampliando-a
através da alternativa nuclear, além
da produção das hidrelétricas,
diz o Almirante.
De
todas as fontes de energia que possuímos
no Brasil, a energia gerada pela força
hídrica é a mais abundante, posto
que as hidroelétricas brasileiras são
a maior fonte energética do país,
e produzem a maior parte da energia consumida.
Já as Fontes Térmicas – como
sabemos - produzem energia através da queima
de combustível fóssil e termonuclear.
(O Brasil está investindo na produção
de usinas termonucleares). Por sua vez, a energia
produzida pela Biomassa (matéria orgânica
usada como combustível), e pela força
Eólica (movida pelo vento) servem apenas
como fontes complementares.
Dado
que a reserva brasileira de petróleo é
pequena e haveria possibilidade da queima desse
combustível fóssil para produção
de energia, visto que seria necessária
grande quantidade desta fonte para este fim, o
que seria um problema, pois já há
um grande consumo de petróleo para outras
finalidades além do combustível.
Um
dos problemas apresentados em relação
à usina termelétrica reside no prazo
de investimento em sua construção.
É necessário pelo menos dez anos
de investimentos para construção
de uma termelétrica, prazo longo este em
relação aos demais investimentos.
Enquanto isso, a construção de uma
barragem de usina hidrelétrica, além
de levar menos tempo, apresenta múltiplas
utilizações, quando bem planejada.
Deste
modo, o Brasil precisa investir em mais estudos,
programas e incentivar fundações
de pesquisas em relação às
fontes de geração de energia, principalmente
a nuclear, que atualmente vem sendo a melhor alternativa
secundária.
Houve
recentemente uma certa polêmica internacional
(diga-se norte-americana) em relação
à política nuclear brasileira. O
Brasil não permitiu a vistoria da usina
nuclear localizada em Rezende, estado do Rio de
Janeiro, o que provocou um questionamento mundial
sobre a produção de armamentos nucleares
por parte do Brasil.
Mas
segundo o almirante, da Silva, a não permissão
nacional à fiscalização deve-se
ao sigilo tecnológico de produção
de energia nuclear, afinal o Brasil detém
conhecimentos suficientes para enriquecimento
de urânio, utilizando-se de pouco investimento,
porém com produção de qualidade.
Isto tem provocado uma certa curiosidade por parte
de outros países em conhecer a tecnologia
nacional, arrematou da Silva.
A
detenção de conhecimentos em energia
nuclear resume-se não apenas numa questão
econômica, mas também, numa questão
de soberania nacional, a fim de evitar a dominação
exclusiva dos países desenvolvidos em relação
a estes recursos. Portanto, a polêmica gerada
sobre o Brasil foi uma artimanha utilizada, principalmente
pelos Estados Unidos, para poder conhecer a técnica
nacional, uma vez que o Brasil se recusou a mostrar
totalmente a forma como é produzida.
Na
verdade, os norte-americanos alegaram preocupação
com o Brasil sobre a produção de
armas nucleares, visto que o país assinou
o tratado de não-proliferação
de armas nucleares, e assim, não poderia
estar se recusando à fiscalização
internacional; outro motivo alegado foi a não
aceitação brasileira de assinar
o Protocolo Adicional, no qual deveria permitir
a inspeção às instalações
em qualquer local do território brasileiro,
mesmo que sem permissão.
Cumpre
assinalar que a usina Angra I é de tecnologia
americana, apesar de a Alemanha ter sido intermediária,
quando o Brasil a adquiriu; já as usinas
Angra II e III são de tecnologia alemã.
No
que diz respeito às questões ambientais,
os cientistas alegam que as usinas termonucleares
contribuem menos com o efeito estufa e o único
problema seriam os resíduos produzidos
por elas, porém a questão residual
não é apenas um problema nuclear,
mas também, de outras fontes geradoras
de energia. Ademais, a quantidade de resíduos
nucleares produzida é bem inferior em relação
às demais fontes. E as usinas hidrelétricas
também apresentam questionamento em relação
aos problemas ambientais, como por exemplo, o
alagamento e a fumaça.
A
título de resumo conclusivo, pontuamos
a seguir algumas observações proferidas
pelo almirante, Othon da Silva.
-
Segundo ele, na década de 90, a inspeção
nuclear era mais confiável, pois os segredos
tecnológicos eram preservados, verificando-se
apenas se realmente não estavam sendo produzidos
armamentos nucleares.
-
O Brasil detém a sexta reserva mundial
de urânio, mas de fato, há muito
mais do que as regiões que já são
conhecidas, estando as três maiores reservas
mundiais com EUA, Austrália e Rússia.
-
Somos um país onde não se desenvolve
artefatos nucleares, mas a comunidade científica
nacional detém conhecimento suficiente
para produzi-los, caso seja necessário.
-
O Brasil exportava inicialmente o urânio
"in natura", mas atualmente o exporta
enriquecido. Nosso país não tem
interesse apenas na exportação de
seus recursos energéticos, mas utiliza-se
da venda deste minério para adquirir capital
com o fito de investir na construção
de suas instalações nucleares (que
já chegaram a ficar paralisadas por 10
anos por falta de investimentos).
