Queridos irmãos e irmãs presentes nessa secular Basílica Abacial do Mosteiro de São Bento de Olinda. Cá estamos reunidos numa louvação a uma mulher única e inesquecível: nossa amada Janete Costa, encantada desde o dia 28 de novembro, quando passou a habitar os incomensuráveis salões da Luz do Infinito e a conviver com outras estrelas.
Aqui estão seus amados filhos – Roberta, Mário, Lucinha e Cacau -, seu companheiro e marido Borsói, seus netos, seu bisneto, seus sobrinhos, tantos parentes, seus tantos dedicados amigos, seus colegas e suas gentes de Olinda aqui chegadas para igualmente louvá-la.
Em nome de todos coube a mim falar o que enluta nossos corações, tamanha a dor e o vazio deixado. Como sei Janete, que você aqui esta presente, a nos ver, a nos sentir e quase a nos tocar com seu jeito caloroso e carinhoso de ser, falo diretamente, coisa que tenho inutilmente tentado, sem nunca lograr o esperado.
É que é mesmo difícil falar de alguém que há muito se tornou adjetivo incorporado ao léxico, só podendo ser usado com absoluta parcimônia para que não se peque por excesso ou não se resvale pelo lugar comum dos aduladores de ofício.
A questão que se põe é que além de adjetivo você hoje é um conceito e tudo isso causa uma verdadeira subversão lingüística de fazer inveja ao Guimarães, reinventor do idioma. Digo conceito, pois de tal modo sua obra se fez brasileira, universal, concreta e presente que dela se pode expressar idéias espaciais, pluridimensionais e, sobretudo inovadoras para as quais faltam expressões adequadas ou a necessária concisão conceitual. Pode-se perfeitamente expressar uma realidade plástica dizendo-se sê-la no estilo Janete.
Janetiana posto que inventada por Janete, ou seja, nunca dantes vista; somatório criativo de coisas e objetos que juntos compõem realidades visuais inusitadas provindas da energia criadora de uma menina de olhos brilhantes que cresceu no agreste pernambucano admirando o trabalho de artistas e artesãos anônimos da região. Ainda pequenina aprendeu a olhar o mundo através do policrômico e do multifacetado universo da feira. De Garanhuns onde nasceu ao Recife, fez inúmeras idas e vindas a feira de Caruaru, ali aprendendo a ter um olhar diferenciado, policrômico ou mesmo caleidoscópico. "Meus brinquedos eram bruxas de pano e os bonecos de barro do Mestre Vitalino". E disso se plantou sua raiz.
Dizem que todos somos substituíveis. Nem todos, pois afirmo contrariamente que Janete é de fato insubstituível.
Não estamos aqui a prantear a profissional, a arquiteta ou a designer que você foi com esmeradas e surpreendentes qualidades. Pranteamos a artista cujo encantamento gera uma imensa lacuna na cultura e nas artes brasileiras.
Há muito tempo ela ultrapassou os limites da arquitetura e do design. Seu vôo foi bem mais alto e o seu talento atingiu regiões bem mais elevadas da criação.
Tão pouco aqui estamos para louvar uma intelectual, uma mulher de letras ou do pensamento.
Estamos sim, diante de uma rara criatura criadora. Tão criadora cujos rótulos lhe são pequenos e acanhados para a explosão vulcânica do seu talento. Um talento de multifacetadas obras onde o epicentro é sem dúvida seu apaixonado mergulho nas artes do povo brasileiro, nas suas criações primitivas, arcaicas, liminares e inconscientes que você soube trazer a luz como ninguém até então fizera em todo o país.
Seu mergulho na feira, no artesanato nordestino, na essência da arte popular brasileira fará com que certamente se pergunte por todo o seu trabalho de arquiteta de interiores e de designer criadora?
Evidentemente que ambas as facetas permanecem como marcos na trajetória da arquitetura e do design brasileiro. Com excelência incomum soube criar interiores conjugando simplicidade e elegância, numa mescla única que tem a sua marca e grife, onde o arcaico e o contemporâneo dialogam de modo irrepreensível. Absolutamente integrada ao que de mais avançado se produzia no mundo Janete se dizia compromissada com a idéia de brasilidade.
“Contando com o poder de especificação que conquistei, concilio nesses espaços contemporâneos exemplares de arte popular, peças de artesanato e de arte brasileira. Considero essa integração uma questão de brasilidade, de fazer uma coisa com a nossa cara”.
