Belas Artes: 95 anos de atividades ininterruptas na educação superior

Blog da Reitoria nº 457, 14 de setembro de 2020

Por Prof. Paulo Cardim

“Ensinar exige rigorosidade metódica” (Paulo Freire)

“Avaliar também” (Paulo Cardim)

A Primavera está chegando. Oficialmente, ela tem início no próximo dia 23, mas o clima já está na transição do Inverno para a Primavera. Estação das flores, de clima ameno e de chuvas em algumas regiões do Brasil. Detentor da mais pujante biodiversidade, o nosso país tem a flora mais rica do planeta.

É a época dos girassóis, hortênsias, rosas, violetas, entre tantas flores que desabrocham na Primavera, para alegrar os nossos olhos, os nossos sentidos.

Como nos versos de Clarice Lispector, “sejamos como a primavera que renasce cada dia mais bela… Exatamente porque nunca são as mesmas flores”. É como a Belas Artes, que renasce a cada dia mais comprometida com a qualidade de suas funções universitárias ‒ pesquisa, ensino e extensão.

A poeta Angela Araújo de Souza, mais romântica em seus versos, diz que

Nem sempre a vida é primavera

Nem sempre tudo são flores

Há invernos com bem pouco sol

Quase sem cores…

Mas os invernos vão embora

Vêm os verões e os outonos

A vida é um eterno recomeço

Na ciranda de idas e vindas

Que bom

que a primavera sempre volta

E com ela a esperança

De que as sementes sonhando sob a terra

Vão brotar e encher a vida

novamente

De botões, de verdes, de amores!

A primavera sempre volta e com ela a esperança de um futuro perene e de realizações que impactam, positivamente, na comunidade acadêmica Belas Artes e na sociedade

O mês do início da Primavera, no Brasil, coincide com mais um aniversário de fundação da Belas Artes, na cidade de São Paulo. Há noventa e cinco anos, em 23 de setembro de 1925, Pedro Augusto Gomes Cardim criou a Belas Artes, com o primitivo nome de Academia de Belas Artes de São Paulo. Pedro Augusto era filho do artista português João Pedro Gomes Cardim e participou ativamente da vida artístico-cultural de São Paulo, envolvendo-se na criação do Teatro Municipal, do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, da Academia Paulista de Letras e da Companhia Dramática de São Paulo. Desde então o nome da Escola de Belas Artes está ligado à história da cidade de São Paulo.

Pedro Augusto Gomes Cardim afirmava que “uma academia não é fábrica de produtos cerebrais, morais ou artísticos, nem de aptidões e talentos. É o centro cultivador das aptidões naturais, onde se as desenvolvem e se as tornam aptas para frutificar”. Esse espírito de cultivador das aptidões naturais é o motivo de, apesar dos seus 95 anos de idade, Belas Artes, ao final da segunda década do século XXI, ser um Centro Universitário sintonizado com a inovação, a economia criativa, ao lado de infraestrutura acadêmica perfeitamente adequada e moderna para os cursos de graduação e pós-graduação que ministra. Uma educação comprometida com o desenvolvimento das potencialidades inatas do educando.

Perseverança, idealismo e inovação contínua são a marca da trajetória vitoriosa da Belas Artes. É a livre iniciativa desenvolvendo a educação superior de qualidade nas áreas das artes, design, arquitetura. A semente plantada, em 1925, por Pedro Augusto Gomes Cardim foi consolidada por seus sucessores da família Cardim, ao lado de colaboradores dedicados. Carlos Alberto Gomes Cardim deu sequência ao trabalho de Pedro Augusto e, em 1968, uma nova administração surge para reerguer a Belas Artes, um triunvirato formado por mim, Paulo, Luciano Otávio Ferreira Gomes Cardim e Vicente Di Grado. Os valores plantados por Pedro Augusto Gomes Cardim e Carlos Alberto Gomes Cardim Filho, entre outros destacados membros da Família Cardim, permanecem vivos estimulando as nossas ações educacionais, artísticas e culturais.

Iniciei minhas atividades profissionais na Belas Artes aos 16 anos, como auxiliar de secretaria. São 56 anos de entrega. Aos 72 anos já dediquei a esta instituição de educação e cultura quase 80% da minha vida. Consegui ascender à direção superior após bons anos de lutas e experiência. Atuei, com aplicação, nos momentos de crise, de conflitos, de superação e participei da consolidação da Belas Artes como Centro Universitário. O Conceito Institucional (CI) 5, numa escala de 1 a 5, é o reconhecimento, pelo Ministério da Educação, da excelência do nosso ensino superior, após rigorosa avaliação de qualidade, desenvolvida no âmbito do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior, o Sinaes.

O Time Belas Artes é uma equipe integrada por profissionais competentes e comprometidos com uma educação superior de qualidade. Com esse time e os nossos professores, estudantes, técnico-administrativos e os gestores conseguimos desenvolver nossas atividades nas funções universitárias com a qualidade Belas Artes, reconhecida pela sociedade e pelos avaliadores periódicos do Ministério da Educação.

Seguimos submissos ao gênio da administração, Peter Drucker (1909/2005), quando afirmava “planejamento de longo prazo não lida com decisões futuras, mas com um futuro de decisões presentes”. O nosso futuro, aos 95 anos de atividades ininterruptas na educação superior, é fruto de nossas ações presentes, onde a qualidade e a responsabilidade social caminham juntas e iluminam a nossa jornada.

Agradeço aos talentos humanos ‒ gestores, professores e funcionários ‒, colaboradores que nos acompanharam no passado e nos acompanham, apoiam e trabalham no presente, indispensáveis às nossas exitosas ações, nas áreas em que atuamos. A eles devemos a qualidade de nossas funções universitárias e das avaliações altamente positivas. Temos certeza de que ultrapassaremos os cem anos, com igual ou até mais elevados indicadores de qualidade, quando a linha sucessória está em andamento para entregar à nossa competente Diretora Geral, Patrícia Gomes Cardim, a condução do destino da Belas Artes, rumo à permanente inovação e criatividade, com uma gestão eficiente e eficaz.

“É mais fácil governar um povo culto, cioso de suas prerrogativas e direitos, que tem nítida a compreensão de seus deveres, que um povo ignaro, indócil, sem iniciativa e inimigo do progresso”.

“O papel da instrução é preparar e formar homens capazes e úteis à sociedade; o papel do governo é fornecer meios fáceis de se adquirir a instrução, disseminando escolas e patrocinando iniciativas boas confiadas à competência e ao amor de quem promove   tão nobilitante tarefa”.

Prof. Carlos Alberto Gomes Cardim

Diretor da Escola Normal Caetano de Campos

Educador e Inspetor de Alunos, 1909

Irmão do fundador do

Centro Universitário Belas Artes de São Paulo

Pedro Augusto Gomes Cardim

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