Educação superior & pós-pandemia

Blog da Reitoria nº 498, 19 de julho de 2021

Por Prof. Paulo Cardim

Por diversas vezes abordei, neste Blog da Reitoria, os problemas da pandemia do vírus chinês na oferta da educação superior presencial, remota ou a distância (EAD). Nesta semana, vou enfocar a minha abordagem na educação superior da livre iniciativa pós-pandemia. Nada de leis, resoluções, portarias, nota técnicas. Qual a aprendizagem que recolhemos pela modalidade remota ou EAD? Quais as oportunidades que se abriram com as mudanças enquanto o “trem” estava em movimento? Aprendizagem dos gestores, dos educandos e dos educadores.

O uso puro e simples das tecnologias digitais da informação e comunicação (TDICs) foram suficientes como veículos de comunicação entre os atores da educação superior? Vou tentar levantar algumas questões, sem querer “ensinar o padre a rezar a missa”. Vale as experiências múltiplas que vivenciamos no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo e na observação dos relatos de alguns companheiros gestores de instituições de educação superior (IES)

As ameaças e oportunidades por que estamos passando devem promover mudanças nos processos, mídias e metodologias de aprendizagem. Creio que de modo radical. Daí surgem oportunidades e cada IES vai naturalmente encontrar o seu caminho. Aquele caminho “não pisado”, como nos versos do poeta espanhol Antonio Machado (1875/1939): “Caminante, no hay camiño; el camiño se hace al andar”.

O novo mundo digital, em particular com a entrada em cena do sistema 5G, da internet das coisas, ao lado de transformações profundas e globais fará toda a diferença no pós-pandemia. Dois dos principais atores do processo de aprendizagem ‒ educando e educador ‒ devem obrigatoriamente passar por capacitação, treinamento, a fim de absorverem e usaram as novas mídias e metodologias ativas de aprendizagem com êxitos.

Vale lembrar a entrevista do Reitor da Universidade Minerva, de São Francisco, Califórnia (EUA), Stephen Kosslyn, a um periódico brasileiro, há sete anos: “O professor não pode se ver mais apenas como um transmissor de conhecimento. É claro que continua a ter de dominar sua expertise, mas precisa dar uma aula diferente, de aprendizado ativo, envolvendo os alunos. Isso requer treinamento contínuo e muita habilidade interpessoal. Enfim, um professor com os olhos para o futuro tem de criar desafios educacionais à altura da complexidade do mundo de hoje, motivando o aluno a analisar e a aplicar o que ele aprende”.

O ensino remoto, com a simplicidade dos recursos improvisados no 1º semestre letivo de 2020, foi aprimorado no 2º semestre, mas com custos mais elevados sem, na compensação, trazer aprimoramento essencial ao processo exitoso da aprendizagem. Creio que os mecanismos da EAD, sua plataforma e os recursos das TDICs devem estar nas mãos de gestores empreendedores, antenados com as inovações e os resultados altamente elevados da aprendizagem ativa, que muda radicalmente as funções do professor. De simples transmissor de informações e conhecimentos, passa a ser um parceiro, orientador, estimulador da aprendizagem, com pleno domínio do seu conhecimento a respeito do componente curricular de sua responsabilidade. Estou falando da liberação do potencial do educando e a construção do seu saber.

Patrícia Cardim, Diretora-Geral do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, e Flávia Rodrigues, no capítulo Empreendedorismo na educação superior: como formar criativos na era digital, do livro A arte de empreender na economia criativa (São Paulo: Reflexão, 2019, p.39), afirmam que “hoje vivenciamos um mundo modificado pelas tecnologias, onde novas carreiras precisam renovar para formar alunos empreendedores, uma vez que se faz necessário, para evoluir, ser competitivo, obter perspectivas e vencer as diferenças”. Essa formação é mais viável  com o intenso uso das metodologias ativas de aprendizagem, apoiadas nas TDICs.

Na educação superior temos três níveis: graduação, especialização (pós-graduação lato sensu), mestrado e doutorado (acadêmicos ou profissionais). As metodologias ativas de aprendizagem devem, naturalmente, estar permeando todos esses níveis. O educando deve ser formado para a educação ao longo da vida ou educação continuada, sem a qual perderá o “bonde da história”, em uma economia 4.0, em constante e vertiginosa evolução.

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