Partindo dessa idéia conjugava nos ambientes que criava, com extremo talento e inegável habilidade, elementos de ponta, industrializados ou manufaturados, misturados a configurações orgânicas, geométricas, produzindo um diálogo constante entre as formas, e as matérias como o vidro e a madeira, o inox e o mármore, o acrílico e o sisal.
O resultado é um trabalho autoral. Na verdade uma criação artística que alia a linguagem contemporânea com a qual sempre esteve em sintonia; o profundo conhecimento de materiais que adquiriu em tantos anos de profissão; o admirável senso de adequação, coerência e dialogo presentes nos variados ambientes que criava, sejam eles um edifício público, um palácio, um hotel ou uma residência. Exemplifica o que ocorreu num templo gastronômico como foi o caso do restaurante “Le Saint Honoré”, no Rio, onde ela afirmava que “O desafio era criar um ambiente atualizado, contemporâneo e ao mesmo tempo luxuoso". Assim foi feito e com seu poder de convencimento, ou sem querer querendo, fez a casa perder os fios de pérolas e encolher dos seus setenta lugares, para os atuais 44. Para satisfação e orgulho do Chef tornou a cozinha maior que o restaurante. Ainda assim no luxo que a intervenção exigia o toque de etnicidade permanecia em toda parte. Com o seu humor rascante ela dizia "Demolimos tudo. Não sobrou nem fiação para contar a história".
Em decorrência dessa postura temos o prazer de ver uma produção exclusiva, única e personalizada, criando sem culpa, um diálogo entre o artesanato e a arte popular brasileira com o mais sofisticado design.
A multiplicidade de atividades e saberes de Janete lhe conferiam um talento de enorme abrangência. Ao olhar o ambiente que estava a criar e sentir falta de um objeto que não encontrava a venda ela própria se debruçava e o criava.
Objetos estes os mais variados, luminárias, cadeiras, mesas, sofás, mantas ou objetos de vidro pelos quais tinha particular fascínio. “Desde a infância, tenho paixão por esse material e já pedia copos de presente. Sou fascinada por sua cor, transparência e, principalmente, fragilidade. Para ter uma peça assim, é necessário estabelecer uma relação de amor”. Dizia ainda que “as relações pessoais são frágeis como o vidro e precisam ser manuseadas com delicadeza”. E assim lidando sempre com as pessoas com uma delicadeza de cristal reuniu uma das melhores coleções de vidros raros das existentes no país, onde estão presentes Laliques, Gallés e Schneiders, além de antigos vidros de farmácias, vidros decorativos em alabastro colorido, recolhidos nos mais diferentes paises, parte deles a serem admirados no Instituto Ricardo Brennand.
Entre seus muitos saberes de mestra criou inúmeros projetos de expografia para museus e exposições no Brasil e no exterior. Dentre elas salta a vista a memorável “Viva o Povo Brasileiro”, por ocasião da Eco/92, no Rio; a de “Arte Popular Brasileira” no Carreau du Temple, em Paris, 2005, a monumental “Que Chita Bacana”, no Sesc - São Paulo, a “Somos - Criação Popular Brasileira”, em Porto Alegre, 2006, a “Do Tamanho do Brasil”, Sesc Avenida Paulista, São Paulo, 2007; a “Transparências” no Recife em 2007, uma exposição autoral onde mostra sua delicada e surpreendente criação com vidros e cristais e finalmente “Uma Vida - Janete Costa e Acácio Gil Borsói”, no Museu do Estado de Pernambuco, Recife, também em 2007.
Certa vez, Burle Max, um dos seus amigos mais queridos, disse que Janete tinha para ele um significado especial, pois “em tudo, revela uma força interior nítida, e seu amor pela profissão faz parte de sua estrutura íntima”.
Nesse sentido Janete é um poço sem fim, um presente oferecido a Pernambuco e ao Brasil. Sua real importância há que ser ainda avaliada, sobretudo pelos desdobramentos dos muitos frutos que deixa: uma herança de generosidade que abrange arquitetos, artistas, designers, decoradores, pesquisadores, clientes, enfim toda uma tribo que com ela aprendeu.
Eu particularmente a tive anos seguidos como mestra. A mim ensinou-me a “olhar”. E não há ensinamento mais precioso, pois nenhuma academia propicia esse aprendizado. Debochava de mim quando eu me declarava um mero aprendiz de feiticeiro. Ensinava-me sem sequer saber que estava ensinando, tal o caudal da sua generosidade, tal a sua obstinada vontade de mudar a realidade, sem distinções de classe social, raça ou quaisquer outros tipos de preconceitos.
