Sandra Cavalcanti: profetiza do caos na educação

Blog da Reitoria nº 431, 16 de março de 2020.

Por Prof. Paulo Cardim

“Ensinar exige rigorosidade metódica” (Paulo Freire)

“Avaliar também” (Paulo Cardim)

Sandra Cavalcanti começou a sua atividade política, em 1955, quando foi eleita vereadora para a Câmara do Distrito Federal, no Rio de Janeiro. Era filiada à União Democrática Nacional (UDN), partido que foi extinto pelo regime militar, juntamente com os demais, pelo Ato Institucional nº 2 (AI-2). Ingressou na Arena, partido composto pelos de direita e os centro-direita. Foi uma batalhadora pela livre iniciativa.

Na área da educação teve importante participação no conceituado Instituto de Educação do Distrito Federal, como professora de Português e Literatura. Atuou como jornalista em diversos veículos da época, sempre combativa por seus princípios, ao lado de Carlos Lacerda, um dos líderes da então UDN.

Em 1960, foi eleita deputada pelo novo Estado da Guanabara e reeleita em 1975. Chegou à Câmara Federal em 1987, sendo reeleita em 1991, encerrando sua carreira parlamentar do final do seu segundo mandato, em 1995.

A primeira LDB ― Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961  ―  teve a sua participação, mesmo sendo deputada pelo Estado da Guanabara, como defensora da livre iniciativa na educação.

O Jornal do Brasil (JB), na edição de 15 de março de 1964, publicou uma entrevista com a deputada Sandra Cavalcanti, sob o título Sandra vê Sambaqui “agente da politização das massas”. Júlio Furquim Sambaqui foi ministro da Educação no governo João Goulart, entre outubro de 1963 e abril de 1964, que deu suporte político aos presidentes militares. Caiu junto com João Goulart, em 31 de março de 1964.

Nessa entrevista, Sandra Cavalcanti afirma que o então ministro da Educação, Júlio Sambaqui, nas portarias que baixava, copiava, no melhor estilo, as ordens de serviço de Goebells, quando chefiava a oficina especializada de propaganda para a formação ideológica do público da Alemanha nazista. Acentuava que a LDB de 1961 “virou frangalhos nas mãos dos comunistas que dominam atualmente o Ministério da Educação”. O mesmo aconteceu com a atual LDB, uma colcha de retalhos, que permitiu que os ministros de Educação da era petista resolvessem “legislar” por meio de portarias, notas técnicas, instruções que contrariam as leis.

Sandra Cavalcanti ataca a nomeação do “instrutor Darcy Ribeiro” para reitor da Universidade de Brasília (UnB), “que nem professor universitário é”. Critica “um suposto método milagroso de alfabetização”. Afirma que “o famoso método Paulo Freire não existe. Trata-se de uma mistificação dessas que surgem de vez em quando, reanunciando o nascimento de cabelo em carecas”. E vai além: “O que é novo no método Paulo Freire e que nunca tinha sido feito antes no Brasil é a formação rigorosa de monitores marxistas, incumbidos de destilar as ideias revolucionárias e subversivas junto com as sílabas e os conceitos. Isso sim é novo. Mas não pode ser chamado de método pedagógico. Trata-se de um método político. Não representa nenhuma conquista no mundo da inteligência e não adianta em nada a tarefa dos Professores”.

Afirma que o Ministério da Educação estava, assim, maduro para cair, como caiu, “nas mãos do Partido Comunista, que hoje tem lá o seu quartel-general”. E profetizava, há 56 anos:

Daqui a 10 ou 15 anos terão a seu dispor, conformada aos seus planos, engajada nas suas lutas, toda uma geração atuante. Fizeram isso em outros países. Começam sempre por conquistar os meios universitários e conseguem todas as vezes que encontram democratas omissos. Um deles, que mais serviços lhe prestou neste particular, chama-se Juscelino Kubitschek.

Infelizmente essa profecia aconteceu. A situação agravou-se a partir de 2003, com a ascensão do Partido dos Trabalhadores (PT) ao poder central, um dos apêndices do comunismo. O MEC e as universidades foram todos aparelhados, incluindo a criação desordenada de novas universidades e campus e dos institutos federais, com fins exclusivamente eleitoreiros e ideológicos. Esse aparelhamento deteriorou a qualidade do ensino público na educação básica e superior, com o comprometimento de várias gerações. Para desmontar esse esquema pérfido contra a juventude brasileira somente um governo forte de direita, que vai precisar de décadas no poder para reabilitar a qualidade da educação em todos os níveis, livre da militância político-ideológica.

Chegamos ao final de 2018 com maioria das universidades federais devastada pelas drogas, incluindo a pior delas, a militância comunista de professores e alunos. Professores que formam alunos para atuarem na educação básica pública. Essas drogas, em todos os sentidos, acabam por emporcalhar o ambiente de aprendizagem nas escolas públicas, com as exceções conhecidas, fato que comprova a regra geral.

A professora Sandra Cavalcanti está com 94 anos de idade. Viva para presenciar, desolada, a sua profética entrevista de 15 de março de 1964. Ela foi uma voz isolada, incompreendida, uma verdadeira profetiza em relação à politização esquerdista das massas, implantada através da educação, e a consequente redução e até extinção da qualidade do ensino ministrado em todos os níveis no Brasil. Essa profecia, infelizmente, está concretizada.

“É mais fácil governar um povo culto, cioso de suas prerrogativas e direitos, que tem nítida a compreensão de seus deveres, que um povo ignaro, indócil, sem iniciativa e inimigo do progresso”.

“O papel da instrução é preparar e formar homens capazes e úteis à sociedade; o papel do governo é fornecer meios fáceis de se adquirir a instrução, disseminando escolas e patrocinando iniciativas boas confiadas à competência e ao amor de quem promove   tão nobilitante tarefa”.

Prof. Carlos Alberto Gomes Cardim

Diretor da Escola Normal Caetano de Campos

Educador e Inspetor de Alunos, 1909

Irmão do fundador do

Centro Universitário Belas Artes de São Paulo

Pedro Augusto Gomes Cardim.

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