*.
Resenha elaborada sobre a Palestra proferida pelo
almirante, Otton da Silva, no Sindicato dos Jornalistas
de São Paulo, em 9 de Junho de 2004.
**. Acadêmicos do 2.º semestre de Relações
Internacionais /Belas Artes, os quais compareceram
à citada Palestra, acompanhados do Prof.
Dr. Nilson Araújo de Souza, titular das
disciplinas de Economia Política, Formação
Econômica e Social do Brasil e Economia
Brasileira Contemporânea.
Energia
atômica para fins pacíficos
*Por
Adrine Curcio, Felipe Lopes, Kleber Gonçalves
e Sislene de Souza.
Quando
ouvimos falar de energia nuclear, pensamos rapidamente
em bombas atômicas e catástrofes
diversas. Mas uma usina nuclear, voltada para
a produção de energia, é
algo totalmente seguro e muito mais complexo que
a produção de uma bomba. Entre ambas
existe uma diferença crucial: a bomba nuclear
é resultado de uma reação
em cadeia e descontrolada, enquanto na produção
de energia essa reação é
cuidadosamente controlada.
Todo
país, convenhamos, precisa de fontes de
energia, e isso torna indispensável uma
boa gestão dessas fontes, para se obter
os investimentos necessários na área
e seu uso consciente. O uso da energia elétrica,
por exemplo, demonstra indícios do padrão
de vida dos países.
Atualmente,
o compartilhamento da era nuclear é fundamental
e parece ser muito adequado ao perfil do nosso
país, levando em conta nossa tecnologia
própria e o acesso à matéria-prima
principal, o urânio.
Apesar
disso, nos deparamos com um gargalo econômico,
onde a construção de usinas nucleares
envolve gastos iniciais elevados, porém
esse problema pode ser minimizado a partir da
venda - para outros países - do urânio
in natura, direcionando os superávits para
a implantação de novas usinas.
Um
problema que ainda necessita de solução
é o fato que os resíduos nucleares
devem ser armazenados longe do contato humano
por serem perigosos, e isso pode causar problemas
sérios para as futuras gerações.
Não
podemos nos esquecer também do problema
da espionagem, roubo de informações
e até mesmo sabotagem industrial e de estudos
científicos por parte de outros países,
tornando a segurança de informações
um importante aliado da tecnologia.
Tecnologia
esta que, convenhamos, só pode ser obtida
com o estímulo a pesquisas e condições
para experimentações, considerando-se
ainda políticas pacifistas e benéficas,
tal qual a brasileira, na busca de uma forma mais
limpa e sustentável de energia.
O
Brasil, segundo o almirante, Othon da Silva, possui
a sexta maior reserva de urânio do mundo,
o que lhe permitirá o suprimento doméstico
durante os próximos 100 anos, além
de destinar o excedente para o mercado externo.
Esse é o motivo do grande interesse no
minério brasileiro por outros países,
como a China e EUA. Apesar disso, o Brasil precisa
de ajuda externa (Canadá e Europa) para
enriquecer seu urânio; nos últimos
anos não foram feitas novas sondagens em
pesquisa de reservas de minérios, e atualmente,
é extraído apenas o necessário
para o abastecimento das Usinas Nucleares de Angra
I e II.
As
maiores reservas – medidas em toneladas
- são lideradas pelo Cazaquistão
(957 mil), Austrália (910 mil), África
do Sul (369 mil), EUA (355 mil), Canadá
(332 mil), enquanto a reserva brasileira é
estimada em 309 mil toneladas e há potencial
para serem elevadas, já que foram explorados
apenas 25% do território nacional (INB).
Todo
país precisa dirigir energia para saneamento,
indústrias, transportes, etc. Na década
de 90 tivemos uma experiência muito negativa,
época que ficou conhecida como (mais uma)
década perdida, devido à falta de
investimento no setor energético, o que
impediu o desenvolvimento e crescimento da sociedade.
Não
obstante, a energia elétrica é assunto
de todos os dias; é um fator muito importante
para assegurar o crescimento econômico de
um país e a qualidade de vida da população.
A
demanda doméstica de energia continua crescendo
e está cada vez mais difícil o licenciamento
ambiental dos aproveitamentos hídricos
economicamente viáveis; o consumo de energia,
no Brasil, é de 1.930 kWh/hab, enquanto
em países mais desenvolvidos varia de 7.000
a 12.000 kWh/hab (Japão, Inglaterra, EUA
etc.), portanto, o país precisa de novas
fontes de energia a um custo barato, com alta
tecnologia para assegurar o seu crescimento industrial
e o bem-estar da população; para
isso, é necessário ampliar nossa
capacidade energética, (atualmente 83.000
megabits) incluindo-se a área nuclear para
um projeto de gestão de energia.