Uma ocasião fraturou a mão. Cheia de projetos para entregar dizia-me em completa aflição: “eu não dou conta disso. Eu penso com a mão”.
Possuía olhos de síntese, de rigor técnico e de apurada sensualidade plástica.
Pergunto onde encontrar esse olhar tão diferenciado, tão raro, tão mestiçamente brasileiro senão na galeria dos grandes talentos que construíram a arte de nosso país?.
Onde encontrar mãos que pensam?...
Onde se confrontar com mãos que raciocinam?...
Mãos que vão do mais seco cartesianismo ao deslumbramento criativo da forma.
Mãos que elaboram, configuram e transformam um simples e despojado pote de um oleiro anônimo numa requintada obra de arte?
Guiava-se pela intuição ou por um faro mediúnico, quase nunca pela razão. Trabalhava simultaneamente vários projetos sem descuidar de nenhum e afirmava “Eu trabalho muito rápido. Reconheço que é difícil me acompanhar... Tem uma frase de Picasso que exprime mais ou menos a minha forma de projetar, ‘primeiro faço, depois penso’. Projeto no ímpeto, na emoção, na paixão”.
Um inconfundível e raro olhar que sabia reconhecer e pinçar obras primas de tantos mestres.
Uma inequívoca maestria de trabalho exercida na maturidade de um talento e maceração de um dom.
A obstinada busca de uma vida dedicada a criação.
A perene curiosidade de aprender o novo e de se confrontar com os desafios.
A comovente harmonia que brotava generosa, de suas mãos, dos seus traços e do seu largo coração feito de canas caianas e de cajus.
E a humildade sincera e tocante que só os mestres de gênio sabem senti-la.
Mestra que não escondia temores, não camuflava dúvidas, não possuía convicções imutáveis.
Viveu sempre em estado de permanente aprender, de descobrir, de revelar e de expor o aluvião do seu talento.
Um talento tão singular que, temos todos certeza, mergulha nos domínios do divino, do merecimento da graça e da oferta do dom.
Mestra que nos fazia aprender com seu silêncio,
com a expressão do seu olhar,
com a ranhura de sua voz,
com a arquitetura dos seus gestos,
com seu traço cortante e doce
e com sua sede de síntese.
Despojamento de mestre destituído de atavios e adornos: puro, limpo e zen. Sobre esse atributo Marcelo Silveira, artista plástico dizia "Nos projetos de Janete, o objeto não é simples adorno para preencher algum buraco. Não é maquiagem nem embalagem. Pelo contrário, os objetos parecem transpirar. São personagens do projeto arquitetônico".
Maestria refinada do “saber olhar”, de romper fronteiras e domínios, sempre permanecendo com a essencialidade espacial que lhe permitia juntar linhas, formas e objetos numa cadeia rítmica de harmonias inéditas e equilíbrios surpreendentes.
Era, sem dúvida, o dom da sua Ânima que lhe possibilitava não apenas expor objetos, mas lhes conferir alma: pelo ritmo, pela dominância, pela volumetria, pela cor, pela textura, pela essência de cada peça, num procedimento análogo ao marionetista que anima objetos, ditos bonecos.
Maestria que lhe autorizava construir pontes entre universos aparentemente tão díspares, jogando dialeticamente com o dito primitivo e o possivelmente erudito, com o popular e o acadêmico, gerando novas sintonias, revelando interfaces nunca antes apreendidas, estabelecendo confrontos entre ancestralidade e contemporaneidade.
Uma brava nordestina, uma extremosa mãe, uma amiga preciosa, uma mulher com o coração do homem pobre do nordeste, conhecedora do mundo e sempre pernambucaníssima. O fato é que em 50 anos de trabalho produziu mais de 3.000 projetos.
Seu grande desejo era que a arte, o design e a arquitetura brasileiros expressassem as suas marcas culturais. Ao mesmo tempo, queria proporcionar um lugar privilegiado para os trabalhos de artesãos e artistas populares. “Minha preocupação é fazer com que arquitetos, designers e decoradores se interessem pela arte popular e comecem a especificar essas peças em seus projetos”.
