Ordem e Progresso: atalhos dissonantes

Blog da Reitoria nº 408, de 9 de setembro de 2019

Por Prof. Paulo Cardim

“Ensinar exige rigorosidade metódica” (Paulo Freire)

“Avaliar também” (Paulo Cardim)

No último dia 7 comemoramos o Dia da Pátria, que assinala o grito de “Independência ou Morte” de Dom Pedro. É quando o Brasil se desliga do Império Português definitivamente.

Alguns historiadores reclamam da Monarquia. Queriam a República. Monarquia e República, todavia, não são antônimos de democracia, do Estado de Direito, como demonstra o Reino Unido, por exemplo.

Dois fatores, porém, podem ser verificados desde 7 de setembro de 1822 até este ano 2019, ao término da segunda década da Nova Era: o esgarçamento do civismo e dos valores morais.

O patriotismo vigente nos séculos XIX e XX foi aos poucos dando lugar a discretos desfiles militares, no Dia da Pátria. Diria protocolares. Da participação maciça, entusiástica e patriótica de escolas, estudantes e professores nesses desfiles e nas comemorações cívicas que a data reverencia, passamos à indiferença, à falta de civismo, patriotismo. Hoje é apenas um feriado, como qualquer outro. As comemorações são, para a grande maioria do povo brasileiro, por mais um dia sem trabalho.

Os valores morais foram paulatinamente tornando-se flexíveis, distorcidos. Liberdade e libertinagem passaram, em diversos momentos, a ser confundidos. O estudo e a reflexão sobre os princípios morais indicam que as regras de conduta ficaram mais frouxas. Não em função de avanços sociais e tecnológicos, mas na estreita relação entre civismo e moral, ao longo dos anos. Não sem motivo a educação moral e cívica foi carimbada como autoritarismo do regime militar e, após a chamada democratização, desapareceu dos currículos da educação básica. O professor passou a ser somente professor. O educador praticamente desapareceu dos cenários educacionais.

A ética reflete essas mudanças, que invertem valores e afetam a educação cívica. Crianças, adolescentes e jovens ensaiam, claramente, a descrença no Brasil, em suas instituições. Passa-se a confundir instituições com eventuais detentores de poder, nos parlamentos, nos executivos e nas múltiplas instâncias jurídicas. Isso a democracia poderá resolver progressivamente, por meio de eleições livres e diretas, com ordem, disciplina e transparência.

A falta de confiança em diversos agentes públicos não pode refletir negativamente em nossas ações de civismo e nos regramentos morais e éticos.

ORDEM E PROGRESSO – lema de nossa República Federativa –, inserido na Bandeira Nacional em 19 de novembro de 1889, foi formulado por Raimundo Teixeira Mendes (1855/1927), filósofo e matemático. Trata-se, na realidade, de uma adaptação da famosa frase de Auguste Comte (1798/1857): “O Amor por princípio e a Ordem por base. O Progresso por fim”. Comte, considerado o fundador da Sociologia e do Positivismo, apresentou uma proposta de desenvolvimento para uma sociedade organizada, em plena Revolução Francesa, com base no Amor, na Ordem e no Progresso.

O Amor foi extraído de nosso lema, em tempos que essa expressão poderia significar um termo piegas. Para essa eliminação deve ter contribuído uma visão menor do amor apenas entre um homem e uma mulher; uma impropria e inoportuna confusão entre amor e sexo. Apequenaram o Amor, para reduzi-lo a um evento pessoal entre dois seres humanos. O Amor de Conte era o Amor incondicional, amplo, geral e irrestrito. O Brasil é uma nação cristã. O Cristianismo, a partir das propostas de Jesus de Nazaré para a humanidade, prega o Amor.

O Amor, em seu significado cristão, pode contribuir para reintroduzir em nossas escolas os estudos e as práticas do civismo e dos valores éticos e morais. ORDEM E PROGRESSO exigem o Amor como fundamento, evitando-se assim os atalhos dissonantes que têm conduzido o Brasil por caminhos tortuosos, com reflexos altamente negativos nas atitudes e no comportamento de parte considerável de nossa sociedade. Em nossas escolas, em vez de ideologia do Amor, difunde-se a ideologia de gênero. Refletindo apenas nesse viés dissonante podemos sentir que o Brasil é uma nação carente de Amor, Ordem e Progresso. Temos um lema que “não pegou ainda”.

“É mais fácil governar um povo culto, cioso de suas prerrogativas e direitos, que tem nítida a compreensão de seus deveres, que um povo ignaro, indócil, sem iniciativa e inimigo do progresso”.

“O papel da instrução é preparar e formar homens capazes e úteis à sociedade; o papel do governo é fornecer meios fáceis de se adquirir a instrução, disseminando escolas e patrocinando iniciativas boas confiadas à competência e ao amor de quem promove   tão nobilitante tarefa”.

Prof. Carlos Alberto Gomes Cardim

Diretor da Escola Normal Caetano de Campos

Educador e Inspetor de Alunos, 1909

Irmão do fundador do

Centro Universitário Belas Artes de São Paulo

Pedro Augusto Gomes Cardim

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