EU NÃO QUERO TER RAZÃO EU QUERO SER FELIZ

Blog da Reitoria nº 351, de 9 de julho de 2018

Por Prof. Paulo Cardim

“Ensinar exige rigorosidade metódica” (Paulo Freire)

“Avaliar também” (Paulo Cardim)

Muitos dizem que a felicidade não é deste mundo. Outros, que a felicidade não existe. Para o poeta Vinícius de Moraes “Tristeza não tem fim. Felicidade sim”. E, em quatro versos, diz, desiludido:

A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor.

Ninguém nasce feliz ou infeliz. Nasce ingênuo, um diamante a ser burilado, educado, no lar, na escola, na vida.

A felicidade é uma escolha. É o que nos ensina Frédéric Lenoir, filósofo, sociólogo e escritor: “ser feliz é aprender a escolher – escolher os prazeres, os amigos, os valores sobre os quais queremos estabelecer nossa vida”. Conforme os caminhos que escolhemos e trilhamos, a partir da idade em que o ser detém as condições de caminhar com as suas próprias pernas, vamos “chegar lá”. A idade física é relativa. Há adolescentes com quinze anos que mentalmente estão com vinte, outros com dez.

O desenvolvimento da felicidade tem por base o Amor, como ensinou e exemplificou Jesus Cristo há séculos. Na prática, significa não fazer aos outros o que você não gostaria que lhe fizessem ou fazer aos outros o que você gostaria que lhe fizessem. Nessa máxima cristã não vale o “faça o que digo e não o que faço”. Essa é uma frase e uma postura hipócrita, inconcebível para Educadores.

A felicidade também é construída, ao longo dos anos, como ensina o Educador Rubem Alves, com os sonhos, o “saltar sobre o vazio”, não ter medo de quedas, de errar. É uma construção muito pessoal e solitária, apesar da multidão. O outro pode influenciar, mas não há professor que ensine essa disciplina. As potencialidades inatas são forças invisíveis que trabalham a favor de nossas escolhas.

Estamos na era planetária. A felicidade, embora de construção individual, não pode desprezar o entorno: família, colegas de escola e/ou do trabalho, de práticas esportivas, de entretenimento, amigos e até possíveis adversos. Resiliência e empatia são ferramentas indispensáveis nessa jornada individual, rumo à felicidade.

Sei que é difícil e intrigante definir e abordar a intangível felicidade. Para o ser humano, em geral, somente as coisas reais, tangíveis, que se pode mensurar, tocar, são as verdadeiras. É o “ver para crer”. Mas a felicidade pode ser sentida, um sentimento simples, como define a cronista e escritora Martha Medeiros: “A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade”.

A escola, de qualquer nível educacional, deve ser um ambiente de aprendizagem feliz, aprazível, gostoso de se viver, de se relacionar. Os estudos em grupo, as metodologias ativas, os ambientes de convivência são espaços alternativos para o desenvolvimento das ferramentas que geram a felicidade, no sentido lato sensu da palavra. Nesses espaços, educandos e educadores, funcionários e gestores acadêmicos, nos mais diversos setores, têm a oportunidade de vivenciar a diversidade, a igualdade, dialogar e divergir, sem gostar menos, testar a resiliência e a empatia. Buscar a felicidade deve ser a meta de todos os seres humanos, de qualquer gênero, cor ou raça, condição social ou econômica. É e sempre foi a minha meta.

“É mais fácil governar um povo culto, cioso de suas prerrogativas e direitos, que tem nítida a compreensão de seus deveres, que um povo ignaro, indócil, sem iniciativa e inimigo do progresso”.

“O papel da instrução é preparar e formar homens capazes e úteis à sociedade; o papel do governo é fornecer meios fáceis de se adquirir a instrução, disseminando escolas e patrocinando iniciativas boas confiadas à competência e ao amor de quem promove   tão nobilitante tarefa”.

Prof. Carlos Alberto Gomes Cardim

Diretor da Escola Normal Caetano de Campos

Educador e Inspetor de Alunos, 1909

Irmão do fundador do

Centro Universitário Belas Artes de São Paulo

Pedro Augusto Gomes Cardim

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