Integralmente eclética, calorosa, destituída de preconceitos morais e estéticos, dona de uma personalidade vibrante e apaixonada, possuía um carisma tal que imediatamente agregava pessoas e as reunia em torno a sua mesa onde nunca perdia suas rasgadas de humor. Dizia sempre quando questionada esteticamente que “Mau gosto é o gosto dos outros. O nosso é sempre bom gosto”. Ao que acrescentamos o ditado popular “quem ama o feio, bonito lhe parece”.
Os anos lhe tornaram sábia. Sobre seu trabalho com os artesãos dizia “A minha intenção é entrar no anonimato para que eles saiam do anonimato. É preciso não esquecer que esse é um trabalho, antes de tudo, de inclusão social”.
Sabia que no Brasil, paradoxalmente, é nos grandes bolsões de pobreza que se encontra a maior criatividade e alertava a todos que “o artista popular é solidário, ele não tem problema de individualidade, ao contrário, dá a mão aos que trabalham com ele, sua preocupação é que mais pessoas possam viver daquela atividade. Sua visão de mundo é inteiramente diferente da que as pessoas das grandes cidades possuem”.
É nessa vertente onde Janete se tornou divisor d’águas na cultura brasileira.
A nos aqui reunidos nesse secular Mosteiro só nos cabe aplaudi-la e aos seus pés depositar nosso maior agradecimento pela sua vida, pelo convívio, pela sua tão perene generosidade.
A você Janete todo o nosso louvor.
Bravo!... Bravíssimo!
Olinda, 05 de dezembro de 2008.
Fernando Augusto Santos
Artista, cenógrafo e marionetista.
(por ocasião da celebração do 7º dia do encantamento de Janete)
É muito difícil para todos nós, avaliar hoje o tamanho desta perda:
a dimensão cultural, emocional e territorial de não termos mais Janete, no Costão da Niemeyer, na Ladeira do Amparo, nos Jardins; no Rio, em São Paulo, em Pernambuco, no mundo.
Mais fácil será para cada um de nós, lembrar o ganho que tivemos
por termos conhecido Janete Costa e celebrarmos juntos este privilégio.
Uma vida que mudou para sempre muitas vidas – de artesãos, de artistas populares, de artistas eruditos, de arquitetos, de amigos e colaboradores, de cidades inteiras,e, principalmente, de Acácio Gil Borsoi, para quem ela era La Corbusier.
Por mim, posso apenas testemunhar que ela me deu alguns dos momentos mais bonitos da minha vida e que, para mim, Janete Costa se torna de hoje para sempre sinônimo de BELEZA.
Sei que falo por muitos, quando, como professor, eu digo que:
Ela me ensinou a beleza das CORES.
Ela me ensinou a beleza das FLORES.
Ela me ensinou a beleza da COMIDA.
Ela me ensinou os sabores da VIDA.
Ela me ensinou a necessidade da FESTA.
Ela festejou comigo minhas CONQUISTAS.
Ela me deu o meu TRABALHO.
Ela me deu minha melhor AMIGA.
E eu só pude retribuir com alguns RISOS e SORRISOS ao redor da mesa.
Ela me ensinou a voltar sempre a VENEZA.
Ela me ensinou, por fim, a beleza da BELEZA.
Porque, como ela dizia: “A beleza não é mesquinha: raro, caro ou comprado numa feira, de fatura erudita ou popular, um belo objeto sempre nos proporcionará prazer”.
Palavras da Primeira Dama da Arquitetura Brasileira!
Difícil é falar de Janete com tristeza.
Au revoir, Madame.
Cadu Nunes-Ferreira, Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 2008
Janete Costa Faleceu, dia 28 de novembro, em Olinda, depois de longa enfermidade. Nascida em 3 de junho de 1932 em Garanhuns, PE, Janete formou-se em Arquitetura no Rio de Janeiro e desenvolveu uma carreira marcada por grandes contribuições nos campos da arquitetura de interiores, design expositivo, design de produtos e divulgação da arte popular e do artesanato brasileiros.
Casada com o arquitetocarioca Acácio Borsoi, Janete teve uma vida sempre rodeada de pessoas.Teve três filhos do primeiro casamento – Lucia, proprietária da galeria Amparo 60, em Recife; e Claudia e Mario Santos, arquitetos, residentes no Rio de Janeiro - e uma filha do casamento com Borsoi, a arquiteta Roberta, que mora em Olinda. Janete deixa uma legião de admiradores, que lembram dela não só como uma batalhadora obstinada, incansável, mas sobretudo como uma mulher extremamente generosa, afeto em estado bruto que derramava às pessoas ao seu redor, sem distinções de classe social, cor da pele ou qualquer outra circunstância.