Em
termos de capacidade energética, nossas
reservas de petróleo não são
muito grandes; temos reserva para assegurar o
abastecimento apenas para os próximos 30
anos aproximadamente, mas ao analisarmos a matriz
energética do Brasil, estamos numa situação
classificada como boa, devido em grande parte
à Petrobras, a qual fez e vem fazendo um
magnífico trabalho, nesse segmento, através
de investimentos tecnológicos, somados
aos esforços de nossa marinha que contribuiu
para o domínio do ciclo nuclear.
O
Brasil possui o maior parque hidrelétrico
do mundo e se fizermos nosso planejamento bem
feito como, por exemplo, construir mais barragens
para gerar energia, investir em tecnologias, completar
as instalações das usinas nucleares
(Angra dos Reis III) e fizermos também
um bom aproveitamento de nossas matérias-primas,
teremos energia suficiente para os próximos
100 anos.
Vale
sublinhar que o Tratado de Não-Proliferação
Nuclear (TNP), proposto pelos Estados Unidos e
pela ex-União Soviética, tem por
objetivo evitar uma guerra nuclear e instaurar
uma cooperação internacional para
a utilização civil da energia nuclear.
E está baseado na distinção
entre as cinco potências nucleares (EUA,
Rússia, França Reino Unido e China),
que se comprometem em não transferir armas
nucleares para ninguém, nem ajudar um país
a adquiri-las.
Por
sua vez, na década de 90, o Brasil renunciou
a um programa militar secreto que poderia ter
produzido urânio para bombas, mas o país
firmou o TNP na qualidade de não-detentor
de armas nucleares. Autoridades brasileiras já
aceitaram abrir suas instalações
a AIEA (International Atomic Energy Agency), mas
ainda se discute qual será o grau de acesso
dos inspetores à unidade de enriquecimento
de urânio, em Resende (RJ), porque o governo
alega que isso colocaria em risco seus segredos
industriais.
Washington
quer que o Brasil vá além de seus
compromissos definidos no TNP e assine o chamado
Protocolo Adicional, que permite inspeções
mais intrusivas e sem prévio aviso por
parte da AIEA. A maioria das autoridades americanas
diz não temer que o Brasil ressuscite seu
programa de armas nucleares e admite que o país
tem motivos legítimos para manter suas
conquistas tecnológicas sob sigilo. Mesmo
assim, segundo uma fonte americana de primeiro
escalão, o Brasil "é o único
país entre os fornecedores nucleares que
não assinou o Protocolo Adicional".
Tal Protocolo Adicional não deve ter maiores
conseqüências para o Brasil, mas a
adoção do Protocolo - por parte
do Brasil - seria uma mensagem forte para o resto
do mundo.
*. Acadêmicos do 2.º semestre de Relações
Internacionais / Belas Artes, também presentes
à Palestra do almirante, Othon da Silva.
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UNCTAD
na Universidade
A
XI UNCTAD realizada em São Paulo, de 13
a 18 de junho/04, provocou eventos paralelos em
torno de seus temas, principalmente das universidades
paulistanas que abrigam o curso de relações
internacionais.
Para
tanto, contaram com o apoio da Secretaria Municipal
de Relações Internacionais, através
de Sua Excelência, o Sr. Kjeld Jakobsen
e seu staff.
Por
sua vez, ao Unicentro Belas Artes coube o privilégio
de receber Sua Excelência, Salvador Arriola,
cônsul-geral do México, em São
Paulo que, juntamente com um dos docentes da casa,
o Prof. Dr. Sidney Ferreira Leite, proferiram
palestras sobre o tema: “Reunião
mundial da Unctad e o desenvolvimento latino-americano”.
Nosso
contributo à XI UNCTAD ainda se fez presente
com a participação de alguns alunos,
os quais foram selecionados e treinados pela Secretaria
Municipal de Relações Internacionais,
comparecendo ao Pavilhão de Exposições
do Anhembi, na condição de voluntários
da ONU, fomentando a organização
e realização da mencionada Conferência
Mundial.
Destacamos,
portanto, a participação dos seguintes
acadêmicos de RI: Ailson Reis; Atila Berardinelli;
Gabriela Conrad; Joyce Payan; Carlos Leonel e
Sérgio Bertarelli. Parabenizamos a todos
pelo relevante trabalho, revestido de responsabilidade
social, e ainda, por elevarem o nome do nosso
Curso.
URBIS
2004
A
URBIS 2004, em sua 3.ª edição,
ocorreu em paralelo à XI UNCTAD, acolhendo
representantes de cidades de várias partes
do mundo.
Desta
feita, mais uma vez um grupo voluntariado de nossos
acadêmicos contribuiu para o sucesso deste
evento promovido pela prefeitura paulistana, recepcionando
os visitantes dos diversos Estandes que lá
se instalaram.
Orgulhosos
e agradecidos ficamos com a participação
dos nossos acadêmicos de RI nos respectivos
Estandes representativos das seguintes localidades:
Bruno Aoki e Felipe Garcia - Osaka (Japão)
Carolina Bronzatto - Santa Cruz de la Sierra (Bolívia)
Diogo Stoppa - Flacma (EUA)
Lucas dos santos - Jericó (Israel)
Nathalie Herman - Marseille (França)
Aula Magna
“Nexos
e reflexos do narcotráfico na América
Latina”. Este será o tema em debate,
no evento que recepcionará os calouros
e veteranos de relações internacionais,
na semana que dará início ao 2.º
semestre letivo de 2004. E como de praxe, também
será aberto a toda a Comunidade Febaspiana.
