O “novo normal”: para onde vamos?

Blog da Reitoria nº 455, 31 de agosto de 2020

Por Prof. Paulo Cardim

“Ensinar exige rigorosidade metódica” (Paulo Freire)

“Avaliar também” (Paulo Cardim)

Estamos entrando no sexto mês sob a pandemia Covid-19.

Logo no início do período letivo de 2020, em março, a Organização Mundial de Saúde (OMS) elevou o estado da contaminação à pandemia da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2). O motivo: a disseminação geográfica rápida que a Covid-19 estava apresentando.

Governos e todos os setores da sociedade foram apanhados de surpresa. Esse fato inédito, provocaria mudanças radicais nos relacionamentos humanos, por causa do isolamento social, e nas ações governamentais, empresariais, de profissionais liberais e outros.

As instituições de educação superior (IES) credenciadas para o ensino presencial tiveram que adotar, em poucos dias, mudanças substanciais na modalidade de desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem. O Ministério da Educação permitiu a adoção do ensino remoto ou a distância (EAD). Como preparar professores e alunos para essa mudança de modalidade de oferta do ensino, com o período letivo em curso? A saída foi capacitar os professores para o ensino remoto com o trabalho acadêmico efetivo em andamento. A maioria das IES conseguiu realizar esse milagre em uma semana. E foi acertando as possíveis falhas com o processo em movimento. Um aprendizado novo para os professores e seus alunos.

O teletrabalho dos docentes e a teleaprendizagem dos estudantes envolveram aspectos inéditos para esses atores principais do processo educacional, ao lado de uma gestão acadêmica na busca constante do aperfeiçoamento da oferta dessas atividades com a qualidade necessária para o êxito da aprendizagem.

Paralelamente ao isolamento social desses atores do processo de aprendizagem, rolavam questões relacionadas à depressão, ansiedade, insegurança que, sem dúvida, interferiram no processo, em maior ou menor grau. Esses fatos provocados pelo isolamento e o receio de contato de um vírus de contaminação rápida e de conhecimento científico ainda precário atingiam tanto educadores como educandos, podendo prejudicar todo o esforço das IES e dos alunos.

A gestão da grande maioria das IES, nos seus diversos níveis, desenvolveu estratégias e ações, ao longo de todo o processo, a fim de assegurar a qualidade da aprendizagem em condições novas de trabalho nos cursos presenciais.

A avaliação dos resultados acadêmicos do 1º semestre civil, realizada pela maioria das IES, ofertou subsídios para o aprimoramento de todo o processo, a partir da opção de continuidade do ensino remoto no 2º semestre civil, nos termos da Portaria MEC nº 544/2020 e nos esclarecimentos e sugestões dos pareceres do Conselho Nacional de Educação. A Lei nº 14.040, de 18 de agosto de 2020, ao estabelecer normas excepcionais durante o estado de calamidade pública, até 31 de  dezembro vindouro, terminou por dar suporte jurídico para as ações desenvolvidas e a serem implementadas neste semestre.

A instabilidade emocional, observada no início da pandemia, foi sendo dissipada na medida em que o isolamento, na realidade, ficou reservado aos grupos de risco. Aos poucos, a vida vai voltando ao normal. A diversidade de decisões dos governantes estaduais e municipais, contudo, vem trazendo insatisfação em todos os setores. As IES que desejavam voltar ao ensino presencial, nos termos das normas sanitárias, tiveram que rever seu planejamento, a fim de continuarem o processo de ensino remoto para os cursos presenciais.

Oliver Wendell Holmes (1809/1894), famoso médico e escritor norte-americano, em uma de suas frases antológicas, dizia que “o mais importante da vida não é a situação em que estamos, mas a direção para a qual nos movemos”. Este talvez  seja o desafio mais relevantante posto aos dirigentes das IES da livre iniciativa, ao avaliarem as condições de oferta do ensino, durante este ano, e planejarem o ano letivo de 2021. Possivelmente, voltaremos à normalidade, com a vacinação em massa no 1º trimestre do próximo ano. As metodologias ativas de aprendizagem e as ferramentas para a sua efetiva implementação, com o uso cada vez mais intenso das tecnologias digitais de informação e comunicação, podem influenciar o planejamento acadêmico para 2021, tendo presente a experiência acumulada na oferta do ensino remoto ou a distância. A situação que estamos vivenciando em 2020 pode oferecer subsídios significativos à direção para a qual nos moveremos em 2021, para o chamado”novo normal” ou um novo padrão para o processo ensino-aprendizagem. O IMPORTANTE É DECIDIR: PARA ONDE VAMOS?

“É mais fácil governar um povo culto, cioso de suas prerrogativas e direitos, que tem nítida a compreensão de seus deveres, que um povo ignaro, indócil, sem iniciativa e inimigo do progresso”.

“O papel da instrução é preparar e formar homens capazes e úteis à sociedade; o papel do governo é fornecer meios fáceis de se adquirir a instrução, disseminando escolas e patrocinando iniciativas boas confiadas à competência e ao amor de quem promove   tão nobilitante tarefa”.

Prof. Carlos Alberto Gomes Cardim

Diretor da Escola Normal Caetano de Campos

Educador e Inspetor de Alunos, 1909

Irmão do fundador do

Centro Universitário Belas Artes de São Paulo

Pedro Augusto Gomes Cardim.

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