Em Janete, ser brasileira – e, mais ainda, pernambucana – não foi mero adjetivo. O local de nascimento foi decisivo como norte de sua atuação, balizador. Ela teve um empenho visionário na questão de que a arte, o design e a arquitetura em nosso país precisam expressar as identidades culturais locais. Em sua trajetória, exercício profissional e vida pessoal sempre andaram junto com o exercício da cidadania. Teve uma ação decisiva em valorizar não só a arte popular brasileira, mas também os artistas, procurando sempre contemplar a questão da inclusão social e da geração de renda por meio de seus projetos.
Janete fez a curadoria e montagem de dezenas de exposições, entre elas Artesanato como um caminho, Fiesp/Ciesp, São Paulo, 1985; Bienal de artesanato, Centro de Convenções, Recife, 1986; Viva o povo brasileiro, Museu de Arte Moderna-MAM, Rio de Janeiro, 1992; Arte popular brasileira, Riocult, Rio de Janeiro, 1995; Arte Popular Brasileira e Arte Popular dos Estados, Carreau du Temple, Paris, 2005 (Ano do Brasil na França, convidada pelo governo brasileiro), Que Chita Bacana, Sesc Belenzinho, São Paulo, 2005, Somos-Criação Popular Brasileira, Santander Cultural, Porto Alegre, 2006, Do Tamanho do Brasil, Sesc Avenida Paulista, São Paulo, 2007; e Uma Vida - Janete Costa e Acácio Gil Borsoi, Museu do Estado de Pernambuco, Recife, 2007.
Como arquiteta, realizou projetos em bibliotecas, cinemas e auditórios, clubes, edifícios públicos, escritórios, galerias, hotéis, prédios comerciais e residenciais, lojas, museus, salas VIP, restaurantes e teatros. Fez edifícios públicos, palácios de governo, clubes, cinemas, teatros, escritórios, museus, salas vip de aeroportos. Foram mais de 3.000 projetos em meio século de atividades. Toda a experiência que adquiriu em 2.000 residências ela foi passando nos últimos anos para os hotéis. Seus projetos preenchem todos os requisitos técnicos da hotelaria internacional mas ultrapassam as receitas rígidas da hotelaria suíça e da americana, resultando em espaços com personalidade e expressão cultural.
O trabalho de Janete em design de produtos foi uma decorrência de sua atuação nos interiores, como arquiteta e decoradora. Em sua obsessão pelo detalhe, se não encontrava na produção industrial o que imagina para um ambiente, ela própria desenhava os elementos que iriam compô-lo – da cadeira à luminária, da colcha ao castiçal, lidando com facilidade com materiais como granito, mármore, vime, vidro, madeira, metal etc. A execução desses projetos era confiada, sempre que possível, a comunidades e cooperativas de trabalhadores.
Embora movida muito mais pela intuição do que pela razão, Janete pode ser considerada uma grande educadora. Clientes, estagiários, amigos são unânimes em afirmar que aprenderam a olhar, discernir e conhecer arte por meio da convivência com Janete. Vários arquitetetos e decoradores, sobretudo do Nordeste, dizem pertencer à “escola Janete”, aquela em que a cultura erudita e a popular eram absorvidas em pé de igualdade. Com os clientes, nunca exerceu uma ditadura do gosto, antes os levava a uma valorização de suas próprias histórias, somadas às vivências que ela proporcionava.
Personalidade eclética e vibrante, apaixonada pelo que fazia e pelas pessoas, Janete Costa foi uma grande brasileira. Todos que tiveram o privilégio de conhecê-la, como eu, hoje choram de saudades da amiga e da mestra, e lamentam a perda irreparável.
Adélia Borges, 29 de novembro de 2008
Janete Costa é Luz
amais pura luz
que indistintamente
a todos ilumina e seduz
ternamente, eternamente
com o seu olhar, sabor, saber e fazer brasileiros
nos faz perceber
com alegria
que o universo pode ser
efetivamente
ainda mais belo e humano.
Jethero Cardoso de Miranda em 11/06/2008
Laboratório CEITEM – Centro de Estudos e Informações Tecnológicas e Especificação dos Materiais. I ...
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