Como
palestrante, teremos o privilégio de receber
o Prof. e pesquisador, Thiago Rodrigues, mestre
e doutorando em Ciência Política,
e também, docente e coordenador do curso
de relações internacionais, nas
Faculdades Santa Marcelina / SP.
A
referida palestra ocorrerá no auditório
Prof. Raphael Galvez Dazzanni, dia 4 de agosto/04,
a partir das 19h30. E após seu término,
o Prof. Thiago autografará exemplares de
seu livro recém-lançado, abordando
o tema do narcotráfico.
Semana
Diplomática
A
3.ª edição da Semana Diplomática
transcorrerá de 10 a 14 de setembro próximo
e cuja organização está sendo
fomentada pela diretoria do Centro Acadêmico
Sérgio Vieira de Mello.
Em
breve será disponibilizada a completa programação
com os respectivos partícipes.
(RFdV).
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E M O R I A L D I P L O M Á T I C O |
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San
Tiago Dantas: do integralismo
à Política Externa Independente
Introdução
Francisco Clementino de San Tiago Dantas nasceu
no Rio de Janeiro no dia 30 de agosto de 1911.
Filho do almirante Raul de San Tiago Dantas e
de Violeta de Melo de San Tiago Dantas, foi casado
com Edméia Carvalho Brandão. Advogado,
jornalista e professor universitário, foi
Deputado Federal por Minas Gerais (1959-1963),
Ministro das Relações Exteriores
(1961-1962) e Ministro da Fazenda (de 24 de janeiro
a 20 de junho de 1963).
Nesta nota biográfica,
tratar-se-á, ainda que de forma bastante
sumária, de alguns dos principais aspectos
relativos à trajetória de vida de
San Tiago Dantas, apresentando informações
sobre sua formação como advogado
e suas atividades como Professor de Direito e
político. De modo mais detido, serão
analisados dois momentos fundamentais na biografia
de San Tiago Dantas: sua participação
no movimento integralista na década de
1930 e sua atuação à frente
do Ministério das Relações
Exteriores, entre os anos de 1961 e 1962.
Ao término do trabalho,
encontra-se uma relação, ainda que
incompleta, de obras sobre e da autoria de San
Tiago Dantas. Desse modo, espera-se que estas
breves linhas possam constituir uma pequena contribuição
para o desenvolvimento de trabalho mais alentado
sobre este que foi certamente um dos mais destacados
Chanceleres brasileiros do século XX, que
atuou de forma decisiva na definição
dos rumos da política externa do país
em um período crítico da História
mundial e do Brasil, na primeira metade da década
de 1960.
A
Faculdade de Direito
Bacharel e Doutor em Direito pela
Faculdade Nacional de Direito do Rio de Janeiro
(1928-1932), foi Professor Catedrático
de Legislação e Economia Política
e de Instituições de Direito Civil
Comercial na Universidade do Brasil e Professor
de Direito Romano na Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro. Atuando como
advogado, conseguiu reunir uma fortuna apreciável,
chegando mesmo a adquirir o Jornal do Comércio
do Rio de Janeiro, o que lhe possibilitou veicular
suas idéias com plena liberdade.
O
integralismo
Uma das importantes passagens
da trajetória política de San Tiago
Dantas foi sua participação no movimento
integralista, do qual foi um dos pioneiros.
Constituiu o integralismo um movimento
político-ideológico de tendência
nacionalista, autoritário, antiliberal,
anticapitalista, anticomunista e anti-semita que
atuou praticamente em todo o Brasil entre os anos
de 1932 e 1937, sob a legenda da Ação
Integralista Brasileira (AIB), partido político
liderado nacionalmente por Plínio Salgado
(1895-1975). (1)
Ainda jovem aluno da Faculdade
de Direito, San Tiago Dantas fez parte do grupo
de estudantes e intelectuais do Rio de Janeiro
“com os quais Salgado estabeleceu contatos
políticos após a Revolução
de 30. Efetivamente, em 1931, Dantas fundou, com
Plínio Salgado, o jornal A Razão,
um dos berços do futuro movimento integralista.
Também publicou artigos em Hierarchia e
na Revista de Estudos Jurídicos e Sociais,
periódicos de tendência fascista
nos quais colaboraram diversos dos futuros líderes
integralistas do Rio de Janeiro, como Hélio
Vianna, Madeira de Freitas, Américo Jacobina
Lacombe, Augusto Frederico Schmidt e o próprio
San Tiago Dantas. Foi muito possivelmente em decorrência
de sua aproximação com esse grupo
de estudantes e professores nacionalistas, a que
se somava sua profunda religiosidade, que San
Tiago optou pela adesão ao integralismo.
