Independência do Brasil: a Educação nas eleições municipais

Blog da Reitoria nº 456, 7 de setembro de 2020

Por Prof. Paulo Cardim

“Ensinar exige rigorosidade metódica” (Paulo Freire)

“Avaliar também” (Paulo Cardim)

Há 198 anos, no dia 7 de setembro de 1822, o Brasil tornou-se independente de Portugal. O evento, conhecido como o Grito do Ipiranga, iniciou o processo de separação do Brasil do Reino de Portugal. D. Pedro de Alcântara de Bragança, então príncipe-regente do Brasil, foi proclamado, em 12 de outubro de 1822, como D. Pedro, Imperador do Brasil. Sua coroação deu-se em 1º de dezembro do mesmo ano. Estava consagrada a separação entre os dois reinos. Porém 7 de setembro ficou como uma data símbolo de nossa independência.

A independência do Brasil foi reconhecida pelo reino português somente em 29 de agosto de 1825, com o fim da chamada “Guerra da Independência” e a assinatura do Tratado do Rio de Janeiro, também celebrado como Tratado de Amizade e Aliança, firmado entre Brasil e Portugal.

Dom Pedro enfrentou dificuldades financeiras para firmar o Brasil no concerto das nações. Seu pai, Dom João VI, ao retornar a Portugal, “limpou os cofres” do Banco do Brasil literalmente, deixando ao seu filho um Brasil sem reservas suficientes para um pretendido Império do Brasil. Esse ato acabou por decretar a falência, em 1829, do banco que ele mesmo tinha criado. O atual Banco do Brasil foi recriado, pelo Barão de Mauá, somente em 1851, na gestão do imperador D. Pedro II.

O ufanista Hino da Independência, cuja letra é de autoria do poeta Evaristo da Veiga (1799/1837), é marcado pelo refrão:

Brava gente brasileira

Longe vá, temor servil

Ou ficar a pátria livre

Ou morrer pelo Brasil

Essa “brava gente brasileira”, constituída, inicialmente, por aborígenes, portugueses e escravos africanos e seus descendentes, conseguiu, a duras penas, com a futura vinda de imigrantes de vários países do planeta, erguer o Brasil entre as dez maiores potências econômicas do planeta. O Fórum Econômico Mundial, contudo, coloca o Brasil em 71º lugar no ranking global de competitividade, numa escala de zero a cem. No ranking do Índice de Desenvolvimento Humano ‒ IDH ‒ (escala de zero a um) mais recente (2019), divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o nosso país está em 79º lugar.

Mas entre a “brava gente brasileira” está uma elite política que, infelizmente, na sua maioria, não preza pelo padrão ético que poderia levar o Brasil a indicadores mais favoráveis, em todos os rankings das nações mais desenvolvidas de nosso planeta. A corrupção, que assinalou o início do Brasil como nação independente, grassa em volume assustador, apesar da “Operação Lava Jato” e outros ingentes esforços da Procuradoria Geral da República (PGR). Temos a independência política, mas não a econômica. Esse fato vem à tona quando celebramos, em 7 de setembro de 2020, os 198 anos de nossa independência em relação ao colonizador, o Reino de Portugal.

País multirracial, o Brasil caminha para ser uma nação verdadeiramente independente, apesar da corrupção, ainda em níveis inaceitáveis nos países desenvolvidos. Essa miscigenação, no cenário político-científico, é um dos fatores favoráveis ao nosso propósito de ser um país com peso significativo no concerto das nações. A saída está na educação de crianças, adolescentes, jovens e adultos em níveis de qualidade, no mínimo, satisfatória, em uma jornada para ser excelente.

Um país com o seu povo formado no mandamento constitucional (Art. 205) “visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” estará entre os mais desenvolvidos do planeta. O art. 206 estabelece os princípios educacionais, centrado na “liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber” e no “pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino”, sem esquecer a “garantia de padrão de qualidade”.

A prioridade das prioridades para o Brasil ser realmente um país independente passa, obrigatoriamente, pela educação integral de seu povo. Vamos comemorar, com patriotismo, a nossa independência política, mas lutemos para que a Educação esteja em primeiro lugar, em todos os escalões governamentais, da Presidência da República aos municípios.

Esse movimento pode começar nas eleições municipais deste ano.

Em 2021 teremos 5.570 prefeitos e cerca de 57 mil vereadores, eleitos em novembro deste ano. Votemos somente nos candidatos a prefeito e câmara municipal que tenham a educação como prioridade das prioridades. E depois iremos cobrar, tenazmente, esse compromisso com o nosso povo e o desenvolvimento nacional, em todos os setores da economia.

A EDUCAÇÃO PELA QUAL BATALHAMOS TRARÁ A INDEPENDÊNCIA COM QUE TANTO SONHAMOS!

“É mais fácil governar um povo culto, cioso de suas prerrogativas e direitos, que tem nítida a compreensão de seus deveres, que um povo ignaro, indócil, sem iniciativa e inimigo do progresso”.

“O papel da instrução é preparar e formar homens capazes e úteis à sociedade; o papel do governo é fornecer meios fáceis de se adquirir a instrução, disseminando escolas e patrocinando iniciativas boas confiadas à competência e ao amor de quem promove   tão nobilitante tarefa”.

Prof. Carlos Alberto Gomes Cardim

Diretor da Escola Normal Caetano de Campos

Educador e Inspetor de Alunos, 1909

Irmão do fundador do

Centro Universitário Belas Artes de São Paulo

Pedro Augusto Gomes Cardim

Post to Twitter Post to Plurk Post to Yahoo Buzz Post to Delicious Post to Digg Post to Facebook Post to Google Buzz Post to LinkedIn