Natal: tempos de paz e esperanças

Blog da Reitoria nº 278, 19 de dezembro de 2016

Por prof. Paulo Cardim

Ensinar exige rigorosidade metódica” (Paulo Freire)

Avaliar também” (Paulo Cardim)


O ano letivo chegou ao fim. Estudantes e professores completam mais uma jornada de trabalho e aprendizagem. As dificuldades e facilidades nessa caminhada para o conhecimento, o desenvolvimento pessoal e a qualificação para o trabalho, em nível superior, obedeceram ao ritmo de cada um, alunos e docentes. Mas todos empenhados no êxito desse processo complexo e desafiante que é a educação. Alguns podem ter ficado pelo caminho, com dificuldades maiores, às vezes, independente da vontade pessoal, mas novas oportunidades vão surgir. A vida é dinâmica e quem deseja conhecer e saber para servir e “ser alguém na vida!” não desiste aos obstáculos que surgem nesse processo ensino-aprendizagem. Muito menos os que integram e enriquecem a comunidade Belas Artes.

O ano foi rico em problemas e pobre em soluções. O impeachment da ex-presidente Dilma Roussef trouxe alento para mudanças políticas e econômicas, essenciais para repor o Brasil “nos eixos”, sem inflação, com pleno emprego e os setores da economia produzindo riquezas, fatores que habilitam uma nação ao desenvolvimento socioeconômico, em ambiente de paz para todos.

2016 foi, também, um ano de conflitos entre os Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário, com decisões e discursos conflitantes, tendo como pano de fundo a Operação Lavajato. A habilidade política de algumas lideranças, nesses três poderes, contudo, possibilitou  algumas ações positivas, como a proposta de reforma do ensino médio e a limitação dos gastos públicos à receita auferida. Outras reformas virão e todos esperamos que sejam no sentido de devolver ao nosso povo paz e tranquilidade, com a abertura de caminhos para o desenvolvimento de cada cidadão e o crescimento da nação, em especial, com a reforma da educação básica, para permitir a todos, sem qualquer distinção ou discriminação, as oportunidades de aprendizagem, instrumento fundamental para o integral exercício da cidadania.

Os que estão no poder refletem a sociedade a que pertencem. Não são extraterrestres. Na democracia, um sistema político em que os cidadãos elegem os seus dirigentes periodicamente, a escolha e o livre arbítrio conduzem esse processo. Aline Ladvocat, uma dirigente empresarial de sucesso, tem uma frase que bem reflete essa situação: “Deus é democrático por isso nos deu o livre arbítrio. Somos livres para escolher o que plantar, só perdemos a liberdade na hora da colheita, porque ninguém que escolheu plantar sementes de tomates, colherá maças”. Na política também é assim. O aprendizado do exercício da democracia, que pode ser lento mas gerar resultados positivos a longo prazo, exige uma educação de qualidade em todos os níveis, em especial, na educação básica. E as reformas nesse sentido poderão dar bons frutos nas próximas décadas, com reflexos positivos no cenário político e econômico de nosso País.

O Natal, quando a cristandade celebra o nascimento de Jesus de Nazaré, que pregou o amor incondicional como filosofia de vida, é um tempo em que nossos pensamentos, palavras e ações estão favoráveis ao perdão, à compreensão e à esperança. Ações e decisões passionais e pessoais dos membros do Executivo e principalmente do Judiciário e Legislativo não conduzem à democracia social e emperram o nosso progresso. E a nossa esperança maior, nesses tempos natalinos, é quanto ao acerto entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário no cumprimento irrestrito de nossa Constituição para solucionarmos o atual momento de impasse político em que vivemos. Não haverá progresso socioeconômico e as reformas imprescindíveis sem o cumprimento integral da Constituição e a independência dos poderes, com seus dirigentes plenamente conscientes de sua responsabilidade com os cidadãos e a nação brasileira.

Feliz Natal e próspero Ano Novo! Que essa tradicional mensagem natalina tenha o condão de tocar corações e mentes para o cumprimento dos deveres de cada cidadão, não importando sua situação econômica ou nível de poder. E que o dever esteja antes dos direitos.

“É mais fácil governar um povo culto, cioso de suas prerrogativas e direitos, que tem nítida a compreensão de seus deveres, que um povo ignaro, indócil, sem iniciativa e inimigo do progresso”.

“O papel da instrução é preparar e formar homens capazes e úteis à sociedade; o papel do governo é fornecer meios fáceis de se adquirir a instrução, disseminando escolas e patrocinando iniciativas boas confiadas à competência e ao amor por tão nobilitante tarefa”.

Prof. Carlos Alberto Gomes Cardim

Diretor da Escola Normal “Caetano de Campos”

Educador e Inspetor de Alunos, 1909

Irmão do fundador do

Centro Universitário Belas Artes de São Paulo

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