Como afirma Hélgio Trindade:
“Em setembro de 1929, o
Centro de Estudos Jurídicos [da Faculdade
de Direito do Rio de Janeiro] constitui uma comissão
de alunos para realizar um inquérito sobre
a sociologia brasileira, tendo como centro de
interesse o ‘problema de formação
da nacionalidade’. A comissão, formada
por Américo Lacombe, presidente; Hélio
Vianna, secretário; Santiago Dantas, relator;
e Octavio de Faria, apresenta um relatório
em maio de 1931, criticando a Revolução
de 30 e elogiando as novas tendências políticas
autoritárias e nacionalistas (...)”
(2)
Assim, San Tiago Dantas inclui-se
entre os jovens estudantes de Direito do Rio de
Janeiro que criticaram as orientações
impostas pelo grupo vitorioso em 1930 - que pôs
fim à dominação oligárquica
da República Velha -, mas que também
rejeitaram a opção comunista, com
a qual, embora compartilhassem o sentimento antiliberal
e antiburguês, tinham profundas divergências
no tocante à visão dos rumos a serem
tomados pela revolução social no
Brasil. Com efeito, enquanto os comunistas formulavam
a crítica materialista do capitalismo,
os integralistas envergavam a bandeira da crítica
moral à exploração capitalista
(3).
Adepto das tendências antiliberais
e nacionalistas de direita, San Tiago Dantas integrou
a Sociedade de Estudos Políticos (SEP),
fundada em 12 de março de 1932 e que constituiu
“centro de reflexão ideológica
de onde vai nascer o manifesto integralista de
1932 e a Ação Integralista Brasileira
(AIB)” (4), sob a liderança nacional
de Plínio Salgado. Na SEP, San Tiago Dantas
ocupou a chefia do Setor de Religião, junto
com Rui Barbosa de Campos, Sebastião Pagano
e Plínio Correia de Oliveira (5).
Com a criação da
AIB, San Tiago Dantas passou a militar em favor
do movimento sobretudo através da apresentação
de palestras e cursos voltados para a divulgação
da doutrina dos camisas verdes, tendo ainda composto
o Secretariado Nacional da AIB de junho de 1936
até a dissolução do partido,
em dezembro de 1937.
Após o putsch integralista
de 1938 contra Getúlio Vargas, já
em pleno Estado Novo, e que resultou na prisão
de diversas lideranças nacionais e regionais
do movimento, San Tiago Dantas rompeu com Plínio
Salgado, passando então a dedicar-se sobretudo
à carreira acadêmica e ao exercício
da advocacia.
Atuação
Política e Administrativa pós-1945
Com o término do Estado
Novo, em 1945, San Tiago Dantas assumiu importantes
postos na Administração Pública
Federal. Entre os anos de 1945 e 1946, compôs
o Conselho Nacional de Política Industrial
e Comercial do Ministério do Trabalho,
Indústria e Comércio. De 1949 a
1958 foi Vice-Presidente da refinaria de petróleo
de Manguinhos. Foi ainda assessor pessoal de Getúlio
Vargas ao longo do seu segundo governo (1951-1954),
colaborando na elaboração do anteprojeto
de criação da PETROBRAS –
apresentado ao Congresso Nacional em 1951 - e
do projeto de criação da Rede Ferroviária
Federal. Finalmente, San Tiago Dantas voltou a
atuar politicamente no ano de 1955, filiando-se
ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).
De algum modo, o seu arraigado
nacionalismo constituiu certamente um dos principais
fatores que o motivaram a adotar, como Ministro
das Relações Exteriores, a Política
Externa Independente, iniciada no Governo Jânio
Quadros (1961) e por ele posta em prática
durante o Governo João Goulart (1961-1964).
SAN
TIAGO DANTAS e a Política Exterior do Brasil
Eleito Deputado Federal pelo Estado
de Minas Gerais, em outubro de 1958, San Tiago
Dantas foi nomeado Embaixador do Brasil na ONU
pelo então Presidente Jânio Quadros,
no dia 22 de agosto de 1961. Para assumir esse
posto, renunciou, no dia 24 de agosto, ao mandato
de Deputado Federal. No entanto, não viria
a assumir a Cadeira nas Nações Unidas,
pois, como é sabido, Jânio renunciou
à Presidência da República
em 25 de agosto do mesmo ano.
A renúncia de Jânio
deu origem a profunda crise política. Vetada
a posse do vice-presidente João Goulart
na Presidência pelos ministros militares,
foi instituído o regime parlamentarista
de governo, visando restringir os poderes do Presidente.
Goulart assumiu a presidência no dia 7 de
setembro de 1961, nomeando Tancredo Neves, do
Partido Social Democrático (PSD) para Primeiro-Ministro
e San Tiago Dantas para o Ministério das
Relações Exteriores.
