A arte da guerra e da paz

Blog da Reitoria nº 506, 13 de setembro de 2021

Por Prof. Paulo Cardim

Nós, os humanos, nascemos, vivemos e morremos, vendo partículas de nossos corpos voltarem aos laboratórios da natureza. No intervalo entre o nascer e o morrer, vivenciamos vários sentimentos e emoções na busca do melhor, da felicidade, que é o objetivo do Criador de todos e de tudo.

Nos tempos de bebê, buscamos o conforto do seio e do colo materno, o aconchego do berço macio, confortável. Mas nem sempre conseguimos alcançar essa felicidade.

Na infância os objetivos são mais detalhados, como um vestuário adequado, as primeiras letras, a alfabetização, os anos iniciais do ensino fundamental. Na adolescência já estamos no ensino médio, buscando conhecimento que nos instrumentalize para o exercício da cidadania, de alguma profissão. Mas nem sempre conseguimos êxito nessa fase e, muito menos, matrículas.

Daí em diante, os caminhos se multiplicam. Podemos ir para uma atividade profissional técnica ou para a graduação ‒ bacharelado, licenciatura ou cursos superiores de tecnologia. Caso a opção seja essa, talvez queiramos chegar ao pós-doutorado. Uma busca permanente para o melhor, uma “guerra” na paz. Uma guerra interior, na qual somos os dois lados: vencedores ou vencidos.

Na paz para a qual fomos criados, ter a consciência tranquila está nos humanos vencedores; do outro lado os vencidos, os que “perderam o bonde da história”. Entre os vencedores para a eternidade estão os mansos, pacíficos, porque eles herdarão a Terra  (Mt 5,9).

Os tempos que estamos vivendo em nosso planeta passam com a velocidade cada vez mais vertiginosa. As tecnologias digitais da informação e comunicação vieram para ficar e para tornar o nosso dia a dia mais dinâmico, produtivo. No Brasil não é diferente, exceto a guerra bélica, própria de nações envolvidas em conflitos ideológicos ou supostamente religiosos.

Em nosso Brasil continental, uno, persiste a paz exterior a nós, mas, para muitos uma guerra silenciosa, que corrói as relações humanas. Não há mais diálogos; mas debates ou discussões. O “discordar sem gostar menos” está sendo substituído pelo rancor, o ódio, a maledicência. Mãos antidemocráticas desrespeitam artigos pétreos da Constituição, quando deveriam cumpri-los. Autoridades supremas, quando desrespeitam os princípios de legalidade, o Direito podem decidir atos extremos, interrompendo os caminhos individuais de paz e do Estado Democrático e de Direito, premissa de que todo o poder emana do povo e pelo povo será exercida, por intermédio de seu representante, os parlamentares e os executivos, da União, das unidades federativas e infrafederativas. O povo não governa por meio de policiais, civis ou militares, das forças armadas ou de qualquer integrante do Poder Judiciário. TODOS, SEM EXCEÇÃO, ESTÃO SOB OS MANDAMENTOS DA CONSTITUIÇÃO E DOS QUE FORAM ELEITOS DEMOCRATICAMENTE PELO POVO E PARA O POVO. PONTO.

Não há guerra, há o descumprimento das leis, criadas democraticamente pelos parlamentos, com a sanção dos executivos, esses representantes legítimo do povo. A ISSO SE CHAMA ILEGÍTIMO, ILEGAL, ANTIDEMOCRÁTICO.

Nesse ambiente de guerra disfarçada em conflitos por decisões arbitrárias, lembro-me do filósofo Sun Tzu ou somente Wu, nascido na China, que viveu no  século 4 a.C. Escreveu um clássico da literatura mundial ‒ A Arte da Guerra ‒, traduzido em centenas de idiomas, atual em pleno século 21 d.C. Seus princípios podem ser aplicados em quase todos os ramos da atividade humana. Ele reconhece que “a suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar”. O estrategista deve dominar a arte de “saber quando lutar e quando esperar” e jamais “colocar em ação um exército motivado pela raiva; um líder jamais deve iniciar uma guerra pela ira”. E sua genialidade surge quando a habilidade de alcançar a vitória muda e adapta-se de acordo com o inimigo. Não vence o mais forte, mas o que se adapta mais rapidamente às mudanças ou a elas se antecipa. O equilíbrio e a serenidade estão sempre com o vencedor. Essa a Lei do Bom Senso, que não está inserta na Constituição, mas na consciência do ser humano, criado à imagem e semelhança do Senhor.

Dar um passo de recuo nem sempre antecipa uma derrota, mas prenuncia um impulso para alcançar vitórias.

E não posso concluir este texto sem recorrer ao poeta indiano, Prêmio Nobel de Literatura, Rabindranath Tagore (1861/1941) ou Gurudev : “Há triunfos que só se obtêm pelo preço da alma, mas a alma é mais preciosa que qualquer triunfo”.

“O POVO PRECISA  DE DUAS COISAS: LIBERDADE E EDUCAÇÃO.

LIBERDADE PARA PODER VOTAR. EDUCAÇÃO PARA SABER

VOTAR”.

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