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Patrícia Viera faz desfile inspirado na didática de sala de aula

Desfiles dos looks criados pela estilista mineira para a temporada Inverno 2015 do SPFW foi realizado no Núcleo de Design da Belas Artes

Publicado em 06/11/2014

Ao trazer o desfile para a Belas Artes, Patrícia Viera fez um dos shows mais empolgantes até agora, na temporada Inverno 2015 do SPFW. Com formato didático e intimista, a estilista, acompanhada do stylist Felipe Veloso, explicou detalhadamente o processo de criação das peças e dos vários acabamentos que transformaram radicalmente sua matéria-prima, o couro, para a próxima estação. “Estamos vivendo um momento de pouca informação profunda, e isso é muito importante”, disse ela no backstage, antes da apresentação na sala de modelagem do curso de Design de Moda. “Comemoramos 90 anos de instituição no próximo ano, e sempre acreditamos nas áreas voltadas para a criatividade”, disse Patrícia Cardim, assessora institucional da Belas Artes, na abertura do evento.
 
“Sou fã da mulher que é várias em uma só. É emotiva, trabalha... É humana. E pra isso ela precisa de conforto, e de sentir-se pronta a qualquer hora”, explicou a estilista. Foi pensando nesse momento feminino que ela desenvolveu as peças que aliam o conforto inerente ao couro e modelagens reta e levemente evasê. O ponto de partida foi a arquitetura de Frank Lyoid Wright, famoso por integrar elementos orgânicos e tecnológicos em projetos como o Museu Guggenheim, em Nova York.
 
Na roupa, essa rica junção de técnicas e inspiração foi transformada no tailleur de tressê que Patrícia chama de malha de couro, uma trama feita com fios de 3 milímetros de couro tecidos industrialmente. O corte a laser, primeira interferência tecnológica usada pela carioca, veio com recorte ainda mais aberto e detalhado. “Usei couro lixado apenas de um lado, com filme sobreposto e suporte de uma base de tule para dar corpo ao tecido”, explicou.
 
Já a estampa recebeu vazados e aplique de cerca de 10 mil cristais em processo hotfix. “Levamos uma semana para fazer a matriz manualmente e, então, passar o desenho para o computador”, afirmou a estilista. Esse efeito forma a sequência com aparência molhada, como num dia de chuva, ao lado do acabamento envernizado e do croco recriado com película de filme.
 
Filha de mineiros, Patrícia conta que guarda o preciosismo de técnicas antigas, como o bordado com rolotê. “Usamos, aproximadamente, 600 metros de rolotê de couro para criar os arabescos. Três fábricas trabalharam juntas para conseguirmos chegar a esse resultado”, explica sobre o conjunto de saia evasê e jaquetinha. Além da marca que leva seu nome, Patrícia também cria para 12 outras empresas.  
 
Por Silvana Holzmeister, editora de moda e professora do curso de Design de Moda.
 
Fotos: Gabriel Cappelletti/ FOTOSITE

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