Formação de professores para a educação básica: um grito de alerta

Blog da Reitoria nº 430, 9 de março de 2020.

Por Prof. Paulo Cardim

“Ensinar exige rigorosidade metódica” (Paulo Freire)

“Avaliar também” (Paulo Cardim)


O art. 209 da Constituição assegura à livre iniciativa a oferta de serviços educacionais em todos os níveis, atendidas as normas gerais, que estão na LDB, e a avaliação de qualidade pelo Poder Público, está sob as regras do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior, o Sinaes, instituído pela Lei nº 10.861, de 14 de abril de 2004.

A partir da Constituição de 88 e da LDB de 1996, a livre iniciativa na educação deixou de ser uma concessão do Estado. Passou a atuar na educação superior, conforme prevê o art. 46 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, a LDB, mediante a autorização e reconhecimento dos cursos superiores e do credenciamento e recredenciamento de instituições de educação superior (IES), com prazos limitados, “sendo renovados, periodicamente, após processo regular de avaliação”.

As IES da livre iniciativa obtiveram um desenvolvimento expressivo, a partir de 1996. Segundo o mais recente Censo da Educação Superior, de 2018, das 2.537 IES, 2.238 (88%) são da livre iniciativa; do total de 8.450.755 matrículas, 6.373.274 (75%) estão nessas instituições. Em relação ao número de alunos matriculados, os cursos de licenciatura têm uma participação de quase 20%. Das matrículas nas licenciaturas 37,6% estão em instituições públicas e 62,4% em IES particulares.

Pela primeira vez na série histórica (2008/2018), o número de alunos matriculados em licenciaturas, na modalidade a distância‒EAD (50,2%), superou o de alunos matriculados nos cursos presenciais (49,8%).

Concluíram a graduação – bacharelados, licenciaturas, cursos superiores de tecnologia (CST) ‒, em 2018, 1.264.288 estudantes, dos quais 1.004.986 egressos das IES da livre iniciativa (79,5%) e 259.302 nas públicas (20.5%). Uma boa parcela dos 1.004.986 graduados em 2018 saiu das licenciaturas ofertadas pela rede particular de ensino superior.

A livre iniciativa é, portanto, responsável pela formação da maioria absoluta dos professores da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio atuantes em todas as escolas privadas e públicas. Portanto, é dessas IES particulares que emigram, há vários anos, os professores com compromisso ideológico e militância político- partidária, que apequenam e aviltam a educação de crianças, adolescentes e jovens nas redes particular e, principalmente, pública.

Por consequência direta desse quadro lamentável, destaco a irresponsabilidade de parte considerável do ensino superior de livre iniciativa que permite, por omissão e/ou covardia, a existência do ranço ideológico que contamina a sala de aula e demais ambientes de aprendizagem, incluindo a modalidade a distância.

Entre os principais cursos em que predomina esse ranço ideológico estão: Comunicação, Pedagogia, Sociologia e Filosofia. O corpo docente na maioria desses cursos e de outros afins, já preparados com uma missão doutrinária, acabam formando novos professores que vão “fazer a cabeça” e a lavagem cerebral de uma parte considerável da nossa juventude, infelizmente.

Os dirigentes das entidades mantenedoras do ensino superior de livre iniciativa têm responsabilidade, perante a sociedade e o Ministério da Educação, por uma educação de qualidade em todos os sentidos, particularmente, na formação do perfil plural e democrático do educando que vai atuar, como cidadão e profissional, em um país democrático, liberal e “abençoado por Deus”. Este é o meu grito de alerta.

“É mais fácil governar um povo culto, cioso de suas prerrogativas e direitos, que tem nítida a compreensão de seus deveres, que um povo ignaro, indócil, sem iniciativa e inimigo do progresso”.

“O papel da instrução é preparar e formar homens capazes e úteis à sociedade; o papel do governo é fornecer meios fáceis de se adquirir a instrução, disseminando escolas e patrocinando iniciativas boas confiadas à competência e ao amor de quem promove   tão nobilitante tarefa”.

Prof. Carlos Alberto Gomes Cardim

Diretor da Escola Normal Caetano de Campos

Educador e Inspetor de Alunos, 1909

Irmão do fundador do

Centro Universitário Belas Artes de São Paulo

Pedro Augusto Gomes Cardim

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