Antes de comentar a importante
atuação de San Tiago Dantas à
frente do Ministério, vale ressaltar que
a sua indicação para os principais
postos da política externa brasileira,
no início da década de 1960, certamente
decorria de sua familiaridade com questões
de política externa, pois, anteriormente
ao ano de 1961, atuara nesse campo nos seguintes
momentos: a) como representante do Brasil na Primeira
Conferência de Ministros de Educação
das Repúblicas Americanas (Panamá,
1943); b) como Conselheiro da Delegação
Brasileira enviada à IV Reunião
de Consulta dos Chanceleres Americanos (Washington,
1951); c) como membro do Comitê permanente
de Arbitragem de Haia (1952); d) como Presidente
da Comissão Interamericana de Jurisconsultos
(Rio de Janeiro, 1955-1958). Além de haver
ocupado essas significativas posições
em organismos internacionais, San Tiago Dantas
também publicou, entre 1957 e 1958, diversos
editoriais do Jornal do Comércio –
de sua propriedade – dedicados à
análise da conjuntura internacional e colaborou
na redação da Declaração
de Santiago do Chile (1959), um dos mais importantes
documentos do Sistema Interamericano (6).
Além disso, é possível
ainda afirmar que foi em grande parte devido à
sua excelente formação jurídica,
larga experiência no campo das Relações
Internacionais e ao seu arraigado nacionalismo
- nutrido desde a juventude, durante sua militância
integralista – que, ao longo de sua atuação
como Ministro das Relações Exteriores,
no período de 11 de setembro de 1961 a
25 de junho de 1962, San Tiago Dantas adotou como
diretriz a denominada Política Externa
Independente, da qual trataremos a seguir.
A
Política Externa Independente
A Política Externa Independente
foi iniciada durante a Presidência de Jânio
Quadros, tendo à frente do Ministério
das Relações Exteriores o intelectual
e político mineiro, Afonso Arinos de Melo
Franco. Ambos – Jânio e Afonso Arinos
– eram políticos conservadores, vinculados
à União Democrática Nacional
(UDN), que reunia lideranças da direita
em todo o país, à época.
Apesar de seu caráter conservador,
no entanto, Jânio adotou uma política
exterior ponderavelmente progressista, mantendo
um discurso crítico em relação
aos Estados Unidos e aproximando-se de lideranças
dos países socialistas, como Cuba, a União
das Repúblicas Socialistas Soviéticas
(URSS) e outros países do Leste Europeu,
além de haver apoiado a independência
de Angola e Moçambique – distanciando-se
assim de tradicional aliado conservador que era
Portugal. Como explica um estudioso da política
exterior do Brasil no período, geralmente
“um governo conservador tem maior margem
de manobra para promover uma alteração
de rumos desse tipo” (7). Ao adotar essas
e outras medidas, Jânio Quadros dava início
à denominada Política Externa Independente
- PEI, que teve como principais protagonistas
os Chanceleres Afonso Arinos e San Tiago Dantas.
De acordo com Paulo Roberto de
Almeida, a PEI constitui uma “espécie
de parênteses inovador num continuum diplomático
brasileiro dominado pelo conflito Leste-Oeste”
(8), que desde o final da Segunda Guerra Mundial
opunha países socialistas, sob a liderança
da URSS - e capitalistas, sob a hegemonia dos
EUA, ao qual o Brasil alinhava-se automaticamente
desde 1945. Entretanto, após a Revolução
Cubana (1959) e o início do processo de
descolonização do continente africano,
e sobretudo durante os Governos de Quadros e Goulart,
a diplomacia brasileira reorienta sua atuação,
passando a pensar a aliança preferencial
com os Estados Unidos “mais em termos de
vantagens econômicas a serem barganhadas
do que em função do xadrez geopolítico
da Guerra Fria” (9). Noutros termos, à
dicotomia ideológica Leste-Oeste - entre
socialistas e capitalistas - somava-se agora a
oposição econômica Norte-Sul,
entre países avançados e subdesenvolvidos,
voltando-se a política exterior do Brasil
primordialmente para a promoção
do desenvolvimento econômico do país,
independentemente da orientação
ideológica dos seus eventuais parceiros
comerciais.
De
todo modo, os principais fundamentos da PEI eram
os seguintes: a) promover exportações
do Brasil para todos os países, inclusive
os de orientação socialista; b)
defender o Direito Internacional, sobretudo os
princípios da autodeterminação
dos povos e da não intervenção
nos assuntos internos de outros países
(aplicados sobretudo em relação
à questão cubana); c) defesa do
desarmamento e da coexistência pacífica
nas relações internacionais; d)
apoio ao processo de descolonização
irrestrita dos territórios ainda submetidos;
e) defesa da autonomia dos países para
formular planos de desenvolvimento e solicitações
de ajuda externa (10).
