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Conexão Chile/São Paulo - 1ª parada MAVI




Pra quem gosta do circuito cultural de galerias e museus, a cidade de Santiago do Chile é um prato cheio.

Aproveitando o tempo que estive nessa cidade, batendo perna pra cima e pra baixo, deixo aqui algumas referências que acredito serem interessantes.

Primeira parada: MAVI - Museo de Artes Visuales

Começando com informações básicas, no MAVI estudantes de artes não pagam a entrada (muito bom ter levado a carteirinha da BA, porque mesmo sendo estrangeira, foi aceita) - o valor da entrada inteira é 1.000 pesos (o que equivale a aproximadamente 4 reais) e, meia, 500 pesos.

Acredito que tenha sido a primeira visita que fiz a um museu no Chile e de cara presencio uma exposição do acervo do MAVI com obras relacionadas ao período da ditadura militar.

A exposição, “EXPOSICIÓN COLECCIÓN 80″, reúne obras de 30 artistas importantes da época. Entre fotografias, pinturas, gravuras e objetos tridimensionais, me deparei com duas linhas bem distintas: obras com críticas abertas ao período de repressão e trabalhos que, em grande parte, eram compostos por pinturas contendo paisagens, onde a sutileza das cores apontavam características de forte repressão ao movimento artístico.

Benjamin Barrera, Artista Visual e Gestor Cultural, nos situou sobre o percurso e produção dos artistas que integravam a mostra fez uma colocação interessante. Para ele, o que mais representava esse período eram as pinturas de paisagens naturais, pois ali, a princípio, estavam apenas figuras da natureza, sem menção ao período de ditadura…o que mostra o quanto a produção nessa época foi reprimida.

Participam desta exposição os seguintes artistas:

Carlos Altamirano,Ciro Beltrán, Gupo C.A.D.A., Samy Benmayor, Victor Hugo Codocedo, Pablo Domínguez, Juan Dávila, Patricia Figueroa, Gonzalo Díaz, Omar Gatica, Eugenio Dittborn, Carlos Maturana, Arturo Duclos, Francisca Núñez, Mario Fonseca, Guillermo Núñez, Carlos Leppe, Matías Pinto D´Aguiar, Inés Paulino, Hernán Puelma, Lotty Rosenfeld, Francisco Smythe, Francisco Zegers, Ignacio Valdés e Raúl Zurita.

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PATRÍCIA FIGUEROA
da série “buscando América”
óleo sobre tela

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LOTTY ROSENFELD
“Registro de cruces”
intervenção realizada na frente da Casa Branca, em Washington D.C.

Outra exposição  no espaço do MAVI era “Lugar Comun”. Consistia em imagens que retratavam mulheres aos pares, todas vestidas com camisetas brancas e calça jeans azul - o fundo e a distancia para fazer os registros eram os mesmos. O que relacionava essas mulheres era o trabalho em um espaço doméstico. Foram fotografadas e entrevistadas cerca de 100 mulheres, entre 19 e 95 anos de países latino americanos no período de 2008 e 2009.

Depois de ler um pequeno texto sobre as imagens, descobri que as pessoas não foram escolhidas ao acaso. Todas eram patroa e empregada doméstica, colocadas de forma com que suas posições sociais ou qualquer outra característica não fossem percebidas - eram apenas mulheres aos pares. Havia, assim, uma quebra de estereótipos, promovendo “novos códigos de leitura”.

Integraram esse projeto Carmen Andrade, socióloga, Luz Maria Gómez, psiquiatra, Alejandra Araya, historiadora, Ruby Rumié e Justine Graham, artistas.

lugar-comun

No site do MAVI, além de informações sobre o museu e suas mostras, existe a possibilidade de fazer um tour virtual. É uma boa opção pra quem não conhece ver um pouco da estrutura do museu.