Terraplanistas & negacionistas: “jornalismo” militante

Blog da Reitoria nº 504 de 30 de agosto de 2021

Por Prof. Paulo Cardim

O “jornalismo” militante invadiu a imprensa brasileira. Os “jornalistas” e/ou blogueiros incrustados na grande mídia, submissos à ditadura dos “donos” desses veículos, estão usando indevidamente “terraplanista” e “negacionista” para todo e qualquer ser humano que não reze pela “cartilha” desses “donos”. Para eles, o presidente Bolsonaro é “terraplanista” e “negacionista”, rótulos que, para o público em geral, significa que a Terra é plana e o presidente nega a verdade científica.  Ledo engano. São militantes a serviço dos negacionistas que infestam a redação desses veículos:  impresso, televisado e blogado.

Os dicionaristas, que não são terraplanistas ou negacionistas, registram, em geral, que terraplanista é a “pessoa que acredita e defende a teoria conspiratória de que o planeta Terra é plano, como um disco [...], sem comprovação científica, contrariando a teoria fundamentada de que a forma da Terra é esférica”.

Naturalmente, retiram do contexto a frase “sem comprovação científica” para “carimbar” todo aquele que apresenta um argumento sem comprovação científica. E “negacionista” é todo aquele que é “terraplanista”. Simples assim. Massificam essas duas palavras quando se referem ao presidente Jair Bolsonaro. Primeiro:  ele já afirmou que sabe que a Terra não é plana. Não é idiota. Já serviu na aeronáutica e não ignora as viagens espaciais.

Para o público em geral, fica a imagem de que o presidente Bolsonaro acredita que a Terra é plana e nega toda e qualquer verdade científica. É muito rasteiro o jornalismo militante. Sem qualquer credibilidade. São negacionistas na exata definição dos dicionaristas: “que ou quem nega ou não reconhece como verdadeiro um fato ou um conceito que pode ser verificado empiricamente”, que se fundamenta na experiência prática, opondo-se à teórica.

Negam evidências, mas não têm competência ou interesse em comparar a teoria científica à prática e, nesse sentido, desenvolverem ações para comprovarem suas teorias “terraplanistas” ou “negacionistas”. Transformam políticos e magistrados, condenados ou processados por integrarem organizações criminosas ou praticarem crimes comuns como heróis da verdade, de defensores da vacinação em massa, pessoas “íntegras”, “patriotas”, apesar de criminosos contumazes.

Além dos jornalistas, há magistrados em altos cargos do sistema judiciário brasileiro e políticos no ostracismo, ou postos de comando no Congresso Nacional que seguem a teoria do “prendo e arrebento”, agora contra a democracia, contra o presidente Jair Bolsonaro. Isso em um país ingovernável com a Constituição de 88, como afirmou categoricamente o ex-presidente José Sarney, em entrevista ao jornal O Globo, edição de 25 de novembro de 1987. Basta consultar a Constituição “cidadã”, na inocência do deputado Ulysses Guimarães. Uma Constituição elaborada para um regime parlamentarista, recusado em plebiscito pelos eleitores brasileiros. Nós temos um parlamentarismo no regime presidencialista, a principal e podre jaboticaba brasileira. É só folhear a Constituição “cidadã”. O leitor vai encontrar centenas de referências à competência do Congresso Nacional, um feitor do século 21, e, por extensão, da Câmara dos Deputados e do Senado.

O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros (CEJB), no art. 10, define o que o “jornalista não pode” fazer:

–     Aceitar oferta de trabalho remunerado em desacordo com o piso salarial da categoria ou com tabela fixada pela sua entidade de classe;

–     Submeter-se a diretrizes contrárias à divulgação correta da informação;

–     Frustrar a manifestação de opiniões divergentes ou impedir o livre debate;

–     Concordar com a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, políticos, religiosos, raciais, de sexo e de orientação sexual;

–     Exercer cobertura jornalística, pelo órgão em que trabalha, em instituições públicas e privadas onde seja funcionário, assessor ou empregado. (gn)

Na grande mídia lemos ou assistimos editoriais (o pensamento dos “donos” do pedaço), reportagens, em que “jornalistas ou blogueiros submetem-se “a diretrizes contrárias à divulgação correta da informação”; impedem “a manifestação de opiniões divergentes ou impedem o livre debate” e concordam com “a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, políticos, religiosos, raciais, de sexo e de orientação sexual”.

Mas o maior absurdo vem agora. A Associação Brasileira de Imprensa ‒ ABI ‒ tem como slogan “FORA BOLSONARO”. A própria direção da ABI pratica o jornalismo militante raivoso, antidemocrático, rasteiro, indigno de jornalistas sérios e comprometidos com o art. 10 do CEJB. Essa não é a ABMI de Gustavo de Lacerda a Herbert Moses. É, na realidade, a “sociedade protetora dos animais”, como previa o jornalista Nicolau Ciancio, ao dialogar com Gustavo de Lacerda ‒ fundador e primeiro presidente da ABI, sobre a denominação da futura entidade: “Sociedade entre repórteres não fica bem. Parece com Associação Protetora dos Animais. Clube dos jornalistas, também não, lembra coisa de inglês”.

A quem apelar? Aos terraplanistas e negativistas do jornalismo submisso aos seus donos? Não.  Ao povo esclarecido deste país, que saberá responder, no momento oportuno, às ofensas gratuitas (?), despejadas diariamente pela grande mídia. Quem viver verá.

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