Ao
tomar posse como Chanceler, no dia 11 de setembro
de 1961, San Tiago Dantas deu continuidade à
Política Externa Independente iniciada
por Afonso Arinos durante o governo Jânio
Quadros, pondo em prática os seus fundamentos
acima indicados. Com efeito, segundo Vizentini,
Dantas “dotou a PEI de um corpo teórico
consistente e colocou-a em prática, pois
Quadros pouco ultrapassara o nível do discurso”
(11). Efetivamente, apesar da fraqueza do Governo
João Goulart, permanentemente ameaçado
pelas forças conservadoras do país,
que suspeitavam de sua orientação
ideológica, Dantas pôs em prática
uma política externa realmente independente,
reatando relações diplomáticas
com a URSS e opondo-se à expulsão
de Cuba da Organização dos Estados
Americanos (OEA), proposta pelos Estados Unidos
durante a Segunda Conferência de Punta del
Este (Uruguai), em janeiro de 1962. Na Conferência
do Desarmamento, ocorrida em Genebra, no mês
de março daquele mesmo ano, o então
senador Afonso Arinos, substituindo San Tiago
Dantas na chefia da delegação brasileira
enviada à Conferência, afirmou a
posição do Brasil como potência
“não-alinhada”, contra as explosões
atômicas e favorável à reconversão
econômica, ou seja, ao emprego de recursos
financeiros no desenvolvimento e bem-estar e não
em armamentos (12).
Epílogo:
o Golpe de 1964
San
Tiago Dantas deixou o Ministério das Relações
Exteriores no mês de junho de 1962, desincompatibilizando-se
do cargo a fim de poder concorrer a um novo mandato
de Deputado Federal. Com a renúncia de
Tancredo Neves ao cargo de Primeiro Ministro naquele
mesmo mês, João Goulart propôs
ao Congresso que San Tiago Dantas o substituísse.
No entanto, e apesar de ser apoiado pelos nacionalistas,
pela ala esquerda do Parlamento e pelos sindicatos,
as lideranças conservadoras, que a ele
se opunham de longa data, por não concordarem
com a política exterior por ele conduzida
ao tempo da Chancelaria, vetaram a sua indicação
para Primeiro Ministro. No pleito de outubro de
1962, porém, foi reeleito Deputado Federal.
Com o retorno ao regime presidencialista,
após o plebiscito de janeiro de 1963, o
Presidente João Goulart nomeou San Tiago
Dantas Ministro da Fazenda, o qual se incumbiu
de levar a efeito o Plano Trienal de Desenvolvimento
Econômico e Social, elaborado pelo então
Ministro do Planejamento Celso Furtado. Constituía
o Plano Trienal uma proposta de austeridade econômica
que previa a promoção de crescimento
econômico de cerca de 7% ao ano e a redução
da inflação para 10% em 1965. Enfrentando
dificuldades para levar a efeito o Plano Trienal,
Goulart depôs Celso Furtado e San Tiago
Dantas de seus respectivas cargos, em junho de
1963.
San Tiago Dantas reassumiu então
o seu mandato de Deputado Federal. Em janeiro
de 1964, a pedido de João Goulart, e valendo-se
de sua ponderável influência junto
a diversos setores da esquerda moderada do país,
San Tiago Dantas procurou formar um governo de
frente única, a fim de evitar a deposição
do presidente, que já vinha sendo articulada
por militares, políticos e empresários.
No entanto, a frente única não se
formou e a vitória das forças conservadoras
tornou-se iminente. Deflagrado o golpe militar,
em 31 de março de 1964, San Tiago Dantas
não teve seu mandato de Deputado Federal
cassado. Faleceu no Rio de Janeiro seis meses
depois, no dia 6 de setembro de 1964.
Obras
sobre San Tiago Dantas
- COELHO, José Vieira et
al. San Tiago: vinte anos depois.
Imprenta Rio de Janeiro: Paz e Terra/IEPES, 1985.
65 p.
(Coleção Debates, 1).
- LACOMBE, Américo Jacobina.
San Tiago Dantas. Verbum. Rio de Janeiro: Universidade
Católica, v. 21, n. 4, dez. 1964, p. 259-263.
- MOREIRA, Marcílio Marques.
De Maquiavel a San Tiago: ensaios sobre política,
educação e economia. Brasília,
DF: Editora UnB, c. 1981. 170 p. (Cadernos da
UnB).
Obras de San Tiago Dantas
- SAN TIAGO DANTAS, Francisco
Clementino de. Conflito de vizinhança e
sua composição. Rio de Janeiro:
s. n., 1939. 352 p.
- SAN TIAGO DANTAS, Francisco
Clementino de. Rui Barbosa e o Código Civil.
Rio de Janeiro: Casa de Rui Barbosa, 1949. 85
p.
- SAN TIAGO DANTAS, Francisco
Clementino de. Problemas de Direito Positivo:
estudos e pareceres. Rio de Janeiro: Revista Forense,
1953. 428 p.
- SAN TIAGO DANTAS, Francisco
Clementino de. Integralismo e as classes armadas.
In: Enciclopédia Integralista. Rio de Janeiro:
Livraria Clássica Brasileira, 1960. Volume
IV, p. 59-64.
- SAN TIAGO DANTAS, Francisco
Clementino de et al. A preparação
das elites integralistas. In: Enciclopédia
Integralista. Rio de Janeiro: Livraria Clássica
Brasileira, 1960. Volume IX, p. 149-159.
