Jornal Mídia Educação – janeiro 2011

Conte sua trajetória na educação até vir a ser reitor de uma tradicional Instituição de Ensino.

O Centro Universitário Belas Artes de São Paulo foi fundado em setembro de 1925, por Pedro Augusto Gomes Cardim, com o primitivo nome de Academia de Belas Artes de São Paulo e, ao longo destes 85 anos, minha família esteve sempre à frente da escola, trabalhando para que os ideais do fundador permanecessem respeitados e fossem difundidos. Eu comecei a trabalhar na instituição ainda muito cedo. Tinha apenas 14 anos e passei a conhecer cada um dos departamentos durante os anos seguintes, entendendo as questões administrativas e acadêmicas envolvidas. Quando ingressei no ensino superior, optei por um curso de Direito, pois entendi cedo que a consolidação de uma instituição de ensino não está somente nestas duas áreas (administrativa e acadêmica): é preciso também entender a legislação e compreender que educação e política caminham juntas. Foi um longo caminho até tornar-me reitor, em 2002, caminho repleto de desafios que, hoje, como presidente da ANACEU (Associação Nacional dos Centros Universitários) e vice-presidente da COFENEN (Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino), enfrento com a experiência da maturidade e dos quais tiro valiosas lições.

De uma forma geral, como o senhor avalia a educação universitária no Brasil?

Estamos em um momento decisivo para o ensino superior no Brasil, pois é agora que devemos fazer as transformações que definirão os rumos da educação. O primeiro passo é fazer com que ela se torne uma prioridade e deixe de ser uma ferramenta política. Não há dúvidas de que o crescimento do país depende de um ensino de qualidade, que ainda não é proporcionado de forma devida pelo governo.

Outro ponto importante a ser considerado é que estamos sem meios eficientes de avaliar a qualidade do ensino como um todo. Os mecanismos atuais são ‘duros’, buscam respostas rápidas e acabam por não considerar as mudanças que ocorrem de forma cada vez mais dinâmica. O jovem universitário não é mais – há muito tempo – um simples receptor. Ele interage mais, exige mais e, acima de tudo, questiona mais. Ele traz consigo o mundo que vê fora da sala de aula – e quer que seja discutido, analisado. Para termos um quadro concreto da educação universitária no Brasil, precisamos atualizar os mecanismos de avaliação.

Qual é o principal desafio para alavancar a qualidade educacional?

Conforme dito anteriormente, um dos principais desafios é transformar a educação em uma prioridade real. É preciso que a educação seja concreta, ao contrário do que é pregado hoje; ou seja, de que basta ter um diploma. Quantos jovens estão recebendo seu diploma sem ter tido um ensino de qualidade? Incontáveis!

Educação é um bom negócio?

Todas as instituições de ensino, públicas ou privadas, precisam prestar contas, pois não podemos pensar em professores, infraestrutura e tudo que está relacionado à educação sem entender que há gastos envolvidos. Instituições de Ensino oferecem um serviço e devem ser cobradas como qualquer outra empresa. O cliente – aluno – deve reivindicar a qualidade do ensino. Assim como outras empresas, há administradores bons ou ruins, éticos ou inescrupulosos. Ao dizer que a educação é um “bom negócio”, devemos nos referir a uma troca justa: a instituição deve oferecer um ensino de qualidade e receber os meios para tornar isso realidade, num ciclo incessante e crescente.

Quais são os seus sonhos em relação a sua instituição de ensino?

O Centro Universitário Belas Artes de São Paulo cresceu muito em seus 85 anos, mas nossa prioridade nunca foi aumentar o número de alunos indiscriminadamente; queremos alunos, sim, mas dentro de uma realidade em que possamos oferecer um ensino diferenciado, não somente para garantir empregos, mas para formar cidadãos. Também temos uma relação forte com a arte e cultura da cidade de São Paulo, iniciada com o fundador (Pedro Augusto cooperou decisivamente na criação do Teatro Municipal e da Academia Paulista de Letras, por exemplo), e pretendemos estreitá-la ainda mais – prova disso é a criação do Museu Belas Artes de São Paulo (muBA), que já realizou mostras significativas, como a exposição de desenhos do estilista Dener.  Nosso maior objetivo é sair cada vez mais da sala de aula – do campus – e criar um laço com a cidade que sempre acolheu o nome Belas Artes. Mais do que a cidade, queremos criar laços com o mundo todo – e a nossa Divisão de Parcerias Internacionais é prova disto. Hoje não podemos mais pensar em educação de forma local – a troca de experiências deve ser internacional. Somente assim garantiremos a evolução do ensino ministrado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo.

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