Educação para a vida: uma educação transformadora

Blog da Reitoria nº 458, 21 de setembro de 2020

Por Prof. Paulo Cardim

“Ensinar exige rigorosidade metódica” (Paulo Freire)

“Avaliar também” (Paulo Cardim)

Tenho abordado neste espaço virtual, em diversas oportunidades, o Relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI, denominado Educação, um tesouro a descobrir, mais conhecido como Relatório Delors, construído por uma comissão liderada por Jacques Delors. Laureado político francês, Delors, um dos artífices da constituição da União Europeia, coordenou a organização desse relatório entre 1993 e 1996.

Creio ser importante rememorarmos os princípios da Educação para este século, delineados pelo Relatório Delors, numa fase em que a Educação está passando por mudanças radicais. Muitas instituições de educação superior (IES) têm desafios importantes a serem superados, concentrados na modalidade de ensino ‒ presencial, semipresencial ou híbrido e a distância (EAD) ‒, nas metodologias ativas de aprendizagem, na criação de novos espaços de aprendizagem, presenciais ou a distância.

Segundo Delors, a Educação é uma via que conduz “a um desenvolvimento humano mais harmonioso, mais autêntico, de modo a fazer recuar a pobreza, a exclusão social, as incompreensões, as opressões, as guerras”. Considera a Educação como uma “via privilegiada de construção da própria pessoa, das relações entre indivíduos, grupos e nações” (Educação um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez; Brasília: MEC/UNESCO, 2006, págs. 11/12).

O Relatório Delors foi aprovado em congresso da Unesco, realizado na capital francesa. Teve a sua primeira edição publicada no Brasil em 1998. Há mais de vinte anos é um farol para as ações dos dirigentes das IES. Nestes momentos por que passamos, uma atenção especial deve ser voltada para os princípios da Educação (Capítulo 4), que dispõe sobre os Quatro pilares da Educação para o século XXI: aprender a conheceraprender a fazeraprender a viver juntosaprender a ser, sintetizados a seguir:

Aprender a conhecer, combinando uma cultura geral, suficientemente vasta, com a possibilidade de trabalhar em profundidade um pequeno número de matérias. O que também significa: aprender a aprender, para beneficiar-se das oportunidades oferecidas pela educação ao longo de toda a vida. Educação permanente.

Aprender a fazer, a fim de adquirir, não somente uma qualificação profissional mas, de uma maneira mais ampla, competências que tornem a pessoa apta a enfrentar numerosas situações e a trabalhar em equipe. Mas também aprender a fazer, no âmbito das diversas experiências sociais ou de trabalho que se oferecem aos jovens e adolescentes, quer espontaneamente, fruto do contexto local ou nacional, quer formalmente, graças ao desenvolvimento do ensino alternado com o trabalho. Teoria e prática juntas.

Aprender a viver juntos, desenvolvendo a compreensão do outro e a percepção das interdependências ‒ realizar projetos comuns e preparar-se para gerir conflitos ‒ no respeito pelos valores do pluralismo, da compreensão mútua e da paz. Aprender a trabalhar em equipe. Conviver pacificamente com as diferenças e os diferentes.

Aprender a ser, para melhor desenvolver a sua personalidade e estar à altura de agir com cada vez maior capacidade de autonomia, de discernimento e de responsabilidade pessoal. Para isso, não negligenciar na educação nenhuma das potencialidades de cada indivíduo: memória, raciocínio, sentido estético, capacidades físicas, aptidão para comunicar-se. Educação integral.

São princípios que devem nortear os nossos projetos pedagógicos institucionais (PPIs), o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) e os projetos pedagógicos de cursos (PPCs). Projetos são mutáveis, assim como as ações e metas institucionais e de cursos superiores. Devem ser monitorados e revisados/atualizados periodicamente. Esses documentos, que são de responsabilidade de cada IES, no uso de sua autonomia didático-pedagógica, podem construir uma nova fase em nossas atividades. Devem promover amplas mudanças na forma de ensinar e de aprender, com ênfase no estudante, tendo o professor como agente de mudanças, líder do processo de aprendizagem, um orientador competente, que pode ser um formulador do caráter do educando e construir meios seguros para que esse processo seja coroado de êxito. O nosso foco deve ser a aprendizagem.

O século XXI está às portas de seu terceiro decênio. Esta é mais uma oportunidade de realizarmos as transformações que o momento exige, marca implacável do desenvolvimento e da perenidade de nossas IES.

CONHECER/FAZER/VIVER JUNTOS/SER: UMA ESCALADA NA APRENDIZAGEM, UMA VIDA SEMPRE EM TRANSFORMAÇÃO!

“É mais fácil governar um povo culto, cioso de suas prerrogativas e direitos, que tem nítida a compreensão de seus deveres, que um povo ignaro, indócil, sem iniciativa e inimigo do progresso”.

“O papel da instrução é preparar e formar homens capazes e úteis à sociedade; o papel do governo é fornecer meios fáceis de se adquirir a instrução, disseminando escolas e patrocinando iniciativas boas confiadas à competência e ao amor de quem promove   tão nobilitante tarefa”.

Prof. Carlos Alberto Gomes Cardim

Diretor da Escola Normal Caetano de Campos

Educador e Inspetor de Alunos, 1909

Irmão do fundador do

Centro Universitário Belas Artes de São Paulo

Pedro Augusto Gomes Cardim

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