- SAN TIAGO DANTAS, Francisco
Clementino de. Discurso de posse do Senhor San
Tiago Dantas como Ministro de Estado das Relações
exteriores. Rio de Janeiro: Ministério
das Relações Exteriores, 1961. 16
p.
- SAN TIAGO DANTAS, Francisco
Clementino de. Figuras do Direito. Rio de Janeiro:
José Olympio, 1962. 144 p.
- SAN TIAGO DANTAS, Francisco
Clementino de. Política Externa Independente.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,
1962. 258 p. (Retratos do Brasil, 13).
- SAN TIAGO DANTAS, Francisco
Clementino de. Produtividade, aspecto institucional.
Rio de Janeiro: Instituto de Ciências Sociais,
Universidade do Brasil, 1962. 27 p. (Cadernos
de ciências sociais, 6).
- SAN TIAGO DANTAS, Francisco
Clementino de. Idéias e rumos para a revolução
brasileira: discurso na homenagem que lhe foi
prestada como "Homem de visão de 1963".
Rio de Janeiro : Jose Olympio, 1963.
- SAN TIAGO DANTAS, Francisco
Clementino de. Programa de Direito Civil II: aulas
proferidas na Faculdade Nacional de Direito (1943-1945):
contratos. Rio de Janeiro: Rio, 1978. 378 p.
- SAN TIAGO DANTAS, Francisco
Clementino de. D. Quixote: um apólogo da
alma ocidental. Brasília, DF: UnB, 1979.
80 p. (Cadernos da UnB).
- SAN TIAGO DANTAS, Francisco
Clementino de. Programa de Direito Civil I: aulas
proferidas na faculdade nacional de direito (1942-1945):
parte geral. 2. ed. Rio de Janeiro: Rio, 1979.
406 p.
- SAN TIAGO DANTAS, Francisco
Clementino de. Programas de Direito Civil III:
direito das coisas. Rio de Janeiro: Rio, 1979.
464 p.
- SAN TIAGO DANTAS, Francisco
Clementino de. Discursos parlamentares. Brasília:
Câmara dos Deputados, 1983. 704 p. (Perfis
parlamentares, 21).
- SAN TIAGO DANTAS, Francisco
Clementino de. Um seminário na Universidade
de Brasília. Brasília, DF: Editora
UnB, c. 1985. 81 p. (Coleção Itinerários).
Notas:
(1). Há que ressaltar, no entanto, que
o movimento integralista continuou atuando mesmo
após o fechamento da AIB. Após o
Estado Novo, por exemplo, organizaram-se os integralistas
sob a legenda do Partido de Representação
Popular (PRP). Da considerável bibliografia
que aborda o integralismo como objeto de estudo,
cabe destacar a obra pioneira e bastante completa
do cientista político Hélgio Trindade.
Cf. TRINDADE, 1974. Análise da atuação
da AIB em uma região específica
encontra-se em CALDEIRA, 1999.
(2). TRINDADE, op. cit., p. 109.
(3). Para um melhor entendimento sobre o caráter
espiritualista da ideologia integralista, ver,
por exemplo, ARAÚJO, 1988.
(4). TRINDADE, op. cit., p. 124.
(5). Id., ibid., p. 127.
(6). Cf. Carreiras do Serviço Exterior.
San Tiago Dantas. Disponível em http://www.mre.gov.br/portugues/ministerio/carreiras_ext/personalidades_diplomatas/san.asp
Acesso em 02/07/2004.
(7). VIZENTINI, 2003, p. 23.
(8). ALMEIDA, 1999, p. 58.
(9). Id., ibid., p. 59.
(10). VIZENTINI, op. cit., p. 23.
(11). Id., ibid., p. 26.
(12). Ótima análise da atuação
de San Tiago Dantas à frente do Ministério
das Relações Exteriores encontra-se
em BUENO e CERVO, 1992, p. 294-315.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- ALMEIDA, Paulo Roberto de. O
estudo das Relações Internacionais
do Brasil. São Paulo: Unimarco Editora,
1999. 304 p.
- ARAÚJO, Ricardo Benzaquen
de. Totalitarismo e revolução: o
integralismo de Plínio Salgado. Rio de
Janeiro: ZAHAR, 1988. 116 p.
- BUENO, Clodoaldo e CERVO, Amado
Luiz. História da Política Exterior
do Brasil. São Paulo: Ática, 1992.
432 p. (Série Fundamentos, 81).
- CALDEIRA, João Ricardo
de Castro. Integralismo e política regional:
a ação integralista no Maranhão
(1933-1937). São Paulo: Annablume, 1999.
135 p.
- TRINDADE, Hélgio. Integralismo
(o fascismo brasileiro na década de 30).
São Paulo/Porto Alegre, RS: DIFEL/URGS,
1974. 388 p. (Corpo e alma do Brasil, 40).
- VIZENTINI, Paulo Fagundes. Relações
Internacionais do Brasil: de Vargas a Lula. São
Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo,
2003. 120 p. (História do povo brasileiro).
João
Ricardo de Castro Caldeira
Doutor em História Social pela USP. É
docente no Curso de Relações Internacionais
/ Belas Artes.
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