Alfabetização: uma avaliação indispensável

Blog da Reitoria nº 390, 06 de maio de 2019

Por Prof. Paulo Cardim

“Ensinar exige rigorosidade metódica” (Paulo Freire)

“Avaliar também” (Paulo Cardim)

A definição de analfabetismo é simples e tradicional, conhecida por todos. O analfabetismo funcional, contudo, ainda não é totalmente claro para todos. Ao longo dos últimos vinte anos, a Unesco identificou e classificou o analfabetismo funcional como a capacidade de uma pessoa ser capaz de usar a leitura e a escrita para fazer frente às demandas de seu contexto social e de empregar essas habilidades para continuar aprendendo e se desenvolvendo ao longo da vida. Aprender a aprender.

Os índices de analfabetismo no Brasil ainda são assustadores, embora os dados oficiais queiram provar que está decrescendo. Aponta que 7% da população com quinze anos ou mais é considerada analfabeta. O Indicador de Alfabetismo Funcional revela que só um terço dos jovens brasileiros acima de quinze anos atingiu a alfabetização plena.

E os analfabetos dos anos iniciais do ensino fundamental? Há exemplos gritantes de que crianças que chegam analfabetas ao quinto ano.

O Ministério da Educação, nos governos passados, lavava as mãos. Informava os bilhões de reais transferidos a estados e municípios para a eliminação do analfabetismo, mas jamais foram efetivamente avaliados os resultados da aplicação desses bilhões. Em 2012 informou-se que, entre 2008 e 2012, 6,7 milhões de jovens e adultos foram beneficiados pelo Programa Brasil Alfabetizado, com um investimento bruto de R$ 1,4 bilhão.

O atual ministro da Educação, Abraham Weintraub, acaba de anunciar duas novidades na aplicação do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), neste ano. O Saeb terá testes de Ciências da Natureza e Ciências Humanas para uma amostra de estudantes do 9º ano e avaliação da alfabetização de alunos do 2º ano. Esta parece ser fundamental para a construção de uma política de Estado que, efetivamente, chegue à raiz do problema – a alfabetização na idade escolar própria. As promoções automáticas nas séries iniciais têm contribuído para formar analfabetos e, mais à frente, no nono ano, os analfabetos funcionais.

Segundo o ministro Weintraub “vai ter um ditado para as crianças. A questão é ter a sensibilidade para medir o que tem de errado e o que tem de certo”.

Ainda de acordo com o pronunciamento do ministro, o Saeb vai aplicar testes de Língua Portuguesa e Matemática para estudantes do 5º e 9º anos do Ensino Fundamental e da 3ª e 4ª séries do Ensino Médio (tradicional e integrado), bem como para uma amostra de alunos do 2º ano no Ensino Fundamental.

As escolas públicas que cumprirem o critério do Saeb − ter dez ou mais estudantes matriculados na série avaliada – integrarão obrigatoriamente a versão deste ano. É uma aplicação censitária. Para as escolas da livre iniciativa haverá a avaliação de uma amostra de estudantes dos mesmos anos e séries.

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) estima que sete milhões de estudantes participarão dessa avaliação. O custo do processo está orçado em R$ 500 milhões. O processo avaliativo ocorrerá entre 21 de outubro e 1º de novembro e os resultados devem ser divulgados até dezembro de 2020.

As ações do ministro Abraham Weintraub caminham no sentido de promoção de uma real avaliação da educação básica, que ofereça indicadores para a implantação e desenvolvimento de uma política de Estado para esse nível educacional. Trata-se do início da recuperação da qualidade do ensino público. O governo pretende, assim, eliminar definitivamente o analfabetismo e o analfabetismo funcional ainda na faixa etária própria ao ensino fundamental.

O ensino médio deve receber um estudante com a capacidade de usar a leitura e a escrita para fazer frente às demandas do curso, de seu contexto social e de empregar essas habilidades para continuar aprendendo, com possibilidades de acessar o ensino superior em condições de aprendizagem requeridas por esse nível educacional. A evasão e a retenção de estudante vão reduzir gradualmente, ao tempo em que a produtividade escolar e acadêmica devem evoluir positivamente.

Tudo começa por uma alfabetização real, com uma efetiva, eficaz e eficiente avaliação na faixa etária correspondente no ensino fundamental. Esse é o único caminho para uma educação de qualidade, em todos os níveis.

“É mais fácil governar um povo culto, cioso de suas prerrogativas e direitos, que tem nítida a compreensão de seus deveres, que um povo ignaro, indócil, sem iniciativa e inimigo do progresso”.

“O papel da instrução é preparar e formar homens capazes e úteis à sociedade; o papel do governo é fornecer meios fáceis de se adquirir a instrução, disseminando

escolas e patrocinando iniciativas boas confiadas à competência e ao amor de quem promove tão nobilitante tarefa”.

Prof. Carlos Alberto Gomes Cardim

Diretor da Escola Normal Caetano de Campos

Educador e Inspetor de Alunos, 1909

Irmão do fundador do

Centro Universitário Belas Artes de São Paulo

Pedro Augusto Gomes Cardim

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